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Capítulo 5

Author: Ella
last update publish date: 2026-08-26 06:17:28

— Você perdeu alguém importante? Olha que cara de defunto. 

— Você é o defunto, River. 

O loiro de olhos azuis se indignou. 

— Conseguiu o que eu pedi?

— Sim, sim, eu acho isso uma loucura, mas consegui. 

— E?

— E? Bem, as moças são... legais. 

— Eu preciso de uma que vai ficar quieta e aceitar tudo que estiver no contrato. 

— Sabia que isso me dá arrepios?

— Você me dá arrepios e mesmo assim fico ao seu lado. 

— O que?!

Garrett riu.

— Fala logo, idiota, como vai ser isso?

De repente, uma moça sai de dentro do cartório. Ela parecia estar devastada. Algo fez com que ele prestasse atenção nela. E não era o corpo, que realmente, era muito belo. A bunda, então, fez com que ele não conseguisse desviar os olhos por vários minutos. Os cabelos eram ruivos e os olhos esverdeados. Linda. Mas de primeira, o que o fez se atentar a ela, era sua feição nada agradável e a forma como ela parecia estar “soltando fogo pelas ventas”.

— Está me ouvindo?

— Hum?

— Tira o olho da bunda da mulher. – Sussurrou. – Qual seu problema?

— Então, fala mais sobre isso aí. 

River franziu o cenho e ficou em silêncio por um momento. 

— O que está esperando? Perdeu a língua, é?

— Você tem certeza de que vai fazer isso?

Garrett suspirou longamente. Seu amigo já estava tentando fazê-lo desistir daquela loucura — sim, concordava que era uma loucura — há dias, mas não podia dar pra trás. Era necessário. Precisava de paz e não teria isso se continuasse solteiro.

— Preciso disso para ser livre. 

— Livre? Você vai se casar. 

Garrett suspirou outra vez. 

— A moça que você falou, tem tudo que preciso saber sobre ela aí?

— Claro, claro. Solteira, família pequena, só mãe e pai, não tem relacionamentos... 

— Ótimo. 

— Ela é bem bonita. 

— É um casamento de contrato, River, não me importo se ela é bonita. 

— Deveria. Ela vai viver sobre o mesmo teto que você. 

— É um contrato. Sem sexo, lembra?

De repente, ele escutou uma risada estranha. Talvez de escárnio? Com certeza de deboche, e um pouco de escárnio também. Ele fitou a mulher ao lado, percebendo que tinha vindo dela.

— Ai, vocês homens, sabem ser idiotas quando querem. 

Garrett franziu o cenho e River arregalou os olhos, fitando o melhor amigo por um instante. Já esperava que ele acabasse sendo grosseiro com a mulher, e temia que ele falasse alguma besteira, mesmo que a outra estivesse se metendo onde não devia.

— Usam as mulheres e depois se vitimizam, culpando-as por todos seus erros. Nós servimos para tudo, exceto para um casamento adequado. Porque mulher para vocês é só isso. Um joguete. 

— Por acaso te deram um pé, boneca?

— Por acaso te faltaram alguns pés, babaca?

Escutou River rir, alto e irritantemente escandaloso, e então a viu sumir de suas vistas, deixando-o indignado, e muito, muito curioso sobre ela. Ele nunca tinha sido tratado daquele jeito por nenhuma mulher. Era a primeira. E pelo jeito a única. E isso fez com que ele se interessasse em saber quem era ela. 

— Doeu, hein.

— Que doeu, o que. Ela descontou as frustações com o macho dela em mim. 

— Pode ser, mas ela acabou com você.

— Lembre-se que ela acabou com todos os homens. E você é um deles.

River ficou em silêncio, e abriu a boca, e então Garrett percebeu que ele só tinha se dado conta do que aconteceu naquele momento.

— Você é uma anta. – Revirou os olhos. – Descubra quem é ela.

— O que? – Arregalou os olhos.

— Descubra quem é ela. Não sei o que vai fazer, dá seu jeito. 

— Você está de brincadeira. 

Garrett começou a andar de volta para seu carro. 

— Como é que vou fazer isso?! – Gritou. – Você vai me pagar muito caro!

Garrett o ignorou e entrou, pedindo para que o motorista seguisse em direção ao restaurante, onde almoçaria com a filha antes de seguir em direção à praia. Não foi fácil, mas fez com que Mia aceitasse comer um pouco. Teve de ameaçar com o sorvete. Ela amava sorvete, não ficava um só dia sem tomar uma ou duas bolas. Ignorou o celular em mãos por algumas horas, escutando a menina falar e falar e falar. Ela tinha muita coisa para contar, e tinha de confessar que escutou apenas metade delas. Sim, era um idiota. De novo. Aquele dia só estava sendo mais “insuportável” que de costume. Mas a culpa não era de sua garotinha.

Quando chegou a praia, a viu correr em direção a areia, mas infelizmente teve de puxá-la para um quiosque que havia ali perto, pedindo para que ela tomasse o sorvete sentada, perto dele. Ela ficou desconfiada, e ele achou que devia contar o motivo de estarem ali, mas antes que pudesse fazer isso, o cliente esperado apareceu. 

— Sr. Cavalieri. Eu demorei muito?

— Cheguei a pouco. – De soslaio, viu sua garotinha ficar emburrada. – Eu fiquei um pouco curioso quando me chamou para conversar aqui. 

— Ah, eu adoro esse lugar, já fui surfista, sabe. 

Garrett olhou para o “carioca” — ao menos era o que parecia — de cabelos loiros. 

— No momento, quero muito uma parceria para poder competir. Eu não tenho ninguém para me financiar, e eu soube que vocês fazem isso. 

Garrett não soube o que dizer. Ele não achou que o motivo daquele homem estar ali, diante de si, querendo parceria, era para poder competir pelo mundo. Era até estranho. Eles deviam ter a mesma idade. Não que estivesse julgando, mas era estranho. Mesmo assim, não era daqueles que “julgava pela capa”. 

— Eu tenho vídeos meus. Eu sou muito bom. Se confiar em mim, não vou decepcionar. 

— Minha secretária deve ter me enganado. – Murmurou. 

— Perdão, ela é minha cunhada. Só queria me ajudar. 

Garrett pigarreou. 

— Cunhada. Está explicado. Bem, eu não sou homem de ficar enrolando, e também não sou daqueles que j**a o sonho das pessoas no lixo. Eu quero te conhecer melhor, ver seu potencial... uma equipe vai estar comigo e... – Parou de falar quando sentiu que estava faltando alguém ao seu lado. – Não. – Se levantou, procurando ao seu redor, a criança que deveria estar sentada tomando sorvete. – Mia! – Gritou por ela, mas não houve resposta.

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