Share

Capítulo 4

Author: Ella
last update publish date: 2026-08-26 06:16:23

Os passos dele eram pesados enquanto andava pelos corredores daquele colégio. Já tinha feito aquele caminho várias vezes, inclusive quando era mais novo. Ele estudou ali desde a pré-escola. Seus irmãos também. Ambos. Então não era muito difícil chegar à diretoria, mesmo que já tivesse se passado muitos anos desde a última vez que esteve ali. Ele tinha dezessete. Agora, com quase trinta, era normal desejar nunca mais estar em uma sala de diretoria, ainda mais quando o problema era sua filha de apenas cinco anos de idade. 

Sim, era pai de uma garotinha. Mas não casado. Nunca tinha se casado antes. Mia era filha de uma aventura dele com a mãe dela e isso causou uma gravidez inesperada. Ou talvez não. Ele ainda acreditava que aquela criatura sempre esteve de olho em sua grana. Ele só não foi mais duro com ela do que ela merecia, porque na época ela estava com uma gravidez de risco e precisava de descanso e não de estresse. Mas por muito tempo ele realmente acreditou que ela desejasse ser a mãe do herdeiro Cavalieri. Ou herdeira, no caso. Mas ele se enganou quando foi surpreendido por uma carta dentro de um cesto no qual estava a filha deles. Ela simplesmente abandonou tudo e todos, inclusive a própria filha. E desde então, nunca mais a viu. Isso já fazia quatro anos. Ele ainda se lembrava de como se viu completamente perdido com um bebê de um ano sobre sua responsabilidade. Seus pais e irmãos ajudaram como podiam, mas ele era o pai, ele era o responsável por aquele bebê. 

Mesmo sendo jovem, ele tentou ser o melhor pai que conseguia ser. Ele tirou um tempo só para a criança e fez o possível para que ela não sentisse a falta da mãe. O que era meio difícil porque com o tempo sua pequena começou a perguntar sobre ela. Como era, quem era, onde estava e por que não a quis. Era complicado explicar algo tão difícil para sua garotinha, então sempre deu um jeito de evitar isso. Desconversava sempre. E a enganava com presentes e doces preferidos. Sim, ele era um idiota. Mas era pai. E ninguém lhe deu um manual de como dizer a filha que a mãe a abandonou porque nunca quis ser mãe ou ter uma vida de casada. O que não aconteceria, porque ele mesmo se negou a se casar só por causa da criança. 

Mia era uma criança esperta, inteligente — até demais — e uma espoleta. Ela sabia como conseguir o que fosse de quem quer que fosse, até mesmo de um desconhecido. Era enlouquecedor ser pai daquela garotinha. E ainda assim, muito divertido. De vez em quando se pegava se lembrando de como ele mesmo era quando mais novo. Ele era igualzinho a ela. Fazia as mesmas brincadeiras e enlouquecia qualquer um quando queria alguma coisa. Ela era sua filha, afinal. Pegou todo seu DNA. Inclusive, esse era um dos motivos de ele estar na escola dela naquele momento, para saber o que ela tinha aprontado. 

— Sr. Cavalieri. 

Ele anuiu para a moça.

— A sra. Deveraux está a sua espera. 

Não foi uma surpresa encontrar sua filha no colo da madrinha dela. Ivy era a esposa de seu melhor amigo há alguns anos, e era a madrinha de Mia desde antes de ela nascer. Mas o problema era ela ser tão doce como era, porque não conseguia ser firme com a afilhada, principalmente quando se lembrava de que ela não tinha uma mãe. 

— Ai, não! 

Ele viu a filha correr para detrás da madrinha dela, desesperada. 

— Me salva, dinda, me salva. 

— O que foi que ela aprontou, Ivy?

— Ela... puxou... os cabelos de uma coleguinha. 

— Mia!

— A coleguinha a empurrou antes. 

O outro revirou os olhos.

— Tem certeza?

— Garrett, eu ouvi todos os envolvidos e não envolvidos, acha mesmo que ia passar a mão na cabeça da Mia se ela tivesse feito essa maldade sem motivos?

Ele suspirou longamente. Ivy podia ser aquela pessoa, mas não na escola. Ele sabia disso. Ela era uma diretora exemplar. Era por isso que os pais a adoravam.

— Está bem, o que foi que a menina fez?

— Querida?

Mia saiu detrás da madrinha, que continuava sentada, encolhendo os ombros. 

— Ela disse que eu não tenho mãe.

Garrett ficou chocado. 

— Disse que ela não me ama. 

Se abaixando na altura da filha, mesmo que longe dela, Garrett a chamou. 

— Venha aqui. 

Demorou um pouco, mas ela o fez, e o pai a abraçou. 

— Ela foi muito má. – Diz chorosa. 

Garrett não soube o que dizer, então apenas a pegou no colo, e a abraçou mais apertado. Se despediu de Ivy com apenas um olhar e se dirigiu ao carro, onde havia um motorista o esperando. Geralmente ele mesmo dirigia, mas naquele dia ele estava tendo alguns problemas, e como se sentia um tanto irritado, precisou do motorista da família. 

Era difícil ainda lidar com aquela história. Principalmente quando percebia o sofrimento de sua garotinha. Mas como ajudá-la a entender? Ela era pequena. E era normal ela querer uma mãe e sentir falta dela. Mas saber que ela não a quis, não era fácil. E ele não sabia como conversar com a pequena sobre aquela história. Ele já tentou várias vezes, mas não conseguiu. Ele apenas a abraçava e dizia que ela tinha a ele. E sempre o teria. E depois a distraia com qualquer coisa que ela queria muito. 

— Eu não quero ficar aqui. 

— Eu preciso resolver algo importante, e mais tarde vamos à praia. 

— Eba!

Garrett se sentiu um idiota por não dizer que o motivo de estar indo à praia, era trabalho. Mas era o único jeito de fazê-la ficar quietinha naquele carro por alguns minutos enquanto resolvia um certo problema com seu melhor amigo. Um problema que estava dando no que falar, já. E o problema tinha nome e sobrenome. Beatrice Cavalieri. Sua amada mãe. Já vinha acontecendo há algumas semanas. Meses, na verdade. Muitos meses. Ela queria que ele se casasse. E ele, que corria de relacionamento, surtou. Mas então ela começou a enviar moças atrás dele. E agora ele tinha que ficar se escondendo e fugindo de cada uma delas, o que era um inferno. 

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Meu Melhor Contrato   Capítulo 39

    Garrett franziu o cenho quando observou o corte mediano na parte de trás do ombro esquerdo. Tinha ficado pior do que imaginou. Tinha sentido uma ardência maior ali no banho de mais cedo, mas agora ele estava sentindo uma ardência maior depois de ter passado uma pomada. Foi meio difícil ele mesmo fazer o curativo, mas não seria louco de deixar Aimé fazer isso novamente. Não depois de perceber que ela fazia questão de fazê-lo sentir dor durante todo o processo, inclusive quando tampou o local com uma gaze molhada com álcool. Bem que ele tinha desconfiado das intenções dela quando viu aquele olhar nada amistoso ao ver aquele bendito corte. A verdade, era que ele tinha se machucado mais do que imaginou. Não pode ter muito cuidado; ou ele se jogava contra a janela, ou ficava para ser esmagado. E morto. A sensação que teve foi primeiro de choque e depois de fúria. Infelizmente um de seus homens tinha sido morto, e ele e os amigos quase foram para o mesmo caminho. A coisa mais difícil do mun

  • Meu Melhor Contrato   Capítulo 38

    Aquela personalidade não era nova para ela. Vê-lo ficar nervoso, ciumento e querendo provavelmente jogar alguém da escada ou de uma janela bem alta, não era novo para ela também. Na verdade, já o viu pior que aquilo. Mas o compreendia, de certa forma. Apesar de ser fofinho ver a cunhada apaixonada, e ver também aquele laço entre irmãos, ela entendia que era uma situação complicada. Conheceu o pai deles. Quando ele soubesse da expulsão, e pior, do motivo, ele ficaria furioso. E talvez, por Charlotte conhecer tão bem o pai, que ela recorreu ao único que poderia ajudá-la. Ao que parecia, acontecia muito. Garrett era sempre quem socorria a irmã mais nova. De certa forma, se identificou ali. Também não foi uma adolescente “quieta”. Bem pelo contrário. Era terrível. E sempre que precisava de ajuda ou de ser socorrida ia atrás do único que não lhe daria sermão. Mike. Ele podia suspirar, bagunçar os cabelos ou mesmo ficar incrédulo dependendo do que tenha acontecido, mas nunca dava sermão.

  • Meu Melhor Contrato   Capítulo 37

    — Você é tão gentil, como é que conseguiu se apaixonar pelo ogro do meu irmão mais velho? Não consigo entender. Aimé olhou de um para outro enquanto Mia ria da tia, que elogiava a todo momento o bolo feito por sua mãe. Quanto a Garrett , ele ignorou as palavras da irmãzinha, até porque, não adiantaria retrucar. Além disso, quantas vezes ele escutou aquelas mesmas palavras ou semelhantes de sua própria família? Até seu avô paterno comentou o mesmo quando ligou para saber se era verdade sobre seu casamento. — Nossa, você faz coisas divinas assim todos os dias? — A mamãe tem uma cafeteria. A outra se entusiasmou. — Mesmo? Quando vou poder visitar? — Quando quiser. – Aimé respondeu com um sorriso. – Coma mais um pouco, esse é um teste que fiz para saber se coloco no cardápio. — Se minha opinião vale de algo, você deve colocar. Está uma delícia. Isso é dos deuses. – Levou mais um pedaço a boca. – Comeria isso pra sempre. — Porque você é uma formiga. Aimé segurou uma risada

  • Meu Melhor Contrato   Capítulo 36

    — Bom dia. — Bom dia, Aimé! Ah, ela adorava aquilo. O som das vozes de todas aquelas pessoas lhe cumprimentando sempre que adentrava as portas de seu estabelecimento. Sentia sempre uma felicidade incomum sempre que acontecia. O sininho tocava sempre que alguém passava pela porta, mas mesmo assim, não eram todos que olhavam para ver quem adentrava; mais mesmo os curiosos. Ela cumprimentava a todos sempre que chegava, normalmente no mesmo horário, por volta das 12h da manhã. Ela pegava Mia na escola e ia direto para “Pétalas de Café”. E se despedia da mesma forma, sempre que chegava a hora de ir para casa. — Que bom que chegou, eu precisava mesmo falar com você. Mal passou pela porta e já tinha sua melhor funcionária em seu calcanhar, parecendo desesperada, ou querendo surtar. — Tudo bem, Davina, estou aqui agora. — Temos uma encomenda grande, e eu estou meio perdida. A ruiva sorriu; era a primeira encomenda grande desde que reabriram a cafeteria. As pessoas já a conhecia,

  • Meu Melhor Contrato   Capítulo 35

    Aimé tentava não pensar em como o “relacionamento” dela com o “marido” estava mudando. Não que isso fosse algo ruim, ou um problema. Na verdade, deveria ser um problema, se isso fosse fazê-la se apaixonar. Mas depois do que aconteceu, seria ridículo pensar que voltaria a ter sentimentos por alguém. Mesmo que esse alguém fosse Garrett Cavalieri. Ele era incrível. Um doce. E que ele não a escutasse dizer isso. Sempre muito atencioso. Carinhoso. Era chocante se ver em um “relacionamento” como aquele. Logo ela, que prometeu que não haveria nada entre eles. E agora eles não só se beijavam, como também se tocavam o tempo todo. Ela devia estar preocupada, agora, mas não estava. Ela gostava de estar com alguém como Garrett. E ela não tinha que ficar contando os dias que isso ainda aconteceria, ou se perguntando o que se passava na cabeça dele. Normalmente, ela estaria querendo saber dos sentimentos dele. Mas não. Ela gostava do que estavam tendo. Era algo mais leve. Será que algum dia daquele

  • Meu Melhor Contrato   Capítulo 34

    As gargalhadas das crianças soavam por toda a mansão. Para os que trabalhavam para Garrett há muitos anos, era como se estivessem em um mundo paralelo. Não que estivessem achando ruim daquele momento; na verdade, era o contrário. O lugar ficava muito mais alegre com todas aquelas crianças. Depois que o “chefe” deles se casou, a mudança foi da água para o vinho. No bom sentido. Tudo se tornou mais colorido. A única criança que morava ali, já não era mais quieta, triste e não mais aprontava todas para chamar a atenção do pai. E essa nem foi a mudança mais extraordinária. Eles não se lembravam da última vez que viu o chefe deles rir desde que foram contratados. Mia ainda era um bebê. Foi logo que ela completou seis meses. Mesmo sendo novo e pai, ele tinha tomado a decisão de morar sozinho com a menina. A mansão era de um arquiteto renomado do país, que tinha acabado de ganhar uma premiação. Ele colocou a mansão a venda e Garrett comprou sem pensar duas vezes. Ela era perto do trabalho, p

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status