Home / Romance / Meu Segurança Particular Na Linha do Perigo / Capítulo 3 - Entre Sobrevivência e Escolhas

Share

Capítulo 3 - Entre Sobrevivência e Escolhas

last update publish date: 2026-09-14 06:06:29

O bipe constante dos monitores cardíacos era o único som a quebrar o silêncio da sala de espera do Hospital Universitário de Seul. Cha Min-seo continuava de pé, a postura impecável e os braços cruzados sobre o busto, recusando-se a sentar nas poltronas confortáveis do corredor. O contraste entre sua saia justa de alta-costura e o vestígio seco de sangue no punho de sua manga servia como um lembrete vívido do atentado sofrido horas antes.

A luz vermelha acima da porta do bloco cirúrgico finalmente se apagou.

Poucos segundos depois, as portas duplas se abriram e o cirurgião-chefe caminhou na direção de Min-seo, removendo a máscara cirúrgica com um semblante cansado, porém aliviado.

— Senhora Cha — cumprimentou o médico, curvando-se levemente em respeito. — A cirurgia foi longa e delicada, mas conseguimos extrair os projéteis sem danos maiores aos órgãos vitais. O Senhor Park é um homem forte. Ele já foi transferido para a UTI e está oficialmente fora de perigo.

Um alívio silencioso percorreu os ombros de Min-seo, embora ela não tenha deixado transparecer mais do que um suave relaxar de sua expressão.

— Quando ele poderá voltar ao trabalho? — perguntou ela, pragmática.

— Ele precisará de semanas de repouso absoluto e fisioterapia para recuperar a mobilidade do ombro — explicou o médico, com tom cauteloso. — Qualquer esforço físico ou estresse emocional nas próximas semanas está fora de cogitação.

— Entendo. O melhor tratamento da Coreia estará à disposição dele. Garanta que nada faltará.

Após certificar-se de que o assistente estava devidamente instalado na unidade intensiva, Min-seo deixou o hospital sob a proteção temporária de uma escolta tática terceirizada.

Na manhã seguinte, o sol recém-nascido dourava a fachada de vidro temperado do arranha-céu da Maison Cha. Faltando vinte minutos para as oito da manhã, a sala de conferências do último andar exalava uma atmosfera de pura tensão corporativa.

Sete homens com físicos imponentes, vestidos em ternos escuros sob medida e ostentando currículos militares impecáveis, aguardavam em fila. Entre eles estava Han Seo-jun.

Diferente dos demais candidatos, que trocavam olhares competitivos e ajustavam gravatas com ansiedade, Seo-jun mantinha a postura ereta, os braços cruzados atrás das costas e os olhos fixos na vista panorâmica de Seul. Ele vestia um terno preto corte reto, de linhas sóbrias, que se ajustava com perfeição aos seus ombros largos.

O som característico dos saltos altos de Min-seo ecoou pelo corredor de mármore antes mesmo que ela cruzasse a porta. Quando a CEO entrou na sala, a conversa baixa cessou imediatamente.

Ela trazia o cabelo preso em um coque austero, vestia um blazer estruturado em tom azul-noite e carregava no olhar a severidade de quem não perdoaria o menor deslize. Ao lado dela, dois diretores da agência de segurança privada mantinham-se a um passo de distância.

— Bom dia — declarou Min-seo, a voz fria cortando o ar da sala. Ela não se deu ao trabalho de se sentar, permanecendo diante do grupo. — Todos vocês sabem por que estão aqui. Ontem, minha equipe sofreu uma brecha inaceitável. O homem que assumir a liderança da minha segurança pessoal não terá apenas a função de me seguir; terá a responsabilidade de antecipar ameaças antes que elas aconteçam.

Seus olhos afiados percorreram a fila, examinando cada um dos homens como se avaliasse um produto de luxo.

— Não tolero falhas, não aceito desculpas e não admito que questionem minhas ordens. Quem não estiver preparado para uma rotina de estresse extremo e risco de vida diário, pode se retirar agora.

Nenhum dos candidatos se moveu, mas o desconforto na sala era palpável.

Min-seo começou a sabatinar os postulantes, fazendo perguntas técnicas sobre rotas de fuga, protocolos de varredura contra explosivos e gerenciamento de crises. As respostas vinham decoradas e formais, mas nenhuma parecia impressioná-la.

Até que seus passos pararam diante de Han Seo-jun.

A diferença de altura entre eles fez com que Min-seo precisasse erguer suavemente o queixo para encará-lo. Ela notou a cicatriz discreta perto da têmpora dele e a ausência total de hesitação em suas pupilas escuras.

— Han Seo-jun. Ex-capitão das Forças Especiais — leu ela, passando os olhos pelo tablet que segurava. — Condecorado por missões de alto risco no exterior. Por que um homem com seu histórico aceitaria um trabalho de proteção executiva em vez de continuar na carreira militar?

Seo-jun sustentou o olhar da CEO sem piscar, a voz grave e calma sobressaindo no silêncio da sala.

— O dever militar cumpre um ciclo, Senhora Cha. Minha função é garantir a sobrevivência de quem me contrata, independentemente do cenário.

— E como pretende me proteger de um inimigo que ataca de dentro da própria empresa? — questionou ela, dando um passo à frente, testando a firmeza do ex-militar. — Ontem, os disparos vieram de uma zona cega do perímetro. Como você teria agido?

— Eu não teria permitido que a senhora embarcasse do veículo antes que a zona cega fosse inspecionada — respondeu Seo-jun, seco e direto, sem tentar agradar. — A falha ontem não foi o tempo de reação ao tiro, mas sim a autorização de embarque em área vulnerável.

Os diretores da agência ao lado prenderam a respiração diante da audácia da resposta. Min-seo estreitou os olhos, sentindo uma ponta de irritação pelo tom direto do candidato, mas interiormente reconhecendo que ele fora o único a diagnosticar o erro real do evento.

— Você me parece muito confiante, Senhor Han — retrucou Min-seo, a voz carregada de um aviso velado. — As pessoas costumam achar minha convivência difícil.

— Não serei contratado para simpatizar com a senhora — respondeu Seo-jun com serenidade implacável. — Se selecionado, será para manter a senhora viva.

O silêncio reinou na sala por longos segundos. Min-seo olhou para o tablet, depois encarou Seo-jun de alto a baixo mais uma vez.

— A seleção está encerrada — anunciou ela, virando-se de costas para o grupo. — Senhor Han, esteja no meu gabinete em cinco minutos para assinar a cláusula de confidencialidade e assumir o posto. Os demais estão dispensados.

As portas de vidro da sala de conferências se fecharam, deixando para trás os outros candidatos desapontados e o silêncio denso do andar da diretoria.

Min-seo caminhou em direção ao seu gabinete a passos firmes, ouvindo o som cadenciado e pesado dos sapatos de Seo-jun a poucos metros atrás de si. A presença dele era inegável: um perímetro de segurança ambulante, silencioso e vigilante.

Ao cruzarem a entrada da sala da presidência, a CEO parou diante da ampla janela panorâmica com vista para os arranha-céus de Seul. Sem se virar para encará-lo, ela quebrou o silêncio com a voz fria:

— Uma última instrução, Senhor Han. A partir de agora, onde quer que eu vá, você estará lá. Mas não se engane: a segurança é sua, mas o controle dessa empresa continua sendo inteiramente meu.

Seo-jun observou a postura rígida de Min-seo e o reflexo tenso de seus olhos no vidro da janela. Ele deu um passo à frente, reduzindo a distância entre eles o suficiente para que seu tom grave ressoasse com autoridade absoluta:

— O controle é todo seu, Senhora Cha. Mas para mantê-la viva, a partir de hoje, a sua vida pertence às minhas ordens.

Min-seo virou-se devagar, seus olhos caindo sobre o olhar impassível do novo chefe de segurança. O choque de visões selava um pacto perigoso: no centro de uma guerra corporativa sangrenta, a proximidade forçada entre a CEO implacável e o ex-militar insubmisso estava prestes a começar.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Meu Segurança Particular Na Linha do Perigo   Capítulo 7 - Cortina de Fumaça

    Ao chegar à casa de Min-seo — uma residência de arquitetura moderna e sóbria em um bairro nobre de Seul — Seo-jun estacionou o veículo blindado de frente para a entrada principal. Antes de destravar as portas, ajustou o retrovisor e franziu o cenho ao notar a ausência do carro da equipe de apoio. Varreu o perímetro ao redor com o olhar analítico: a rua estava silenciosa e vazia. Nenhum sinal dos seus homens.Seo-jun saiu do veículo, deu a volta e abriu a porta traseira. Min-seo desceu tentando a todo custo manter a postura ereta, mas o corpo ainda não respondia com firmeza. Ao dar os primeiros passos, a visão oscilou e ela cambaleou.Em um reflexo rápido, Seo-jun avançou e a amparou firmemente pelo braço.Min-seo, contudo, soltou-se do toque dele de imediato, afastando o braço com a pouca força que lhe restava.— Não toque em mim — declarou ela, a voz fraca, mas carregada de orgulho.Seo-jun recuou um passo, sem argumentar, mantendo-se em sua posição de retaguarda. Min-seo caminhou at

  • Meu Segurança Particular Na Linha do Perigo   Capítulo 6 - Sob a Luz dos Holofotes

    Seo-jun notou algo estranho assim que adentrou no auditório. Seus olhos acostumados à penumbra e ao rastreio de ameaças captaram imediatamente uma oscilação anômala nos refletores do teto: duas das lâmpadas de iluminação cenográfica piscaram com um defeito sutil de fiação, projetando sombras irregulares sobre a passarela de testes.Não se tratava de um atentado iminente, mas sim de uma falha de manutenção inaceitável para o nível de exigência da Maison Cha.Varrendo o ambiente com o olhar, ele localizou rapidamente os quatro seguranças de apoio da sua equipe. Posicionados em pontos estratégicos do auditório — dois junto às saídas de emergência e dois no mezanino de controle — os operacionais mantinham-se invisíveis para os presentes, mas em perfeita sintonia visual com o Capitão. Um leve aceno de cabeça de um dos homens confirmou que o perímetro do auditório estava devidamente selado.Min-seo avançou até a mesa central da banca avaliadora sem dar importância à executiva que a bajulara

  • Meu Segurança Particular Na Linha do Perigo   Capítulo 5 - Sombras no Espelho

    Caminhando a passos firmes pelo corredor que conduzia às escadas e elevadores do andar da diretoria, a presença de Seo-jun ao lado de Min-seo era constante. Ele ajustou o microfone sutil fixado na gola de sua jaqueta, acionando o comunicador interno conectado ao fone de ouvido.— Quatro homens, dirijam-se imediatamente ao auditório no terceiro andar — ordenou ele, a voz firme e profissional ressoando na linha tática. — Faça a varredura preventiva do perímetro antes da nossa chegada.— Positivo e copiado, Capitão. A caminho, senhor — veio a resposta imediata do outro lado do rádio.Min-seo ergueu o pulso e olhou para o relógio de marca, notando os minutos contados enquanto paravam de frente para as portas metálicas do elevador.Ao seu lado, Seo-jun mantinha uma postura impecável, com a cabeça erguida e os ombros alinhados. No entanto, seu olhar analítico não estava fixo na luz indicadora dos andares, mas na CEO. Ele percebeu quando os dedos longos e bem-cuidados de Min-seo começaram

  • Meu Segurança Particular Na Linha do Perigo   Capítulo 4 - Sob Vigilância Absoluta

    As horas avançavam de forma lenta dentro da imponência do escritório da presidência da Maison Cha. O silêncio na sala só era quebrado pelo som suave das folhas de contratos sendo assinados e pelo ritmo pausado do teclado do computador de Min-seo.A poucos metros da mesa principal, Han Seo-jun permanecia de pé. Sua postura era a de um soldado em prontidão absoluta: pernas levemente afastadas, mãos entrelaçadas atrás das costas e um olhar frio e analítico que varria cada centímetro do ambiente, atento aos mínimos detalhes, dos dutos de ventilação às sombras na vidraça.Cansada após horas de leitura ininterrupta e com a garganta seca pela tensão do dia, Min-seo ergueu-se bruscamente da cadeira executiva. Ela caminhou em direção à bancada de mármore no canto da sala, disposta a servir-se de água da jarra de vidro lapidado que descansava sobre a superfície fria.Antes que sua mão pudesse tocar o gargalo da jarra, uma sombra alta e imponente cortou seu caminho.— Com licença, Senhora Cha —

  • Meu Segurança Particular Na Linha do Perigo   Capítulo 3 - Entre Sobrevivência e Escolhas

    O bipe constante dos monitores cardíacos era o único som a quebrar o silêncio da sala de espera do Hospital Universitário de Seul. Cha Min-seo continuava de pé, a postura impecável e os braços cruzados sobre o busto, recusando-se a sentar nas poltronas confortáveis do corredor. O contraste entre sua saia justa de alta-costura e o vestígio seco de sangue no punho de sua manga servia como um lembrete vívido do atentado sofrido horas antes.A luz vermelha acima da porta do bloco cirúrgico finalmente se apagou.Poucos segundos depois, as portas duplas se abriram e o cirurgião-chefe caminhou na direção de Min-seo, removendo a máscara cirúrgica com um semblante cansado, porém aliviado.— Senhora Cha — cumprimentou o médico, curvando-se levemente em respeito. — A cirurgia foi longa e delicada, mas conseguimos extrair os projéteis sem danos maiores aos órgãos vitais. O Senhor Park é um homem forte. Ele já foi transferido para a UTI e está oficialmente fora de perigo.Um alívio silencioso perc

  • Meu Segurança Particular Na Linha do Perigo   Capítulo 2 - Protocolo de Emergência

    O som agudo e intermitente da sirene cortava o trânsito pesado do final da tarde a caminho do hospital. Sentada no banco dobrável da ambulância, Cha Min-seo mantinha os olhos fixos no rosto pálido do Secretário Park. Suas mãos, ainda limpas à pressa mas com marcas de sangue sob as unhas, estavam apertadas com força sobre as pernas.Os paramédicos trabalham rápido para controlar os sinais vitais e conter o sangramento no ombro e na coxa do assistente. Toda a postura firme da CEO da Maison Cha parecia prestes a fraquejar, mas ela mantinha o queixo erguido, recusando-se a demonstrar fraqueza na frente dos socorristas.Ao encostar na entrada de emergência do Hospital Universitário de Seul, a equipe médica assumiu o controle, empurrando a maca às pressas pelos corredores de luzes brancas. Min-seo os acompanhou até a porta dupla do centro cirúrgico, onde foi impedida de avançar.— A senhora precisa aguardar aqui do lado de fora — informou uma enfermeira, com tom firme e profissional.As por

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status