로그인O bipe constante dos monitores cardíacos era o único som a quebrar o silêncio da sala de espera do Hospital Universitário de Seul. Cha Min-seo continuava de pé, a postura impecável e os braços cruzados sobre o busto, recusando-se a sentar nas poltronas confortáveis do corredor. O contraste entre sua saia justa de alta-costura e o vestígio seco de sangue no punho de sua manga servia como um lembrete vívido do atentado sofrido horas antes.
A luz vermelha acima da porta do bloco cirúrgico finalmente se apagou.
Poucos segundos depois, as portas duplas se abriram e o cirurgião-chefe caminhou na direção de Min-seo, removendo a máscara cirúrgica com um semblante cansado, porém aliviado.
— Senhora Cha — cumprimentou o médico, curvando-se levemente em respeito. — A cirurgia foi longa e delicada, mas conseguimos extrair os projéteis sem danos maiores aos órgãos vitais. O Senhor Park é um homem forte. Ele já foi transferido para a UTI e está oficialmente fora de perigo.
Um alívio silencioso percorreu os ombros de Min-seo, embora ela não tenha deixado transparecer mais do que um suave relaxar de sua expressão.
— Quando ele poderá voltar ao trabalho? — perguntou ela, pragmática.
— Ele precisará de semanas de repouso absoluto e fisioterapia para recuperar a mobilidade do ombro — explicou o médico, com tom cauteloso. — Qualquer esforço físico ou estresse emocional nas próximas semanas está fora de cogitação.
— Entendo. O melhor tratamento da Coreia estará à disposição dele. Garanta que nada faltará.
Após certificar-se de que o assistente estava devidamente instalado na unidade intensiva, Min-seo deixou o hospital sob a proteção temporária de uma escolta tática terceirizada.
Na manhã seguinte, o sol recém-nascido dourava a fachada de vidro temperado do arranha-céu da Maison Cha. Faltando vinte minutos para as oito da manhã, a sala de conferências do último andar exalava uma atmosfera de pura tensão corporativa.
Sete homens com físicos imponentes, vestidos em ternos escuros sob medida e ostentando currículos militares impecáveis, aguardavam em fila. Entre eles estava Han Seo-jun.
Diferente dos demais candidatos, que trocavam olhares competitivos e ajustavam gravatas com ansiedade, Seo-jun mantinha a postura ereta, os braços cruzados atrás das costas e os olhos fixos na vista panorâmica de Seul. Ele vestia um terno preto corte reto, de linhas sóbrias, que se ajustava com perfeição aos seus ombros largos.
O som característico dos saltos altos de Min-seo ecoou pelo corredor de mármore antes mesmo que ela cruzasse a porta. Quando a CEO entrou na sala, a conversa baixa cessou imediatamente.
Ela trazia o cabelo preso em um coque austero, vestia um blazer estruturado em tom azul-noite e carregava no olhar a severidade de quem não perdoaria o menor deslize. Ao lado dela, dois diretores da agência de segurança privada mantinham-se a um passo de distância.
— Bom dia — declarou Min-seo, a voz fria cortando o ar da sala. Ela não se deu ao trabalho de se sentar, permanecendo diante do grupo. — Todos vocês sabem por que estão aqui. Ontem, minha equipe sofreu uma brecha inaceitável. O homem que assumir a liderança da minha segurança pessoal não terá apenas a função de me seguir; terá a responsabilidade de antecipar ameaças antes que elas aconteçam.
Seus olhos afiados percorreram a fila, examinando cada um dos homens como se avaliasse um produto de luxo.
— Não tolero falhas, não aceito desculpas e não admito que questionem minhas ordens. Quem não estiver preparado para uma rotina de estresse extremo e risco de vida diário, pode se retirar agora.
Nenhum dos candidatos se moveu, mas o desconforto na sala era palpável.
Min-seo começou a sabatinar os postulantes, fazendo perguntas técnicas sobre rotas de fuga, protocolos de varredura contra explosivos e gerenciamento de crises. As respostas vinham decoradas e formais, mas nenhuma parecia impressioná-la.
Até que seus passos pararam diante de Han Seo-jun.
A diferença de altura entre eles fez com que Min-seo precisasse erguer suavemente o queixo para encará-lo. Ela notou a cicatriz discreta perto da têmpora dele e a ausência total de hesitação em suas pupilas escuras.
— Han Seo-jun. Ex-capitão das Forças Especiais — leu ela, passando os olhos pelo tablet que segurava. — Condecorado por missões de alto risco no exterior. Por que um homem com seu histórico aceitaria um trabalho de proteção executiva em vez de continuar na carreira militar?
Seo-jun sustentou o olhar da CEO sem piscar, a voz grave e calma sobressaindo no silêncio da sala.
— O dever militar cumpre um ciclo, Senhora Cha. Minha função é garantir a sobrevivência de quem me contrata, independentemente do cenário.
— E como pretende me proteger de um inimigo que ataca de dentro da própria empresa? — questionou ela, dando um passo à frente, testando a firmeza do ex-militar. — Ontem, os disparos vieram de uma zona cega do perímetro. Como você teria agido?
— Eu não teria permitido que a senhora embarcasse do veículo antes que a zona cega fosse inspecionada — respondeu Seo-jun, seco e direto, sem tentar agradar. — A falha ontem não foi o tempo de reação ao tiro, mas sim a autorização de embarque em área vulnerável.
Os diretores da agência ao lado prenderam a respiração diante da audácia da resposta. Min-seo estreitou os olhos, sentindo uma ponta de irritação pelo tom direto do candidato, mas interiormente reconhecendo que ele fora o único a diagnosticar o erro real do evento.
— Você me parece muito confiante, Senhor Han — retrucou Min-seo, a voz carregada de um aviso velado. — As pessoas costumam achar minha convivência difícil.
— Não serei contratado para simpatizar com a senhora — respondeu Seo-jun com serenidade implacável. — Se selecionado, será para manter a senhora viva.
O silêncio reinou na sala por longos segundos. Min-seo olhou para o tablet, depois encarou Seo-jun de alto a baixo mais uma vez.
— A seleção está encerrada — anunciou ela, virando-se de costas para o grupo. — Senhor Han, esteja no meu gabinete em cinco minutos para assinar a cláusula de confidencialidade e assumir o posto. Os demais estão dispensados.
As portas de vidro da sala de conferências se fecharam, deixando para trás os outros candidatos desapontados e o silêncio denso do andar da diretoria.
Min-seo caminhou em direção ao seu gabinete a passos firmes, ouvindo o som cadenciado e pesado dos sapatos de Seo-jun a poucos metros atrás de si. A presença dele era inegável: um perímetro de segurança ambulante, silencioso e vigilante.
Ao cruzarem a entrada da sala da presidência, a CEO parou diante da ampla janela panorâmica com vista para os arranha-céus de Seul. Sem se virar para encará-lo, ela quebrou o silêncio com a voz fria:
— Uma última instrução, Senhor Han. A partir de agora, onde quer que eu vá, você estará lá. Mas não se engane: a segurança é sua, mas o controle dessa empresa continua sendo inteiramente meu.
Seo-jun observou a postura rígida de Min-seo e o reflexo tenso de seus olhos no vidro da janela. Ele deu um passo à frente, reduzindo a distância entre eles o suficiente para que seu tom grave ressoasse com autoridade absoluta:
— O controle é todo seu, Senhora Cha. Mas para mantê-la viva, a partir de hoje, a sua vida pertence às minhas ordens.
Min-seo virou-se devagar, seus olhos caindo sobre o olhar impassível do novo chefe de segurança. O choque de visões selava um pacto perigoso: no centro de uma guerra corporativa sangrenta, a proximidade forçada entre a CEO implacável e o ex-militar insubmisso estava prestes a começar.
Após dançarem até os pés pedirem trégua e a respiração ficar entrecortada, Seo-jun guiou Min-seo pela mão subindo uma pequena escadaria lateral, afastando-se do mar de gente na pista principal. Eles entraram no camarote reservado do andar superior, onde o som alto da banda de rock chegava amortecido, transformando-se em uma melodia de fundo envolvente.O espaço era intimista, iluminado apenas por fitas LED em tom âmbar e com estofados aveludados e confortáveis. Seo-jun pediu duas taças de bebida cítrica e entregou uma a Min-seo.Ambos se sentaram lado a lado no sofá aconchegante. Min-seo encostou a cabeça no ombro da jaqueta de couro de Seo-jun, sentindo a respiração dele estabilizar-se junto com a sua. O calor da dança ainda permanecia em suas peles, mas o olhar de ambos agora trazia uma profundidade tranquila e contemplativa.— Eu estava aqui pensando... — começou Min-seo em um tom suave, ajeitando a taça entre os dedos. — Quando essa tempestade do conselho passar e Seung-hyun for d
Enquanto a equipe de segurança se afastava entre risadas e provocações em direção ao restaurante de soju, seguindo na direção oposta, Min-seo e Seo-jun finalmente ficaram a sós.Sob o céu estrelado do início da noite, a movimentação ao redor era intensa, mas ninguém ali prestava atenção nos dois. O disfarce de roqueiros com cabelos violeta, lentes de contato e jaquetas de couro os cobria como um escudo invisível. Pela primeira vez em anos, Min-seo caminhava em um lugar público de mãos dadas com o homem que amava, totalmente livre do medo de lentes de câmeras, fofocas de tabloides ou paparazzi à espreita.Ela entrelaçou os dedos nos dele, sentindo o calor forte e seguro da mão de Seo-jun. O vento suave do entardecer balançava os fios roxos do seu disfarce.— É uma sensação tão estranha... e ao mesmo tempo libertadora — sussurrou Min-seo, virando o rosto para encará-lo com um sorriso radiante. — Andar no meio da multidão sem precisar de escolta visível, sem olhar para os lados procurand
Com os pés novamente em terra firme, a brisa suave do início da noite envolveu o grupo na saída da roda-gigante. Caminhando em passos lentos e descontraídos pela alameda iluminada do parque, a equipe exibia uma leveza rara de se ver em homens treinados para a guerra.Ao lado de Min-seo, Seo-jun mantinha a mão dela firmemente entrelaçada na sua, sem a menor intenção de soltá-la.O caçula Choi Min-jae, ainda carregando o bicho de pelúcia que ganhara mais cedo, acelerou o passo e virou-se de costas para andar na frente do casal, observando os dois com uma expressão cheia de admiração:— Vou te contar, viu, Capitão... Senhora Cha... Vocês dois deram um show interpretando esse casal de roqueiros! Se eu não soubesse que é um disfarce tático para o passeio, eu juraria que vocês são atores profissionais! A química de vocês enganaria qualquer um no parque!Lin-jae, ajeitando a peruca grisalha com a mão livre enquanto segurava a saia da "Vovó Lin", soltou uma risada debochada e deu uma piscadel
O sol começava a se despedir no horizonte de Seul, tingindo o céu com uma gradação estonteante de laranja, lilás e dourado. As luzes néon das atrações do parque ganhavam vida uma a uma, criando um espetáculo brilhante. No centro de tudo, a imensa roda-gigante girava em um ritmo lento e majestoso.— É a nossa deixa — disse Seo-jun suavemente, segurando a mão de Min-seo.A equipe organizou a embarcação com a eficiência tática de sempre, mas em formato totalmente cômico. Lin-jae, segurando a saia da "Vovó Lin", entrou em uma das cabines junto com Tae-shik e o caçula Min-jae, enquanto Jung Han-wool e Park Do-hyun ocupavam a cabine seguinte.Separados por duas cabines de distância para garantir privacidade absoluta, Seo-jun e Min-seo embarcaram na deles. A porta de vidro se fechou, isolando o casal em um silêncio acolhedor e aconchegante enquanto a estrutura começava sua ascensão rumo ao topo.Dentro da cabine privativa, o ruído do parque transformou-se em um sussurro distante. Min-seo enc
O sol do início da manhã filtrava-se pelas imensas janelas de vidro da residência inteligente, iluminando o hall com uma luz dourada e acolhedora. Era o começo de um dia completamente diferente: sem relatórios corporativos, sem sirenes de emergência e sem a rigidez dos ternos pretos de alfaiataria.Os degraus da grande escadaria central transformaram-se na passarela daquela transformação inusitada.Park Do-hyun, o especialista em tecnologia, desceu primeiro, impecável em seu colete de alfaiataria xadrez, gravata borboleta e boina, ostentando o ar aristocrático do lord britânico-coreano. Logo atrás dele, o jovem caçula Choi Min-jae descia ajeitando os óculos redondos sem grau e as alças da mochila escolar, a síntese perfeita do estudante prodígio que só tirava notas cem. Logo em seguida, o ranzinza Tae-shik e o atirador de elite Jung Han-wool desciam ajeitando suas caracterizações — com Tae-shik segurando a contragosto o vestido rosa-bebê com babados e a peruca de fios longos da jovem
O comboio de SUVs pretos deslizou suavemente pelas portas de aço do subsolo da residência inteligente. O ruído suave do motor morrendo deu lugar ao silêncio reconfortante da casa, cujo sistema de iluminação automatizado adaptou-se para uma luz suave e acolhedora em tons de âmbar assim que Min-seo e Seo-jun pisaram no saguão.Lin-jae e o caçula, Seung-min, já aguardavam no andar principal com Tae-shik e o veterano, que haviam finalizado o isolamento dos servidores.Min-seo caminhou até o centro da sala e desmoronou no sofá de couro, soltando um suspiro profundo. Ela levou as mãos ao rosto por alguns instantes e apoiou os cotovelos nos joelhos, visivelmente abatida pelo acúmulo de adrenalina dos últimos dias.— Eu estou completamente exausta... — confessou Min-seo, a voz baixa e rouca pela fadiga. — Sinto como se cada músculo do meu corpo estivesse moído. Foi muita tensão acumulada desde o desfile, a sabotagem do pavilhão, a tentativa de golpe no conselho e, por fim, o Seung-hyun no hos







