登入Seo-jun notou algo estranho assim que adentrou no auditório. Seus olhos acostumados à penumbra e ao rastreio de ameaças captaram imediatamente uma oscilação anômala nos refletores do teto: duas das lâmpadas de iluminação cenográfica piscaram com um defeito sutil de fiação, projetando sombras irregulares sobre a passarela de testes.
Não se tratava de um atentado iminente, mas sim de uma falha de manutenção inaceitável para o nível de exigência da Maison Cha.
Varrendo o ambiente com o olhar, ele localizou rapidamente os quatro seguranças de apoio da sua equipe. Posicionados em pontos estratégicos do auditório — dois junto às saídas de emergência e dois no mezanino de controle — os operacionais mantinham-se invisíveis para os presentes, mas em perfeita sintonia visual com o Capitão. Um leve aceno de cabeça de um dos homens confirmou que o perímetro do auditório estava devidamente selado.
Min-seo avançou até a mesa central da banca avaliadora sem dar importância à executiva que a bajulara no corredor. Ajeitando a saia, sentou-se na cadeira de couro reservada à presidência. Ao seu lado esquerdo, o diretor de casting ajeitou os óculos, visivelmente tenso.
Seo-jun tomou seu posto de guarda a dois passos atrás da cadeira da CEO, em ângulo reto que lhe permitia enxergar tanto a entrada quanto a passarela.
— Podemos começar — declarou Min-seo, a voz firme projetando-se pela acústica do auditório. — Espero que o nível do material de hoje faça valer o tempo que perdi até aqui.
A primeira candidata entrou na passarela iluminada. A jovem caminhava com elegância, mas a rigidez do ambiente e o olhar gélido de Min-seo pareciam exercer uma pressão sufocante sobre a modelo.
— Pare — interrompeu a CEO antes mesmo que a moça atingisse a marca central. — Postura instável. O caimento das peças de alta-costura exige ombros alinhados, não tensão. Próxima.
O diretor de casting engoliu em seco, anotando rapidamente no tablet.
Uma sequência de candidatos passou pelo palco nos minutos seguintes, sendo impiedosamente descartados por detalhes mínimos: um passo fora de ritmo, uma hesitação no olhar ou a falta da atitude imponente que a Maison Cha exigia.
Enquanto Min-seo conduzia a auditoria com punho de ferro, Seo-jun permanecia impassível. No entanto, sua atenção dividia-se entre a vigilância ostensiva do espaço e o comportamento sutil da CEO à sua frente. Ele notava como os ombros dela continuavam rígidos, uma leve sobrecarga física decorrente do estresse acumulado no elevador horas antes.
— Senhorita Kang — chamou o diretor, anunciando a décima segunda candidata.
A nova modelo avançou pela passarela com uma presença marcante, passos firmes e olhar confiante. Por alguns instantes, o auditório pareceu encontrar a candidata ideal. Min-seo acompanhou o percurso com atenção clínica, sem franzir a testa.
No entanto, no momento em que a modelo fez a volta no ponto cego da passarela — exatamente sob o refletor que piscava com defeito — uma leve vibração na estrutura metálica do teto fez a iluminação falhar novamente por meio segundo.
Min-seo congelou na cadeira. A oscilação repentina da luz no ambiente fechado trouxe de volta um relance involuntário da penumbra daquele elevador caindo dez anos atrás. A mão da CEO voltou a apertar a borda da mesa de mármore com força, os nós dos seus dedos ficando completamente brancos.
A visão de Min-seo começou a ficar turva. O som do auditório parecia abafado, como se estivesse submerso, e o martelar do seu coração acelerado ecoava forte em seus ouvidos. Uma onda fria de pânico preencheu seu peito, revivendo em frações de segundo o pavor claustrofóbico do elevador despencando. Ela fincou as unhas na mesa, lutando com todas as forças para manter a postura rígida e impecável, recusando-se a transparecer qualquer fragilidade diante da equipe de casting.
Ninguém na sala percebeu o colapso iminente — exceto Seo-jun.
O ex-militar captou imediatamente a respiração descompassada e o tremor sutil na nuca da executiva. Sem hesitar, ele usou uma tática rápida e profissional para retirá-la do ambiente sem expor sua vulnerabilidade.
Aproximando-se com passos firmes, Seo-jun curvou-se levemente ao lado da cadeira de Min-seo e falou com a voz calma, mas audível apenas para ela e para o diretor de casting:
— Com licença, Senhora Cha. Lembro que já passa das quatro da tarde e a senhora não se alimentou durante o almoço. A copa preparou o seu lanche da tarde conforme o protocolo.
Aquela oportunidade foi imediata. Reunindo o resto de energia que lhe restava, Min-seo piscou para clarear a visão, soltou a borda da mesa e respondeu com voz firme, erguendo o queixo:
— O dever com a seleção me fez perder a hora. Vou fazer meu lanche e retorno em breve. Continuem a avaliação sem mim.
Ela se levantou, sustentando a elegância a custo de um esforço descomunal, e caminhou em direção à saída, escoltada a passos curtos por Seo-jun.
Assim que cruzaram a porta dupla do auditório e ganharam o corredor, Min-seo sussurrou sem olhar para trás, a voz visivelmente mais fraca:
— Não se distancie de mim...
— Sim, senhora — respondeu ele, colando na retaguarda.
Ignorando a área do elevador social, Min-seo acelerou o passo na direção da porta de emergência privativa da diretoria. Ela empurrou a barra antipânico e começou a descer os degraus de concreto da escada silenciosa e vazia, longe dos olhares dos funcionários.
Contudo, ao alcançar o patamar intermediário entre os andares, as forças de Min-seo esgotaram-se por completo. O ar faltou em seus pulmões, o piso pareceu girar e suas pernas cederam.
Antes que seu corpo atingisse o chão frio de concreto, Seo-jun avançou num movimento veloz, envolvendo a cintura e os ombros da CEO. Ele a amparou com firmeza em seus braços, segurando-a junto ao peito enquanto o silêncio da escadaria privativa os envolvia.
Ajustando o braço firme para sustentar o corpo desacordado de Min-seo contra o peito, Seo-jun acionou o comunicador com a mão livre, mantendo o tom de voz grave e controlado.
— Equipe de apoio, atenção. Dirijam-se imediatamente para a saída da escadaria privativa no subsolo, acesso ao estacionamento — ordenou ele. — Varram o perímetro e garantam que não haja ninguém no local. Quero o veículo blindado de prontidão e com o motor ligado. Vamos levar a Senhora Cha ao hospital.
— Copiado, Capitão. Perímetro limpo e veículo a postos — confirmou a voz do operacional no fone.
Com a CEO pálida e inerte em seus braços, Seo-jun desceu os últimos lanços de escada com passos rápidos e precisos. Em poucos minutos, cruzou a porta do subsolo e acomodou Min-seo no banco traseiro do carro blindado com extremo cuidado, reclinando suavemente o assento.
Antes de assumir o volante, ele encarou a equipe de apoio com o olhar severo e inflexível de um comandante.
— Ninguém comenta uma única palavra sobre o que aconteceu aqui. Isso é uma questão de segurança e de privacidade absoluta da Senhora Cha. Fui claro?
— Sim, senhor! — responderam os homens em uníssono, alinhando-se para dar passagem.
Seo-jun entrou no veículo, travou as portas e acelerou em direção à rampa de saída, ganhando o trânsito de Seul. A cada parada de sinal, seus olhos frios e atentos buscavam o retrovisor interno para monitorar o rosto pálido da executiva.
Alguns minutos depois, Min-seo começou a se mover sutilmente. Ela abriu os olhos devagar, a visão ainda um pouco embaçada, encarando o teto escuro do veículo enquanto tentava se reorientar. Ao virar a cabeça para o lado, encontrou o reflexo de Seo-jun no espelho retrovisor, conduzindo o carro com firmeza.
— Para onde... você está me levando? — perguntou ela, com a voz fraca e a cabeça ainda girando pela tontura.
— Para o hospital, Senhora Cha — respondeu ele, sem desviar a atenção do trânsito. — A senhora perdeu os sentidos.
Min-seo fechou os olhos por um segundo, respirando fundo para recuperar a clareza dos pensamentos.
— Ao hospital não... — pediu ela, em um tom calmo, porém definitivo. — Leve-me para a minha casa. Vou te passar a localização.
Após dançarem até os pés pedirem trégua e a respiração ficar entrecortada, Seo-jun guiou Min-seo pela mão subindo uma pequena escadaria lateral, afastando-se do mar de gente na pista principal. Eles entraram no camarote reservado do andar superior, onde o som alto da banda de rock chegava amortecido, transformando-se em uma melodia de fundo envolvente.O espaço era intimista, iluminado apenas por fitas LED em tom âmbar e com estofados aveludados e confortáveis. Seo-jun pediu duas taças de bebida cítrica e entregou uma a Min-seo.Ambos se sentaram lado a lado no sofá aconchegante. Min-seo encostou a cabeça no ombro da jaqueta de couro de Seo-jun, sentindo a respiração dele estabilizar-se junto com a sua. O calor da dança ainda permanecia em suas peles, mas o olhar de ambos agora trazia uma profundidade tranquila e contemplativa.— Eu estava aqui pensando... — começou Min-seo em um tom suave, ajeitando a taça entre os dedos. — Quando essa tempestade do conselho passar e Seung-hyun for d
Enquanto a equipe de segurança se afastava entre risadas e provocações em direção ao restaurante de soju, seguindo na direção oposta, Min-seo e Seo-jun finalmente ficaram a sós.Sob o céu estrelado do início da noite, a movimentação ao redor era intensa, mas ninguém ali prestava atenção nos dois. O disfarce de roqueiros com cabelos violeta, lentes de contato e jaquetas de couro os cobria como um escudo invisível. Pela primeira vez em anos, Min-seo caminhava em um lugar público de mãos dadas com o homem que amava, totalmente livre do medo de lentes de câmeras, fofocas de tabloides ou paparazzi à espreita.Ela entrelaçou os dedos nos dele, sentindo o calor forte e seguro da mão de Seo-jun. O vento suave do entardecer balançava os fios roxos do seu disfarce.— É uma sensação tão estranha... e ao mesmo tempo libertadora — sussurrou Min-seo, virando o rosto para encará-lo com um sorriso radiante. — Andar no meio da multidão sem precisar de escolta visível, sem olhar para os lados procurand
Com os pés novamente em terra firme, a brisa suave do início da noite envolveu o grupo na saída da roda-gigante. Caminhando em passos lentos e descontraídos pela alameda iluminada do parque, a equipe exibia uma leveza rara de se ver em homens treinados para a guerra.Ao lado de Min-seo, Seo-jun mantinha a mão dela firmemente entrelaçada na sua, sem a menor intenção de soltá-la.O caçula Choi Min-jae, ainda carregando o bicho de pelúcia que ganhara mais cedo, acelerou o passo e virou-se de costas para andar na frente do casal, observando os dois com uma expressão cheia de admiração:— Vou te contar, viu, Capitão... Senhora Cha... Vocês dois deram um show interpretando esse casal de roqueiros! Se eu não soubesse que é um disfarce tático para o passeio, eu juraria que vocês são atores profissionais! A química de vocês enganaria qualquer um no parque!Lin-jae, ajeitando a peruca grisalha com a mão livre enquanto segurava a saia da "Vovó Lin", soltou uma risada debochada e deu uma piscadel
O sol começava a se despedir no horizonte de Seul, tingindo o céu com uma gradação estonteante de laranja, lilás e dourado. As luzes néon das atrações do parque ganhavam vida uma a uma, criando um espetáculo brilhante. No centro de tudo, a imensa roda-gigante girava em um ritmo lento e majestoso.— É a nossa deixa — disse Seo-jun suavemente, segurando a mão de Min-seo.A equipe organizou a embarcação com a eficiência tática de sempre, mas em formato totalmente cômico. Lin-jae, segurando a saia da "Vovó Lin", entrou em uma das cabines junto com Tae-shik e o caçula Min-jae, enquanto Jung Han-wool e Park Do-hyun ocupavam a cabine seguinte.Separados por duas cabines de distância para garantir privacidade absoluta, Seo-jun e Min-seo embarcaram na deles. A porta de vidro se fechou, isolando o casal em um silêncio acolhedor e aconchegante enquanto a estrutura começava sua ascensão rumo ao topo.Dentro da cabine privativa, o ruído do parque transformou-se em um sussurro distante. Min-seo enc
O sol do início da manhã filtrava-se pelas imensas janelas de vidro da residência inteligente, iluminando o hall com uma luz dourada e acolhedora. Era o começo de um dia completamente diferente: sem relatórios corporativos, sem sirenes de emergência e sem a rigidez dos ternos pretos de alfaiataria.Os degraus da grande escadaria central transformaram-se na passarela daquela transformação inusitada.Park Do-hyun, o especialista em tecnologia, desceu primeiro, impecável em seu colete de alfaiataria xadrez, gravata borboleta e boina, ostentando o ar aristocrático do lord britânico-coreano. Logo atrás dele, o jovem caçula Choi Min-jae descia ajeitando os óculos redondos sem grau e as alças da mochila escolar, a síntese perfeita do estudante prodígio que só tirava notas cem. Logo em seguida, o ranzinza Tae-shik e o atirador de elite Jung Han-wool desciam ajeitando suas caracterizações — com Tae-shik segurando a contragosto o vestido rosa-bebê com babados e a peruca de fios longos da jovem
O comboio de SUVs pretos deslizou suavemente pelas portas de aço do subsolo da residência inteligente. O ruído suave do motor morrendo deu lugar ao silêncio reconfortante da casa, cujo sistema de iluminação automatizado adaptou-se para uma luz suave e acolhedora em tons de âmbar assim que Min-seo e Seo-jun pisaram no saguão.Lin-jae e o caçula, Seung-min, já aguardavam no andar principal com Tae-shik e o veterano, que haviam finalizado o isolamento dos servidores.Min-seo caminhou até o centro da sala e desmoronou no sofá de couro, soltando um suspiro profundo. Ela levou as mãos ao rosto por alguns instantes e apoiou os cotovelos nos joelhos, visivelmente abatida pelo acúmulo de adrenalina dos últimos dias.— Eu estou completamente exausta... — confessou Min-seo, a voz baixa e rouca pela fadiga. — Sinto como se cada músculo do meu corpo estivesse moído. Foi muita tensão acumulada desde o desfile, a sabotagem do pavilhão, a tentativa de golpe no conselho e, por fim, o Seung-hyun no hos







