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Capítulo 6 - Sob a Luz dos Holofotes

last update publish date: 2026-09-16 03:11:21

Seo-jun notou algo estranho assim que adentrou no auditório. Seus olhos acostumados à penumbra e ao rastreio de ameaças captaram imediatamente uma oscilação anômala nos refletores do teto: duas das lâmpadas de iluminação cenográfica piscaram com um defeito sutil de fiação, projetando sombras irregulares sobre a passarela de testes.

Não se tratava de um atentado iminente, mas sim de uma falha de manutenção inaceitável para o nível de exigência da Maison Cha.

Varrendo o ambiente com o olhar, ele localizou rapidamente os quatro seguranças de apoio da sua equipe. Posicionados em pontos estratégicos do auditório — dois junto às saídas de emergência e dois no mezanino de controle — os operacionais mantinham-se invisíveis para os presentes, mas em perfeita sintonia visual com o Capitão. Um leve aceno de cabeça de um dos homens confirmou que o perímetro do auditório estava devidamente selado.

Min-seo avançou até a mesa central da banca avaliadora sem dar importância à executiva que a bajulara no corredor. Ajeitando a saia, sentou-se na cadeira de couro reservada à presidência. Ao seu lado esquerdo, o diretor de casting ajeitou os óculos, visivelmente tenso.

Seo-jun tomou seu posto de guarda a dois passos atrás da cadeira da CEO, em ângulo reto que lhe permitia enxergar tanto a entrada quanto a passarela.

— Podemos começar — declarou Min-seo, a voz firme projetando-se pela acústica do auditório. — Espero que o nível do material de hoje faça valer o tempo que perdi até aqui.

A primeira candidata entrou na passarela iluminada. A jovem caminhava com elegância, mas a rigidez do ambiente e o olhar gélido de Min-seo pareciam exercer uma pressão sufocante sobre a modelo.

— Pare — interrompeu a CEO antes mesmo que a moça atingisse a marca central. — Postura instável. O caimento das peças de alta-costura exige ombros alinhados, não tensão. Próxima.

O diretor de casting engoliu em seco, anotando rapidamente no tablet.

Uma sequência de candidatos passou pelo palco nos minutos seguintes, sendo impiedosamente descartados por detalhes mínimos: um passo fora de ritmo, uma hesitação no olhar ou a falta da atitude imponente que a Maison Cha exigia.

Enquanto Min-seo conduzia a auditoria com punho de ferro, Seo-jun permanecia impassível. No entanto, sua atenção dividia-se entre a vigilância ostensiva do espaço e o comportamento sutil da CEO à sua frente. Ele notava como os ombros dela continuavam rígidos, uma leve sobrecarga física decorrente do estresse acumulado no elevador horas antes.

— Senhorita Kang — chamou o diretor, anunciando a décima segunda candidata.

A nova modelo avançou pela passarela com uma presença marcante, passos firmes e olhar confiante. Por alguns instantes, o auditório pareceu encontrar a candidata ideal. Min-seo acompanhou o percurso com atenção clínica, sem franzir a testa.

No entanto, no momento em que a modelo fez a volta no ponto cego da passarela — exatamente sob o refletor que piscava com defeito — uma leve vibração na estrutura metálica do teto fez a iluminação falhar novamente por meio segundo.

Min-seo congelou na cadeira. A oscilação repentina da luz no ambiente fechado trouxe de volta um relance involuntário da penumbra daquele elevador caindo dez anos atrás. A mão da CEO voltou a apertar a borda da mesa de mármore com força, os nós dos seus dedos ficando completamente brancos.

A visão de Min-seo começou a ficar turva. O som do auditório parecia abafado, como se estivesse submerso, e o martelar do seu coração acelerado ecoava forte em seus ouvidos. Uma onda fria de pânico preencheu seu peito, revivendo em frações de segundo o pavor claustrofóbico do elevador despencando. Ela fincou as unhas na mesa, lutando com todas as forças para manter a postura rígida e impecável, recusando-se a transparecer qualquer fragilidade diante da equipe de casting.

Ninguém na sala percebeu o colapso iminente — exceto Seo-jun.

O ex-militar captou imediatamente a respiração descompassada e o tremor sutil na nuca da executiva. Sem hesitar, ele usou uma tática rápida e profissional para retirá-la do ambiente sem expor sua vulnerabilidade.

Aproximando-se com passos firmes, Seo-jun curvou-se levemente ao lado da cadeira de Min-seo e falou com a voz calma, mas audível apenas para ela e para o diretor de casting:

— Com licença, Senhora Cha. Lembro que já passa das quatro da tarde e a senhora não se alimentou durante o almoço. A copa preparou o seu lanche da tarde conforme o protocolo.

Aquela oportunidade foi imediata. Reunindo o resto de energia que lhe restava, Min-seo piscou para clarear a visão, soltou a borda da mesa e respondeu com voz firme, erguendo o queixo:

— O dever com a seleção me fez perder a hora. Vou fazer meu lanche e retorno em breve. Continuem a avaliação sem mim.

Ela se levantou, sustentando a elegância a custo de um esforço descomunal, e caminhou em direção à saída, escoltada a passos curtos por Seo-jun.

Assim que cruzaram a porta dupla do auditório e ganharam o corredor, Min-seo sussurrou sem olhar para trás, a voz visivelmente mais fraca:

— Não se distancie de mim...

— Sim, senhora — respondeu ele, colando na retaguarda.

Ignorando a área do elevador social, Min-seo acelerou o passo na direção da porta de emergência privativa da diretoria. Ela empurrou a barra antipânico e começou a descer os degraus de concreto da escada silenciosa e vazia, longe dos olhares dos funcionários.

Contudo, ao alcançar o patamar intermediário entre os andares, as forças de Min-seo esgotaram-se por completo. O ar faltou em seus pulmões, o piso pareceu girar e suas pernas cederam.

Antes que seu corpo atingisse o chão frio de concreto, Seo-jun avançou num movimento veloz, envolvendo a cintura e os ombros da CEO. Ele a amparou com firmeza em seus braços, segurando-a junto ao peito enquanto o silêncio da escadaria privativa os envolvia.

Ajustando o braço firme para sustentar o corpo desacordado de Min-seo contra o peito, Seo-jun acionou o comunicador com a mão livre, mantendo o tom de voz grave e controlado.

— Equipe de apoio, atenção. Dirijam-se imediatamente para a saída da escadaria privativa no subsolo, acesso ao estacionamento — ordenou ele. — Varram o perímetro e garantam que não haja ninguém no local. Quero o veículo blindado de prontidão e com o motor ligado. Vamos levar a Senhora Cha ao hospital.

— Copiado, Capitão. Perímetro limpo e veículo a postos — confirmou a voz do operacional no fone.

Com a CEO pálida e inerte em seus braços, Seo-jun desceu os últimos lanços de escada com passos rápidos e precisos. Em poucos minutos, cruzou a porta do subsolo e acomodou Min-seo no banco traseiro do carro blindado com extremo cuidado, reclinando suavemente o assento.

Antes de assumir o volante, ele encarou a equipe de apoio com o olhar severo e inflexível de um comandante.

— Ninguém comenta uma única palavra sobre o que aconteceu aqui. Isso é uma questão de segurança e de privacidade absoluta da Senhora Cha. Fui claro?

— Sim, senhor! — responderam os homens em uníssono, alinhando-se para dar passagem.

Seo-jun entrou no veículo, travou as portas e acelerou em direção à rampa de saída, ganhando o trânsito de Seul. A cada parada de sinal, seus olhos frios e atentos buscavam o retrovisor interno para monitorar o rosto pálido da executiva.

Alguns minutos depois, Min-seo começou a se mover sutilmente. Ela abriu os olhos devagar, a visão ainda um pouco embaçada, encarando o teto escuro do veículo enquanto tentava se reorientar. Ao virar a cabeça para o lado, encontrou o reflexo de Seo-jun no espelho retrovisor, conduzindo o carro com firmeza.

— Para onde... você está me levando? — perguntou ela, com a voz fraca e a cabeça ainda girando pela tontura.

— Para o hospital, Senhora Cha — respondeu ele, sem desviar a atenção do trânsito. — A senhora perdeu os sentidos.

Min-seo fechou os olhos por um segundo, respirando fundo para recuperar a clareza dos pensamentos.

— Ao hospital não... — pediu ela, em um tom calmo, porém definitivo. — Leve-me para a minha casa. Vou te passar a localização.

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