LOGINAs horas avançavam de forma lenta dentro da imponência do escritório da presidência da Maison Cha. O silêncio na sala só era quebrado pelo som suave das folhas de contratos sendo assinados e pelo ritmo pausado do teclado do computador de Min-seo.
A poucos metros da mesa principal, Han Seo-jun permanecia de pé. Sua postura era a de um soldado em prontidão absoluta: pernas levemente afastadas, mãos entrelaçadas atrás das costas e um olhar frio e analítico que varria cada centímetro do ambiente, atento aos mínimos detalhes, dos dutos de ventilação às sombras na vidraça.
Cansada após horas de leitura ininterrupta e com a garganta seca pela tensão do dia, Min-seo ergueu-se bruscamente da cadeira executiva. Ela caminhou em direção à bancada de mármore no canto da sala, disposta a servir-se de água da jarra de vidro lapidado que descansava sobre a superfície fria.
Antes que sua mão pudesse tocar o gargalo da jarra, uma sombra alta e imponente cortou seu caminho.
— Com licença, Senhora Cha — disse Seo-jun, a voz grave e calma interceptando o movimento dela com uma agilidade surpreendente.
Ele se posicionou entre a CEO e a bancada, pegou a jarra e despejou a metade do líquido em um copo transparente, sem demonstrar qualquer hesitação.
Min-seo deu meio passo para trás, cruzando os braços e franzindo as sobrancelhas em sinal de extrema irritação.
— Qual é o significado dessa audácia, Senhor Han? — questionou ela, com a voz tomada pela indignação. — Eu ainda sei como me servir de um copo d'água sozinha.
Seo-jun nem sequer piscou diante do tom ríspido da chefe. Ele abriu a maleta tática que havia sido entregue a ele pela diretoria de segurança logo após a assinatura do contrato, retirou um pequeno frasco de vidro e um tubo de ensaio esterilizado. Com movimentos rápidos e precisos, transferiu uma amostra da água do copo para o tubo e pingou duas gotas da substância reagente.
Ele chacoalhou o recipiente de vidro, observando a cor do líquido permanecer perfeitamente cristalina.
— A água está limpa — declarou ele com frieza, voltando a guardar os equipamentos na maleta e estendendo o copo testado na direção dela. — É pela sua segurança.
Min-seo encarou o copo na mão dele antes de aceitá-lo com relutância, soltando uma risada irônica e sem humor.
— Me diga uma coisa... Toda vez que eu sentir sede ao longo do dia, vou ter que passar por essa palhaçada?
Seo-jun deu um passo à frente, encurtando a distância entre eles. Ele fixou o olhar intenso e penetrante diretamente nos olhos da CEO, sua voz soando firme como uma ordem de comando.
— Essa é a forma como eu garanto a segurança dos meus contratantes, Senhora Cha. Sem exceções.
— Isso me incomoda profundamente — rebateu ela, sustentando o olhar com a mesma rigidez, embora o peito fervesse de desconforto pela presença invasiva do homem. — Eu odeio sentir que estou sob vigilância constante no meu próprio ambiente de trabalho.
Seo-jun manteve a expressão impassível, sem recuar um milímetro.
— Pela dimensão do atentado que a senhora sofreu ontem na entrada desta empresa, quem quer matá-la não vai tentar apenas na rua — afirmou ele, o tom cortante e realista. — Farão de tudo para que o objetivo seja cumprido, incluindo contaminar o que a senhora bebe dentro deste escritório. Se meu método a incomoda, lamento. Mas minha prioridade é manter o seu coração batendo, não agradar as suas preferências.
Min-seo soltou um suspiro pesado, tentando conter a onda de raiva que subia pelo seu peito. Ela deu um passo à frente e ergueu o dedo indicador na direção do peito dele, falando de maneira lenta e pausada:
— Preste bem atenção, Senhor Han. Você foi contratado para ficar perto de mim vinte e quatro horas por dia. Apenas isso. Mas isso não dá a você o direito de invadir a minha privacidade ou interferir nos meus hábitos.
Seo-jun não recuou. Pelo contrário, deu mais um passo firme à frente, reduzindo ainda mais o espaço entre os dois e encarando-a do alto de seus 1,80m com uma autoridade inabalável.
— A senhora manda nesta empresa, Senhora Cha — respondeu ele, a voz grave ressoando como uma ordem tática. — Mas na sua segurança, quem manda sou eu.
Os olhos de Min-seo mudaram com expressão de fúria.
— Você é um atrevido! — disparou ela, entredentes.
— E a senhora é teimosa — rebateu ele imediatamente, no mesmo tom frio e direto.
Surpresa e furiosa ao perceber que o ex-militar não se intimidava e nem ficava calado diante de sua postura, Min-seo deu um tapa sutil na própria mesa de mármore, elevando o tom de voz:
— Ninguém manda em mim nesta vida! Se você quer manter este emprego, faça exatamente o que eu ordenar! Se eu mandar você ficar ali, perto daquela porta, é para ficar perto da porta. E se eu mandar você ficar perto desta mesa, é para ficar perto desta mesa. Fui clara?
Seo-jun manteve a expressão impassível, sem piscar uma única vez.
— Eu não posso deixá-la fora do meu campo de visão nem por um segundo — respondeu ele, mantendo o olhar intenso fixo no dela. — A missão dada a mim será cumprida exatamente como foi planejada, nem que seja no milésimo de centímetro.
A tensão no ar era quase palpável, como se uma faísca estivesse prestes a acender no escritório.
De repente, duas batidas rápidas na porta de madeira nobre interromperam o embate. A porta abriu-se devagar e a secretária substituta entrou na sala, visivelmente hesitante ao notar o clima pesado entre a CEO e o novo chefe de segurança.
— Com licença, Senhora Cha... — disse a funcionária, dando alguns passos cautelosos para dentro. — Trouxe os documentos com os modelos de convites do próximo desfile de alta-costura para a sua aprovação final.
Min-seo lançou um último olhar gélido para Seo-jun, como se cravasse uma bandeira de aviso, antes de desviar a atenção e encarar a funcionária com sua costumeira determinação.
— Entregue-me isso — pediu ela, a voz firme e sem hesitar.
A secretária aproximou-se com passos curtos e estendeu os papéis. Ao entregar os documentos, a jovem olhou de relance para Seo-jun de maneira tímida, claramente intimidada e impressionada pela postura e pelo porte do novo chefe de segurança, que permanecia imóvel como uma estátua ao lado da bancada.
Min-seo pegou os arquivos das mãos da secretária e começou a folhear as opções de convites enquanto caminhava de volta para sua mesa. Ela avaliava a gramatura do papel, os relevos dourados e a tipografia com um olhar clínico e exigente.
Ajeitou a saia e sentou-se em sua cadeira executiva de couro, assinando a folha de aprovação do design com um movimento rápido de caneta.
— O design do convite está bom. Pode mandar para a gráfica — declarou, devolvendo a pasta. Em seguida, ergueu os olhos com severidade. — E quanto à seleção das modelos que irão desfilar no evento principal? Já foi concluída?
— Ainda está em andamento, Senhora Cha — respondeu a secretária substituta, engolindo em seco sob a pressão do olhar da chefe. — A equipe de casting está finalizando as últimas entrevistas hoje à tarde.
Min-seo soltou um estalo de língua demonstrando extrema impaciência e ajeitou a postura na cadeira.
— Seul está cheia de modelos em cada esquina! Não é possível que uma simples escolha de casting esteja demorando tanto tempo — reclamou ela, o tom ríspido fazendo a funcionária encolher os ombros. — Diga ao diretor de elenco que eu não quero desculpas. Eu quero a lista definitiva com a seleção concluída para ontem!
A secretária curvou-se rapidamente, pegou a pasta aprovada e deixou a sala a passos apressados, fechando a porta com extremo cuidado para não fazer barulho.
A sós novamente, o silêncio voltou a tomar conta da presidência da Maison Cha. Min-seo respirou fundo, tentando reorganizar suas prioridades, mas a presença marcante de Seo-jun ao lado da bancada continuava a preencher cada espaço do ambiente. Ele não havia se movido um único centímetro, mantendo os olhos atentos fixados nela, exatamente como prometera.
— O casting de modelos exige acompanhamento presencial — declarou Min-seo, levantando-se da cadeira e ajeitando a estrutura do seu blazer azul-noite. — Não vou esperar a diretoria se arrastar. Vou pessoalmente ao auditório de testes monitorar a seleção.
Ela caminhou em direção à saída, esperando que ele apenas a seguisse à distância. No entanto, Seo-jun deu dois passos rápidos à frente, tomando a liderança do percurso e posicionando-se à sua frente para abrir a porta do gabinete, fazendo a varredura do corredor antes que ela desse o primeiro passo.
— A partir de agora, Senhora Cha, eu abro o caminho — disse ele com a voz grave, mantendo a postura ereta e o olhar alerta. — E o auditório será o primeiro ambiente que colocaremos à prova.
Min-seo encarou as costas largas do ex-militar, sentindo o peito arfar de irritação diante daquele cerco implacável, sem imaginar que, no auditório no andar de baixo, a ameaça que tentava destruí-la já havia encontrado uma nova forma de se aproximar.
Ao chegar à casa de Min-seo — uma residência de arquitetura moderna e sóbria em um bairro nobre de Seul — Seo-jun estacionou o veículo blindado de frente para a entrada principal. Antes de destravar as portas, ajustou o retrovisor e franziu o cenho ao notar a ausência do carro da equipe de apoio. Varreu o perímetro ao redor com o olhar analítico: a rua estava silenciosa e vazia. Nenhum sinal dos seus homens.Seo-jun saiu do veículo, deu a volta e abriu a porta traseira. Min-seo desceu tentando a todo custo manter a postura ereta, mas o corpo ainda não respondia com firmeza. Ao dar os primeiros passos, a visão oscilou e ela cambaleou.Em um reflexo rápido, Seo-jun avançou e a amparou firmemente pelo braço.Min-seo, contudo, soltou-se do toque dele de imediato, afastando o braço com a pouca força que lhe restava.— Não toque em mim — declarou ela, a voz fraca, mas carregada de orgulho.Seo-jun recuou um passo, sem argumentar, mantendo-se em sua posição de retaguarda. Min-seo caminhou at
Seo-jun notou algo estranho assim que adentrou no auditório. Seus olhos acostumados à penumbra e ao rastreio de ameaças captaram imediatamente uma oscilação anômala nos refletores do teto: duas das lâmpadas de iluminação cenográfica piscaram com um defeito sutil de fiação, projetando sombras irregulares sobre a passarela de testes.Não se tratava de um atentado iminente, mas sim de uma falha de manutenção inaceitável para o nível de exigência da Maison Cha.Varrendo o ambiente com o olhar, ele localizou rapidamente os quatro seguranças de apoio da sua equipe. Posicionados em pontos estratégicos do auditório — dois junto às saídas de emergência e dois no mezanino de controle — os operacionais mantinham-se invisíveis para os presentes, mas em perfeita sintonia visual com o Capitão. Um leve aceno de cabeça de um dos homens confirmou que o perímetro do auditório estava devidamente selado.Min-seo avançou até a mesa central da banca avaliadora sem dar importância à executiva que a bajulara
Caminhando a passos firmes pelo corredor que conduzia às escadas e elevadores do andar da diretoria, a presença de Seo-jun ao lado de Min-seo era constante. Ele ajustou o microfone sutil fixado na gola de sua jaqueta, acionando o comunicador interno conectado ao fone de ouvido.— Quatro homens, dirijam-se imediatamente ao auditório no terceiro andar — ordenou ele, a voz firme e profissional ressoando na linha tática. — Faça a varredura preventiva do perímetro antes da nossa chegada.— Positivo e copiado, Capitão. A caminho, senhor — veio a resposta imediata do outro lado do rádio.Min-seo ergueu o pulso e olhou para o relógio de marca, notando os minutos contados enquanto paravam de frente para as portas metálicas do elevador.Ao seu lado, Seo-jun mantinha uma postura impecável, com a cabeça erguida e os ombros alinhados. No entanto, seu olhar analítico não estava fixo na luz indicadora dos andares, mas na CEO. Ele percebeu quando os dedos longos e bem-cuidados de Min-seo começaram
As horas avançavam de forma lenta dentro da imponência do escritório da presidência da Maison Cha. O silêncio na sala só era quebrado pelo som suave das folhas de contratos sendo assinados e pelo ritmo pausado do teclado do computador de Min-seo.A poucos metros da mesa principal, Han Seo-jun permanecia de pé. Sua postura era a de um soldado em prontidão absoluta: pernas levemente afastadas, mãos entrelaçadas atrás das costas e um olhar frio e analítico que varria cada centímetro do ambiente, atento aos mínimos detalhes, dos dutos de ventilação às sombras na vidraça.Cansada após horas de leitura ininterrupta e com a garganta seca pela tensão do dia, Min-seo ergueu-se bruscamente da cadeira executiva. Ela caminhou em direção à bancada de mármore no canto da sala, disposta a servir-se de água da jarra de vidro lapidado que descansava sobre a superfície fria.Antes que sua mão pudesse tocar o gargalo da jarra, uma sombra alta e imponente cortou seu caminho.— Com licença, Senhora Cha —
O bipe constante dos monitores cardíacos era o único som a quebrar o silêncio da sala de espera do Hospital Universitário de Seul. Cha Min-seo continuava de pé, a postura impecável e os braços cruzados sobre o busto, recusando-se a sentar nas poltronas confortáveis do corredor. O contraste entre sua saia justa de alta-costura e o vestígio seco de sangue no punho de sua manga servia como um lembrete vívido do atentado sofrido horas antes.A luz vermelha acima da porta do bloco cirúrgico finalmente se apagou.Poucos segundos depois, as portas duplas se abriram e o cirurgião-chefe caminhou na direção de Min-seo, removendo a máscara cirúrgica com um semblante cansado, porém aliviado.— Senhora Cha — cumprimentou o médico, curvando-se levemente em respeito. — A cirurgia foi longa e delicada, mas conseguimos extrair os projéteis sem danos maiores aos órgãos vitais. O Senhor Park é um homem forte. Ele já foi transferido para a UTI e está oficialmente fora de perigo.Um alívio silencioso perc
O som agudo e intermitente da sirene cortava o trânsito pesado do final da tarde a caminho do hospital. Sentada no banco dobrável da ambulância, Cha Min-seo mantinha os olhos fixos no rosto pálido do Secretário Park. Suas mãos, ainda limpas à pressa mas com marcas de sangue sob as unhas, estavam apertadas com força sobre as pernas.Os paramédicos trabalham rápido para controlar os sinais vitais e conter o sangramento no ombro e na coxa do assistente. Toda a postura firme da CEO da Maison Cha parecia prestes a fraquejar, mas ela mantinha o queixo erguido, recusando-se a demonstrar fraqueza na frente dos socorristas.Ao encostar na entrada de emergência do Hospital Universitário de Seul, a equipe médica assumiu o controle, empurrando a maca às pressas pelos corredores de luzes brancas. Min-seo os acompanhou até a porta dupla do centro cirúrgico, onde foi impedida de avançar.— A senhora precisa aguardar aqui do lado de fora — informou uma enfermeira, com tom firme e profissional.As por







