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Capítulo 4 - Sob Vigilância Absoluta

last update publish date: 2026-09-14 08:43:49

As horas avançavam de forma lenta dentro da imponência do escritório da presidência da Maison Cha. O silêncio na sala só era quebrado pelo som suave das folhas de contratos sendo assinados e pelo ritmo pausado do teclado do computador de Min-seo.

A poucos metros da mesa principal, Han Seo-jun permanecia de pé. Sua postura era a de um soldado em prontidão absoluta: pernas levemente afastadas, mãos entrelaçadas atrás das costas e um olhar frio e analítico que varria cada centímetro do ambiente, atento aos mínimos detalhes, dos dutos de ventilação às sombras na vidraça.

Cansada após horas de leitura ininterrupta e com a garganta seca pela tensão do dia, Min-seo ergueu-se bruscamente da cadeira executiva. Ela caminhou em direção à bancada de mármore no canto da sala, disposta a servir-se de água da jarra de vidro lapidado que descansava sobre a superfície fria.

Antes que sua mão pudesse tocar o gargalo da jarra, uma sombra alta e imponente cortou seu caminho.

— Com licença, Senhora Cha — disse Seo-jun, a voz grave e calma interceptando o movimento dela com uma agilidade surpreendente.

Ele se posicionou entre a CEO e a bancada, pegou a jarra e despejou a metade do líquido em um copo transparente, sem demonstrar qualquer hesitação.

Min-seo deu meio passo para trás, cruzando os braços e franzindo as sobrancelhas em sinal de extrema irritação.

— Qual é o significado dessa audácia, Senhor Han? — questionou ela, com a voz tomada pela indignação. — Eu ainda sei como me servir de um copo d'água sozinha.

Seo-jun nem sequer piscou diante do tom ríspido da chefe. Ele abriu a maleta tática que havia sido entregue a ele pela diretoria de segurança logo após a assinatura do contrato, retirou um pequeno frasco de vidro e um tubo de ensaio esterilizado. Com movimentos rápidos e precisos, transferiu uma amostra da água do copo para o tubo e pingou duas gotas da substância reagente.

Ele chacoalhou o recipiente de vidro, observando a cor do líquido permanecer perfeitamente cristalina.

— A água está limpa — declarou ele com frieza, voltando a guardar os equipamentos na maleta e estendendo o copo testado na direção dela. — É pela sua segurança.

Min-seo encarou o copo na mão dele antes de aceitá-lo com relutância, soltando uma risada irônica e sem humor.

— Me diga uma coisa... Toda vez que eu sentir sede ao longo do dia, vou ter que passar por essa palhaçada?

Seo-jun deu um passo à frente, encurtando a distância entre eles. Ele fixou o olhar intenso e penetrante diretamente nos olhos da CEO, sua voz soando firme como uma ordem de comando.

— Essa é a forma como eu garanto a segurança dos meus contratantes, Senhora Cha. Sem exceções.

— Isso me incomoda profundamente — rebateu ela, sustentando o olhar com a mesma rigidez, embora o peito fervesse de desconforto pela presença invasiva do homem. — Eu odeio sentir que estou sob vigilância constante no meu próprio ambiente de trabalho.

Seo-jun manteve a expressão impassível, sem recuar um milímetro.

— Pela dimensão do atentado que a senhora sofreu ontem na entrada desta empresa, quem quer matá-la não vai tentar apenas na rua — afirmou ele, o tom cortante e realista. — Farão de tudo para que o objetivo seja cumprido, incluindo contaminar o que a senhora bebe dentro deste escritório. Se meu método a incomoda, lamento. Mas minha prioridade é manter o seu coração batendo, não agradar as suas preferências.

Min-seo soltou um suspiro pesado, tentando conter a onda de raiva que subia pelo seu peito. Ela deu um passo à frente e ergueu o dedo indicador na direção do peito dele, falando de maneira lenta e pausada:

— Preste bem atenção, Senhor Han. Você foi contratado para ficar perto de mim vinte e quatro horas por dia. Apenas isso. Mas isso não dá a você o direito de invadir a minha privacidade ou interferir nos meus hábitos.

Seo-jun não recuou. Pelo contrário, deu mais um passo firme à frente, reduzindo ainda mais o espaço entre os dois e encarando-a do alto de seus 1,80m com uma autoridade inabalável.

— A senhora manda nesta empresa, Senhora Cha — respondeu ele, a voz grave ressoando como uma ordem tática. — Mas na sua segurança, quem manda sou eu.

Os olhos de Min-seo mudaram com expressão de fúria.

— Você é um atrevido! — disparou ela, entredentes.

— E a senhora é teimosa — rebateu ele imediatamente, no mesmo tom frio e direto.

Surpresa e furiosa ao perceber que o ex-militar não se intimidava e nem ficava calado diante de sua postura, Min-seo deu um tapa sutil na própria mesa de mármore, elevando o tom de voz:

— Ninguém manda em mim nesta vida! Se você quer manter este emprego, faça exatamente o que eu ordenar! Se eu mandar você ficar ali, perto daquela porta, é para ficar perto da porta. E se eu mandar você ficar perto desta mesa, é para ficar perto desta mesa. Fui clara?

Seo-jun manteve a expressão impassível, sem piscar uma única vez.

— Eu não posso deixá-la fora do meu campo de visão nem por um segundo — respondeu ele, mantendo o olhar intenso fixo no dela. — A missão dada a mim será cumprida exatamente como foi planejada, nem que seja no milésimo de centímetro.

A tensão no ar era quase palpável, como se uma faísca estivesse prestes a acender no escritório.

De repente, duas batidas rápidas na porta de madeira nobre interromperam o embate. A porta abriu-se devagar e a secretária substituta entrou na sala, visivelmente hesitante ao notar o clima pesado entre a CEO e o novo chefe de segurança.

— Com licença, Senhora Cha... — disse a funcionária, dando alguns passos cautelosos para dentro. — Trouxe os documentos com os modelos de convites do próximo desfile de alta-costura para a sua aprovação final.

Min-seo lançou um último olhar gélido para Seo-jun, como se cravasse uma bandeira de aviso, antes de desviar a atenção e encarar a funcionária com sua costumeira determinação.

— Entregue-me isso — pediu ela, a voz firme e sem hesitar.

A secretária aproximou-se com passos curtos e estendeu os papéis. Ao entregar os documentos, a jovem olhou de relance para Seo-jun de maneira tímida, claramente intimidada e impressionada pela postura e pelo porte do novo chefe de segurança, que permanecia imóvel como uma estátua ao lado da bancada.

Min-seo pegou os arquivos das mãos da secretária e começou a folhear as opções de convites enquanto caminhava de volta para sua mesa. Ela avaliava a gramatura do papel, os relevos dourados e a tipografia com um olhar clínico e exigente.

Ajeitou a saia e sentou-se em sua cadeira executiva de couro, assinando a folha de aprovação do design com um movimento rápido de caneta.

— O design do convite está bom. Pode mandar para a gráfica — declarou, devolvendo a pasta. Em seguida, ergueu os olhos com severidade. — E quanto à seleção das modelos que irão desfilar no evento principal? Já foi concluída?

— Ainda está em andamento, Senhora Cha — respondeu a secretária substituta, engolindo em seco sob a pressão do olhar da chefe. — A equipe de casting está finalizando as últimas entrevistas hoje à tarde.

Min-seo soltou um estalo de língua demonstrando extrema impaciência e ajeitou a postura na cadeira.

— Seul está cheia de modelos em cada esquina! Não é possível que uma simples escolha de casting esteja demorando tanto tempo — reclamou ela, o tom ríspido fazendo a funcionária encolher os ombros. — Diga ao diretor de elenco que eu não quero desculpas. Eu quero a lista definitiva com a seleção concluída para ontem!

A secretária curvou-se rapidamente, pegou a pasta aprovada e deixou a sala a passos apressados, fechando a porta com extremo cuidado para não fazer barulho.

A sós novamente, o silêncio voltou a tomar conta da presidência da Maison Cha. Min-seo respirou fundo, tentando reorganizar suas prioridades, mas a presença marcante de Seo-jun ao lado da bancada continuava a preencher cada espaço do ambiente. Ele não havia se movido um único centímetro, mantendo os olhos atentos fixados nela, exatamente como prometera.

— O casting de modelos exige acompanhamento presencial — declarou Min-seo, levantando-se da cadeira e ajeitando a estrutura do seu blazer azul-noite. — Não vou esperar a diretoria se arrastar. Vou pessoalmente ao auditório de testes monitorar a seleção.

Ela caminhou em direção à saída, esperando que ele apenas a seguisse à distância. No entanto, Seo-jun deu dois passos rápidos à frente, tomando a liderança do percurso e posicionando-se à sua frente para abrir a porta do gabinete, fazendo a varredura do corredor antes que ela desse o primeiro passo.

— A partir de agora, Senhora Cha, eu abro o caminho — disse ele com a voz grave, mantendo a postura ereta e o olhar alerta. — E o auditório será o primeiro ambiente que colocaremos à prova.

Min-seo encarou as costas largas do ex-militar, sentindo o peito arfar de irritação diante daquele cerco implacável, sem imaginar que, no auditório no andar de baixo, a ameaça que tentava destruí-la já havia encontrado uma nova forma de se aproximar.

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評論 (1)
goodnovel comment avatar
O Poeta Viajante
essa mulher é top sabe o que quer
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