LOGINCaminhando a passos firmes pelo corredor que conduzia às escadas e elevadores do andar da diretoria, a presença de Seo-jun ao lado de Min-seo era constante. Ele ajustou o microfone sutil fixado na gola de sua jaqueta, acionando o comunicador interno conectado ao fone de ouvido.
— Quatro homens, dirijam-se imediatamente ao auditório no terceiro andar — ordenou ele, a voz firme e profissional ressoando na linha tática. — Faça a varredura preventiva do perímetro antes da nossa chegada.
— Positivo e copiado, Capitão. A caminho, senhor — veio a resposta imediata do outro lado do rádio.
Min-seo ergueu o pulso e olhou para o relógio de marca, notando os minutos contados enquanto paravam de frente para as portas metálicas do elevador.
Ao seu lado, Seo-jun mantinha uma postura impecável, com a cabeça erguida e os ombros alinhados. No entanto, seu olhar analítico não estava fixo na luz indicadora dos andares, mas na CEO. Ele percebeu quando os dedos longos e bem-cuidados de Min-seo começaram a tremer sutilmente, apertando com força excessiva o tecido refinado da barra do seu blazer azul-noite. Ela crispava os próprios dedos, num gesto involuntário de pura tensão retida.
Dando meio passo na direção dela, Seo-jun quebrou o silêncio com um tom de voz baixo, audível apenas para os dois:
— Senhora Cha, antes de entrarmos no auditório, quer que eu peça um suco ou um chá para a senhora?
Sem virar o rosto, mantendo os olhos cravados na porta fechada de metal brilhante, Min-seo respondeu em um tom gelado e categórico:
— Não dirija a palavra a mim enquanto estivermos na entrada, no interior ou na saída do elevador. Fui clara?
Seo-jun apenas desviou os olhos na direção dela, sem mover a cabeça um único milímetro. Ele compreendeu o aviso velado e recuou imediatamente, assumindo sua posição estratégica na retaguarda.
Quando a porta do elevador finalmente se abriu com um sinal sonoro, Seo-jun estendeu a mão para amparar a porta, dando o espaço necessário para que ela entrasse primeiro. Em seguida, ele adentrou o compartimento, posicionando-se logo atrás de Min-seo. Seus olhos varriam cada detalhe das expressões e dos movimentos dos funcionários que já estavam no interior do elevador ou que entravam no mesmo andar.
O elevador começou sua descida. O espaço fechado e o barulho sutil do motor pareciam deixar o ar dentro da cabine pesada para a executiva.
Dois andares abaixo, a porta voltou a se abrir. Uma das secretárias da diretoria de logística entrou alvoroçada, carregando uma pilha instável de pastas e arquivos no colo. Na pressa de se acomodar no espaço reduzido, a funcionária tropeçou nos próprios saltos e esbarrou com força no ombro de Min-seo.
O impacto desequilibrou a CEO. O corpo de Min-seo foi projetado para trás, chocando-se diretamente contra o peitoral firme de Seo-jun.
Num reflexo militar absurdamente rápido, o ex-militar espalmou a mão espessa atrás da cabeça dela, impedindo que a nuca de Min-seo colidisse contra o espelho de vidro que reveste a parede do elevador. Ao mesmo tempo, sua outra mão firme segurou a cintura da executiva para estabilizá-la.
Por um breve e intenso segundo, Min-seo pressionou a mão espalmada sobre o peitoral de Seo-jun para se apoiar. Seus olhos se cruzaram — o olhar firme, compenetrado e quente dele encontrou o olhar arregalado e vulnerável dela, onde o pavor do espaço fechado e o susto do esbarrão se misturavam.
Sem proferir uma única palavra, Seo-jun reposicionou Min-seo com delicadeza e firmeza na postura correta, recolhendo as mãos imediatamente e voltando à sua posição de alerta máximo na retaguarda.
A secretária se desculpou profundamente, mas Min-seo não emitiu nenhum som. Ela permaneceu em silêncio absoluto, a respiração contida, apenas apertando a barra do terno com ainda mais força até que o elevador finalmente alcançasse o terceiro andar.
Assim que o indicador digital anunciou a chegada ao terceiro andar, as portas do elevador se abriram. Seo-jun agiu de imediato, avançando meio passo para bloquear a abertura e garantir que o corredor estivesse seguro antes de dar passagem à executiva.
Min-seo saiu a passos rápidos, o ruído seco de seus saltos sobre o piso espelhado marcando o ritmo da sua pressa. Ao avistar a entrada do toalete executivo, ela desacelerou ligeiramente e falou sem se virar:
— Me aguarde aqui.
Seo-jun apenas assentiu com um breve aceno de cabeça. Ele assumiu sua posição estrategicamente ao lado da porta do banheiro feminino, pernas ligeiramente afastadas e braços cruzados atrás das costas, olhos atentos ao movimento intenso do corredor.
Do lado de dentro, Min-seo trancou a porta de uma das cabines e encostou as costas na divisória de madeira. Levando as duas mãos à boca, ela sufocou um gemido de angústia, segurando o choro que ameaçava transbordar. Era o seu ritual silencioso: engolir a dor da memória sufocante do elevador para não demonstrar fraqueza a ninguém.
Do lado de fora, o aguçado sentido auditivo de Seo-jun — treinado em anos de operações táticas em ambientes de extremo estresse — captou o ruído abafado vindo do interior do espaço. Ele não se moveu, mas sua expressão se fechou ainda mais. Enquanto seus olhos atentos mapeavam cada pessoa que passava pelo corredor, algumas modelos a caminho da seleção olhavam em sua direção, arriscando sorrisos e piscar de olhos insinuantes. Seo-jun permaneceu rígido, como uma estátua de gelo, ignorando qualquer distração.
Ao notar uma funcionária da copa se aproximando empurrando um carrinho de bebidas em direção ao auditório, Seo-jun deu um passo à frente, interceptando o trajeto de forma educada, porém firme.
— O que a senhora carrega no carrinho? — perguntou ele, o tom grave e firme.
A funcionária parou e respondeu prontamente:
— Chá quente e suco fresco de tangerina para a equipe da seleção, senhor.
— Com sua licença, preciso fazer uma inspeção visual antes de liberar a entrada — solicitou ele.
A mulher assentiu sem contestar. Seo-jun analisou visualmente cada xícara, o alinhamento das jarras, a parte inferior do carrinho e os compartimentos fechados, garantindo que não houvesse nada fora do padrão.
— Está liberado. Obrigado — disse ele, abrindo caminho.
A poucos metros dali, um grupo de três modelos encostadas na parede observava cada movimento da cena.
— Olhe o porte daquele homem... — murmurou uma delas, ajeitando a postura para chamar atenção. — Que presença impecável.
— Eu descobri quem ele é fora do ambiente da empresa — sussurrou a segunda, aproximando-se das amigas com olhos arregalados. — É um ex-combatente das Forças Especiais, cheio de condecorações.
— Pavoroso... — comentou a terceira, soltando uma risadinha abafada. — Um guarda-roupa daquele tamanho? Eu namoraria fácil.
— Nada disso, garotas. Nós três teríamos que dividir esse monumento entre nós — brincou a segunda, provocando risos contidos entre as três.
Nesse exato momento, o trinco do toalete girou.
Min-seo abriu a porta do sanitário. Com a postura ereta e a expressão totalmente recomposta, ela retirou do bolso interno do terno um estojo simples de maquiagem e um batom de tom discreto. Diante do espelho principal, retocou os lábios com precisão, ajustou a gola do blazer azul-noite e apagou qualquer traço da vulnerabilidade de instantes atrás.
Ela atravessou a porta do banheiro projetando novamente a aura da CEO elegante, implacável e rígida de sempre.
Passando por Seo-jun sem olhar diretamente para ele, mas com a voz audível e categórica, a executiva decreta:
— Vamos.
Seo-jun imediatamente assumiu sua posição na retaguarda, mantendo a distância tática ideal enquanto acompanhava os passos decididos de Min-seo pelo corredor. Seu olhar atento registrava cada movimento ao redor, completamente alheio aos cochichos e olhares das modelos que ainda flutuavam pelo andar.
Na grande entrada do auditório, a movimentação era intensa, mas a chegada da CEO fez o ambiente silenciar quase instantaneamente.
Antes mesmo que Min-seo alcançasse a porta dupla de madeira nobre, uma das executivas seniores da equipe de casting apressou os passos, desfazendo-se em uma reverência exageradamente baixa e exibindo um sorriso polido.
— Senhora Cha! Que honra imensa tê-la presencialmente em nosso processo de seleção — declarou a executiva, o tom de voz transbordando uma adulação estudada. — Estamos seguindo à risca os padrões de excelência da Maison Cha. Sua presença aqui hoje certamente trará ainda mais brilho e rigor ao nosso trabalho.
Min-seo nem sequer desacelerou o passo diante dos elogios pomposos. Ela apenas lançou um olhar frio e pragmático para a mulher, mantendo o queixo erguido.
A poucos passos dali, posicionado estrategicamente ao lado da batente da porta, Seo-jun observou a cena em silêncio. Seus olhos analíticos captaram a falsidade calculada na postura da executiva e a frieza impassível de Min-seo ao ignorar a bajulação. O cenário do auditório estava posto, e a verdadeira prova daquela tarde estava prestes a dar início
Seo-jun notou algo estranho, assim que adentrou no auditório.
Ao chegar à casa de Min-seo — uma residência de arquitetura moderna e sóbria em um bairro nobre de Seul — Seo-jun estacionou o veículo blindado de frente para a entrada principal. Antes de destravar as portas, ajustou o retrovisor e franziu o cenho ao notar a ausência do carro da equipe de apoio. Varreu o perímetro ao redor com o olhar analítico: a rua estava silenciosa e vazia. Nenhum sinal dos seus homens.Seo-jun saiu do veículo, deu a volta e abriu a porta traseira. Min-seo desceu tentando a todo custo manter a postura ereta, mas o corpo ainda não respondia com firmeza. Ao dar os primeiros passos, a visão oscilou e ela cambaleou.Em um reflexo rápido, Seo-jun avançou e a amparou firmemente pelo braço.Min-seo, contudo, soltou-se do toque dele de imediato, afastando o braço com a pouca força que lhe restava.— Não toque em mim — declarou ela, a voz fraca, mas carregada de orgulho.Seo-jun recuou um passo, sem argumentar, mantendo-se em sua posição de retaguarda. Min-seo caminhou at
Seo-jun notou algo estranho assim que adentrou no auditório. Seus olhos acostumados à penumbra e ao rastreio de ameaças captaram imediatamente uma oscilação anômala nos refletores do teto: duas das lâmpadas de iluminação cenográfica piscaram com um defeito sutil de fiação, projetando sombras irregulares sobre a passarela de testes.Não se tratava de um atentado iminente, mas sim de uma falha de manutenção inaceitável para o nível de exigência da Maison Cha.Varrendo o ambiente com o olhar, ele localizou rapidamente os quatro seguranças de apoio da sua equipe. Posicionados em pontos estratégicos do auditório — dois junto às saídas de emergência e dois no mezanino de controle — os operacionais mantinham-se invisíveis para os presentes, mas em perfeita sintonia visual com o Capitão. Um leve aceno de cabeça de um dos homens confirmou que o perímetro do auditório estava devidamente selado.Min-seo avançou até a mesa central da banca avaliadora sem dar importância à executiva que a bajulara
Caminhando a passos firmes pelo corredor que conduzia às escadas e elevadores do andar da diretoria, a presença de Seo-jun ao lado de Min-seo era constante. Ele ajustou o microfone sutil fixado na gola de sua jaqueta, acionando o comunicador interno conectado ao fone de ouvido.— Quatro homens, dirijam-se imediatamente ao auditório no terceiro andar — ordenou ele, a voz firme e profissional ressoando na linha tática. — Faça a varredura preventiva do perímetro antes da nossa chegada.— Positivo e copiado, Capitão. A caminho, senhor — veio a resposta imediata do outro lado do rádio.Min-seo ergueu o pulso e olhou para o relógio de marca, notando os minutos contados enquanto paravam de frente para as portas metálicas do elevador.Ao seu lado, Seo-jun mantinha uma postura impecável, com a cabeça erguida e os ombros alinhados. No entanto, seu olhar analítico não estava fixo na luz indicadora dos andares, mas na CEO. Ele percebeu quando os dedos longos e bem-cuidados de Min-seo começaram
As horas avançavam de forma lenta dentro da imponência do escritório da presidência da Maison Cha. O silêncio na sala só era quebrado pelo som suave das folhas de contratos sendo assinados e pelo ritmo pausado do teclado do computador de Min-seo.A poucos metros da mesa principal, Han Seo-jun permanecia de pé. Sua postura era a de um soldado em prontidão absoluta: pernas levemente afastadas, mãos entrelaçadas atrás das costas e um olhar frio e analítico que varria cada centímetro do ambiente, atento aos mínimos detalhes, dos dutos de ventilação às sombras na vidraça.Cansada após horas de leitura ininterrupta e com a garganta seca pela tensão do dia, Min-seo ergueu-se bruscamente da cadeira executiva. Ela caminhou em direção à bancada de mármore no canto da sala, disposta a servir-se de água da jarra de vidro lapidado que descansava sobre a superfície fria.Antes que sua mão pudesse tocar o gargalo da jarra, uma sombra alta e imponente cortou seu caminho.— Com licença, Senhora Cha —
O bipe constante dos monitores cardíacos era o único som a quebrar o silêncio da sala de espera do Hospital Universitário de Seul. Cha Min-seo continuava de pé, a postura impecável e os braços cruzados sobre o busto, recusando-se a sentar nas poltronas confortáveis do corredor. O contraste entre sua saia justa de alta-costura e o vestígio seco de sangue no punho de sua manga servia como um lembrete vívido do atentado sofrido horas antes.A luz vermelha acima da porta do bloco cirúrgico finalmente se apagou.Poucos segundos depois, as portas duplas se abriram e o cirurgião-chefe caminhou na direção de Min-seo, removendo a máscara cirúrgica com um semblante cansado, porém aliviado.— Senhora Cha — cumprimentou o médico, curvando-se levemente em respeito. — A cirurgia foi longa e delicada, mas conseguimos extrair os projéteis sem danos maiores aos órgãos vitais. O Senhor Park é um homem forte. Ele já foi transferido para a UTI e está oficialmente fora de perigo.Um alívio silencioso perc
O som agudo e intermitente da sirene cortava o trânsito pesado do final da tarde a caminho do hospital. Sentada no banco dobrável da ambulância, Cha Min-seo mantinha os olhos fixos no rosto pálido do Secretário Park. Suas mãos, ainda limpas à pressa mas com marcas de sangue sob as unhas, estavam apertadas com força sobre as pernas.Os paramédicos trabalham rápido para controlar os sinais vitais e conter o sangramento no ombro e na coxa do assistente. Toda a postura firme da CEO da Maison Cha parecia prestes a fraquejar, mas ela mantinha o queixo erguido, recusando-se a demonstrar fraqueza na frente dos socorristas.Ao encostar na entrada de emergência do Hospital Universitário de Seul, a equipe médica assumiu o controle, empurrando a maca às pressas pelos corredores de luzes brancas. Min-seo os acompanhou até a porta dupla do centro cirúrgico, onde foi impedida de avançar.— A senhora precisa aguardar aqui do lado de fora — informou uma enfermeira, com tom firme e profissional.As por







