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Meu Sogro É O Meu Sugar Daddy
Meu Sogro É O Meu Sugar Daddy
Author: Luísa Faruk Gerente

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last update publish date: 2026-06-26 05:19:19

Capítulo 1

— Obrigada, senhorita Sofia. — Dona Rosa agradeceu com um sorriso acolhedor enquanto secava as mãos no avental florido, a única coisa verdadeiramente colorida naquela cozinha digna de comercial de eletrodomésticos de luxo.

Seus olhos castanhos transbordavam aquela gratidão maternal que eu, sinceramente, pagaria um valor absurdo para ver no rosto da minha própria mãe ao menos uma vez na vida. Há anos trabalhando na residência dos Almeida, a Rosa já tinha deixado de ser apenas quem cuidava da casa para se tornar meu porto seguro — e, sejamos honestas, a única pessoa nesta mansão que não me olhava como se eu estivesse prestes a estragar o papel de parede.

— Que isso, Rosa. Sem formalidades, por favor — pedi, pegando minha garrafa de água na geladeira. O plástico frio contrastou com meus dedos quentes, e eu dei um gole generoso, sentindo a água gelada descer rasgando pela garganta e espantando o resto de sono que teimava em grudar nos meus olhos.

Fechei a porta da geladeira com o cotovelo, ouvindo o clique suave do mecanismo ecoar pelo espaço gigante.

— Vou meter o pé para a minha corrida. Se o papai perguntar, diz que eu fui tentar queimar a ansiedade antes que ela me consuma viva, por favor?

Rosa soltou uma risadinha abafada e assentiu, os olhos transparecendo a compreensão de quem conhecia a fauna desta casa melhor do que ninguém.

Atravessei o corredor amplo como quem cruza um museu particular. As molduras douradas nas paredes pareciam me encarar com desdém, exibindo retratos e paisagens de gerações passadas da família Almeida. Cada tela parecia cochichar um “você não se encaixa aqui” em tom aristocrático. Ao alcançar a porta principal, passei pelos seguranças e mandei um sorriso de bom dia.

Aguardei pacientemente enquanto o portão automático rangia contra o asfalto — o som característico que marcava o início da minha liberdade diária.

— Obrigada, senhor Roberto — falei, já ajustando a passada. O impacto do tênis no chão trouxe aquele alívio imediato.

— Tome cuidado na rua, menina — a voz grave do Roberto ressoou atrás de mim, carregada daquela preocupação paternal que eu aceitava de bom grado.

Apenas levantei o polegar no ar, sem me virar, e acelerei o ritmo. Em menos de dez segundos, a segurança blindada da mansão ficou para trás, substituída pelas calçadas arborizadas e tranquilas do bairro.

Encaixei os fones de ouvido e deixei uma batida eletrônica ensurdecedora assumir o controle dos meus pensamentos. Era plena segunda-feira, o sol já estava descascando a tinta dos carros às sete da manhã e o suor começava a brotar na minha pele antes mesmo de fechar o primeiro quilômetro. Minha agenda do dia parecia um pesadelo logístico: ensaios, reuniões com empresários de cara fechada e provadores de roupa intermináveis.

O que uma pessoa sã faria? Estaria dormindo com o ar-condicionado no máximo, obviamente. Mas a vida adulta não perdoa, e a indústria da moda tem uma tolerância zero para preguiça.

Meus pés se moviam em um ritmo mecânico enquanto a cidade de Chicago começava a balançar a poeira e acordar. Prazer, Sofia Ferreira. Tenho 23 anos e sou modelo de uma das agências mais movimentadas desta cidade. Chicago tem essa energia insana de nunca desligar a tomada, e eu acabei me apaixonando por esse caos frenético. Tem algo de hipnótico no contraste entre os arranha-céus gigantescos e o céu da manhã.

Oficialmente, eu moro com meus pais. Tenho meu próprio apartamento no topo de um prédio incrível na parte alta da cidade, mas a verdade nua e crua? Odeio ficar sozinha lá. O silêncio daquele lugar me engole. É um vazio estranho, como se, sem o barulho de pessoas conversando ou a confusão de uma casa cheia, eu simplesmente corresse o risco de desaparecer.

Então, prefiro aguentar o hospício familiar.

Meu pai, senhor Fernando, ganha a vida no ramo automotivo, um império de concessionárias e peças que meu irmão mais velho, Rafael, ajuda a gerenciar com a eficiência de um robô. Meu pai sempre foi o tipo de homem que prega o valor do suor e do trabalho duro, e mesmo quando decidi trocar a graxa e os números pela passarela, ele foi o único que não me olhou como se eu tivesse tido um surto psicótico.

Minha mãe, por outro lado... bem, a história é um pouco mais espinhosa. Ela começou a vida como garçonete. Falar isso para ela hoje em dia equivale a cometer um crime de lesa-pátria. Ela age como se o passado fosse uma mancha radioativa no currículo e prefere se afogar num mar de aparências, chás beneficentes e bolsas de grife, fingindo que nasceu em um berço de ouro.

E aí temos a minha irmã, Patrícia. Mais velha, perfeitamente fútil e especialista na arte de não fazer nada. Meu pai montou um salão de beleza impecável para ela, mas acho que a última vez que a Patrícia pisou lá foi para tirar foto para o I*******m; ela paga uma equipe inteira para administrar o lugar enquanto foca no seu esporte favorito: competir comigo. Agora cismou que quer entrar para o mundo da moda. Porque, claro, se a caçula consegue, ela precisa provar que consegue fazer melhor. Nossa convivência é basicamente um jogo de xadrez onde cada palavra é uma peça pronta para derrubar a outra.

A relação com a minha mãe segue a mesma linha editorial congelante. Ela idolatra meu irmão e trata a Patrícia como sua obra-prima. Eu? Eu pareço a intrusa que esqueceu de ir embora. Fui criada por babás e pelo meu pai. Cresci tentando entender em que momento da gestação eu tinha quebrado o contrato de afeto dela. Doí? Para caralho. Mas a gente aprende a colocar um curativo na ferida e fingir que não está sangrando.

Às vezes, quando o silêncio da noite fica alto demais e o Thor — meu Rottweiler gigantesco — se estica do meu lado na cama, eu me pego listando meus erros num tribunal mental. Foi a carreira? Minha boca grande? O fato de eu não caber no molde de filha perfeita da alta sociedade? Pergunta inútil. O silêncio nunca responde.

O celular no meu bolso começou a vibrar contra a minha coxa, cortando a trilha sonora do meu momento reflexivo. Reduzi a corrida para um trote rápido e puxei o aparelho. Tela iluminada: Thiago.

Thiago: Vem aqui pra casa agora. Minha suíte tá vazia e tô com saudade. 

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