로그인Meu pai se aproximou, os olhos cheios, a voz embargada, a emoção transbordando. Os outros logo atrás dele ao entrarem no quarto onde eu estava, todos sorrindo, segurando balões e algumas flores, um mar de amor. Meu avô trazia dois saquinhos, um vermelho e o outro azul, e eu sabia muito bem o que tinha ali: uma corda e uma ferradura com os nomes das crianças, que ele já sabia quais eram, por ter escutado, "sem querer", eu e o Leonardo conversando, uma tradição de amor.— E então... — Ele perguntou baixinho. — Como eles se chamam? — Foi a primeira coisa que meu pai perguntou, sua voz um sussurro reverente, como se estivesse em um templo.— Estou bem, pai. Obrigada. — Zombei, mas sorri, o amor transbordando. Olhei de relance para os pequenos berços ao meu lado, onde meus milagres dormiam.Depois do parto, eles me limparam, deram os pontos e me trouxeram para cá, um quarto de hospital que parecia um palácio. Onde ficou só o Leonardo, minha âncora. Alguns minutos depois, trouxeram as crian
Minhas mãos apertando a camisa de Leonardo a cada contração, ele falando comigo o tempo todo, me lembrando de respirar, de ficar comigo, de não me perder na dor, uma âncora de palavras.O hospital parecia distante, como se o mundo tivesse se reduzido àquele corredor branco e às mãos que não soltavam as minhas, um túnel de luz. As luzes fluorescentes passavam por cima de mim como estrelas em movimento, e a única coisa real era o aperto de Leonardo, sua voz, seu cheiro, sua presença.Não estava mais focada em nada, nem escutando direito, a dor me consumindo. Só me concentrava na dor, sentindo o toque de seja lá quem me tocando, enfiando o dedo dentro de mim, falando que já estava com uma boa dilatação, que o momento estava próximo. A equipe médica se movia ao redor como uma coreografia ensaiada, cada um em sua posição, cada um com sua função, uma dança de vida.Eles arrumaram minhas pernas, e Leonardo apareceu no meu campo de visão, sorrindo, beijando minha cabeça, dizendo que ia ficar
— Nossa, Sof. — Ele levou a mão ao peito, fingindo dor, os olhos brilhando. — Essas crianças estão sugando até a sua gentileza. — Resmungou, mas seus olhos brilhavam com a brincadeira, uma faísca de humor.— Estão sugando tudo. — Leonardo respondeu por mim, sério demais, o tom grave. — Inclusive a paciência. — Revirou os olhos, mas a ponta de seus lábios se curvou, um sorriso contido.Meu irmão se jogou no sofá ao meu lado, apoiando a cabeça na minha perna com cuidado exagerado, como se eu fosse feita de vidro, algo precioso.— Quando nascerem, vão gostar mais de mim. Eu sei. —— Sonha. — Disse, passando a mão no cabelo dele, sentindo a textura macia, o gesto de carinho. — Mas vai ser um ótimo tio. — Sorri de lado, o amor transbordando.— Tio favorito. — Corrigiu, piscando, e eu balancei a cabeça, rindo, o som escapando.O dia seguiu simples, uma rotina de amor. Jantar leve, risadas soltas, Leonardo insistindo para eu ir deitar mais cedo, sua preocupação constante. Ele sempre sabia qu
Meu irmão Rafael estava namorando uma menina que trabalhava na limpeza da empresa do meu pai, mas que estava de licença por ordens dele, pois ela estava grávida de um mês, uma nova vida. Agora ele ia sofrer tudo o que dizia que o Leonardo sofria em minhas mãos, a roda da vida girando. A ironia não se perdia em mim, e eu mal podia esperar para vê-lo se transformar no pai superprotetor que ele sempre zombou, um novo capítulo.O Miguel... desse eu já tinha desistido de dar conselho, sua vida amorosa um caos. Namorava e terminava com uma frequência que me deixava tonta, um carrossel de relacionamentos. Tinha o dedo podre para mulher, e agora estava se envolvendo com mulheres mais velhas, como se buscasse algo que não encontrava. Ele dizia que elas tinham experiência e não ficavam de joguinhos, uma justificativa para sua imaturidade. Mas eu achava, só achava, que ele era quem ficava nesses joguinhos e as meninas não aguentavam, sua personalidade um furacão. Não que ele traísse, isso eu sab
SOFIATRÊS MESES DEPOIS...O silêncio que envolvia a casa naquela tarde de fim de verão era um daqueles silêncios que não pesavam, mas confortavam, como um abraço suave. O tipo de silêncio que vem depois de uma tempestade, quando tudo se acalma e você finalmente pode ouvir o próprio coração, sentir a própria respiração. O único som era o borbulhar suave da panela no fogão, onde algo cozinhava lentamente, e o ruído distante da televisão ligada em algum programa que ninguém estava realmente prestando atenção, um zumbido de fundo.Eu estava sentada no sofá, com as pernas apoiadas em almofadas macias, sentindo o peso familiar da barriga e o cansaço bom de mais um dia que parecia igual a tantos outros, uma rotina de amor. Minhas mãos repousavam sobre a curva pronunciada, sentindo os pequenos movimentos que já se tornavam parte da minha rotina — chutes, giros, aquelas ondulações que me faziam sorrir mesmo nos dias mais difíceis, uma dança de vida.Leonardo surgia e desaparecia da sala como
— AS BEXIGAS! — A voz de Lucas ecoa através da porta, um trovão de emoção. Dou risada e nego, fazendo um pequeno aceno para o homem ao meu lado pegar, e assim faz, deixando-as na frente do médico, as cores vibrantes. — Vamos de uma vez, então. — Sorri, fazendo movimentos rápidos, estourando duas, sobrando... uma vermelha e uma azul, o destino se revelando. — Parabéns. — Olho para Leonardo, ele sorri grande, passando a mão na minha barriga, beijando minha cabeça com uma ternura que me desmonta, que quebra todas as minhas defesas. — O QUE É? — A pergunta vem de fora, uma onda de curiosidade, mas estamos em nosso próprio mundo, uma bolha de amor. Limpo a barriga quando ele remove o aparelho, o gel ainda fresco. Me sento com ajuda e abaixo o vestido, minha mão ainda tocando a barriga, sentindo os pequenos movimentos, a vida pulsando. — Obrigada, doutor. — Agradeço, me afastando, a gratidão transbordando. — De nada, até a próxima. — Dá uma piscadinha, e Leonardo resmunga — seu c







