Share

Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã
Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã
Author: Meteor Sea

Capítulo 1

Author: Meteor Sea
Quando voltei às pressas ao hotel, Vicente segurava a mão de Lavínia e recitava seus votos de casamento.

— Desde o dia em que te conheci, você se tornou o único lugar para onde quero voltar. Pelo resto da minha vida.

O ar me faltou por um instante.

Aquelas palavras eram minhas.

Passei três noites inteiras lapidando cada palavra, tentando condensar sete anos de amor em uma única frase.

Na noite anterior, Vicente ainda me abraçou e prometeu guardar aquelas palavras só para mim, para o dia do nosso casamento.

Mas agora ele as dedicava a Lavínia, sem mudar uma única palavra.

Assim que os convidados me viram, os aplausos cessaram de repente.

Vicente soltou imediatamente a mão de Lavínia, veio na minha direção.

— Elisa, volta pro hospital. Quando a cerimônia acabar, eu te explico tudo.

Perdi o controle e avancei para cima dele, exigindo uma resposta.

— Eu quero uma explicação agora! Por que ela tá usando meu vestido de noiva, com a minha aliança no dedo, ao lado do meu noivo?

Vicente se colocou diante de Lavínia, com um lampejo de impaciência no olhar.

— Porque esse casamento foi preparado para a Lavínia desde o começo.

Aquelas poucas palavras me deixaram paralisada.

Passei um ano inteiro cuidando de cada detalhe daquela cerimônia.

E agora Vicente me dizia que o casamento nunca foi meu.

Ele olhou para o véu bordado com diamantes que cobria a cabeça de Lavínia e continuou, com uma tranquilidade desconcertante:

— A Lavínia escolheu esse véu faz tempo. Como ela estava no exterior e não podia voltar para experimentar, pedi que você conferisse as medidas no lugar dela.

Eu o encarei sem piscar.

— E o vestido?

— Também é dela. O desenho original foi feito com as medidas da Lavínia.

Um frio me percorreu o corpo.

Então era por isso que Vicente não permitia nenhum ajuste na cintura do vestido e insistia que eu emagrecesse para caber nele.

Durante seis meses, mal consegui fazer uma refeição decente à noite, tudo para conseguir usar aquele vestido.

Só naquele instante compreendi a verdade.

A noiva nunca fui eu.

Lavínia continuava de braço dado com Vicente. Quando nossos olhos se encontraram, ela me lançou um olhar carregado de piedade.

— Elisa, não culpa o Vicente. Fui eu que pedi pra ele te conquistar.

Sua voz era suave, quase consoladora.

— Na época, eu precisava ir pro exterior fazer um tratamento. Nem sabia se ia voltar. E você estava tão mal depois que seu ex te abandonou... Passava noites inteiras sem conseguir dormir.

Seus olhos se encheram de uma compaixão tão bem dosada que parecia ensaiada.

— Eu não suportava te ver sofrendo daquele jeito. Por isso, pedi ao Vicente que cuidasse de você por um tempo.

— Lembra dos cafés da manhã que ele levava todo dia até a portaria do seu dormitório? Era eu que escolhia tudo. O restaurante do primeiro encontro de vocês também foi escolha minha.

E, com a mesma doçura, completou:

— Até aquela declaração de amor... Fui eu que ensinei ao Vicente o que dizer. Palavra por palavra.

Senti a garganta se fechar.

Vicente passou noventa e nove dias tentando me conquistar.

Eu registrei cada pequeno gesto daqueles dias no meu diário. Não queria esquecer um único detalhe.

Agora, tudo aquilo ganhava outro significado.

As pequenas atenções que tantas vezes fizeram meu coração disparar, os gestos que guardei como provas de amor... Nada daquilo era realmente meu.

Bianca se aproximou, segurando a barra do vestido de madrinha.

— Elisa, eu sei que a gente errou em esconder a verdade. Mas pensa na Lavínia. Ela sofreu muito mais que você.

Seu tom era de censura, como se fosse eu quem precisasse se envergonhar.

— Imagina passar sete anos vendo o homem que você ama com outra mulher, sem nunca tentar separar os dois. Foi isso que ela fez por você. A Lavínia já foi boa até demais. Não precisa pressionar ela desse jeito.

Encarei a mulher que eu chamava de melhor amiga havia mais de dez anos.

— Então você também sabia? Esse tempo todo?

Bianca assentiu, sem demonstrar o menor constrangimento.

— A gente só queria te poupar. Você sempre foi muito impulsiva, Elisa. Se descobrisse que o Vicente ama a Lavínia de verdade, quem sabe do que seria capaz?

Olhei ao redor.

Todos estavam do lado de Lavínia.

E todos me observavam com a mesma desconfiança, como se esperassem que eu perdesse o controle a qualquer instante.

Passei sete anos vivendo uma mentira. Fui enganada pelo homem que amava, pela minha família e até pela minha melhor amiga.

Mas, aos olhos deles, a vítima não era eu.

Eu era a louca da história. A irmã desequilibrada que, a qualquer momento, podia destruir a felicidade de Lavínia.

Foi então que meu celular vibrou dentro da bolsa.

Era uma mensagem da coordenadora do projeto internacional. Três meses antes, ela me convidou para trabalhar no exterior.

[Srta. Monteiro, o prazo para confirmar sua vaga no exterior termina hoje à noite.]

[O último assento no voo continua reservado para você.]

Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã   Capítulo 8

    Quando voltou ao país, Vicente não foi tirar satisfações com Lavínia.Simplesmente saiu da casa onde viviam e deixou toda a comunicação entre os dois nas mãos de seu advogado.Lavínia apareceu várias vezes na empresa à procura dele. Chorou, implorou e tentou convencê-lo a ficar por causa do filho que esperavam.Mas, quando percebeu que Vicente não mudaria de ideia, sua voz perdeu toda a doçura.— Por que você insiste em colocar toda a culpa em mim? Você se casou comigo porque quis. E foi você mesmo que prometeu me dar aquele casamento.Ela o encarou com frieza.— Vicente, não adianta fingir que você é inocente nessa história. Nenhum de nós é.Lavínia nunca admitiu que foi ela quem atendeu à ligação do hospital. Também continuou insistindo que o esbarrão na porta do quarto da noiva não passou de um acidente.Só que, dessa vez, ninguém mais acreditava nela sem questionar.Depois que o bebê nasceu, os dois se divorciaram.Meus pais já não defendiam Lavínia cegamente como antes. Mas também

  • Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã   Capítulo 7

    Ao longo daqueles meses, minha vida também começou a tomar outro rumo.Minha proposta para o projeto foi rejeitada seis vezes. Na véspera da sétima apresentação, passei a noite inteira na sala de reuniões, revisando cada detalhe.Quando a coordenadora finalmente me entregou o documento de aprovação, abriu um sorriso.— Elisa, parabéns! Seu projeto foi aprovado.Segurei o documento entre as mãos e senti os olhos arderem.Antes, Vicente era sempre a primeira pessoa com quem eu queria dividir qualquer conquista.Depois vinham meus pais, Rafael e Bianca.Mas minhas mensagens quase nunca recebiam resposta. Quando recebiam, era um simples "Que bom", dito sem o menor interesse.Enquanto isso, bastava Lavínia publicar uma foto do café da tarde para todos se encherem de preocupação e carinho.Agora, naquela sala de reuniões, meus colegas ouviram minha apresentação até o fim e aplaudiram meu trabalho.Alguém me ofereceu um café. Outros já faziam planos para comemorar comigo naquela noite.Baixei

  • Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã   Capítulo 6

    Na manhã seguinte, Vicente voltou ao hotel onde aconteceu o casamento.Pediu as imagens das câmeras de segurança do corredor que dava acesso ao quarto da noiva.Na gravação, eu aparecia saindo com a mala, enquanto Lavínia vinha na direção oposta.Ao se aproximar de mim, ela diminuiu o passo por um instante. Então, jogou o ombro contra o meu.Perdi o equilíbrio e caí de volta para dentro do quarto.Segundos depois, Vicente correu atrás de mim.A câmera não mostrava o que aconteceu lá dentro. Mas registrou com nitidez um detalhe que passou despercebido por todos.Antes de sair, Lavínia abaixou os olhos para a ponta dos próprios sapatos.Algumas gotas do meu sangue manchavam o salto alto branco.Ela viu.Sabia que eu estava sangrando e, mesmo assim, levou a mão ao ventre, fingiu passar mal e fez todos irem embora com ela.Vicente colocou a gravação diante de Lavínia.Por um instante, o pânico atravessou seu rosto. Mas logo vieram as lágrimas.— A saia do vestido era pesada demais! Eu perd

  • Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã   Capítulo 5

    Entre as mais de cem chamadas perdidas, o nome de Vicente era o que mais se repetia.O celular voltou a vibrar quase imediatamente.Era ele. De novo.Fiquei alguns segundos olhando para a tela antes de recusar a chamada e bloquear todos eles, um por um.A coordenadora do projeto me esperava no aeroporto. Assim que me viu, franziu a testa.— Nossa, você tá muito pálida. Quer passar no hospital antes de irmos?Balancei a cabeça.— Fiz uma pequena cirurgia há pouco tempo. Só preciso descansar uns dias.Ela não insistiu. Apenas pegou minha mala e abriu a porta do carro para mim.Pela janela, as ruas desconhecidas desfilavam diante dos meus olhos.Naquela cidade, ninguém conhecia Lavínia Monteiro.Ninguém sabia da farsa que foi o meu casamento.A equipe do projeto me concedeu uma semana de licença, mas, no terceiro dia, eu já estava de volta ao escritório.Não porque a dor passou.Era que, toda vez que fechava os olhos, aquela publicação de Lavínia voltava à minha cabeça.Meus pais, reunido

  • Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã   Capítulo 4

    Vicente entrou às pressas, ofegante, com a urgência de quem temia nunca mais me encontrar.Pálida, soltei uma risada amarga. Mas, antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa, ele colocou uma bala de leite na minha boca.O gesto veio com a mesma naturalidade de sempre, como tantas outras vezes ao longo daqueles sete anos.— Olha só o seu estado. Daqui a pouco sua glicose despenca de novo.O sabor cremoso do leite se espalhou pela minha boca. A doçura, porém, nunca me pareceu tão amarga.Diante do meu silêncio, Vicente tirou o paletó e o colocou sobre meus ombros.— Vou pedir pro motorista te levar ao hotel. Já reservei um quarto pra você. Fica lá uns dias, descansa um pouco. Quando o casamento acabar, eu vou te procurar. A gente conversa e eu te explico tudo direito.Senti os olhos arderem.Ele não disse que me amava. Nem que sentiria minha falta.Mas aqueles pequenos cuidados, tão instintivos, me fizeram lembrar do Vicente que enfrentava a chuva para me levar remédios e só ia embora

  • Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã   Capítulo 3

    As portas do salão de festas se abriram mais uma vez.Minha mãe entrou apressada e foi direto até Lavínia, enxugando suas lágrimas com todo o carinho. Mas, quando se virou para mim, sua voz veio carregada de reprovação.— A Lavínia passou sete anos sofrendo calada por sua causa. Agora só quer o casamento que sempre foi dela. Você precisava mesmo voltar aqui pra fazer esse escândalo?Minha voz saiu trêmula.— Mãe. Então você nunca teve problema no coração? Era tudo fingimento?Olhei para ela, sentindo uma suspeita terrível ganhar forma.— Três anos atrás, no dia em que eu e o Vicente íamos oficializar nosso casamento, você também passou mal de repente. Disse que sentia uma dor no peito e me pediu pra te acompanhar ao hospital.A pergunta quase não saiu.— Naquela vez... Você também queria me tirar do caminho?Lavínia soltou uma risadinha.— Até que enfim você se lembrou, Elisa.De trás do buquê, ela tirou duas vias da certidão de casamento.Na fotografia que acompanhava o registro, Laví

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status