LOGINAugusto chegou na empresa e foi direto para o escritório do filho, tendo dificuldades de passar sobre os destroços de tudo que ele quebrou. Até as cadeiras estavam jogadas e não havia nada sobre a mesa.
— Preciso chamar a clínica psiquiátrica para internar você?
Michel olhou para o pai, surpreso e indignado, o que ele estava fazendo ali? Perguntou-se. Como não queria ser desentender com o pai, respirou fundo para acalmar-se e acusou sua irmã:
— Aquela sua filha ingrata, foi embora novamente.
— Ela entregou o projeto pronto, pelo menos?
— Sim, já enviei para análise e logo poderemos entregar ao comprador.
— Então, qual é o problema? Sua irmã precisa viver além do espaço desta empresa, ou você quer mantê-la acorrentada em você.
Michel espantou-se com a fala do pai, nunca tinha lhe passado pela cabeça aquela imagem. Carolina presa pelo tornozelo com uma corrente ligada ao tornozelo dele. Sorriu com a imagem que se formou em sua mente, quase pensando em aceitar a sugestão.
— Você está rindo? É sério, não uma piada.
Com essa conversa, Michel foi se acalmando. Nem ele sabia o porquê da irritação com a atitude de Carolina. Não sabia o que tinha nele que acontecia com ele em relação a sua irmã. Desde que ela nasceu, sua vontade era de apertá-la, beliscá-la, puxar suas orelhas e implicar com ela de todas as formas que conseguia conceber.
Quando era pequena ela chorava e sua mãe chegava para protegê-la, rapidamente, mas conforme ela crescia, começou a se esquivar dele e até se escondia.
Agora, adulta, ela se tornou um prodígio na criação de projetos Web, desenvolvendo sistemas complicados e inovadores que elevaram o patamar da Empresa, tornando-a mundialmente famosa.
Michel não queria perder a galinha dos ovos de ouro, mas não era só isso, também não teria em quem descontar a sua impaciência. Ele a torturava e sentia prazer nisso, colocando-a no pior lugar para trabalhar e destratando-a na frente de todos, sentindo prazer em que ela fosse cada vez mais humilhada.
Carolina não fazia ideia do estado do irmão, tentava a todo custo bloquear a venda da cepa rejeitada e não era só ela, a equipe de Alan também bombardeou o leilão com avisos de perigo e a conclusão foi que o sistema foi bloqueado e o leilão interrompido.
Mesmo sendo terra de ninguém, a dark web tinha seus controladores e eles respeitavam muito a Ci-fy45, que movimentava milhões da dark web. Procuraram saber o.que estava acontecendo e ao ver o material que estavam leiloando, bloquearam o usuário que oferecia o produto.
Eric quase explodiu no escritório, quando viu que foi bloqueado.
— Não acredito que justamente quando estava prestes a vender o produto, foi bloqueado.
— Te bloquearam na dark web? Como assim? Pensei que a dark web era livre. — comentou Pâmela.
— E era…para ter me bloqueado, alguém deve ter delatado o perigo do produto. Apareceu bem uma caveira na página bloqueada.
— E agora?
— Vou tentar vender por fora. Ainda bem que não mandei o técnico pegar a cepa. Agora não teria onde guardar.
— Isso está ficando muito complicado. É melhor pensar em outra coisa.
Eric foi até o bar, serviu uma dose de whisky e bebeu de um gole só, servindo-se de outra. Precisava de uma outra solução e nisso Pâmela estava certa, só não conseguia pensar em qual.
A Dra Carolina trabalhou sem parar até conseguir sintetizar os antídotos. Agora, estava tão exausta que dormiu sentada com a cabeça apoiada no balcão. O dia amanheceu e Alan a encontrou naquele estado.
— Doutora, doutora, acorde! — chamou com suavidade, pousando a mão em seu ombro.
Carolina acordou, mas não abriu os olhos, esticou os braços, espreguiçando para espantar o cansaço. Quando despertou por completo, viu o Sr. Pacheco e lembrou que conseguiu sintetizar os antídotos.
Agitou-se e correu para pegar os dois injetores.
— Consegui, Sr. Pacheco, vamos logo aplicar no Rafael.
— Calma, ele não vai morrer se esperar mais um pouco. Vá se refrescar e tomar café. Vou esperá-la.
— Então, mande aumentar a temperatura para 21 graus.
Carolina falou e obedeceu, retirando-se para o quarto preparado para ela. No banheiro, escovou os dentes e lavou o rosto, mas quando olhou-se no espelho, entendeu o motivo do Sr. Pacheco a ter mandado se refrescar.
Tirou a roupa e entrou debaixo do chuveiro, deixando a água aquecida cair sobre sua cabeça, levando o cansaço. Quando saiu, sentiu-se outra e encontrou roupas novas esperando. Secou os cabelos e vestiu-se. Ao olhar-se no espelho, mesmo sem maquiagem, sentiu-se bonita.
Encontrou Alan no refeitório e tomaram o café da manhã juntos. Ambos estavam calados pela expectativa, terminaram de comer e seguiram para o quarto de Rafael. Ao chegarem, perceberam que a temperatura estava suportável e retiraram os agasalhos.
Ao entrarem, Carolina correu até o corpo deitado que estremecia sobre a mesa, os injetores estavam sobre uma bandeja e ela pegou o primeiro e o mais importante, que paralisaria e exterminaria o fungo e o aplicou na perna do paciente.
Esperaram, observando o corpo que parou de tremer, só então Carolina aplicou o outro antídoto na outra perna. Lentamente, a cor voltou ao corpo e o seu funcionamento normalizou.
Carolina aproximou-se do rosto imóvel e examinou seus olhos com uma lanterna própria. Os olhos de Rafael abriram-se e enxergaram a bela face diante de si. Apaixonou-se no mesmo instante e não conseguiu evitar permanecer encarando.
— Tão linda e preciosa, será minha, só minha.
Alan não ouviu o sussurro do filho, maravilhado e com lágrimas de alívio nos olhos, aproximou-se pelo outro lado da cama.
— Rafael, meu filho, finalmente acordou!
Rafael olhou para o pai, suspirando por precisar desviar o olhar daquela que capturou seu coração.
— Pai, estou bem.
— Sim, é um grande milagre…
Rafael quis sentar e Alan ajudou-o, amparando-o.
— Não exagere, Rafael, você ficou muito tempo em coma, seu corpo precisará de boa alimentação e fisioterapia para voltar ao normal.
Olhando novamente para sua paixão, sorriu e agradeceu:
— Você me salvou, farei tudo que mandar, mas tenho uma exigência: nunca mais se afaste de mim, daqui em diante será minha noiva.
Três anos depois “ Parabéns hospedeira, você conseguiu quebrar a maldição familiar que passou do pai para os filhos. Você é a única que dará descendência ao Gustavo Gordon e os outros amigos, não terão descendentes, interrompendo o ciclo de crimes que passariam através das gerações.” Carolina não esperava por mais mensagens do operador e tinha até esquecido da investigação sobre o “sistema do céu”. ” Por que você apareceu agora? Não estava tudo concluído? ” “ Depois de muitas discussões, o sistema te concedeu o benefício de conhecer os segredos deste caso e manter as memórias referentes ao trabalho da antiga dona.” “ Então, você vai me contar o por que me enviaram para esse corpo? ” “ Sim. Também voltei agora, por causa da morte do Ferreira. Ele se “suicidou” na prisão e por ser o principal e mais criminoso dos três, o caso pode ser encerrado. Quanto a sua pergunta, não entendemos como,mas a antiga dona desse corpo, em sua invasão e passeio pelos
Carolina entendeu o principal motivo de Helena estar ali, não era por amor nem consideração, era pela própria necessidade de manter o controle sobre o patrimônio da família. Percebendo isso, não teve dúvidas em declarar: — Não quero ter nenhum contato com nada que envolva aquele trio maligno. Agora eu sei o porquê do mal estar que sentia quando estava próximo a ele e na empresa. O mal sempre deixa seu rastro. Obrigada por ter vindo, perdoe-me por não convidá-la para ficar. Helena compreendeu, virou-se e de cabeça baixa e ombros caídos retirou-se sem olhar para trás. A comemoração continuou e quando todos se despediram, Charles pegou sua esposa no colo e levou-a para o carro, onde o motorista levou os para um hotel cinco estrelas, presenteado pelo delegado para passarem a lua de mel. O resultado do julgamento saiu e não era outro senão a condenação dos réus. Passados alguns dias, Ferreira foi preso e a condenação ocorreu a revelia de sua presença. Os três não se en
Carolina parou ao ouvir o grito e perguntou para o homem raivoso: — O que você quer agora, Dominick? — Por que não me contou que estava grávida? — Não preciso lhe dar satisfação da minha vida. — Como não? É o meu filho que você está gerando e precisamos casar o quanto antes. Ele segurou o braço dela com força e tentou arrastá-la para seu carro, mas ela com um Safadão jogou no chão. Nem ela mesma acreditou na força que tinha, mas ficou satisfeita ao vê-lo caído. Charles tomou a dianteira e ficou na frente dela, vendo o homem humilhado levantar-se e voltar a reclamar. — Saia da frente, ela é minha noiva e está grávida do meu filho, que direito você tem de ficar na minha frente? — Não se iluda, este filho é meu e não seu. Já demos entrada no pedido de casamento e em breve faremos a cerimônia. Dominick ficou mudo por um instante, não tinha cabimento sua noiva estar casando com o segurança. Ele a possuiu primeiro, foi seu primeiro a
Como Carolina estava sentada em uma poltrona, ele sentou-se no sofá de frente a ela e a fitava com intensidade, até que Charles parou atrás dela e pousou as duas mãos no rosto do sofá, encarando com seriedade, quase como uma ameaça. — É bom esclarecermos logo este assunto, não estamos noivos o acordo entre nossos pais está cancelado, principalmente agora que eles foram presos por abuso e assassinato. Você acha mesmo que vou casar com alguém que tentou me assassinar e é filho de um assassino? Dominique arregalou os olhos, não sabia que ela tinha conhecimento do processo que envolvia o seu pai. Pensando bem, analisando de fora, sua família era toda miserável. Rafael foi preso em uma clínica psiquiátrica por ser mafioso, seu pai por ter cometido vários crimes, entre ele abusar de mulheres e assassinar um estudante da faculdade. Apesar de não haver provas, ele promoveu o assassinato de Carol quando ela começou a investigar a situação de Rafael e sentia-se um criminoso
Charles percebeu que ela ficou estática, sem saber o que pensar vou sentir e abraçou-a com carinho, deixando-a descansar em seu peito, ouvindo o batimento do seu coração. — Calma, amor, é só um bebê… Ela começou a chorar, totalmente impactada com a notícia, principalmente porque não tinha notado nada de diferente em seu corpo, sentiu-se uma estúpida. Quando as lágrimas secaram, decidiu fazer o teste e ergueu-se do colo dele, falando: — Preciso ter certeza. — Sim, claro. Já pedi na farmácia alguns testes de gravidez, devem estar chegando. Ainda desnorteada, ela olhou para ele com incredulidade, perguntando-se como ele descobriu que ela estava grávida, se nem ela percebeu. Fez os seus cálculos rapidamente, percebendo o que ele já tinha percebido: ela não menstruou naquele mês. Sentiu novamente aquele incômodo no estômago e era o sinal clássico de gravidez. Se ela realmente está grávida, quem seria o pai? Podia bem ser Dominick. Com este pensamento,
As investigações continuaram, complexas, pois o material a investigar era muito e vasto em informações. O delegado Amaury e sua equipe fizeram a conexão entre os achados no quarto secreto da mansão, as informações e documentos enviados pela Dra Carolina Ferreira e a exumação dos corpos. Era tudo muito mais complicado do que Amaury esperava e exigiria mais tempo. Tomou a atitude de vigiar os passos das três famílias envolvidas. A morte de Erick e Pâmela foi passada para outra equipe de investigação e a empresa Ferreira sem o Presidente e o CEO, estava sem rumo, ninguém queria ou tinha autorização para resolver os problemas maiores. Dominick corria atrás de Carol que sumiu e ninguém sabia de seu paradeiro. Gustavo também tentou encontrar a filha, mas Charles, que sempre o manteve informado, estava desconectado. A falta de informações de Charles, ao mesmo tempo que o deixaram preocupado, também lhe deu a certeza de que ele continuava cuidando de sua filha. Michel estava







