LOGINA maneira como Michel a agarrou pelo colarinho, prendeu sua garganta e a estava sufocando. Carolina não era boba, tinha vindo de outra vida, assumido o corpo de uma morta e não queria morrer de novo nas mãos de um suposto irmão que não a respeitava.
Prendendo o pouco de ar que ainda tinha nos pulmões, Carolina ergueu as mãos, segurou com força os ombros dele, apoiando-se e ergueu sua perna, chutando o baixo ventre do homem alto e forte. O urro de dor foi ouvido por todos os que estavam próximos e ele a soltou para segurar suas partes íntimas. Caindo de bunda no chão, Carol apoiou as mãos, levantou-se com dificuldade, mas não ligando para a dor em seu “derriere”. Correu para o carro onde Charles já a esperava com a porta aberta. Entraram e saíram às pressas, passando pelo portão sem olhar para trás. Se tivessem olhado, teriam visto Gustavo chegando e acertando um tapa forte no rosto do filho. A discussão entre os dois começou e foi preciso que Helena interviesse para acalmá-los. Em seu escritório luxuoso, Dominick espumava de raiva e ansiedade. Não houve nenhuma notícia sobre uma mendiga morta embaixo da ponte. Cansado de esperar, ligou para o homem que lhe prometeu o serviço completo. — O que aconteceu, por que ainda não vi nenhuma notícia sobre uma mendiga morta? — Não sei o que houve, Senhor, estou indo até o local para ver se alguém soube de alguma coisa ou se há algum movimento por lá. — Ande logo, não posso deixar que aquela pirralha continue suas investigações. — Pode deixar, vou averiguar. Na presidência, no último andar, longe do escritório do CEO, Alan desligava o telefone cheio de esperança, depois de falar com a doutora Ferreira. Ele recebeu sua ligação e não esperava encontrar uma pessoa tão acessível e boa, disposta a tudo para auxiliar quem precisava, dentro de uma empresa onde só tinha “ratos”. Sorria à toa, ansioso pelo dia seguinte. Não contou para a esposa e nem para ninguém, combinou com a doutora e ele mesmo iria buscá-la para levá-la até onde seu filho estava sendo mantido secretamente. Não querendo correr o risco de alguém sabotar a ida dela até seu filho e principalmente, não querendo que ninguém soubesse para não criar expectativas vãs ou atrapalhar o tratamento se fosse possível, Alan resolveu, ele mesmo, acompanhá-la e não contaria nem para a esposa. Carolina Ferreira, por sua vez, em seu laboratório, estava parada com os cotovelos apoiados na mesa e mordendo uma caneta, pensando no caso de Rafael. Pelo que ouviu de sua xará Carol e do senhor Alan, Rafael foi intoxicado e precisaria fazer uma investigação no seu corpo e no ambiente onde estava. Pelo tempo que ele estava sobrevivendo, provavelmente não estava envenenado com um veneno mortal, mas sim intoxicado, e se ainda não tinha dado sinais de vida, provavelmente alguém estava renovando a toxina. Só saberia depois que examinasse tudo. A Dra Ferreira tinha visto no noticiário o caso do jovem e promissor CEO Rafael, mas não podia se oferecer para o examinar, suas famílias eram inimigas de negócios e embora ela não trabalhasse com a gestão das empresas, seu nome estava no topo da lista de contratados, além de ser uma das acionistas. Quando recebeu a ligação da jovem Carolina Gordon, sua alma se alegrou e soube que era um caso especial. Pediu o contato do Sr. Alan e ligou, não querendo perder tempo. Erick Smith estava no seu pé, cobrando a nova pesquisa e seria bom se afastar um pouco dele. Imediatamente começou uma pesquisa usando os sintomas do enfermo e conseguiu alguns nomes de venenos, mas também surgiu um novo experimento, associando substâncias naturais e bactérias . — Uau! Quem diria que inventariam algo tão destrutivo. Precisarei tomar muito cuidado e preparar um antídoto. Caso estejam usando ele com cobaia o que acontecerá se usarem como a arma e lançarem na população? Não sabia o que a jovem Carol tinha a ver com tudo isso, ela parecia ser uma jovem muito esperta, pois estava pesquisando e chegou a base da questão, contactando-a. Depois que visitasse o rapaz e conseguisse curá-lo entraria em contato com ela para conhecê-la melhor. Carolina no corpo de Carol, chegou ao espaço restrito que chamavam de seu laboratório, no subsolo do prédio onde ficava a empresa de seu pai. Entrou e ligou o seu computador de última geração e com várias adaptações que ela mesmo fez para conseguir alcançar o nível que exigiam seus projetos. Sentou-se na poltrona confortável, a única coisa que ela tinha de bom naquele lugar e recostou-se, pensativa. — É, Carolzinha, agora vamos testar se nossas mentes se conectaram completamente, pois eu não entendo nada de informática, o que dirá de criação de software. Assim que Carolina ligou o computador e a imagem surgiu pedindo a senha, digitou automaticamente, sem nenhuma dificuldade. Abriu sua área restrita de trabalho, várias pastas apareceram e ela conhecia bem a cada uma. — Isso é incrível, eu jamais imaginaria que poderia voltar no tempo e ainda habitar o corpo de outra pessoa com o total acesso às suas memórias e qualidades. Não gostei de deixar minha vida para trás ou para frente (risadinha), mas poder agir em duas áreas distintas e que exige profundo conhecimento, é esplendoroso! Trabalhou o restante do dia só parando para pegar algo para comer, na máquina do corredor. Faltava alguns pontos para acertar no algoritmo e tinha deixado de fora, propositalmente, para atrapalhar o seu irmão. Acertou tudo, testou e registrou. — Pronto, idiota, aproveite bem, é o último trabalho que faço para vocês. Passou todos os dados para um pendrive e foi ao escritório central. A secretária a tratou com arrogância e as memórias da antiga dona chegaram com força, revelando episódios que ela ocultava no profundo do seu cérebro. Não imaginou que a jovem esperta e inteligente era tão maltratada por sua família, ao ponto de até os funcionários a destratarem. Essa secretária era a principal, deixava ela esperando por horas até poder entrar no escritório e por diversas vezes, derramou café quente sobre ela e sujou seis documentos.Augusto chegou na empresa e foi direto para o escritório do filho, tendo dificuldades de passar sobre os destroços de tudo que ele quebrou. Até as cadeiras estavam jogadas e não havia nada sobre a mesa. — Preciso chamar a clínica psiquiátrica para internar você? Michel olhou para o pai, surpreso e indignado, o que ele estava fazendo ali? Perguntou-se. Como não queria ser desentender com o pai, respirou fundo para acalmar-se e acusou sua irmã: — Aquela sua filha ingrata, foi embora novamente. — Ela entregou o projeto pronto, pelo menos? — Sim, já enviei para análise e logo poderemos entregar ao comprador. — Então, qual é o problema? Sua irmã precisa viver além do espaço desta empresa, ou você quer mantê-la acorrentada em você. Michel espantou-se com a fala do pai, nunca tinha lhe passado pela cabeça aquela imagem. Carolina presa pelo tornozelo com uma corrente ligada ao tornozelo dele. Sorriu com a imagem que se formou em sua mente, quase pen
Carolina arrepiou-se , refletindo sobre o assunto e chegando à conclusão que não tinha problema nenhum em ter sentimentos por ele, porque Carol já tinha partido daquele mundo de forma trágica. Assim como foi informada pelo sistema, a sua situação e a da sua hospedeira não tinham volta. Enquanto isso, inconformado com o sumiço da irmã, Michel mobilizava toda a equipe de seguranças para caçar a irmã e todos os funcionários que lidavam com ele, estavam receosos devido aos ataques de fúria que ele tinha. O chefe de segurança, preocupado com a situação, ligou para o senhor Gustavo e relatou o comportamento do CEO. — Senhor presidente, o CEO Michel está quebrando tudo no escritório e já demitiu três funcionários. — Mas o que aconteceu para deixá-lo assim? — A senhorita Carolina sumiu? Augusto arregalou os olhos e ficou preocupado, sua filha prometeu que terminaria o projeto do firewall, para Michel estar descontrolado, será que ela não cumpriu sua tare
Apertando os olhos e encolhendo o corpo, Carolina Ferreira esperou a explosão do Presidente Pacheco, mas não veio. Alan segurou o queixo, pensativo. Aquela informação trazia muitas implicações, mas também afunilaram a lista de suspeitos do atentado contra a vida do Rafael. O fato dela ter confessado a sua responsabilidade, mostrava sua honestidade. Talvez pudesse contar com ela para descobrir esse ninho de ratos. — Não se preocupe, não há culto pelo estado do meu filho, culpa aquele que usou sua criação para matá-lo. Ela relaxou, respira profundo e levantou os olhos para ele. — Na sua cabeça já devem ter passado mil e uma ideias e você não está errado. Essa cepa estava congelada em nosso cofre de projetos rejeitados. — Quem tinha acesso à esta cepa? — Sabia que perguntaria isso. Só três pessoas têm acesso ao cofre, Jonas Ferreira, meu tio e presidente do grupo Ferreira, Erick Smith, o CEO da farmacêutica e eu. — Fica bem mais fácil de descob
Carolina era agradecida por ter Charles com ela, era o apoio de Carol antes e agora estava sendo muito útil, além de lhe dar proteção. O espaço era pequeno, por isso a mesa de jantar também era pequena, apenas um quadrado de madeira e dois bancos, mas os dois comeram à vontade. — Quer que eu o atenda, se ligar por causa de problemas? Com certeza vai te tratar bem. — Ele nunca me tratou bem, por que começaria agora? Para ele é minha obrigação fazer o que eu faço e não precisa cuidar de mim e nem me pagar para isso. — Espero que te dê um descanso, agora que já tem o projeto tão desejado por eles. Provavelmente vou receber uma fortuna pelo projeto e não lhe darão nada. — Vou procurar por outro serviço maior e melhor, quero fazer alguns investimentos e montar minha própria empresa de segurança digital. Não preciso do dinheiro deles, vou ganhar o meu próprio e eles se arrependerão de não ter me dado valor. — Ótima ideia. Usará o seu novo algoritmo ou criará um
Acontece que Carolina não era era como Carol que abaixava a cabeça e deixava para lá, por isso, estufou o peito e atacou com palavras: — Acho que deixei você livre demais e por isso é tão arrogante. Se não deixar eu passar, será demitida e não será por mim. — Você fala como se tivesse alguma autoridade, mas aqui você não é nada, nem o seu irmão te respeita. — Diga o que quiser, se você não deixar eu entrar agora, se arrependerá muito no futuro. Dentro do escritório, o CEO Michel, irmão de Carol, escutou a discussão e saiu para ver o que era. Assim que abriu a porta, viu que era sua irmã, arregalou os olho e perguntou: — É você? Até que enfim, entre logo, por que ainda está parada aí? — falou Michel com a arrogância de sempre e fazendo a secretária se sentir poderosa. — Sua secretária achou que implicar comigo era mais importante do que eu te entregar o projeto. Ao ouvir o que estava acontecendo, Michel ficou enfurecido com a secretária que es
A maneira como Michel a agarrou pelo colarinho, prendeu sua garganta e a estava sufocando. Carolina não era boba, tinha vindo de outra vida, assumido o corpo de uma morta e não queria morrer de novo nas mãos de um suposto irmão que não a respeitava. Prendendo o pouco de ar que ainda tinha nos pulmões, Carolina ergueu as mãos, segurou com força os ombros dele, apoiando-se e ergueu sua perna, chutando o baixo ventre do homem alto e forte. O urro de dor foi ouvido por todos os que estavam próximos e ele a soltou para segurar suas partes íntimas. Caindo de bunda no chão, Carol apoiou as mãos, levantou-se com dificuldade, mas não ligando para a dor em seu “derriere”. Correu para o carro onde Charles já a esperava com a porta aberta. Entraram e saíram às pressas, passando pelo portão sem olhar para trás. Se tivessem olhado, teriam visto Gustavo chegando e acertando um tapa forte no rosto do filho. A discussão entre os dois começou e foi preciso que Helena interviesse p







