LOGINApertando os olhos e encolhendo o corpo, Carolina Ferreira esperou a explosão do Presidente Pacheco, mas não veio. Alan segurou o queixo, pensativo. Aquela informação trazia muitas implicações, mas também afunilaram a lista de suspeitos do atentado contra a vida do Rafael.
O fato dela ter confessado a sua responsabilidade, mostrava sua honestidade. Talvez pudesse contar com ela para descobrir esse ninho de ratos.
— Não se preocupe, não há culto pelo estado do meu filho, culpa aquele que usou sua criação para matá-lo.
Ela relaxou, respira profundo e levantou os olhos para ele.
— Na sua cabeça já devem ter passado mil e uma ideias e você não está errado. Essa cepa estava congelada em nosso cofre de projetos rejeitados.
— Quem tinha acesso à esta cepa?
— Sabia que perguntaria isso. Só três pessoas têm acesso ao cofre, Jonas Ferreira, meu tio e presidente do grupo Ferreira, Erick Smith, o CEO da farmacêutica e eu.
— Fica bem mais fácil de descobrir. Vocês tem câmeras gravando o local?
— Sim, já estou verificando. Sabe ao certo quando ele foi infectado — perguntou ela para ter uma base da época em que a sepa foi roubada.
— Ele passou mal no dia seguinte ao evento de premiação dos empresários do ano.
— Estive lá, sei a data exata. Ela abriu as filmagens de segurança e buscou o vídeo dos dias que antecederam ao evento.
— São muitas imagens, vai demorar um pouco.
— Então, falta muito para a vacina ficar pronta?
— Ainda estou testando, demora um pouco.
— Então venha almoçar, Você está muito pálida e magrinha.
Carol não respondeu nada, apenas o seguiu, estava mesmo com fome e as combinações que preparou estavam sendo misturadas no biorreator. O aparelho era programado e pararia sozinho quando a mistura estivesse pronta.
Foram para o espaço reservado onde estava servido o almoço. Carolina foi servida e continuou assistindo aos vídeos. Os dois permaneceram calados e quando terminaram de comer, finalmente algo apareceu nas imagens.
— Está aqui, encontrei, foi um dos assistentes do laboratório. Com certeza foi mandado por alguém que tem acesso. Não acredito que meu tio tem alguma coisa a ver com isso, pois eles administra todo o grupo, não tem tempo para essas coisas.
— Então só sobra o Erick, aquele picareta. Pode deixar comigo, daqui para frente minha equipe investigará.
Carolina passou as imagens para ele e também o nome do assistente e seu contato, assim como o contato de Erick. Tinha certeza que o Sr Pacheco investigaria os passos do assistente e do Erick, encontrando quem era o comprador da sepa ou seu comparsa.
— Rafael não foi atacado por acaso, alguém avisou e queria matá-lo aos poucos. Ele é um jovem muito promissor e tem crescido muito nos últimos anos, em um ramo muito competitivo e valorizado. — disse Carolina.
— É verdade e já tenho um suspeito, mas assim como na sua empresa, ele sempre usa de subterfúgios e bodes expiatórios, nunca deixando rastros que levem até ele.
— Já que o senhor vai assumir, vou ver como está a preparação da vacina quanto antes terminar, melhor. Talvez Rafael tenha visto quem o atacou.
— Você tem razão. Mandei preparar um quarto para você dormir se precisar permanecer aqui.
— Obrigada pelo cuidado, senhor Pacheco, mas creio que vamos resolver logo tudo isso, já que eu conheço bem essa cepa.
Carolina voltou para Os experimentos e Alan entrou em contato com a equipe de investigação fornecendo todos os dados e imagens que possuía.
Em seu pequeno apartamento, Carol estava ansiosa, queria muito saber como estava sendo o exame em Rafael. Para se manter ocupada, voltou a trabalhar no projeto ao qual foi contratada e estava conseguindo adiantar o logaritmo.
Estava bem concentrada, quando sentiu que memórias foram acrescentadas a sua mente e parou para prestar atenção. Eram novos registros das suas ações como Dr Carolina Ferreira.
— Uau! Isso é incrível, cadê você operador do sistema, me explica isso?
Conforme pensou na voz daquele operador, ela surgiu em sua mente:
“Qual a sua dúvida, doutora?"
— Estou recebendo lembranças da minha eu do passado mas que está vivendo agora. Como pode ser isso?
“ Como você é do futuro, apesar de já ter morrido, continua sendo você e assim recebe as memórias do seu eu do passado, já que você é do futuro. Conseguiu entender? ”
— Acho que sim. Assisti alguns filmes de ficção em que a pessoa do futuro voltava no tempo e encontrava a pessoa do passado, mas não podiam se ver ou se falar pois poderia ocorrer um problema no tempo espaço.
" Quer encontrar e conversar com você mesma? ”
— Sim, na verdade gostaria de me prevenir para escapar daquele Erick e não morrer assassinada.
“ Desculpe, mas isso não é possível. Se ela escapar da morte, aí sim, modificará a linha do destino. Carol vai morrer realmente e Rafael não encontrará com você e nem será salvo. ”
— Entendi, obrigada. Para falar com você basta eu chamar?
“ Não exatamente, só quando você tiver uma dúvida sobre o seu deslocamento e a vida dentro deste plano.”
Assim como da outra vez, ele partiu sem dar a Deus e Carol ficou pensativa. Ele disse que não mudaria o futuro e que a morte era certa, porém não disse que não podia se encontrar consigo mesma.
— Genial!
Cheia de alegria e planos para o futuro, ela concentrou-se em lembrar as memórias da doutora Carolina, no atendimento de Rafael e ficou surpresa de ter sido ela mesma que criou aquela cepa. Gostou de como agiu e das providências que tomou para fazer o antídoto.
Ficou surpresa com o que sentiu ao olhar o homem deitado, ele era jovem e bonito e lembrou-se do dia do evento, quando se encontraram, mas não chegaram a conversar, apenas se fitaram com interesse.
Os sentimentos da hospedeira, vieram com força em seu coração e mente, mostrando que ela era apaixonada por Rafael e isso causou constrangimento em Carolina que se sentiu uma usurpadora. Novamente ficou confusa, internamente e no corpo as emoções da hospedeira, era como se estivesse convivendo com ela no mesmo corpo e ao mesmo tempo.
Augusto chegou na empresa e foi direto para o escritório do filho, tendo dificuldades de passar sobre os destroços de tudo que ele quebrou. Até as cadeiras estavam jogadas e não havia nada sobre a mesa. — Preciso chamar a clínica psiquiátrica para internar você? Michel olhou para o pai, surpreso e indignado, o que ele estava fazendo ali? Perguntou-se. Como não queria ser desentender com o pai, respirou fundo para acalmar-se e acusou sua irmã: — Aquela sua filha ingrata, foi embora novamente. — Ela entregou o projeto pronto, pelo menos? — Sim, já enviei para análise e logo poderemos entregar ao comprador. — Então, qual é o problema? Sua irmã precisa viver além do espaço desta empresa, ou você quer mantê-la acorrentada em você. Michel espantou-se com a fala do pai, nunca tinha lhe passado pela cabeça aquela imagem. Carolina presa pelo tornozelo com uma corrente ligada ao tornozelo dele. Sorriu com a imagem que se formou em sua mente, quase pen
Carolina arrepiou-se , refletindo sobre o assunto e chegando à conclusão que não tinha problema nenhum em ter sentimentos por ele, porque Carol já tinha partido daquele mundo de forma trágica. Assim como foi informada pelo sistema, a sua situação e a da sua hospedeira não tinham volta. Enquanto isso, inconformado com o sumiço da irmã, Michel mobilizava toda a equipe de seguranças para caçar a irmã e todos os funcionários que lidavam com ele, estavam receosos devido aos ataques de fúria que ele tinha. O chefe de segurança, preocupado com a situação, ligou para o senhor Gustavo e relatou o comportamento do CEO. — Senhor presidente, o CEO Michel está quebrando tudo no escritório e já demitiu três funcionários. — Mas o que aconteceu para deixá-lo assim? — A senhorita Carolina sumiu? Augusto arregalou os olhos e ficou preocupado, sua filha prometeu que terminaria o projeto do firewall, para Michel estar descontrolado, será que ela não cumpriu sua tare
Apertando os olhos e encolhendo o corpo, Carolina Ferreira esperou a explosão do Presidente Pacheco, mas não veio. Alan segurou o queixo, pensativo. Aquela informação trazia muitas implicações, mas também afunilaram a lista de suspeitos do atentado contra a vida do Rafael. O fato dela ter confessado a sua responsabilidade, mostrava sua honestidade. Talvez pudesse contar com ela para descobrir esse ninho de ratos. — Não se preocupe, não há culto pelo estado do meu filho, culpa aquele que usou sua criação para matá-lo. Ela relaxou, respira profundo e levantou os olhos para ele. — Na sua cabeça já devem ter passado mil e uma ideias e você não está errado. Essa cepa estava congelada em nosso cofre de projetos rejeitados. — Quem tinha acesso à esta cepa? — Sabia que perguntaria isso. Só três pessoas têm acesso ao cofre, Jonas Ferreira, meu tio e presidente do grupo Ferreira, Erick Smith, o CEO da farmacêutica e eu. — Fica bem mais fácil de descob
Carolina era agradecida por ter Charles com ela, era o apoio de Carol antes e agora estava sendo muito útil, além de lhe dar proteção. O espaço era pequeno, por isso a mesa de jantar também era pequena, apenas um quadrado de madeira e dois bancos, mas os dois comeram à vontade. — Quer que eu o atenda, se ligar por causa de problemas? Com certeza vai te tratar bem. — Ele nunca me tratou bem, por que começaria agora? Para ele é minha obrigação fazer o que eu faço e não precisa cuidar de mim e nem me pagar para isso. — Espero que te dê um descanso, agora que já tem o projeto tão desejado por eles. Provavelmente vou receber uma fortuna pelo projeto e não lhe darão nada. — Vou procurar por outro serviço maior e melhor, quero fazer alguns investimentos e montar minha própria empresa de segurança digital. Não preciso do dinheiro deles, vou ganhar o meu próprio e eles se arrependerão de não ter me dado valor. — Ótima ideia. Usará o seu novo algoritmo ou criará um
Acontece que Carolina não era era como Carol que abaixava a cabeça e deixava para lá, por isso, estufou o peito e atacou com palavras: — Acho que deixei você livre demais e por isso é tão arrogante. Se não deixar eu passar, será demitida e não será por mim. — Você fala como se tivesse alguma autoridade, mas aqui você não é nada, nem o seu irmão te respeita. — Diga o que quiser, se você não deixar eu entrar agora, se arrependerá muito no futuro. Dentro do escritório, o CEO Michel, irmão de Carol, escutou a discussão e saiu para ver o que era. Assim que abriu a porta, viu que era sua irmã, arregalou os olho e perguntou: — É você? Até que enfim, entre logo, por que ainda está parada aí? — falou Michel com a arrogância de sempre e fazendo a secretária se sentir poderosa. — Sua secretária achou que implicar comigo era mais importante do que eu te entregar o projeto. Ao ouvir o que estava acontecendo, Michel ficou enfurecido com a secretária que es
A maneira como Michel a agarrou pelo colarinho, prendeu sua garganta e a estava sufocando. Carolina não era boba, tinha vindo de outra vida, assumido o corpo de uma morta e não queria morrer de novo nas mãos de um suposto irmão que não a respeitava. Prendendo o pouco de ar que ainda tinha nos pulmões, Carolina ergueu as mãos, segurou com força os ombros dele, apoiando-se e ergueu sua perna, chutando o baixo ventre do homem alto e forte. O urro de dor foi ouvido por todos os que estavam próximos e ele a soltou para segurar suas partes íntimas. Caindo de bunda no chão, Carol apoiou as mãos, levantou-se com dificuldade, mas não ligando para a dor em seu “derriere”. Correu para o carro onde Charles já a esperava com a porta aberta. Entraram e saíram às pressas, passando pelo portão sem olhar para trás. Se tivessem olhado, teriam visto Gustavo chegando e acertando um tapa forte no rosto do filho. A discussão entre os dois começou e foi preciso que Helena interviesse p







