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Capítulo 7. Exame

Author: Deypi
last update publish date: 2026-09-14 23:54:49

Carolina era agradecida por ter Charles com ela, era o apoio de Carol antes e agora estava sendo muito útil, além de lhe dar proteção. O espaço era pequeno, por isso a mesa de jantar também era pequena, apenas um quadrado de madeira e dois bancos, mas os dois comeram à vontade.

     — Quer que eu o atenda, se ligar por causa de problemas? Com certeza vai te tratar bem.

      — Ele nunca me tratou bem, por que começaria agora? Para ele é minha obrigação fazer o que eu faço e não precisa cuidar de mim e nem me pagar para isso. 

      — Espero que te dê um descanso, agora que já tem o projeto tão desejado por eles. Provavelmente vou receber uma fortuna pelo projeto e não lhe darão nada.

      — Vou procurar por outro serviço maior e melhor, quero fazer alguns investimentos e montar minha própria empresa de segurança digital. Não preciso do dinheiro deles, vou ganhar o meu próprio e eles se arrependerão de não ter me dado valor.

      — Ótima ideia. Usará o seu novo algoritmo ou criará um escudo para ele. 

      Carolina sorriu, ele sabia bem como funcionava a cabeça de Carol e era exatamente isso que iria fazer. Conhecendo bem o novo projeto que sua família lançaria, sabia que teriam vários empresários interessados em se proteger. 

      Seu projeto não era apenas um firewall de proteção, também era um invasor que entraria facilmente no sistema da empresa que ousasse invadir o sistema das Empresas Pacheco.

      Charles foi embora para pesquisar o suposto assassino da mendiga e Carol conseguiu outro trabalho. Exigiria muito mais dela e levaria mais tempo, mas o pagamento compensava. 

      Trabalhou por mais um bom tempo adiantando o trabalho e foi dormir. Estava ansiosa para saber o resultado da consulta da Dra ‘ela mesma’, em Rafael e teve um sono agitado.

      O carro blindado, totalmente preto e ocultando seus passageiros, entrou pelos portões de ferro fundido com arabescos rebuscados e rodeou a mansão, descendo a rampa do estacionamento no subsolo.

      A Dra Carolina estava curiosa, tinha visto o CEO Rafael uma única vez, rapidamente, mas foi o suficiente para interessar-se por ele. Foi uma pena ele entrar nesse estado vegetativo e não poder iniciar um relacionamento.

      Alan desceu do carro e conduziu-a por um corredor e entraram em um elevador que abriu com a digital dele. Ela notou o excesso de segurança, percebendo a seriedade da situação.

      — É necessária toda essa segurança?

      — Vamos conversar lá dentro, temos ouvidos em todo canto.

      Desceram, mas não tinham botões indicando a quantidade de andares, percebia-se apenas que desciam e logo chegaram. Saíram em outro corredor e a temperatura estava muito baixa.

      — Então foi por isso que me deu este casaco de presente. — disse ela, abrindo o pacote e vestindo o agasalho.

      — Dentro do quarto é ainda pior. Os médicos descobriram que a única maneira de impedir a evolução do veneno ou seja o que for, é a temperatura muito baixa.

      A informação provocou em Carolina, um déjà vu. Franziu a testa ao tentar lembrar qual cultura exigia temperatura baixa para ser controlada, mas não conseguiu. Entraram no quarto e o ar era congelante. Sobre o leito que lembrava uma mesa de necropsia, estava o corpo imóvel.

      — Preciso de uma amostra de sangue, será que é extraível com essa temperatura?

      — Caso não saia com uma seringa, a doutora pode cortar a veia e retirar.

      Enquanto ela examinava os sinais vitais através dos aparelhos e anotava no bloco que trouxe, Alan andava pelo quarto, verificando cada canto com um aparelho nas mãos.

      — É incrível o que o dinheiro pode comprar. Quem tentou matar meu filho, continua enviando espiões bem pagos para completar o trabalho. Por isso evito falar qualquer coisa fora deste quarto e mesmo aqui, sempre inspeciono tudo.

      Carolina conseguiu retirar o sangue cortando a veia com um bisturi e o sangue parecia pastoso, só percorria o corpo com a ajuda do aparelho DAV (coração artificial).

      — É bom prevenir… Tem um laboratório aqui?

      — Sim, tudo para impedir que consigam qualquer informação sobre ele.

      Ela observou o paciente novamente, apreciando as feições refinadas e bonitas, lamentando vê-lo naquela situação. Já tinha identificado o cheiro do composto que usaram, mas só um exame mais profundo, identificaria se usaram um fungo ou bactéria.

      Seguiu o presidente Pacheco e chegou ao laboratório mais completo que o dinheiro podia comprar. As instalações eram impecáveis, muito limpas e estéreis, prevenindo qualquer contaminação.

      Alan deixou-a ali e foi preparar um quarto para ela, com tudo que precisaria caso ela fosse continuar ali para tratar o seu filho. Também pediu uma refeição substancial para que ela não ficasse debilitada por fraqueza.

      Carolina iniciou o trabalho que mais gostava de fazer, passou duas horas investigando e conforme descobria o composto que usava, mais surpresa e decepcionada ficava. Testou várias vezes, mas não tinha como negar, aquela cepa foi criada por ela e congelada dentro do cofre de pesquisas rejeitadas.

      — Que maldade… como ele teve coragem de fazer algo assim? Será que vendeu aleatoriamente ou se aliou ao algoz que deseja a morte do Rafael, o herdeiro do grupo farmacêutico Pacheco?

      Conseguiu separar as ervas usadas e o fungo. Aproveitou bem tudo que tinha à sua disposição e iniciou a criação de um antídoto. Por conhecer aquela cepa, sabia que a única forma de a combater era individualizando cada uma.

      Mesmo com a temperatura tão baixa, sua testa suava e ela parou para secar. Foi quando Alan entrou para chamá-la para almoçar.

      — Parece que é  complicado, encontrou alguma resposta?

      Ela girou a cadeira onde estava sentada, ficando de frente para ele e respondeu, apreensiva com a reação dele, quando soubesse da verdade.

      — Tenho duas respostas, uma boa e uma ruim, receio que vá me odiar.

      Alan arregalou os olhos, não acreditava ter trazido aquela doutora e aberto todas as portas para nada.

      — Não enrole, doutora, fale logo.

      — Estou elaborando o antídoto e ele ficará bom.

      Ele expirou o ar que estava retendo, aliviado e sorriu.

      — Esta é uma ótima notícia, o que seria ruim?

      — Bem, não é fácil de dizer… — ela torceu uma mão na outra e desviou o olhar — É que… esse composto que aplicaram nele, fui eu que criei.

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