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CAPÍTULO 87 — A PROGRAMAÇÃO NORMAL

مؤلف: Isa S
last update تاريخ النشر: 2026-10-12 01:24:49

Anna

A verdade é que eu não queria ver o Matteo hoje. Na minha cabeça, eu tinha erguido uma fortaleza tão alta e rígida que me convenci de que manter o isolamento era a única maneira de me proteger do caos que parecia perseguir as nossas vidas. Eu achava que precisava de um tempo sozinha para processar o pavor, para curar minhas feridas e reorganizar os pedaços do meu peito. Mas o Matteo é uma força da natureza. Com toda aquela insistência teimosa, com aquele jeito dominante e protetor que recu
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  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 87 — A PROGRAMAÇÃO NORMAL

    AnnaA verdade é que eu não queria ver o Matteo hoje. Na minha cabeça, eu tinha erguido uma fortaleza tão alta e rígida que me convenci de que manter o isolamento era a única maneira de me proteger do caos que parecia perseguir as nossas vidas. Eu achava que precisava de um tempo sozinha para processar o pavor, para curar minhas feridas e reorganizar os pedaços do meu peito. Mas o Matteo é uma força da natureza. Com toda aquela insistência teimosa, com aquele jeito dominante e protetor que recusa qualquer resposta negativa, eu sabia lá no fundo que ele jamais desistiria de mim.E quando ele me abraçou... meu Deus.Quando ele me envolveu naqueles braços fortes, enterrando o rosto no meu pescoço e implorando para que eu não o afastasse, foi como se o mundo inteiro finalmente parasse de girar descontroladamente. Foi como voltar para casa depois de uma longa e exaustiva tempestade. Encostar a minha cabeça no peito dele e ouvir o ritmo acelerado do seu coração me fez perceber o tamanho do

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 86 — O NOME DA MINHA SAUDADE

    MatteoQuando nos afastamos devagar, a minha respiração ainda veio pesada, carregada do pânico que tinha comprimido o meu peito até poucos segundos atrás. Mantive minhas mãos firmes nos ombros de Anna, encarando cada traço do seu rosto, buscando qualquer sinal de machucado ou dor. Seus olhos verdes, ainda marejados e levemente avermelhados pelo choro recente, encontraram os meus com uma vulnerabilidade que desarmou todo o meu estado de alerta. Ela estava inteira. Fisicamente, ela estava bem.Mas foi só quando soltei um suspiro longo de alívio que o meu olhar finalmente se desviou do rosto dela e passeou ao redor da sala.Foi aí que a gravidade da cena à nossa volta realmente me atingiu.O ambiente parecia ter sido atingido por uma pequena bomba de destruição. Havia uma montanha de espuma triturada espalhada sobre o tapete principal, fiapos de tecido cinza flutuando suavemente pelo ar e pelo menos duas almofadas grandes do sofá completamente estraçalhadas. Para piorar a visão, um pouco

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 85 — O PESO DA PROTEÇÃO

    MatteoEu não aguentava mais aquela situação com a Anna. A sensação de impotência era um veneno que queimava lentamente as minhas entranhas, consumindo cada segundo dos meus dias desde que aquela espiral de caos tinha se instalado em nossas vidas.O tempo que precisei passar na Itália demorou pelo menos três vezes mais do que o esperado. O planejado era uma viagem rápida, de poucos dias, apenas para resolver pendências urgentes e retornar ao Brasil para me colocar como um escudo ao lado da mulher que eu amava. No entanto, a burocracia do mundo corporativo e jurídico e o fuso horário pareciam jogar contra mim. Os advogados eram categóricos em cada reunião de emergência em Roma: por se tratar também de investigações e processos de fraudes financeiras internacionais, a minha presença física era indispensável para assinar documentos, prestar depoimentos formais perante as autoridades europeias e garantir que nenhuma brecha ficasse aberta.Para completar a pressão sobre o meu peito, ainda

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 84 — AMEAÇAS NA SOMBRA

    AnnaOs dias que se seguiram passaram como uma névoa densa de caos. Parecia que o tempo tinha se desacelerado e, ao mesmo tempo, acelerado em um ritmo ensurdecedor, transformando a minha rotina em uma tempestade contínua de incertezas. Tudo à minha volta parecia fora do lugar, despedaçado ou à beira do colapso.A dor de ver a Samanta passar por tudo aquilo me rasgava por dentro. Minha amiga estava fugindo, grávida e desamparada, escondendo-se do julgamento cego e impiedoso do Lorenzo. A sensação de impotência me sufocava a cada hora do dia; eu sabia que, de alguma forma, a poeira do meu passado tinha ajudado a alimentar aquele incêndio, e ver a mulher que eu amava como uma irmã ter que se isolar do mundo com um bebê no ventre era um fardo pesado demais para carregar.Para completar a espiral de loucura, eu simplesmente não conseguia ter uma conversa serena com o Matteo. Ele tinha retornado ao Brasil exatamente no mesmo dia em que a Samanta partiu, como se o destino estivesse jogando o

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 83 — A VERDADE E A CURA

    AnnaA noite na casa da Beth foi um divisor de águas que eu jamais esquecerei. Depois de todas as confissões dolorosas, das lágrimas convulsivas que lavaram a sala e de expor o lado mais sombrio da minha alma, uma sensação inédita de paz finalmente começou a se alojar no meu peito. Eu abri o meu coração sem reservas. Contei às meninas sobre o trabalho de acompanhante que aceitei fazer no passado — uma decisão inconsequente, movida pelo desejo cego de vingança e pela necessidade tóxica de alimentar uma ferida que eu achava que precisava fechar a qualquer custo.Confessei o meu arrependimento amargo. Doía demais perceber que as escolhas impensadas do meu passado estavam cruzando o presente e afetando diretamente o futuro de pessoas que eu amava com todas as minhas forças. Eu esperava qualquer coisa: julgamento, afastamento, choque ou até mesmo o silêncio punitivo. No entanto, o que recebi daquelas mulheres foi um abraço coletivo tão apertado que parecia colar os meus cacos.Choramos jun

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 82 — EFEITO DOMINÓ

    AnnaDepois de ouvir a voz de Matteo do outro lado da linha, o meu sangue simplesmente transformou-se em labaredas. A explicação dele sobre como o Lorenzo o colocou contra a parede, exigindo respostas e descobrindo trechos distorcidos do meu passado, só serviu para acender em mim uma fúria descontrolada. Matteo tentou me acalmar, tentou dizer que não teve escolha, mas a verdade era uma só: a bomba tinha estourado da pior maneira possível.Desliguei na cara dele sem pensar duas vezes. Minhas mãos tremiam tanto que mal consegui discar o número da Samanta. Tentei avisá-la, tentei correr contra o tempo para dar a ela o contexto antes que o julgamento cruel do Lorenzo a atingisse como um trator, mas já era tarde demais. O estrago entre eles já estava feito, e a sensação de impotência que me invadiu foi como um soco no estômago.O meu mundo estava desabando. E o pior de tudo, o que destruía os meus pulmões e me tirava o ar, era perceber que o meu passado sombrio não estava mais queimando ap

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