LOGINDe dia, inimigos mortais disputando um império de terras. À noite, estranhos mascarados entregues a uma paixão sem limites. Raul Castelo é o retrato vivo do homem rural: bruto, imponente, de mãos calejadas e olhar intimidador. Ele construiu seu império na raça, valoriza cada centavo do seu trabalho e não aceita ordens de ninguém. Quando a família Diniz decide tomar a gleba mais valiosa de suas terras, Raul jura que prefere ver a fazenda queimar a ceder um único hectare. Laura Diniz é a herdeira perfeita: inteligente, elegante e afiada nas negociações. Dona de curvas perigosas e uma determinação de ferro, ela chega ao interior disposta a curvar o "fazendeiro turrão" à sua vontade. Mas o confronto entre eles acende uma guerra de egos onde nenhum dos dois aceita perder. O que nenhum deles imaginava é que o destino jogaria com cartas marcadas. Para escaparem da pressão sufocante dos seus mundos, ambos frequentam um clube exclusivo e ultrassecreto onde o anonimato é a regra suprema. Sob o disfarce de máscaras, nomes falsos e uma escuridão quase absoluta, eles se encontram. Sem saberem quem o outro realmente é, a raiva acumulada do dia a dia se transforma em um vício carnal e animalesco. A cada toque às cegas, o desejo aumenta. A cada briga diurna por divisas e leilões, a necessidade daquela fuga noturna fica mais incontrolável. Quanto tempo eles conseguirão manter as máscaras de pé antes que a penumbra revele que o corpo que eles mais desejam pertence ao seu maior inimigo?
View MoreO salto agulha de Laura Diniz estalou contra as pedras da entrada da sede da Fazenda Castelo com a precisão de um martelo em um tribunal.
Ela ajustou o terno de corte impecável na cor verde-esmeralda, sentindo o tecido estruturado abraçar suas curvas. Laura sabia exatamente o impacto que causava. Tinha um metro e setenta de altura, corpo violão com coxas fartas e quadril bem delineado que costumavam fazer homens fracos tropeçarem nas próprias palavras. Mas ali, naquelas terras, ela não estava para ser admirada; estava para fechar o negócio que seu pai falhara em concluir por quase duas décadas. A gleba sul da divisa — trezentos hectares de terra roxa, absurdamente fértil e com acesso exclusivo à nascente do rio principal — precisava ser dos Diniz. Era uma questão de estratégia, expansão e, acima de tudo, orgulho familiar. O sol das duas da tarde batia forte contra o teto do SUV preto estacionado logo atrás. Laura passou os dedos longos pelos cabelos pretos e perfeitamente lisos que caíam soltos até o meio de suas costas, ajeitou a pasta de couro sob o braço e caminhou até a varanda de madeira rústica da casa principal. Ela esperava encontrar um escritório climatizado, talvez um administrador engomado de meia-idade pronto para ceder diante de uma oferta com vários zeros. O que encontrou, no entanto, fez seus passos travarem por uma fração de segundo. Lado a lado com um trator de esteira gigantesco, um homem trabalhava sob o calor escaldante. Ele estava sem camisa, com a pele bronzeada pelo sol do campo brilhando de suor e poeira. A musculatura das costas e dos braços era brutal, lapidada não em academias de luxo da capital, mas na lida diária da terra. O cabelo castanho-escuro, levemente queimado com luzes douradas do sol, estava bagunçado, caindo na testa à medida que ele tensionava os ombros largos para ajustar uma peça de aço pesada com uma chave de fenda enorme. Quando o motor de centro estalou, o homem soltou a ferramenta com um baque seco contra o chão de terra e se virou. Raul Castelo. Ele pegou uma toalha grossa pendurada na cerca, limpou o suor do pescoço e encarou a mulher parada em sua varanda. Os olhos castanho-claros dele, afiados sob sobrancelhas grossas, varreram Laura de cima a baixo sem o menor pudor. Uma análise lenta, demorada, que se demorou nas curvas que o terno social tentava disfarçar e parou no rosto claro de pele aveludada, lábios naturalmente carnudos e rosados, e o nariz pequeno e arrebitado. — Se veio vender cosmético de porta em porta, errou o endereço, moça — a voz dele veio grave, profunda e rouca, ecoando pelo pátio silencioso. Laura ergueu o queixo, sentindo o sangue subir pela audácia do comentário, mas manteve a postura impecável. A frieza era sua melhor arma. — Eu sou Laura Diniz. Vim falar com o proprietário. Acredito que seja você, Raul. Raul deu dois passos à frente, o porte alto e imponente projetando uma sombra longa sobre o chão. Ele tinha quase dois metros de pura massa muscular e exalava um cheiro cru e masculino de terra fresca, suor e óleo de máquina. Um contraste violento com o perfume suave e floral que Laura costumava usar. Ele pegou uma camisa de sarja desbotada pendurada no pátio e a vestiu sem se dar ao trabalho de abotoar, deixando o peitoral largo e bronzeado à mostra. — Diniz — ele repetiu o nome como se estivesse testando o gosto de algo amargo na língua. Um sorriso de canto, debochado e sem um pingo de calor, surgiu em seus lábios. — Então o velho Diniz finalmente cansou de me mandar e-mails idiotas e mandou a filhinha de salto alto para fazer o trabalho sujo? — Eu sou a diretora executiva do grupo Diniz, Raul — ela rebateu, o tom seco cortando o ar entre eles. — E sugiro que guarde seu machismo barato para quem se impressiona com ele. Eu não cruzei a divisa do estado para ouvir piadas. Vim fechar o contrato de compra da gleba sul. — Fechar o contrato? — Raul deu uma risada curta, caminhando até a mesa de madeira na varanda e pegando uma garrafa de café térmico. Serviu um copo de alumínio e tomou um gole sem oferecer a ela. — Vocês, patricinhas da capital, acham que o mundo funciona na base do estalar de dedos, não é? Acha que coloca um terno bonito, usa palavra difícil e eu entrego a minha terra? — Nós estamos oferecendo trinta por cento acima do valor de mercado por hectares que você sequer está cultivando este ano! — Laura deu dois passos em direção a ele, batendo a pasta de couro contra a mesa. — É uma proposta irrecusável. Qualquer homem com um mínimo de visão de negócios aceitaria em meio segundo. Raul apoiou as duas mãos gigantescas e calejadas sobre a borda da mesa, inclinando o corpo maciço na direção dela. A proximidade repentina fez o ar no peito de Laura trancar. De perto, os olhos castanho-claros dele pareciam brasas acesas, e o calor que emanava do corpo dele era quase palpável. — Mas eu não sou "qualquer homem", Diniz — ele sussurrou, a voz caindo para um tom perigosamente calmo. — E essa terra não é um pedaço de papel que você compra em um leilão chique de ar-condicionado. Essa terra tem o meu suor. Tem o sangue do meu avô. Cada centavo que eu tenho foi tirado desse chão no braço, não assinando cheque com caneta folhada a ouro. — Isso é ridículo! É um orgulho arcaico e burro! — Laura sentiu a raiva romper sua barreira de compostura. O jeito que ele a olhava — como se ela fosse um brinquedo frágil e insignificante — fazia suas entranhas queimarem. — Você está deixando de capitalizar milhões por causa de uma birra pessoal contra a minha família! — O dinheiro do seu pai não compra o meu respeito e não compra o meu chão — ele se ergueu em toda a sua altura, a figura dominando o espaço ao redor. — Agora, se me dá licença, eu tenho trabalho de verdade para fazer. Não posso ficar perdendo tempo com menina mimada brincando de empresária. A veia no pescoço de Laura pulsou. Ela deu um passo à frente, os lábios carnudos entreabertos pela indignação, encarando a altura colossal daquele homem bruto. — Você vai se arrepender disso, Castelo. A gleba sul vai ser nossa. Se você não quiser vender pelo caminho amigável, nós vamos usar os direitos de irrigação e a disputa de divisas na justiça. Eu vou sufocar essa fazenda até você implorar para fechar o acordo. Raul não piscou. Em vez de se intimidar, deu um passo ainda mais próximo, a poucos centímetros do rosto dela. O cheiro de sol, terra e virilidade dele envolveu os sentidos de Laura de forma quase agressiva. Ele baixou os olhos para a boca rosada dela por um segundo longo demais antes de encará-la nos olhos novamente. — Você pode tentar, Diniz — ele murmurou, a voz rouca provocando um arrepio involuntário na espinha dela. — Mas aviso logo: se quiser me derrubar, vai ter que sujar essas mãos macias. E você não tem culhão para isso. — Nós veremos — ela rosnou, dando meia-volta com o orgulho em frangalhos e a raiva fervendo no sangue. Ela caminhou até o SUV, sentindo o olhar pesado de Raul queimando suas costas a cada passo. Quando entrou no carro e bateu a porta com força, suas mãos no volante estavam tremendo — não de medo, mas de uma raiva física, viscosa, que parecia ter impregnado sua pele. Aquele homem era um animal. Um xucro arrogante, bruto e sem modos que achava que podia controlar tudo com o tamanho dos ombros e a voz grossa. Laura ligou o motor e acelerou, levantando uma nuvem de poeira pela estrada de terra. Enquanto olhava pelo retrovisor e via a figura de Raul parado na varanda, de braços cruzados e peito aberto, uma promessa silenciosa se firmou em sua mente: ela iria destruí-lo nos negócios. Nem que para isso precisasse ir até o último recurso.A segunda-feira amanheceu sob um céu chuvoso e denso, cobrindo o vale com uma névoa fria que deixava o asfalto da rodovia estadual escorregadio. No centro administrativo da Associação dos Produtores Rurais, o clima não estava menos carregado.Laura Diniz entrou no prédio de vidros espelhados a passos firmes. Vestia um conjunto de alfaiataria cinza-chumbo, ajustado ao corpo com perfeição, e seus longos cabelos pretos e lisos caíam soltos pelas costas, balançando a cada movimento decidido. A maquiagem era leve, polida e estritamente profissional, mas o olhar escuro trazia a frieza de quem passara o fim de semana inteiro desenhando um plano de ataque cirúrgico.Ela trazia sob o braço uma pasta com a notificação prévia de embargo administrativo sobre a nascente do Rio Ouro, a principal fonte de irrigação da Gleba Sul. Se Raul Castelo se recusava a vender a terra pelo valor absurdo que a família Diniz oferecera, seria obrigado a negociar quando visse suas lavouras secarem no próximo cic
O corredor do andar superior estava mergulhado em uma penumbra quase absoluta. As paredes forradas de veludo escuro abafavam qualquer som, criando um casulo de isolamento do resto do mundo.Assim que a porta pesada da suíte privativa se fechou atrás deles, o ar dentro do aposento pareceu rarefeito. Raul não acendeu nenhuma luz. Para ele, a escuridão era uma aliada necessária, o véu que protegia sua identidade e permitia que ele liberasse toda a brutalidade e a urgência que mantinha amarradas durante o dia.Ele empurrou o corpo dela com força até que as costas de Laura encontrassem a parede sólida de madeira. A batida foi firme, e o som da respiração descontrolada dos dois tomou o quarto.— Você fala demais lá fora... — o sussurro dele saiu como um rosnado rente ao ouvido dela, carregado de uma ironia áspera.— E você acha que manda em alguma coisa aqui dentro — Laura rebateu, erguendo o queixo debaixo da máscara de renda, desafiando-o no escuro.A resposta dela foi o estopim. Sem
A névoa espessa da madrugada cobria a estrada de cascalho que levava ao casarão colonial isolado entre as colinas. Para quem olhava de fora, parecia apenas uma propriedade histórica esquecida pela vegetação densa. Por dentro, no entanto, funcionava um dos refúgios mais exclusivos e sombrios da alta sociedade regional.Laura Diniz desligou o motor do carro alugado a cerca de quinhentos metros do portão principal, ocultando o veículo sob a copa de uma figueira centenária. Ela não podia correr o menor risco. Se alguém da imprensa, dos leilões ou do círculo social de seu pai a reconhecesse ali, o escândalo destruiria sua reputação executiva antes mesmo de ela conseguir assinar a primeira folha do contrato das terras.No banco do passageiro, a iluminação fraca do painel refletia no espelho de mão. Laura encarou o próprio reflexo, garantindo que nem um único traço da "Diniz" do mundo corporativo estivesse visível.Seus longos cabelos pretos, que de dia caíam lisos e soltos sobre os ombro
Raul Castelo arremessou a chave de fenda contra a bancada de madeira pesada da oficina, produzindo um estalo metálico que ecoou por todo o galpão.O sol do fim de tarde já começava a tingir o céu de um tom alaranjado e denso, mas o calor retido no galpão de máquinas ainda era sufocante. Ele passou a mão grande pelo rosto, limpando a fuligem e o suor da testa, enquanto encarava a nuvem de poeira que o SUV de Laura Diniz havia levantado na estrada de terra meia hora atrás.— Patricinha abusada — ele rosnou para o vazio, a voz grave vibrando no peito largo.Ele já tinha visto todo tipo de negociante da capital. Caras engravatados com relógios que custavam o preço de um trator, advogados que tentavam o intimidar com termos difíceis e investidores que achavam que fazendeiro era homem simplório para ser passado para trás. Mas aquela mulher... aquela Diniz tinha uma audácia diferente.Não era apenas a petulância do sobrenome famoso. Era o jeito como ela o encarara. Aqueles olhos escuros,












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