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Kaelie arregalou os olhos ao ouvir a resposta de Noara.— Você escolheu? — repetiu ela, olhando para o irmão mais velho com uma surpresa exagerada. — Então ele realmente tem algum charme escondido sob essa cara de gelo…— Meu irmão realmente te enfeitiçou... — continuou Kaelie com um sorriso cínico, piscando para Noara.Max puxou a irmã pelo colarinho da capa.— Não cause problemas — advertiu, embora soubesse que a caçula sempre fora alegre, animada e dona de uma língua afiada.O pai de Max, Aquiles, se aproximou. Observou Noara com atenção e então sorriu com uma gentileza que raramente mostrava a estranhos.— Como está, pequena Agnes?Noara piscou, confusa.— Milorde… o senhor conhecia meu pai?Antes que Henrique respondesse, a mãe de Max, Zion, deu um passo à frente. Seus cabelos ruivos pareciam brilhar sob a luz dos candelabros. Ela sorria com um carinho que aqueceu o coração de Noara imediatamente.— Sim, querida. Sua mãe e eu fomos grandes amigas. Fugimos juntos para viver aventu
Depois de abrir o coração e contar tudo sobre sua vida passada para Max, Noara se tornou ainda mais animada, cheia de vida. Parecia mais leve, como se as correntes invisíveis que a prendiam a Solaria tivessem finalmente se quebrado.E também passou a provocar o marido sempre que estavam sozinhos. Ficou mais manhosa, mais mimada. Fazia pequenas birras apenas para conseguir o que queria. Mas isso não deixava o Arquiduque com raiva. Ao contrário. Max era indulgente; mimava-a sem medida, sentindo prazer em atender cada desejo de sua esposa. Ele não se importaria de viver apenas para limpar a bagunça que Noara deixasse pelo caminho — era um prazer fazê-la feliz.No palácio, ninguém comentava sobre a indulgência do Arquiduque. Todos sabiam o quanto ele valorizava a jovem. E Noara também não era difícil de conviver; esforçava-se em seu trabalho, aprendia a cuidar do território e assumia as responsabilidades de uma verdadeira Arquiduquesa.A Chegada da Família FeromMax estava na janela do qu
Max guardou a carta no bolso, sentindo o peso das palavras de seu pai. O antigo senhor da fronteira estava vindo para cobrar explicações sobre a expulsão de Luna, mas o Arquiduque não sentia um pingo de hesitação. O que ele sentia agora, após ouvir a verdade através da porta, era uma fúria fria e calculista direcionada ao passado que Noara carregava.Ele permaneceu abraçado a ela por um longo tempo, sentindo a respiração da esposa se acalmar contra seu peito. O fato de Noara ter compartilhado cada detalhe daquela vida de sombras — a negligência de Léo, a dor da perda, a solidão — mudou algo em Max. Ele não a via mais apenas como sua protegida; ele a via como uma sobrevivente que merecia o mundo aos seus pés.O Plano de MaxEnquanto Noara dormia o sono mais profundo e leve de sua vida, Max levantou-se com cuidado. Ele chamou Sombra e Luz com um olhar.— Sombra — sussurrou o Arquiduque, a voz vibrando com uma autoridade sombria. — Quero que envie nossos batedores mais silenciosos para S
Ponto de Vista de NeroO vento do Norte era cortante, mas nada se comparava ao frio que habitava o peito de Nero desde aquele dia. Ele ainda se lembrava. Ainda via. Ainda ouvia.O corpo de sua irmã mais nova dentro daquele caixão simples, indigno. Como se fosse apenas uma serva qualquer. Como se a luz que Noara carregava não tivesse iluminado sua vida inteira. Nero apertou os punhos. Ele falhou. Falou com o irmão.Quando recebeu a carta desesperada, já era tarde demais. O pai estava morto. O nome da família está manchado. E Noara… desaparecida atrás dos muros daquela maldita mansão Liz. Ele cavalgou até o extremo Norte quase sem descanso. Quando contou ao pai de Maximiliano o que havia acontecido, viu a fúria silenciosa nos olhos do velho Senhor da Fronteira. A ordem veio imediatamente: o exército marchava.Mas o coração de Nero já sabia. Ele sentia que estava atrasado. E quando finalmente atravessou os portões da mansão do conde… o mundo acabou.Noara estava ali. Fria. Pequena. Pálid
Noara estava sentada na cama, envolta pelo silêncio reconfortante do quarto. Max havia saído após receber uma carta urgente de seu pai, o antigo Senhor da Fronteira, mas a presença do Arquiduque ainda pairava no ar como um abraço invisível.Olhando pela janela, ela via a neve cair. Sua mão permanecia firme sobre a barriga, ainda plana, enquanto imaginava o futuro. O lobo branco, Luz, aproximou-se com passos etéreos, reduzindo seu tamanho até tornar-se um pequeno guardião de pelos nevados, e deitou-se em seu colo.Noara acariciava os pelos suaves, sentindo uma paz que nunca conhecera em Solaria.— Pequena, você deve esquecer as cinzas do passado e florescer no presente — disse Luz, sua voz ressoando diretamente na alma dela.Noara estancou o movimento da mão, o coração falhou uma batida.— Você sabe…?— Sim. Na sua existência anterior, você foi marcada por um sentimento que consumiu sua vida e a de todos ao seu redor. Mas, nesta vida, suas escolhas mudaram a rota das estrelas. Você não
O som das rodas da carruagem se afastando ecoou pelo pátio até desaparecer completamente sob o manto da neve. No palácio, o silêncio que se seguiu era denso, quebrado apenas pela respiração pesada de Max.Ele não deu a mínima importância aos gritos que ficaram para trás. Seus olhos estavam fixos na jovem em seus braços. Noara estava quieta demais; o corpo, que há poucos minutos queimava em fúria, agora parecia leve e frágil como um cristal.Max sentiu um aperto violento no peito ao notar a palidez dela.— Noara? — chamou, mas não obteve resposta. — Pequena?Ela havia desmaiado. Sem hesitar, ele a apertou contra o corpo e atravessou os corredores como uma tempestade.— Chamem o médico! Agora! — rugiu, sua voz fazendo os quadros das paredes tremerem.No quarto, ele a deitou com uma delicadeza que contrastava com sua força bruta. O médico do palácio, um homem experiente nas artes da cura e da leitura de Auras, examinou-a sob o olhar vigilante e perigoso do Arquiduque.— Ela sofreu um est







