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Capítulo 3

Author: Aurélia
Os olhos de Vinícius estavam vermelhos de raiva, como os de um demônio vindo do inferno.

— Jéssica Mendes, Manuela tentou se matar, por causa do que você disse.

Fiquei paralisada.

— O que você está dizendo?

Tomado pela fúria, ele berrou comigo:

— Você sabia que ela tinha acabado de dar à luz e estava emocionalmente instável. Por que precisou provocá-la? — Sem me dar tempo de responder, me empurrou para dentro do carro. — Vocês duas têm sangue Rh negativo. Só você pode salvá-la!

Depois de avançar vários sinais vermelhos, ele me arrastou para dentro do hospital.

— Doutor, ela tem sangue Rh negativo. Pode fazer a doação!

Enquanto falava, seu corpo inteiro tremia. Eu nunca tinha visto Vinícius tão transtornado. Permaneci ali, atônita, com a mente completamente vazia.

Sem forças para reagir, deixei que ele me arrastasse até a sala de coleta e puxasse minha manga para cima com brutalidade.

Nada do que acontecia ao meu redor parecia me atingir. Eu só conseguia pensar em Vinícius, desesperado por causa de Manuela.

Até que a voz do médico rompeu meu torpor:

— Sinto muito, mas esta senhora está grávida. Ela não pode doar sangue.

Confusa, levei a mão à barriga.

No instante seguinte, ouvi o rugido de Vinícius.

— Eu mandei que retirassem o sangue dela! Não quero esse filho. Eu só quero salvar a Manuela!

Todo o sangue do meu corpo pareceu congelar, mas as lágrimas brotaram sem aviso.

— Vinícius, esse filho também é seu.

Mesmo assim, ele continuou gritando, ordenando que enfiassem a agulha no meu braço.

— Vinícius... Vinícius! Você não pode fazer isso com o meu filho!

Arranquei a agulha e me virei para fugir, mas mal consegui dar um passo antes de ser imobilizada à força.

Vinícius parecia ter enlouquecido por completo. Segurou meu rosto entre as mãos e falou com uma calma tão gelada que me fez estremecer.

— Jéssica, dê seu sangue para Manuela.

Quatro seguranças me mantiveram presa na sala de coleta. Vários tubos de sangue foram retirados do meu corpo e levados para a sala de emergência onde Manuela estava.

Pouco a pouco, meu rosto perdeu toda a cor, até que não consegui mais me sustentar e desabei.

Quando acordei, três dias haviam se passado. Com cautela, o médico me explicou que eu tinha entrado em coma devido à grave perda de sangue e que não foi possível salvar o bebê.

Com os olhos perdidos, encarei Manuela, que estava com os olhos cheios de lágrimas.

— Jéssica, você já sabe de tudo, não é? Desculpe. Eu me senti tão culpada pelo que fiz com você que, por um momento, perdi a cabeça. Nunca imaginei que Vinícius fosse tratá-la daquela maneira.

Ela desabou em lágrimas ao lado da minha cama, chorava alto. O ferimento em seu pulso estava coberto apenas por um curativo adesivo.

Por mais que eu a observasse, nada nela parecia indicar o estado crítico que Vinícius havia descrito.

De repente, ela se endireitou, como se tivesse tomado uma decisão.

— Jéssica, de agora em diante, meu filho também será como seu.

Uma onda de raiva subiu pelo meu peito, e forcei a voz rouca a sair:

— Saia daqui.

Manuela ficou imóvel. Olhou para mim como se eu a tivesse ferido profundamente.

De repente, agarrou minha mão e a usou para dar um tapa no próprio rosto.

— Eu sei que agora já é tarde demais para tentar explicar, mas não quero perder sua amizade. Pode me bater se quiser. Contanto que me perdoe, faça o que for preciso para descontar sua raiva!

Quando ela puxou minha mão contra o próprio rosto de novo, percebi que Vinícius estava parado à porta.

Ele avançou depressa e afastou Manuela. No meio da confusão, fui arrastada para fora da cama e caí pesadamente no chão.

Senti o sangue voltar a escorrer entre minhas pernas. Gemendo de dor, chamei pelo médico.

Só então Vinícius pareceu se dar conta do que havia acontecido. Soltou Manuela e estava prestes a se aproximar para me ajudar, mas o choro dela o interrompeu.

— Vinícius, a culpa é toda sua, seu desgraçado! Jéssica está mesmo com raiva de mim! Vou ficar sem amiga!

Vinícius se apressou em consolá-la:

— Está bem, está bem, a culpa é minha. Não se altere. Vou levar você para casa primeiro. Seu filho precisa de você.

Observando os dois se afastarem, cerrei os dentes e disse:

— Vinícius, eu nunca vou perdoar vocês.

Ele se deteve por um instante, mas não se virou. Dez minutos depois, me enviou uma mensagem.

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