LOGINCarlos fixa os olhos na mulher que se aproxima com com altivez, demonstrando não ser mais a mesma mulher submissa de antes. — Não se preocupe, Maria. Eu já estou aqui — a voz de Verônica era calma e cortante como vidro, o que fez Carlos franzir a testa e deixar a xícara que segurava sobre o pires — Deseja me ditar mais alguma ordem, Carlos? Seus olhos castanhos travam um duelo instantâneo com os olhos verdes de Carlos. À direita dele, Letícia exibe um sorriso vitorioso, quase imperial. Verônica dá dois passos à frente, sustentando o olhar do marido, sem que ele soubesse que suas pernas tremiam. — Sente-se! — Carlos determina com um tom autoritário — Não quero mais que faça as suas refeições na cozinha. — Eu não me importo com o lugar onde eu faço as minhas refeições, mas saiba que a companhia de lá me agrada muito mais — Verônica não esconde o seu descontentamento com Letícia. — Carlos, querido, se ela prefere continuar comendo com os criados, não vejo motivos para insistir
Depois de trocar de roupa, vestindo um dos vestidos que havia deixado para trás quando foi embora, cuidar de Charlotte, dando-lhe um banho e a vestindo feito uma boneca de vitrine, Verônica desce as escadas novamente, carregando a filha no colo e, no peito, a prece silenciosa para que os próximos passos não colidissem com nenhuma nova tempestade antes mesmo de alcançar o desjejum. Charlotte, alheia às tensões da casa, já balbuciava reclamações infantis, cobrando a primeira refeição do dia. O desejo de Verônica ruiu no último degrau, ao se deparar com Letícia, que ostentava um sorriso vitorioso e uma postura arrogante, como se a esperasse para afrontá-la novamente. A vontade que rugiu em seu peito foi a de mandá-la para o inferno, mas a dignidade exigiu o silêncio e Verônica optou por ignorá-la friamente. Ao passar pela sala de jantar, os olhos de Verônica captaram o detalhe cruel na mesa posta, apenas dois lugares estavam arrumados. O recado implícito era claro. A noite anterior, s
Aquela noite, Verônica deitou-se com o ouvido atento aos sussurros da casa, nutrindo a secreta e dolorosa esperança de que a maçaneta girasse e Carlos cruzasse o porta. Carlos, por sua vez, travava uma batalha contra os próprios impulsos, pela vontade insana de romper o espaço entre eles. Apenas uma porta de madeira o separava da mulher que dominava seus pensamentos, e a tentação de abrir aquela porta, e tomá-la nos braços quase o venceu. Foi uma madrugada de tortura mútua, ambos se revirando na cama entre os lençóis, desejando o encontro com o outro para acalmar o desejo avassalador que lhes queimava a pele. Mostra da paixão que os dominava, mas que o orgulho não os deixava confessar, os fazendo passar a noite quase toda em claro. Letícia, que havia ido embora na noite anterior com o ódio escondido atrás de sorrisos de compreensão, também não teve uma noite das melhores, com a mente fervilhando em ciúmes, por imaginar Carlos e Verônica dormindo juntos, afinal, ela acreditava que
Carlos para por um instante, a silhueta imponente recortada contra a luz fraca da sala de jantar., ele observa a reação de Verônica a cada proibição, chegou a pensar que ela não questionária, mas pela primeira vez ele a viu o desafiando com os olhos. — Está me dizendo que eu virei sua prisioneira?— Verônica pergunta imaginando não ser capaz de cumprir a risca tudo o que ele enumerou — Por um acaso cometi algum crime para que eu não possa ir nem mesmo na esquina? — Estou lhe dizendo que você esgotou minha cota de confiança — Carlos respondeu, limpando os cantos da boca com o guardanapo de linho. — A partir de hoje, você só cruza aqueles portões se for ao meu lado, ou com minha permissão. — Isso é um absurdo! — Verônica responde chocada com as exigências do marido, ela não se importava de fazer as refeições na cozinha, não se importava de não poder transitar pela casa, mas romper os portões daquela mansão de gelo a fazia se sentir livre, a fazia manter os pés no chão, a fazia ter es
Veronica o serve nervosa, se servindo em seguida. Carlos cortava a carne com uma precisão cirúrgica, o tilintar do talher contra a porcelana sendo o único som a preencher o vazio entre os dois. Verônica mantinha os olhos fixos no próprio prato, sentindo o peso do olhar dele sobre ela. Carlos é objetivo, por acreditar que a obediência incluía tudo relacionado ao que ela podia ou não fazer.. — Eu disse para você não manter contato com o verme do seu pai— A voz de Carlos soa mansa, desprovida de qualquer exaltação, o que a tornava ainda mais aterrorizante. Ele pousa o garfo com elegância, antesdecontinuar — Mas você não apenas manteve contato com ele, como também repassou para ele todo o dinheiro que te dei como pagamento por cuidar de Charlotte, mesmo ela sendo também sua filha — Carlos fala visivelmente irritado, mas sem alterar o tom da voz — Você realmente me julga tão idiota a ponto de patrocinar os vícios daquele homem a quem chama de pai? Verônica engole em seco, o peito aperta
Letícia ao ouvir as palavras de Carlos estancou. A taça de vinho tremeu levemente em suas mãos, fazendo com que ela quase deixasse cair uma gota do precioso vinho que ela desgustava. Uma onda de fúria e humilhação subiu por seu pescoço, mas os anos de convivência com Carlos a haviam ensinado a ler os limites dele. Ela sabia que bater de frente com o empresário naquele momento significaria o seu descarte definitivo de sua vida social. Engolindo o próprio orgulho, Letícia disfarçou o seu ódio com a decisão dele, forçando os músculos da face a relaxarem em um sorriso plástico e ensaiado. — Claro, querido. Você tem toda a razão me desculpe por ter me precipitado — Letícia disse, a voz suave, embora os olhos queimassem de rancor ao fixarem-se em Verônica. — Afinal, Charlotte precisa ficar perto do pai, e a mãe deve estar acessível também. Vou eu mesma verificar a arrumação do quarto. Com licença. Ela deu as costas com elegância, caminhando a passos firmes em direção às escadas, cont







