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Capítulo 7 — A rockstar e o caipira

Penulis: Bella Prudencio
last update Tanggal publikasi: 2026-09-06 01:56:00
Estela Camacho

Em menos de uma hora, Matias deixou de ser um homem e virou categoria.

E eu virei novamente um erro público.

Cowboy misterioso. Caipira gato. Fazendeiro desconhecido. Novo vício de Estela Camacho.

Rolei a tela com o polegar enquanto cada legenda piorava. Um portal resgatou fotografias minhas aos dezenove anos, magra demais e saindo de uma clínica. Outro publicou um vídeo antigo em que eu mal conseguia atravessar a porta de uma festa. A foto do beijo era atual. O resto construía a
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    Estela CamachoAbri a porta ainda usando a camiseta suja da madrugada.— Quem autorizou vocês?Mauro correu até mim com uma prancheta.— Mandamos a agenda ontem. Cotidiano do casal, café da manhã e depoimentos sobre a adaptação rural.— Mandar não é receber consentimento.Caio mantinha a câmera baixa. Os outros dois operadores não. Uma lente apontou para minhas pernas, para a porta aberta, para o interior da casa.Entrei na frente.— Desliga.O homem olhou para Heitor.— Ela mandou desligar — Matias falou atrás deles.A câmera baixou.Heitor atravessou o terreiro com aquela calma treinada que fazia ameaça parecer reunião.— Estamos perdendo a melhor janela de interesse. As imagens de ontem superaram todas as projeções.— Então publique as autorizadas.— O público quer intimidade.— O público também quer que eu caia de um palco. Nem por isso entrego.— Seu contrato prevê registros de bastidores.— O acordo com Matias prevê autorização de lugar e horário. Você não tem nenhum dos dois.H

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    Matias CruzA novilha estava deitada no barro, exausta, com o bezerro atravessado.Joel segurava a lanterna enquanto eu calçava as luvas. O veterinário dava instruções por chamada, mas a conexão caía sempre que o vento apertava. Tínhamos feito aquilo antes. O problema era o tamanho do animal, a posição da cabeça e o tempo perdido esperando a chuva diminuir.— Corrente — pedi.Joel prendeu a primeira. Eu alcancei a segunda enquanto o veterinário explicava o ângulo. A chuva batia no telhado de metal e engolia metade das palavras. Pedi que repetisse. O sinal caiu.— Temos poucos minutos antes que ela perca força — falei.Joel assentiu. Nenhum dos dois precisava dizer o resto. Se errássemos o movimento, perderíamos a cria e talvez a mãe.Trabalho bruto não aceitava pose. Só preparo, decisão e a humildade de pedir outra mão quando duas não bastavam.Um relâmpago iluminou o curral inteiro.Estela apareceu do outro lado da cerca usando capa amarela e as botas cobertas de lama.— O que está f

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    Estela CamachoA chuva chegou dois dias depois com o barulho de uma plateia correndo.Eu estava na casa de hóspedes gravando a nova frase quando o telhado começou a estalar. O céu escureceu antes das cinco. O vento empurrou poeira pelas frestas e derrubou um vaso da varanda.Helena ligou mandando que eu fosse para a sede.— A casa é segura — falei.— É. Mas o caminho alaga, e não vou deixar você isolada.Peguei o caderno, o telefone e uma lanterna. A Laurão ficou no estojo, longe das janelas. Corri entre as mangueiras, molhada antes de alcançar a metade. Matias apareceu vindo do terreiro e tirou o próprio chapéu para cobrir minha cabeça.— Isso não funciona — gritei sobre a chuva.— Você fala demais para alguém sendo ajudada.— E você ajuda reclamando.Entramos pela cozinha. Helena tinha ido ficar com uma funcionária cujo marido estava preso na estrada. A casa principal estava vazia.Meu telefone perdeu sinal antes que eu avisasse Clara. A última mensagem enviada foi uma fotografia bo

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    Estela CamachoTirei os fones.— Você acabou de cantar a terça?Matias parou na entrada do celeiro como se tivesse sido pego roubando.— Não sei o nome.— Mas acertou.Toquei a sequência novamente e esperei. Ele cantarolou a nota no lugar em que eu sempre caía na solução óbvia. Funcionava porque não resolvia. Deixava o acorde aberto, esperando uma coisa que ainda não chegara.— Faça de novo.— Não.— Você invadiu meu ensaio. Agora tem responsabilidade artística.— Vim ver se estava bem.— E decidiu corrigir minha música.— Decidi nada. Só ouvi.Apontei para uma caixa vazia. Matias se sentou, mantendo distância da Laurão.— Onde aprendeu?— Meu primo tinha banda. Eu ajudava a carregar equipamento.— O fazendeiro bruto foi roadie.— Eu tinha dezessete anos e uma caminhonete.— É assim que todos começam.— Eles tocavam mal.— Isso também.Toquei a sequência pela terceira vez. Matias bateu os dedos na coxa, marcando um tempo diferente do meu.Parei no meio.— Onde?Ele cantou o trecho usa

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    Matias CruzEu tinha feito a pergunta diante de duas câmeras, vinte produtores e a mulher com quem quase me casei.Não era meu melhor momento de prudência.Estela demorou um segundo para responder. Depois sorriu para os fotógrafos, afastou-se e limpou o batom borrado com a ponta do dedo.— A programação — disse. — Temos discurso em cinco minutos.Foi embora antes que eu pudesse decidir se agradecia ou puxava de volta.Passei o resto do evento sentindo o gosto dela e tentando discutir armazenamento de leite como se minha mão não soubesse exatamente a curva de suas costas. Davi Moreira, vice-presidente da cooperativa, apresentou contas, prazos e a queda das vendas. Dois compradores ainda mantinham contratos suspensos. A campanha melhorara minha imagem, mas curtida não transportava produção.Um produtor chamado Geraldo pediu a palavra para dizer que a filha tinha encontrado três lojas de Goiânia interessadas no queijo depois da transmissão de Estela. Outro respondeu que nenhuma loja comp

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