หน้าหลัก / Romance / O Fazendeiro Bruto e a Rockstar Rebelde / Capítulo 6 — O beijo que não devia existir

แชร์

Capítulo 6 — O beijo que não devia existir

ผู้เขียน: Bella Prudencio
last update วันที่เผยแพร่: 2026-09-06 01:55:24

Estela Camacho

Acordei com a boca seca, a cabeça latejando e a lembrança da mão de Matias na minha coxa.

Não nessa ordem.

Fiquei deitada, olhando para o teto de madeira, enquanto a noite voltava em partes: o karaokê, Lorena rindo, a moto inclinando, a caminhonete, a bronca. Depois a boca dele. O gosto de pinga e palheiro. A barba raspando meu rosto. O instante em que ele me beijou como se tivesse passado horas tentando não fazer aquilo.

E a frase final.

Você bebeu.

Virei de lado e enfiei o rosto no travesseiro.

Era irritante que o homem tivesse razão. Eu sabia o que queria, mas estava bêbada. Ele interromper antes que avançássemos era a atitude correta. Ainda assim, a parte mais infantil do meu cérebro traduzia responsabilidade como rejeição.

O celular marcava nove e meia. Havia mensagens de Lorena, duas chamadas de Clara e um áudio de Lúcia enviado do quarto ao lado.

Você está viva? Tia Maria descobriu que a moto não voltou. Boa sorte.

Levantei com a dignidade de um cadáver recente. No espelho, encontrei um risco vermelho no queixo, feito pela barba de Matias, e o batom espalhado. Lavei o rosto, prendi o cabelo e vesti a primeira camiseta que apareceu.

Minha mãe me esperava à mesa.

Não gritou. Maria nunca precisava.

— Quem trouxe você?

Vó Rosa passou manteiga no pão e fingiu não estar ouvindo. Lúcia tinha os olhos presos no prato com esforço demais.

— Matias.

— A moto não está lá fora.

— Eu bebi. Ele achou melhor eu não pilotar.

— Ele achou.

Sentei e alcancei a garrafa de água.

— Eu também achei. No final.

— Filha, aqui não é São Paulo. Não tem carro de aplicativo a dois minutos, iluminação em toda estrada ou gente passando a noite inteira. Você podia ter se machucado.

— Eu sei.

— Sabe hoje.

A frase pousou entre nós. Eu não tentei brincar.

— A senhora está certa. Foi irresponsável.

Minha mãe me observou como se procurasse defesa escondida. Quando não encontrou, empurrou o prato de pão de queijo na minha direção.

— Sua sorte é que Matias é um bom homem.

Lúcia tossiu dentro do café.

— O que foi? — Maria perguntou.

— Queimou.

Chutei a perna dela sob a mesa.

Depois do café, liguei para o bar. A moto estava guardada nos fundos, e o dono garantiu que ninguém mexeria. Eu buscaria mais tarde. Primeiro precisava cumprir a promessa feita à minha mãe: acompanhar Lúcia até a Fazenda Santa Cruz para ajudar dona Helena no orquidário.

— Eu posso ficar — falei enquanto escovava os dentes pela segunda vez.

Lúcia apareceu na porta do banheiro.

— Pode. Mas vai parecer covarde.

— Você tem dezoito anos. Não deveria dar conselhos tão irritantes.

— Vi o chupão no seu queixo.

— Isso não é um chupão.

— Então a boca dele tem lixa?

Bati a porta na cara dela.

A Santa Cruz ficava a menos de dez minutos. A estrada atravessava pastos largos e terminava numa porteira de madeira escura com o nome da fazenda talhado numa placa de metal. Não era a propriedade romântica e improvisada que a palavra fazenda fazia algumas pessoas imaginarem. Havia galpões, silos, caminhões, placas de controle sanitário e funcionários circulando em ritmo preciso.

Matias não brincava de cowboy.

Passamos por uma fileira de casas bem cuidadas, uma escola rural pequena e um galpão coberto de placas solares. Lúcia apontava tudo com orgulho emprestado.

— Matias ajudou a reformar a escola. E empresta máquina para os produtores menores quando quebra alguma coisa.

— Você está fazendo campanha eleitoral para ele?

— Só estou dizendo que ele não é apenas bonito.

— Eu ainda não decidi se isso ajuda.

A fazenda desmontava a versão simples que eu criara para Matias. Era mais fácil desejar um corpo de chapéu. Um homem com responsabilidade, funcionários e uma mãe que conhecia a minha trazia consequências que eu não tinha pedido.

Ele estava perto do curral, falando com um homem de boné. Usava jeans, botas sujas e uma camisa clara com as mangas dobradas. Quando nos viu, interrompeu a conversa.

Meu corpo reconheceu antes de mim.

Lúcia acenou.

— Bom dia, Matias!

— Bom dia.

Ele olhou para ela. Depois para mim. O olhar passou pelo meu queixo e parou um segundo a mais.

— Melhorou?

— Nunca estive mal.

O homem ao lado dele disfarçou um sorriso.

Matias enfiou as mãos nos bolsos.

— Sua moto está segura. Joel busca mais tarde.

— Eu mesma posso buscar.

— Pode. Quando estiver sóbria.

— Já estou.

— Então pode.

O diálogo morreu. Eu esperava alguma referência ao beijo, um sinal de constrangimento, talvez a mesma eletricidade que continuava presa debaixo da minha pele. Matias apenas se voltou para o funcionário.

— O veterinário chega às onze. Separa o lote três.

Fui descartada por uma agenda de gado.

— Dona Helena está no orquidário? — Lúcia perguntou.

— Está esperando vocês.

Passamos por ele. Eu ainda dei três passos antes de parar.

— Matias.

Ele olhou.

— Sobre ontem...

— Não vai acontecer de novo.

A resposta veio limpa. Sem crueldade, sem hesitação.

Meu orgulho recebeu primeiro. Cruzou os braços dentro de mim, acendeu um cigarro e começou a planejar vingança.

— Que alívio — falei. — Eu ia pedir exatamente isso.

Matias sustentou meu olhar. Havia algo na maneira como apertou os lábios que não combinava com alívio.

— Ótimo.

— Perfeito.

Nenhum de nós se moveu. Se não fosse acontecer de novo, não havia motivo para o silêncio ficar tão cheio. Matias foi o primeiro a desviar os olhos.

— Estela — Lúcia chamou, já longe.

Virei as costas.

Dona Helena era uma mulher pequena, de cabelos curtos e mãos delicadas. Recebeu-me sem comentar meu estado, o que me fez gostar dela imediatamente. O orquidário tinha cheiro de terra molhada, madeira e folhas aquecidas. Ajudei a trocar vasos enquanto Lúcia falava por nós três.

Helena me mostrou uma muda que minha mãe lhe dera.

— Maria disse que você puxou seu pai.

— No temperamento ou no cigarro?

— Na pressa.

Aquilo era mais certeiro do que eu esperava de uma desconhecida. Apertei terra demais ao redor da raiz, e Helena afrouxou com a ponta dos dedos.

— Planta sufoca quando a gente aperta para garantir que fique — falou.

— Isso é sobre a orquídea?

— Por enquanto.

— Matias puxou o pai no tamanho e uma mula no temperamento — Helena disse, prendendo uma haste.

— Mãe costuma falar assim do filho para visita?

— Só quando a visita já percebeu.

Ri. Do lado de fora, ouvi a voz dele dando instruções. Grave, controlada, perto o suficiente para interferir na minha respiração.

Helena me entregou um vaso.

— Ele não gosta de gente entrando e saindo da vida dele.

— Eu não pretendo entrar.

— Então está tudo resolvido.

O sorriso dela dizia que não acreditava em mim.

Meu celular vibrou no bolso. Uma vez. Duas. Dez.

Pensei que fosse Clara insistindo sobre o single. Quando abri a tela, encontrei cento e quarenta e sete notificações, três ligações da assessoria e uma mensagem de Heitor em letras maiúsculas.

Lúcia abriu o próprio telefone.

— Prima...

Na tela dela havia uma fotografia minha dentro da caminhonete, as mãos no rosto de Matias e a boca colada à dele.

A legenda dizia: ROCKSTAR RECAÍDA? ESTELA CAMACHO É FLAGRADA BÊBADA COM COWBOY MISTERIOSO EM GOIÁS.

O beijo que não devia acontecer havia virado notícia antes do almoço.

อ่านหนังสือเล่มนี้ต่อได้ฟรี
สแกนรหัสเพื่อดาวน์โหลดแอป

บทล่าสุด

  • O Fazendeiro Bruto e a Rockstar Rebelde   Capítulo 10 — Cinco cláusulas e um cowboy

    Estela CamachoHeitor chegou às oito da manhã num carro preto que parecia alérgico à estrada de terra.Veio com Beatriz, um assessor chamado Mauro e duas malas para uma reunião que, segundo ele, duraria apenas uma hora. Minha mãe os recebeu com café. Vó Rosa perguntou se eram fiscais. Lúcia filmou escondida até eu mandar guardar o celular.Sentamos na sala. Heitor abriu uma pasta e colocou três cópias de um documento sobre a mesa.— Não vou assinar nada — falei.— Ainda não sabe o que é.— Você trouxe advogada e papel. Nunca é pedido de desculpa.Clara ocupou a poltrona ao meu lado. Tinha passado a noite lendo meu contrato original, assinado quando eu ainda precisava de autorização dos meus pais para viajar.Heitor ignorou a provocaç

  • O Fazendeiro Bruto e a Rockstar Rebelde   Capítulo 9 — A mentira que vende

    Estela CamachoHeitor me ligou quarenta e três segundos depois que encerrei a transmissão.O tempo exato de perceber que eu o havia desobedecido diante de um milhão de pessoas.Não atendi.Ligou outra vez. Recusei. Na terceira, desliguei o celular e o coloquei virado para baixo sobre a mesa da varanda.Minha mãe me entregou uma xícara de café.— Você falou bem.— Ele vai me matar.— Quem?— Meu chefe.— Você não é milionária?— Sou.— Então compra outro chefe.Olhei para ela. Maria bebeu o próprio café como se tivesse resolvido uma questão simples.— Não funciona assim.— Quase nada funciona até alguém com dinheiro e raiva decidir que funciona.Vó Rosa riu da cozinha. Lúcia continuava atualizando as redes, os olhos arregalados.— Um milhão e trezentas mil pessoas viram ao vivo. Estão chamando o Matias de cowboy protetor.— Ele vai odiar.— Estão fazendo edição com vocês.— Ele vai odiar mais.Liguei o telefone novamente. Havia vinte e duas chamadas, mensagens da assessoria e um comuni

  • O Fazendeiro Bruto e a Rockstar Rebelde   Capítulo 8 — Eu não sou figurante

    Matias CruzO primeiro carro chegou antes das duas da tarde.O segundo estacionou na entrada vinte minutos depois. Às três, havia seis pessoas diante da porteira, duas câmeras, um drone e uma mulher de salto tentando convencer Joel de que tinha autorização para entrar.Antes disso, a manhã tinha sido normal. Eu conferira o resfriamento, discutira preço de ração e ajudara a empurrar uma caminhonete atolada. Era o tipo de dia que se media por tarefas concluídas. Bastou uma fotografia para o trabalho perder o próprio nome. De repente, todo telefonema começava com Estela, e ninguém perguntava da chuva.Minha mãe recebeu mensagens de parentes que não falavam com ela havia meses. Joel descobriu que a filha adolescente seguia Estela e agora queria saber se a cantora estava escondida na casa principal. Dois funcionários pediram para tirar foto caso ela voltasse.Eu não estava irritado porque Estela era famosa.Estava irritado porque fama parecia uma cerca que só funcionava de um lado. Todo mu

  • O Fazendeiro Bruto e a Rockstar Rebelde   Capítulo 7 — A rockstar e o caipira

    Estela CamachoEm menos de uma hora, Matias deixou de ser um homem e virou categoria.E eu virei novamente um erro público.Cowboy misterioso. Caipira gato. Fazendeiro desconhecido. Novo vício de Estela Camacho.Rolei a tela com o polegar enquanto cada legenda piorava. Um portal resgatou fotografias minhas aos dezenove anos, magra demais e saindo de uma clínica. Outro publicou um vídeo antigo em que eu mal conseguia atravessar a porta de uma festa. A foto do beijo era atual. O resto construía a história que vendia melhor.Eu havia recaído. Eu estava descontrolada. Eu abandonara o estúdio para me esconder no interior com um homem bruto.O detalhe de que eu não usava drogas havia anos ocupava duas linhas no fim de uma matéria.O corpo reagiu antes da razão. Minha nuca esfriou. A saliva adquiriu um gosto metálico, e por um segundo eu não estava no or

  • O Fazendeiro Bruto e a Rockstar Rebelde   Capítulo 6 — O beijo que não devia existir

    Estela CamachoAcordei com a boca seca, a cabeça latejando e a lembrança da mão de Matias na minha coxa.Não nessa ordem.Fiquei deitada, olhando para o teto de madeira, enquanto a noite voltava em partes: o karaokê, Lorena rindo, a moto inclinando, a caminhonete, a bronca. Depois a boca dele. O gosto de pinga e palheiro. A barba raspando meu rosto. O instante em que ele me beijou como se tivesse passado horas tentando não fazer aquilo.E a frase final.Você bebeu.Virei de lado e enfiei o rosto no travesseiro.Era irritante que o homem tivesse razão. Eu sabia o que queria, mas estava bêbada. Ele interromper antes que avançássemos era a atitude correta. Ainda assim, a parte mais infantil do meu cérebro traduzia responsabilidade como rejeição.O celular marcava nove e meia. Havia mensagens de Lorena, duas chamadas de Clara e um á

  • O Fazendeiro Bruto e a Rockstar Rebelde   Capítulo 5 — Não vai pilotar

    Matias CruzEstela bebeu seis litrões divididos com Lorena.Eu contei porque alguém precisava contar.Depois da provocação na minha mesa, ela voltou ao karaokê e fingiu que eu não existia. Cantou, riu, fumou dois cigarros e aceitou mais um copo que não precisava. A amiga estava menos alterada. Estela se movia com a confiança perigosa de quem ainda não percebera que o chão mudava de lugar.Eu deveria ter ido embora.Tinha trabalho antes do sol nascer. Joel me esperaria às cinco para conferir os animais do lote novo. A vida que eu escolhera não abria espaço para vigiar cantora teimosa.Mesmo assim, fiquei.Quando ela pagou a conta e saiu em direção à motocicleta, levantei.— Deixa a moça — o dono do bar falou.— A estrada não vai deixar.Alcancei Estela quando ela colocava o capacete. Errou a fivela duas vezes. Depois tentou subir, tropeçou na própria perna e puxou a moto junto.Segurei seus braços antes que o peso caísse sobre ela.— Meu Deus, Estela.— Eu estou bem.— Não está nem em

บทอื่นๆ
สำรวจและอ่านนวนิยายดีๆ ได้ฟรี
เข้าถึงนวนิยายดีๆ จำนวนมากได้ฟรีบนแอป GoodNovel ดาวน์โหลดหนังสือที่คุณชอบและอ่านได้ทุกที่ทุกเวลา
อ่านหนังสือฟรีบนแอป
สแกนรหัสเพื่ออ่านบนแอป
DMCA.com Protection Status