แชร์

capítulo 2

ผู้เขียน: Loba azul
last update วันที่เผยแพร่: 2026-09-06 03:37:57

capítulo 2

Na manhã seguinte, Helena Martins acordou antes que o despertador tocasse, embora tivesse dormido poucas horas. Durante algum tempo, permaneceu deitada, olhando para o teto e tentando convencer a si mesma de que a conversa da madrugada não havia sido nada além de uma situação desagradável. Ainda assim, quanto mais tentava afastar aquela lembrança, mais claramente conseguia ouvir Rafael dizendo que Camila havia voltado para a cidade.

Ela virou o rosto para o lado e encontrou o espaço vazio na cama. Rafael já havia saído, o que não chegava a ser uma novidade, mas naquela manhã o vazio parecia diferente. Helena ficou alguns segundos observando o travesseiro perfeitamente arrumado antes de se levantar. Tomou um banho demorado, escolheu uma roupa simples e desceu para o café da manhã, decidida a não permitir que uma mulher que nem sequer conhecia interferisse em sua rotina.

Quando chegou à mesa, encontrou tudo preparado como acontecia todas as manhãs. Frutas, pães, café e sucos estavam dispostos com perfeição, embora quase sempre houvesse comida suficiente para alimentar uma família inteira. Helena sentou-se sozinha e tomou alguns goles de café enquanto olhava para o celular.

Uma mensagem de Rafael havia acabado de chegar.

— Vou chegar tarde hoje. Não me espere.

Helena leu a mensagem duas vezes. Em outra época, teria perguntado o motivo, tentado descobrir o que havia acontecido ou lembrado que os dois tinham combinado jantar juntos. Naquela manhã, porém, seus dedos simplesmente se moveram sobre a tela.

— Tudo bem.

Ela bloqueou o celular e continuou tomando café. A simplicidade daquela resposta a surpreendeu, porque pela primeira vez percebeu que não sentira vontade de discutir, insistir ou cobrar atenção. Havia apenas uma espécie de cansaço que começava a ocupar um espaço cada vez maior dentro dela.

Depois do café, Helena passou boa parte da manhã trabalhando no pequeno escritório que mantinha dentro da mansão. Não dependia financeiramente de Rafael, embora muitas pessoas acreditassem que sua vida se resumisse ao dinheiro da família Almeida. Alguns anos antes, havia criado uma pequena empresa de decoração e, apesar de não precisar daquele trabalho para sobreviver, gostava da sensação de construir alguma coisa que fosse realmente sua.

Naquele dia, entretanto, sua concentração estava longe de ser perfeita. Sempre que tentava analisar um projeto, a imagem de Rafael olhando para o celular na madrugada voltava à sua mente. Não era apenas a mensagem de Camila que a incomodava, mas principalmente a expressão que havia surgido no rosto dele ao ver aquele nome.

Perto do meio-dia, Helena decidiu sair de casa. Precisava resolver algumas coisas no escritório e também queria respirar longe daquela mansão silenciosa. Antes de entrar no carro, recebeu uma ligação de Júlia, sua melhor amiga, que imediatamente percebeu que havia alguma coisa errada em sua voz.

— Você desapareceu. Está tudo bem?

Helena fechou a porta do carro e tentou sorrir.

— Está.

Do outro lado da linha, Júlia ficou alguns segundos em silêncio antes de responder.

— Essa resposta foi tão convincente que eu quase acredito.

Helena soltou uma risada baixa.

— Só estou cansada.

— Cansada ou preocupada?

Helena permaneceu em silêncio por alguns segundos. Júlia conhecia seu casamento desde o início e era uma das poucas pessoas que haviam percebido que aquela relação não era tão perfeita quanto parecia nas fotografias.

— Rafael chegou tarde ontem.

— Isso não é novidade.

Helena respirou fundo antes de revelar o que realmente estava incomodando.

— Camila voltou.

O silêncio do outro lado da linha foi imediato.

— Camila Duarte?

— Sim.

— Quando?

— Rafael disse que ela voltou ontem.

Júlia soltou o ar lentamente.

— E ele falou alguma coisa sobre ela?

Helena apoiou a cabeça no banco e olhou para o teto do carro.

— Disse que eles têm assuntos para resolver.

A voz de Júlia ficou mais cuidadosa.

— Helena...

— Eu sei.

— Você sabe o quê?

Helena olhou pela janela.

— Não sei. Esse é justamente o problema.

Depois de desligar, ela permaneceu alguns segundos dentro do carro sem ligar o motor. Sabia que poderia estar exagerando. Camila poderia realmente ser apenas uma pessoa do passado de Rafael que havia retornado à cidade por motivos que nada tinham a ver com sentimentos. Talvez houvesse negócios entre as famílias, algum problema relacionado a antigos conhecidos ou qualquer outra explicação perfeitamente racional.

Mas então por que Rafael havia ficado daquele jeito?

O pensamento permaneceu com Helena durante toda a tarde. No início da noite, enquanto jantava com uma cliente em um restaurante, percebeu uma movimentação próxima à entrada. Algumas pessoas começaram a olhar discretamente para uma mulher que acabara de entrar acompanhada por outras duas pessoas. Helena não prestou atenção imediatamente, até ouvir alguém mencionar aquele nome.

— Camila Duarte.

Seu corpo ficou imóvel.

Ela levantou os olhos e viu a mulher que havia acabado de entrar. Camila era elegante, segura e possuía aquele tipo de presença que fazia as pessoas naturalmente abrirem espaço. Seus cabelos escuros caíam sobre os ombros, enquanto o vestido sofisticado que usava chamava atenção sem parecer exagerado. Ela caminhava pelo salão com uma segurança que fazia parecer que conhecia aquele lugar havia anos.

Helena nunca havia conhecido aquela mulher pessoalmente, mas naquele instante entendeu por que Rafael havia ficado diferente ao ouvir seu nome.

Camila olhou para o outro lado do salão e seus olhos encontraram os de Helena. Durante alguns segundos, nenhuma das duas desviou o olhar. Então Camila sorriu discretamente e mudou de direção, caminhando diretamente até a mesa.

Helena se levantou por educação quando ela parou diante dela.

— Helena Martins?

— Sim.

Camila sorriu.

— Finalmente nos conhecemos.

Helena tentou manter a expressão tranquila.

— Você já sabia quem eu era?

— Claro. Rafael fala de você.

Aquelas palavras provocaram uma sensação estranha em Helena.

— Ele fala?

— Às vezes.

Camila inclinou ligeiramente a cabeça enquanto observava Helena.

— Afinal, vocês estão casados há seis anos.

Helena não soube imediatamente o que responder. Camila então desviou os olhos para a aliança em sua mão e permaneceu alguns segundos observando o anel.

— Seis anos é bastante tempo.

Helena sustentou o olhar dela.

— É.

O sorriso de Camila diminuiu um pouco.

— Deve ter sido uma vida interessante.

Helena não desviou os olhos.

— Foi.

Camila pareceu analisar aquela resposta antes de sorrir novamente.

— Espero que continue sendo.

Antes que Helena pudesse perguntar o que aquela frase significava, alguém chamou Camila do outro lado do restaurante. Ela olhou por cima do ombro e depois voltou a atenção para Helena.

— Foi um prazer conhecê-la.

— Igualmente.

Camila se afastou, deixando Helena acompanhá-la com os olhos até que desaparecesse entre os outros clientes. Júlia, que havia permanecido em silêncio durante todo o encontro, aproximou-se e esperou alguns segundos antes de falar.

— Você percebeu?

Helena voltou a se sentar.

— O quê?

— Ela sabia exatamente quem você era.

Helena olhou na direção em que Camila havia desaparecido.

— Ela é amiga do Rafael há muitos anos.

Júlia negou discretamente com a cabeça.

— Não estou falando disso. Ela estava te observando antes mesmo de vir falar com você.

Helena não respondeu porque havia percebido a mesma coisa. Havia algo no modo como Camila a encarara que não parecia simples curiosidade. Era como se estivesse conferindo alguma coisa que já sabia.

Naquela noite, quando voltou para casa, encontrou Rafael na sala. Ele estava sentado no sofá, com o celular na mão, e levantou os olhos assim que ouviu a porta se fechar. Helena deixou a bolsa sobre uma mesa próxima e tirou o casaco antes de se aproximar.

— Onde você estava?

— Jantando.

— Com quem?

A pergunta saiu depressa demais, e Rafael pareceu perceber isso imediatamente.

— Com uma cliente.

Ele assentiu, mas continuou observando-a.

Helena poderia simplesmente subir para o quarto, porém decidiu fazer a mesma pergunta que ele havia feito.

— Encontrei Camila hoje.

A expressão de Rafael mudou no mesmo instante.

— Onde?

— Em um restaurante.

Ele se levantou.

— Ela falou com você?

Helena observou a preocupação surgir no rosto dele.

— Falou.

— O que ela disse?

A pergunta veio tão rapidamente que Helena demorou alguns segundos para responder.

— Por que você quer saber?

Rafael pareceu perceber o próprio tom e tentou recuperar a calma.

— Só quero saber.

Helena continuou olhando para ele.

— Ela disse que já sabia quem eu era.

Rafael desviou o olhar.

— E disse que você fala de mim.

Ele permaneceu calado.

Helena deu um passo na direção dele.

— Você fala de mim para ela?

Rafael passou a mão pela nuca, evitando encará-la diretamente.

— Helena...

Ela manteve a voz tranquila.

— Eu só fiz uma pergunta.

Rafael finalmente levantou os olhos.

— Não há nada que você precise saber.

A resposta fez Helena sentir uma pontada no peito, mas ela não demonstrou. Apenas assentiu e se afastou lentamente.

— Entendi.

Enquanto subia as escadas, Helena percebeu que alguma coisa havia mudado. Ainda não sabia exatamente o que era, mas já não conseguia olhar para o próprio casamento da mesma maneira. Camila havia voltado para a cidade e, em poucas horas, conseguira fazer Helena perceber algo que talvez estivesse escondido havia muito tempo: Rafael tinha uma parte da vida que nunca compartilhara com ela.

E, pela primeira vez em seis anos, Helena começou a se perguntar se o problema do seu casamento não era apenas a falta de amor, mas tudo aquilo que Rafael havia escolhido não contar.

อ่านหนังสือเล่มนี้ต่อได้ฟรี
สแกนรหัสเพื่อดาวน์โหลดแอป

บทล่าสุด

  • O Marido Que Me Trocou Pela Mulher Que Não Existia   capítulo 78

    CAPÍTULO 78 — O IMPÉRIO DA VIDA Cinco anos depois. A brisa de um sábado ensolarado entrava sem obstáculos pelas altas portas de correr da varanda dos Jardins, trazendo o perfume adocicado dos jasmins-manga misturado ao aroma inconfundível da terra adubada sob as jabuticabeiras. A copa daquela árvore centenária, que anos antes fora testemunha silenciosa de promessas sussurradas em meio à recuperação física e à incerteza da cura, agora se derramava em folhagens densas e frutos pretos e reluzentes, pesando nos galhos baixos ao alcance das mãos. Pelo gramado impecável, uma risada infantil e cristalina rompia a calmaria matinal. — Papai! Pega, papai! Ele vai fugir! Um menino de quatro anos, de cabelos castanho-claros ligeiramente ondulados e olhos vivos e amendoados que carregavam a mesma vivacidade atenta dos meus traços, corria com as pernas curtas e firmes atrás de um filhote de pastor-alemão que insistia em carregar uma bola de borracha amarela na boca. Logo atrás do pequeno, cam

  • O Marido Que Me Trocou Pela Mulher Que Não Existia   capítulo 77

    CAPÍTULO 77 — O ÚLTIMO FANTASMA E A VOZ DO MUNDO Helena A manhã de terça-feira no Fórum João Mendes, no centro histórico de São Paulo, exibia a solenidade pesada dos palácios da justiça. O mármore cinzento do chão, gasto por décadas de litígios e tragédias humanas, refletia os passos silenciosos da nossa comitiva enquanto avançávamos pela ala reservada da Vara de Família e Sucessões. Ao meu lado, Camila mantinha uma pasta de couro preta debaixo do braço, enquanto o doutor Vasconcelos, nosso decano dos assuntos jurídicos, conferia pela última vez os termos da petição irrevogável que seria protocolada perante o juiz corregedor das execuções penais do Estado. Rafael vinha logo atrás, vestindo terno cinza-grafite sem gravata, a camisa branca com o colarinho entreaberto. A postura dele era reta, firme, e as marcas da agressão na face haviam se tornado apenas uma linha esbranquiçada e discreta perto do supercílio. A cicatriz não diminuía o homem; conferia-lhe a gravidade serena de quem

  • O Marido Que Me Trocou Pela Mulher Que Não Existia   capítulo 76

    CAPÍTULO 76 — AS RAÍZES DA CURA Helena O cheiro de serragem fresca, cal virgem e café coado substituíra de forma definitiva o odor rançoso de graxa velha, mofo e sangue pisado que impregnara o galpão do Brás durante os meses daquele inverno impiedoso. A luz da manhã de quinta-feira entrava sem cerimônia pelas altas claraboias de vidro limpo que haviam sido trocadas na semana anterior. Onde antes pilhas de fardos de tecido mofado serviam de esconderijo para o contrabando de Otávio Almeida e palco para as agressões covardes de cobradores do submundo, agora bancadas de compensado naval abrigavam tornos de marcenaria, máquinas industriais de costura de última geração e compressores silenciosos para oficinas de aprendizagem profissional. Caminhei devagar pelo mezanino de aço recém-pintado de cinza-chumbo, deslizando os dedos pelo corrimão áspero. Ao longe, o murmúrio do tráfego pesado da Avenida do Estado misturava-se ao som ritmado de uma serra de fita no piso térreo e às vozes de qua

  • O Marido Que Me Trocou Pela Mulher Que Não Existia   capítulo 75

    CAPÍTULO 75 — A CICATRIZ DA VERDADE Helena As semanas que se seguiram trouxeram uma rotina que eu nunca imaginei experimentar ao lado de Rafael: a cadência simples, silenciosa e desarmada da cura. No jardim dos Jardins, a primavera começava a abrir as primeiras flores das jabuticabeiras. Pela manhã, não havia ligações estridentes de bancos internacionais cobrando margens de garantia, nem reuniões de crise convocadas para neutralizar armadilhas corporativas. Havia apenas o som de passos ritmados no piso de tábuas claras e o aroma de café recém-passado que invadia a varanda envidraçada. Rafael já havia retirado a tipoia rígida. A fisioterapia respiratória e motora devolvera a mobilidade quase completa ao braço esquerdo, embora o ombro ainda exigisse cautela com peso excessivo. Mas as marcas físicas continuavam lá: duas cicatrizes circulares e espessas — uma logo abaixo da clavícula e outra na base da caixa torácica —, além do corte profundo no supercílio que o impacto da picape deix

  • O Marido Que Me Trocou Pela Mulher Que Não Existia   capítulo 74

    CAPÍTULO 74 — A RECONSTRUÇÃO DO IMPÉRIO Helena A manhã de terça-feira amanheceu sob um céu azul translúcido, limpo daquela garoa implacável que durante semanas parecera sufocar São Paulo. No décimo sexto andar da sede definitiva da Martins & Cia, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, o ambiente não lembrava em nada a opressão calculista dos tempos de Julian Vance. As paredes de vidro agora refletiam a luz matinal sobre móveis claros de madeira de lei brasileira e plantas nativas. A holding voltara às suas raízes: engenharia pesada, logística portuária e solidez financeira erguida com transparência absoluta. Camila entrou na sala da presidência carregando uma pilha de pastas encadernadas, com um sorriso leve nos lábios e a postura aliviada de quem vencera uma guerra sem quartel. — O pregão abriu há vinte minutos — anunciou ela, colocando o primeiro relatório sobre a minha mesa de trabalho. — O anúncio formal da saída definitiva da Vance Global Capital e a entrada do consórcio japonês

  • O Marido Que Me Trocou Pela Mulher Que Não Existia   capítulo 73

    CAPÍTULO 73 — O TRIBUNAL DA CONSCIÊNCIA Helena A transferência de Rafael da UTI para o quarto de internação na ala sul marcou a primeira vitória concreta da nossa sobrevivência. Aquele quarto amplo, com janela voltada para a copa das árvores da Doutor Arnaldo, trazia uma luz dourada de fim de tarde que aos poucos limpava a memória dos corredores frios da emergência pública. Rafael estava sentado na cama reclinada a quarenta e cinco graus. O braço esquerdo permanecia imobilizado por uma tipoia reforçada, mas a cânula de oxigênio fora retirada naquela manhã. Ele vestia uma camiseta de algodão azul-marinho comprada por Camila, contrastando com a palidez que ainda teimava em habitar as maçãs do seu rosto. Na mesa de cabeceira, além dos analgésicos e do copo d'água com canudo, repousava uma pasta de papel kraft com o timbre do Ministério Público Federal. — O promotor responsável pelo caso Vance ligou há pouco — comecei, sentando-me na poltrona próxima ao leito e cruzando as pernas com

บทอื่นๆ
สำรวจและอ่านนวนิยายดีๆ ได้ฟรี
เข้าถึงนวนิยายดีๆ จำนวนมากได้ฟรีบนแอป GoodNovel ดาวน์โหลดหนังสือที่คุณชอบและอ่านได้ทุกที่ทุกเวลา
อ่านหนังสือฟรีบนแอป
สแกนรหัสเพื่ออ่านบนแอป
DMCA.com Protection Status