LOGINCAPÍTULO 49 — A SOMBRA DA TRAIÇÃO NA HOLDING Helena A notícia trazida por Julian desabou sobre mim como uma lufada de ar congelado. A Martins & Cia não era apenas uma empresa; era a fortaleza que eu havia erguido com sangue, suor e uma disciplina de ferro após ser apunhalada pelas costas pelos Almeida. Saber que havia um verme infiltrado no meu próprio conselho, vendendo informações privilegiadas para a sociopata da Isa, fez o meu sangue ferver sob a pele fria. — Tem certeza absoluta da origem desses documentos, Julian? — perguntei, a voz saindo cortante e gélida como lâminas de barbear, enquanto eu me desviava do abraço dele e ajustava o blazer escuro com gestos firmes. Julian endireitou o paletó, os olhos cinzentos faiscando com a frieza analítica de um predador de Wall Street. — Os meus analistas de inteligência financeira rastrearam os metadados dos arquivos encontrados no galpão da zona portuária — respondeu ele, cruzando os braços com uma autoridade incontestável. — Os repa
CAPÍTULO 48 — O PREÇO DO PODER E A VIGÍLIA Helena O zumbido constante das bombas de infusão e o ritmo metronômico dos bipes do monitor cardíaco formavam a única trilha sonora daquela ala restrita do Sírio-Libanês. Eram quase três da manhã quando a porta do quarto privativo se abriu com um silêncio calculado. Não precisei virar o rosto para saber quem era. O perfume amadeirado e inconfundível de sândalo e couro que antecedia a presença de Julian Vance preencheu o ambiente, misturando-se à atmosfera estéril do hospital. Julian entrou vestindo um terno cinza-chumbo perfeitamente cortado, sem a gravata, com os primeiros botões da camisa social aberta e as mangas dobradas até os cotovelos. O semblante dele exibia uma exaustão fria, mas os olhos cinzentos faiscavam com aquela intensidade possessiva que parecia nunca dormir. — Camila me disse que você não saiu deste quarto desde ontem à tarde — constatou Julian, a voz grave e aveludada ecoando suavemente enquanto ele se aproximava da po
CAPÍTULO 47 — A SOMBRA DO HOSPITAL E O PESO DO PASSADO Helena A cortina de fumaça preta e o cheiro acre de pólvora dissiparam-se lentamente pelo ar viciado do antigo gabinete da diretoria. Antes que Isa pudesse tentar qualquer nova investida ou buscar uma rota de fuga, a porta estilhaçada foi esmagada para dentro com um golpe seco. Os seguranças táticos da equipe de Julian invadiram o cômodo com armas em punho, imobilizando a criminosa ao chão com eficiência implacável. Enquanto algemas metálicas estalavam nos punhos de Isa, que gritava histericamente pragas e ameaças contra mim, meus olhos desceram rapidamente pelo corredor em direção à escadaria. A fumaça dos rojões simulados havia ativado o alarme de incêndio improvisado, mas o que realmente martelava na minha cabeça era o som abafado de um estampido real que tinha ecoado nos fundos do complexo momentos antes de subirmos. — Julian, mande os paramédicos checar o pátio — ordenei, a voz cortante e firme, embora uma ponta de inquie
CAPÍTULO 46 — O DUELO DE OLHARES E A BOMBA RELÓGIO Helena A penumbra do antigo gabinete da diretoria fedia a mofo, fuligem e ao suor frio do desespero. A luz cinzenta que entrava pelas janelas sem vidro recortava a silhueta de Heloísa como um espectro saído do pior pesadelo da minha infância. Ela mantinha os dedos finos e trêmulos apoiados sobre o pequeno painel eletrônico de controle remoto, cujas luzes vermelhas piscavam em um ritmo frenético e irritante. — Sabe, Helena, eu estive pensando enquanto esperava vocês subirem toda essa escadaria imunda — começou Isa, a voz cantarolante ecoando de forma distorcida pelas paredes descascadas do cômodo. Ela deu um passo à frente, os olhos arregalados e injetados de uma adrenalina maníaca fixados em mim com um ódio ancestral. — O Rafael foi um idiota útil. Chorou, implorou perdão, disse que ainda amava a ex-esposa bilionária... É patético como os homens fortes da Faria Lima se transformam em lixo quando perdem o poder e a conta bancária, n
CAPÍTULO 45 — A ARMADILHA DA SERPENTE Helena O som da respiração ofegante de Rafael ecoava pelo pátio úmido, misturando-se ao gotejamento constante da garoa sobre as folhas secas. A mancha de sangue no ombro dele continuava a crescer, tingindo o tecido claro da camisa com um vermelho escuro e alarmante. Julian manteve-se imóvel ao meu lado, os olhos cinzentos fixos na silhueta decrépita do pavilhão principal que se erguia logo à frente. A mão dele repousava discretamente perto do coldre sob o paletó, em estado de alerta máximo. — Deixar esse infeliz amarrado sangrando aqui no meio do pátio vai atrair urubus de várias espécies, Helena — pontuou Julian, a voz grave cortando o silêncio com uma frieza cortante. — E pelo que vejo das pegadas recentes no barro fresco, a sua querida irmã adotiva não foi longe. Ela deve estar nos observando de alguma das janelas superiores do bloco central. Ergui o queixo, estreitando os olhos enquanto analisava a fachada escura do prédio. As janelas que
CAPÍTULO 44 — O PREÇO DA OBSSESSÃO Helena A lufada de vento que entrou pela porta de ferro entreaberta trazia o cheiro metálico e inconfundível de sangue fresco. Aproximei-me mais do umbral, ignorando o braço firme de Julian que ainda tentava me manter recuada. Meus olhos correram pelo refeitório destruído até fixarem-se no celular espatifado no chão, cuja tela trincada ainda exibia uma chamada perdida para o número de Camila. — Reconhece o aparelho? — perguntou Julian em tom baixo e controlado, a arma de alta precisão firme em sua mão direita, enquanto os olhos cinzentos mapeavam cada centímetro do teto e das saídas de ventilação. — É o celular corporativo reserva do Rafael — respondi, sentindo o estômago revirar em um misto de repulsa e impaciência gélida. — Ele realmente foi idiota o suficiente para vir atrás de mim sem nenhum preparo, direto para a boca do lobo. Julian soltou um som nasal que parecia um misto de zombaria e desprezo profundo. — Um homem guiado por ciúme cego







