Se connecterLella
Em um dia qualquer, de uma semana qualquer, de um mês qualquer…
Estava passando alguns dias na casa da minha mãe em Nevada quando decidi passar o dia com minha avó paterna. No meio da tarde entrei no carro com o intuito de voltar pra casa da minha mãe. O problema é que minha rota foi bruscamente desviada por Andrew Di’Lucien. O tipo de cara que derrete calcinhas com apenas um olhar. Com olhos verdes, cabelos claros, mandíbula marcada combinando perfeitamente com seu nariz levemente empinado e um corpo de dar água na boca… Andrew Di’Lucien é de longe o cara mais gato que eu já vi na vida!
Você deve estar se perguntando: “Por que essa maluca não diz logo o nome?”
Porque eu me chamo Lella Louise Marshall, sou engenheira mecatrônica e de maneira bem indireta, Andrew é meu chefe.
Andrew é piloto da Nascar, ele corre pela Di’Lux, empresa da família dele. Seu pai, Richard Di’Lucien é o chefão e Andrew é seu futuro sucessor. Costumo trabalhar na fábrica, mas em alguns momentos trabalho diretamente com a equipe de corrida. Certa vez, cheguei a vislumbrar a figura imponente de Andrew, mas estava muito longe. De perto, ele é ainda mais bonito.
(Por essa você não esperava né?)
Sinceramente, nem eu esperava que em um dia qualquer, Andrew Di’Lucien iria cair na minha rede. Até onde sei, não existe nenhuma política interna que impede que funcionários se relacionem e mesmo que houvesse, não sei se Andrew se encontraria na categoria dos empregados. Pra falar a verdade, acho que ele não se importaria nem um pouco com qualquer regra, principalmente levando em consideração o seu olhar faminto passeando livremente pelo meu corpo.
Prefiro deixar meu nome de lado para que esse encontro fortuito, seja apenas mais um, entre tantos outros que ele terá durante a temporada. Detesto qualquer tipo de drama e dormir com meu chefe certamente é algo que pode gerar muita confusão.
Em um mundo ideal, eu entraria no meu carro e fugiria pra evitar problema. Mas, eu não sou santa e nem louca o suficiente pra negar ao meu corpo uma noite de prazer com Andrew.
- Então, você vem? - Pergunto esperando que ele embarque nessa comigo.
- Claro! Me mostre o caminho, Cherry! - Ele responde e eu tento evitar um sorriso. Sabia que ele inventaria um apelido qualquer, mas confesso que estava esperando algo mais genérico como gata, linda ou princesa.
Paro em um restaurante de beira de estrada, com um hotel bem duvidoso ao lado. Vou precisar de um ou dois drinks pra relaxar um pouco. Pro meu total desespero,o local só tem cerveja. Optamos por duas garrafas e Andrew fica visivelmente surpreso ao me ver pedindo um hambúrguer maior que o dele.
- Mora por aqui? - Andrew pergunta assim que a atendente se afasta. Ao invés de se sentar de frente pra mim, ele se acomoda no sofá ao meu lado, sua perna parece irradiar calor e eu me pergunto se ele é quente assim na cama.
- Perguntas como essa não são permitidas… Mas, posso afirmar que não moro aqui. Estou de férias.
- Certo, ainda não entendi muito bem as regras desse encontro. É estranho tentar conhecer uma mulher que não quer falar absolutamente nada sobre si.
- Pergunte o que quiser, mas eu não prometo responder…
- Você está indo pra Las Vegas? Essa pergunta é válida?
- Não vou a Vegas desde que completei maior idade e deixei todas as minhas economias por lá! Meu pai quis me matar e depois me fez trabalhar todos os dias até recuperar a grana. Até hoje esse dinheiro permanece intocado no banco. - Começo a rir lembrando. - Depois disso, nunca mais tive coragem de pisar lá.
- Quais foram os jogos? - Ele pergunta interessado.
- Morro de vergonha de admitir que perdi tudo naquelas máquinas caça-níquel. - Digo totalmente sem graça.
- Por que não se arriscou no Poker?
- Não sei jogar! - Digo dando de ombros.
A atendente dispõe o hambúrguer gigantesco na frente de Andrew, imediatamente puxo o prato pra perto de mim. Ele ri da situação antes de retornar a nossa conversa.
- Você só precisa aprender o básico sobre poker, porque o elemento X você já possui. - Ele diz sorrindo. Sei que ele está balançando a informação não revelada na minha cara como se eu fosse um cachorro faminto, sei que eu deveria me conter e ignorar, só que a curiosidade acaba vencendo.
- E o que seria esse tal elemento X? - Ele sorri, contente por ter ganhado essa rodada.
- O blefe! Com toda essa sua aura de mistério, sei que limparia a minha carteira e a de qualquer outro que cruzasse o seu caminho em alguns instantes.
- Se algum dia eu decidir recalcular a rota da minha vida, já sei o que fazer…
Lella Nas primeiras voltas, Tyler Vance forçou a passagem por fora na curva dois e jogou poeira no nosso para-brisa. Mas Andrew é frio. Em vez de queimar o composto em uma briga desnecessária logo no início, ele esperou os pneus atingirem a temperatura ideal no asfalto frio de Las Vegas. Quatro voltas depois, costurou a linha de baixo na curva quatro, deu o troco com maestria e deixou Vance para trás, cravando a vitória no Primeiro Estágio. O jogo virou no Segundo Estágio. A pista foi esfriando conforme a tarde avançava, o acerto de Vance casou melhor com a mudança do asfalto e ele conseguiu dar o bote, cruzando na frente na volta 165. A disputa estava insana, no limite da física, exatamente do jeito que a NASCAR deve ser. Então veio o Terceiro Estágio. Buscando o undercut, Vance parou nos boxes antes de nós. A estratégia dele tinha tudo para dar certo, mas a tensão do momento cobrou seu preço na garagem rival. Um dos mecânicos dele deixou a pistola pneumática travar e uma da
Lella Vi quando Andrew entrou na garagem. Russell fez questão de provocá-lo assim que ele se aproximou da bancada principal. — Então a sua onda agora é mandar a sua namorada trabalhar enquanto você fica em casa descansando feito uma princesa da Disney? — Russell soltou com a costumeira cara fechada, sem tirar os olhos da tela do monitor, embora um canto do seu lábio denunciasse o tom de brincadeira. Andrew deu uma risada baixa, encostando-se ao lado da bancada com a postura relaxada de quem sabia exatamente o peso do dia que tinha pela frente. — Alguém precisa garantir a beleza da equipe, Russell. E até onde sei, meu trabalho começa quando as luzes apagam lá fora — Andrew rebateu com um sorriso de canto, me encarando por um segundo antes de voltar a atenção para os dados no monitor. — E só para deixar claro, foi a mocinha aí que me abandonou sozinho na cama — Andrew completou, laçando minha cintura com o braço e me puxando suavemente contra seu corpo para plantar um beijo casto no
AndrewRespondi às primeiras perguntas da imprensa ainda com a respiração acelerada e o sorriso estampado no rosto, sentindo o calor das luzes das câmeras e o zumbido familiar do curral de imprensa. Quando me perguntaram sobre o desempenho absurdo do carro no último setor da pista, não pensei duas vezes antes de dar os credits a quem realmente merecia. Declarei abertamente aos jornalistas que, além da dedicação impecável de toda a engenharia da Di’Lux, nossa equipe tinha contado com uma ajudinha extra e essencial nos bastidores para encontrar aquele acerto perfeito na bancada.A declaração logo atiçou a curiosidade da multidão de repórteres. Uma das jornalistas estendeu o microfone na minha direção e, com um sorriso esperto, foi direta ao ponto, perguntando sobre o beijo apaixonado que eu tinha dado em uma mulher misteriosa na garagem logo após cravar o melhor tempo, momento que já começava a repercutir nas redes sociais.— Vocês viram, né? Não deixam passar nada! — soltei uma gargalh
Lella Saí do quarto na ponta dos pés para não acordar a Max, deixando a porta entreaberta. O corredor silencioso me conduziu até a cozinha da enorme suíte. Eu só precisava de um copo d'água para baixar o ritmo de um dia alucinante, mas encontrei a luz do balcão acesa. Minha mãe estava encostada ali, segurando uma xícara de chá entre as mãos. — Pensei que já estaria deitada... — disse, caminhando até a geladeira e pegando a jarra. — O dia foi longo... já vou me deitar, mas queria conversar um pouco com a minha filha antes de dormir — respondeu ela, me observando servir a água. Soltei um suspiro longo, apoiando os cotovelos no balcão frio. Minhas pernas ainda sentiam o peso de ter andado o paddock inteiro. — Nem me fale. Parece que vivemos três dias em um só — comentei, tomando um gole demorado. — Foi um dia exaustivo mesmo. E pensar que antes de trabalhar naquela barulheira toda você ainda encarou uma visita a sua avó no hospital... O tom da minha mãe ficou mais brando, e
LellaFugi do almoço com o pai do Andrew, usando a desculpa perfeita de que a Max precisava descansar. Se Andrew percebeu minha fuga, pareceu não se importar. A ideia de colocar a Max em meio a tantas apresentações e formalidades com o pai do Andrew no meio da correria do paddock parecia demais para uma manhã só. No fundo eu sabia que um encontro entre o Richard e a minha filha seria inevitável. Ele era uma figura presente, imponente e claramente interessado em fazer parte da vida de Andrew. Evitar aquela aproximação hoje era apenas adiar o óbvio, mas eu precisava desse tempo para assimilar a mudança gigantesca que vinha acontecendo.Passei o restante do tempo até a classificação acompanhando tudo pelos monitores ao lado do Russell, ajustando os últimos detalhes e monitorando as telemetrias em tempo real. A adrenalina da garagem tomou conta de mim e a pista deu a resposta perfeita.Assim que o cronômetro zerou, lá estava o nome do Andrew no topo da tabela. Ele alcançou a primeira posi
Andrew No sábado bem cedo, cheguei ao autódromo antes mesmo que a equipe terminasse de levantar as portas da garagem. O sol ainda estava baixo, mas eu já circulava pelo paddock com uma xícara de café na mão, só esperando o momento exato em que o Russell pisaria ali. Quando o vi dobrar a esquina com a sua típica cara de poucos amigos matinal, dei um sorriso presunçoso, erguendo o copo no ar. — Bom dia, Russell! Tá atrasado, velhinho. A equipe precisa de gente com ritmo por aqui — provoquei, fazendo questão de olhar o relógio no pulso. Russell parou, me encarando por cima dos óculos com uma mistura de incredulidade e profundo desgosto. — Você é um completo idiota, Andrew — resmungou ele, passando por mim e dando um tapa fraco na minha cabeça. — O motor não vai fugir daqui. Era melhor ter aproveitado a companhia da Lella até mais tarde... Dei uma risada fraca, acompanhando os passos dele para dentro da garagem. — Primeiro você reclama que eu estou atrasado, agora faz questã







