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Capítulo 5

Auteur: Pukhi
last update Date de publication: 2026-09-13 09:47:28

Andrew

  É quase impossível encontrar alguém sem ter no mínimo as informações básicas e eu não sabia nem o nome dela. Quase cinco anos se passaram e eu ainda não conseguia parar de pensar naquela noite.

  Acordei no meio da madrugada e Cherry já tinha ido embora. Corri para o carro e acelerei tudo o que podia na esperança de alcançá-la. Naquele ano, fui campeão; nos dois seguintes, levantei o troféu de novo até me consagrar tricampeão. As ações da empresa subiam sem parar e eu tinha todos os motivos para me sentir realizado. Mas então vieram dois anos batendo na trave. Pódios e mais pódios, sem a pontuação necessária para o tetra. A verdade é que ainda faltava algo. Uma lacuna que parecia crescer a cada ano. Deitei-me com muitas mulheres, mas não houve faísca com nenhuma. Estava acorrentado a uma memória, apaixonado por uma mulher que mal conhecia. Cheguei a duvidar de mim mesmo, perguntando se aquela noite realmente tinha acontecido ou se fora apenas um truque da minha mente.

  - Bom dia, Andrew! - Chase me tira do meu devaneio. - Temos um problema…

  - Temos mais um problema, você quer dizer né? - Respondo bem humorado, porque ultimamente a palavra problema tem sido regular.

  - Sim, mais um problema. Só que esse é dos grandes e eu preciso da sua ajuda pra decidir qual caminho vamos tomar. - Meu gerente de equipe parece mais apreensivo que o normal. 

  - Certo, o que aconteceu dessa vez?

  - Perdemos um dos nossos engenheiros pra concorrência e precisamos de um substituto pra ontem. 

  - Já tem alguém em vista ou precisamos começar do zero?

  - Eu conversei com alguns amigos que trabalham na sede da empresa, temos um engenheiro que pode tapar o buraco vez ou outra, mas precisamos de alguém fixo na nossa equipe. Um amigo sugeriu um nome, Lee Marshall, ele garantiu que ela é completa. Lella fez algumas colaborações com a nossa equipe a alguns anos e assinou algumas alterações importantes na suspensão ativa, direção e freios. 

  - Espera um pouco, Lee é apelido de Lella? - Pergunto ainda processando a informação. 

  - Sim, era como todos a chamavam… Por que isso importa agora?

  - Na verdade não faz tanta diferença, é que, ao ler os documentos, eu sempre achei que Lee fosse um homem e não uma mulher.

  - Certo! - Ele diz sem pretensão de extender ainda mais o assunto. - “ELA” trabalhou na sede da Di’Lucien por um bom tempo e foi de longe a melhor “ENGENHEIRA” que a fábrica já teve.  

  - Pelo visto, já temos uma substituta…

  - Aí que está o problema! Ela pediu as contas a alguns anos sem motivo aparente e não retornou nenhuma das minhas ligações.

  - Continue tentando entrar em contato. Vocês com certeza já sabem onde ela mora… Então, faça alguém ir atrás dessa mulher! 

  - Ela mora no oeste, especificamente em Nevada — ele argumentou. — Podemos nos virar com o engenheiro da fábrica até contratarmos um substituto. Ir atrás dela pode custar muito caro. - Confesso que minha decisão já havia sido tomada no instante que ele disse: “Nevada”.

  - Eu mesmo vou atrás dela! Entre em contato com o RH e peça para confeccionarem um contrato bem generoso, se essa garota é tão boa quanto dizem, vamos precisar dela em nossa equipe. 

  

  Plano traçado, malas prontas e a passagem para Nevada em mãos. O roteiro é simples: primeiro, convencer a engenheira a se juntar à equipe; segundo, caçar qualquer pista da mulher que se tornou minha obsessão noturna.

  Antes de embarcar recebo uma ligação do meu pai. 

  - Pai?

  - Andrew, Olívia me informou que você está indo pro oeste. - Olívia trabalha no RH da empresa, nós tivemos um breve caso que não acabou muito bem no ano passado. Ela queria tornar nosso envolvimento mais sério, só que não havia nem um pingo de química entre nós.Desde então, estabeleci o compromisso de manter uma postura estritamente profissional, evitando vínculos pessoais no trabalho. 

  - É claro que ela informou! - Digo sem muita paciência. 

  - O início da temporada está próximo e você simplesmente resolve ir pra Las Vegas? - Meu pai fala ignorando meu comentário ranzinza.

  - Estou viajando a trabalho, estamos com uma baixa na equipe.

  - Já fui informado sobre o ocorrido, por que não me ligou antes?

  - Chase garantiu que ela seria uma boa aquisição, quis juntar o útil ao agradável. Vegas sempre é uma boa idéia.

  - A Lee sempre foi competente e estimada, estava conosco desde a faculdade se bem me lembro. Sua demissão repentina pegou todos de surpresa, inicialmente imaginei que fosse trabalhar na concorrência, mas ela apenas voltou para sua cidade e deixou a carreira de lado. Minhas tentativas de recontratá-la foram todas em vão. Uma conversa prévia comigo teria evitado esse gasto desnecessário de tempo e dinheiro. - Ele explica.

  - Agora já estou no aeroporto, prestes a embarcar. Deixe-me ao menos tentar; se nada der certo, aproveito a noite em Vegas.

  - Boa sorte! Tente apenas não misturar trabalho com prazer... As coisas não terminaram nada bem com a Olívia. 

  - O que quer dizer com isso? - Pergunto confuso. 

  - Você vai entender quando encontrar com a Lee pessoalmente. 

  - Pode ficar tranquilo, prometi que não me envolveria novamente com uma funcionária. 

  - Se você diz… - Ele murmurou, cético. - Boa viagem e boa sorte.

  Desembarco em Vegas antes do anoitecer. Com um carro alugado e a reserva em um cinco estrelas garantida, pretendo aproveitar a noite entre o bar do hotel e as mesas de cassino. É o descanso necessário antes de, amanhã, resolver de uma vez por todas o furo na minha equipe e depois tentar descobrir algo sobre Cherry. 

  Instalado no hotel, desço ao bar após vinte e cinco minutos. O clima é bom, mas sinto falta de adrenalina. Enquanto tomo meu uísque escocês, noto uma morena me observando com desejo. Em qualquer outra noite, eu aceitaria o convite implícito. Hoje, porém, Cherry é o único pensamento que minha mente admite

  Deixo o bar e o flerte para trás, seguindo para o cassino. Enquanto analiso o movimento das mesas, meu coração erra uma batida. Cherry é a dealer de uma das mesas, e a visão interrompe meu raciocínio. Seus cabelos cresceram, mas a cor é a mesma. O visual — camiseta preta justa e calça de couro — realça curvas que parecem ainda mais acentuadas do que na minha memória. Ao vivo, ela é surreal.

  Invisto dez mil em fichas e conquisto um lugar ao seu lado. Quando nossos olhares se cruzam, a surpresa dela é quase palpável. Mantenho a frieza, focando apenas nas cartas. Aposto e dobro sem interesse real no lucro, observando como ela luta para manter a postura profissional enquanto foge desesperadamente do meu contato visual.

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