LOGINAzarya...
Depois da conversa que tive com a mãe de Sharon, senti que o peso em minhas costas se dissipava aos poucos, era uma estranha sensação de alivio, mas que não parecia o suficiente, como se eu não tivesse terminado a missão a que havia me proposto, e de fato era o caso, visto que literalmente fui expulsa da casa daquela mulher, mesmo que estivesse apenas tentando ajudar.
Era incomodo, porém, eu a entendia em parte, uma vez que estava claro para mim que ela não havia se recuperado ainda da perda da filha, foi muito abrupto, ela era muito nova e cheia de sonhos. Pensar que Sharon era tão nova quando perdeu sua vida me angustiava pois, assim como eu, era uma moça cheia de sonhos e objetivos, mas que foi impossibilitada de os concretizar. E eram nesses momentos que me questionava onde raios estava a recompensa após o esforço que tanto aprendemos na infância assistindo aos contos de fadas.
No fim, penso que o final feliz nem sempre acontece.
“Acho que isso se aplica a mim também...” Pensava comigo mesma desanimada enquanto caminhava pelas calçadas desgastadas, era um pensamento melancólico, porém, não podia deixar de cogitar a ideia de que meu “príncipe encantado” talvez nem fosse meu.
Falando nele, quando cheguei ao ponto de ônibus, percebi que havia algumas mensagens suas ainda não lidas. Franzi as sobrancelhas, achando estranho ele querer falar comigo assim do nada, então, abri o aplicativo para descobrir do que se tratava, e para a minha surpresa, ele estava de volta ao estado, planejando jantar comigo.
Como todas as outras vezes, ele vinha do nada, planejando ir embora da mesma forma, e como uma adolescente apaixonada, eu corria ao seu encontro. Contudo, dessa vez, eu estava pronta para ouvir suas respostas ao meu questionamento, então decidi que, se ele realmente fosse casado, esse seria o nosso último encontro.
Sugeri que nos encontrássemos em minha casa, eu mesma iria preparar nosso jantar e ele concordou, parecendo não perceber nada de diferente em minhas palavras. Pensando nisso, na volta para o meu apartamento, passei em um hipermercado e comprei os ingredientes que precisaria para prepara nosso jantar.
Faltando cerca de uma hora para a sua chegada, o jantar já estava pronto, então decidi tomar um banho. Quando terminei, parei em frente ao espelho, tentando decidir o que usaria, passei a mão pelos meus cabelos esverdeados que começavam a desbotar novamente e suspirei, o que mais queria naquele momento era ouvir uma explicação dele para me sentir mais tranquila.
Coloquei um casaco de moletom branco que ficava bem folgado em mim, quase escondendo as minhas mãos e optei por um shortinho desfiado jeans. Completei meu visual com uma maquiagem leve e um pouco de perfume, em seguida, caminhei em direção à sala, sentando-me no sofá para esperar por Dylan.
Quando o relógio na parede marcou 22:00h, ouvi leves batidas na porta de entrada fazendo com que eu praticamente pulasse do estofado para ir atender. Respirei fundo, arrumando as minhas roupas enquanto sentia o nervosismo crescente e enfim, abri a porta, deparando-me com ele parado olhando para o chão.
Nossos olhos se encontraram e sem dizer uma única palavra, ele aproximou-se, colando os lábios aos meus, abraçando a minha cintura com força o suficiente para me erguer do chão. E novamente como uma tonta, esqueci completamente dos meus questionamentos, ficando com a mente em branco enquanto enroscava as pernas ao redor dele, sentindo o beijo se aprofundando, este que foi quebrado apenas quando ficamos ambos sem ar.
– Tão cheirosa... – Dylan sussurrou enfiando o rosto na curva entre o meu pescoço e o ombro, parecendo estar muito confortável naquela posição.
Não respondi, estava mais entretida em suas grandes mãos que entravam na parte de trás do meu moletom, erguendo-o. E de repente, ele sentou-se no sofá onde eu estava antes, pousando-me sobre seu colo ainda trabalhando em me causar arrepios gostosos, vez ou outra, sussurrava algo picante com os lábios rentes ao meu ouvido e fazendo questão de me mostrar o quanto estava excitado.
Senti seus dentes mordiscando levemente meu lábio inferior e suspirei ao sentir meu moletom sendo puxado para cima, dessa vez, sendo retirado e jogado em algum lugar qualquer que não me importei em descobrir naquele momento, ao invés disso, enlacei os braços ao redor de seus ombros, erguendo-me um pouco para que ele pudesse retirar meu short. Fiquei um pouco acanhada em ser a única despida, então antes que ele pudesse continuar seus planos, pedi que tirasse suas roupas também, e ele o fez.
Todo meu corpo se aquecia com seus toques, e a respiração ficava ofegante ao passo em que começávamos a nos movimentar, movi meu quadril sobre os seus, lentamente enquanto tentava me ajustar ao ângulo em que estávamos e quando finalmente encontrei a posição correta, arfei sentindo minhas pernas tremerem ao perceber que quase havia chegado ao clímax apenas com aquele pouco impacto. Dylan pareceu ter percebido isso pois, enlaçou um dos braços ao redor das minhas costas, pressionando meu corpo contra o seu e com a mão livre, agarrou meus cabelos enquanto arrancava-me o resto de fôlego que eu ainda tinha.
Sua barba por fazer roçou no meu rosto enquanto quebrava o beijo, apertando-me ainda mais e então, parecendo incomodado com a sua passividade – já que era eu a estar por cima –, virou-se sobre o sofá, deitando minhas costas no estofado e encaixando-se entre as minhas pernas.
A partir desse momento eu já não sabia sequer onde estava, minha mente tornou-se um borrão branco e apenas deixei-me inebriar pelo prazer que consumia o meu corpo inteiro, quase gritando quando finalmente cheguei ao clímax, cruzando as pernas ao redor do quadril dele e cravando as unhas em suas costas.
Alguns minutos se passaram, ainda meio entorpecida e lembro apenas de ouvi-lo rir baixo enquanto comentava algo sobre ter acabado mais rápido do que queria, franzi as sobrancelhas para ele, encarando-o “feio” e me vi obrigada a fazer uma reclamação leve.
– Não se atreva a querer outra rodada antes mesmo de eu recuperar o fôlego... – Resmunguei esticando o pé para empurrá-lo.
– Sim, senhora! Dylan concordou sorrindo de canto, em seguida, inclinou-se dando-me um selinho antes de me erguer em seus braços. – Vamos tomar uma ducha...?
Balancei a cabeça positivamente em concordância, e apenas deixei-me ser carregada para o banheiro, onde preparamos a banheira com água morna. Dylan sentou-se na borda, puxando-me para relaxar em seus braços e então soltei um suspiro fechando meus olhos.
– Pensei que estivesse irritada... – Dylan comentou de repente, mostrando que, diferente do que eu pensava, havia percebido sim o incômodo na minha voz.
– Tem realmente algo me incomodando há um tempo! Respondi tomando coragem, e sem conseguir encará-lo, decidi que era agora ou nunca. – Você é casado?
– Não! Ele respondeu, tão rápido e sem titubear que pareceu realmente sincero.
E depois de alguns minutos de silencio entre nós dois, ele enfim, tomou uma atitude, puxando-me para que virasse de modo que nossos olhos se encontraram. Enquanto me encarava fixamente, retirou os fios úmidos que grudavam na minha testa, cobrindo a minha visão, em seguida, beijou os meus lábios, apenas um selinho singelo.
– Realmente acha que eu faria algo assim? Perguntou arqueando uma sobrancelha e seu semblante mudou para uma expressão séria. – Sou fiel a você, deveria saber disso.
– Como poderia não pensar assim? Questionei em tom de resmungo, estava começando a ficar irritada. – Quando você aparece do nada e some do mesmo jeito, o que faz parecer para você?
– Ah caralh*! Dylan xingou esfregando as têmporas com os olhos fechamos, e depois de alguns segundos assim, ergueu o rosto para me encarar mais sério ainda. – Preciso que confie em mim, eu não sou casado, e sobre essas circunstancias, faço isso para manter você em segurança.
– Como assim? Perguntei preocupada, percebendo que o rumo da conversa não era nada bom, e ele parecia querer me contar a verdade, mas não poder.
– Olha, é sobre trabalho... – Ele sussurrou enquanto colava a testa à minha. – Eu ainda não posso te contar, mas responderei todas as suas perguntas quando tudo tiver terminado...
Havia um tom de “se” em suas palavras, fazendo meu peito apertar pois, era como se ele estivesse se despedindo e isso realmente me deixou com medo, fazendo-me pensar que tipo de trabalho nos colocaria em tanto risco.
Depois de tudo o que aconteceu, precisei ficar alguns dias internada no hospital para tratar uma inflamação no estomago causada pelos socos, como estava medicada a maior parte do tempo, não sentia dor, mas a angustia em não poder ver Dylan era o pior. Ele havia passado por cirurgias por cauda das facadas, sua parceira de ação, Hanna, havia me visitado, contando sobre seu estado de saúde que era estável, mas não conseguiu me acalmar. Mari passava a maior parte do tempo ao meu lado, tendo que ser praticamente expulsa pelos médicos, quando o horário de visita acabava, o que sempre me fazia rir de suas carinhas de cachorro sem dono dela. Meus pais eram outros que sempre estavam por perto, não queria contar para eles sobre o incidente, inicialmente, para não os preocupar, mas depois de um tempo, percebi que seria pior se descobrissem depois. Tenho feito muito, mesmo estando presa naquele hospital, trabalhei em meu romance, usando como base o manuscrito que fiz na noite de bebedeira, e não
Devo ter desmaiado em algum momento pois, quando acordei estava dentro de um galpão escuro, ouvia choros, havia muitas mulheres que pareciam jovens ao meu redor, o ambiente estava muito quente, e a única luminosidade vinha de uma porta de metal entreaberta. Quando meus olhos finalmente se acostumaram à penumbra, percebi a presença de Sophia, fazendo meu sangue ferver.Gritei me estatelando no chão empoeirado, e a xinguei de todos os nomes que me vieram à cabeça, como meus braços estavam amarrados para trás, a única coisa física que consegui fazer foi chutar as grades que nos prendiam. Estávamos dentro de uma maldita gaiola.As outras moças começaram a chorar ainda mais, fitei seus rostos joviais por sobre a penumbra, percebendo que eram muito novas, e fiquei ainda mais enojada por uma mulher ser capaz de participar de algo tão hediondo.– Não gas
Azárya Depois de três dias, tendo me acertado com meus pais e reencontrado alguns dos meus antigos educandos, percebi que precisava retomar minha vida acadêmica, ou acabaria reprovando, então, depois de uma choradeira e promessas de que passaria o natal com eles, voltei para Nova York, sendo recebida na rodoviária por um abraço caloroso de Mari. – Tenho tanto para te contar... – Murmurei sorrindo enquanto a acompanhava, ajeitei a alça da mochila sobre o ombro e suspirei feliz. – Sinto que tirei um peso das minhas costas depois de conversar com a minha mãe, agora ela e meu pai já sabem de tudo, e resolvi minha situação com Neuza também. Mari ouvia tudo, balançando a cabeça em concordância, e ao ouvir sobre meu desfecho de novela mexicana com a ex-diretora, soltou alguns palavrões, mas ainda assim, continuou ouvindo e rindo com meus comentários. – Cadê minha pipoca? Ela questionou retoricamente, ainda divertindo-se muito com o que ouvia,
DylanO dia estava escaldante naquela manhã de verão, e para piorar a situação, eu ainda precisava ficar a postos no estacionamento perto dos carros, sendo que a lataria quente deixava tudo ainda pior. Olhei ao entorno, sentindo que estava apertando a mandíbula involuntariamente, procurei por um cigarro em meus bolsos, mas não encontrei nenhum, o que apenas me deixou ainda mais ansioso. Gale, há alguns metros de distância, parecia me observar em silencio, o que estava em sua mente era óbvio: ele não confiava em mim.Eu estava ciente disso desde a primeira vez que o vi, porém, dessa vez, ele não estava fazendo o menor esforço para esconder.Fui tirado dos meus devaneios quando uma chave foi jogada em minha direção, voltei meus olhos para Scar que havia acabado de sair de dentro do galpão e esperei suas ordens, já podendo imaginar que tratava-se de
Azarya...Os desmaios não são como nos filmes, durante os quais se fica desacordado por horas, pelo contrário, foi muito mais rápido do que imaginei, e quando voltei a mim, ainda estava na igreja, sendo amparada pelo marido de Neuza, que inclusive não consigo recordar o nome de jeito nenhum, ele me segurava com cuidado, seu rosto lívido de preocupação enquanto a minha irmã – tão apavorada quanto ele –, usando um pano embebido em álcool, tentava me acordar.Senti-me no chão, atordoada e precisei de alguns minutos para enfim, processar o que estava acontecendo à minha volta. Minha estava chorando alto, sendo amparada pela minha mãe que ostentava uma expressão lívida, como se seu cérebro tivesse travado, não sei se por causa do escândalo com a tão “cristã” mãe de família e coordenadora do gr
Estar com a família de Christopher fez com que eu pensasse cada dia mais sobre a minha, quando eu cheguei em casa naquele dia, depois de ir para o trabalho, sentei-me no sofá pensando se Noah dormiria na casa do namorado aquela noite. Não conversamos muito, fazemos as tarefas domésticas que separados para cada um, e organizamos as contas, mas tirando isso, quase nunca temos contato. Fiquei meu celular, tomando coragem para m****r mensagem novamente para o meu irmão, e depois de algum tempo, finalmente mandei uma mensagem para Matteo, perguntando como ele estava, e para a minha surpresa, a resposta foi imediata novamente, dessa vez, fazendo uma ligação. De repente, como uma epifania, percebi o quanto fui imaturo e cruel, tomando coragem para atenção a chamada, afim de me desculpar corretamente, mas antes, desatei em lágrimas como um idiota. – Eu percebi que você apagou as fotos com Thomas, vocês brigaram? Matteo questionou sua voz tomando um tom séri







