LOGINCapitulo 19 – Uma compreensão...
Com o tempo, meu relacionamento com Dylan foi se desenvolvendo, saímos nos fins de semana, e às vezes, eu até dormia em sua casa, na verdade, ele morava em um condomínio próximo, então, não tínhamos problemas com distância. E ao passo que esse processo ia acontecendo, percebi que eu mesmo estava crescendo psicologicamente, tornando-me mais maduro e seguro das minhas escolhas. Foi nesse ponto que percebi o quanto havia sido dependente de Thomas, sendo justamente isso que, em parte, destruiu nosso namoro.
A verdade era que, depois da discussão feia que tive com meus pais e a decisão precipitada de ir morar com ele, além da dependência, tornei ele minha única ocupação, sendo que nem sequer estava trabalhando na época pois, ainda recebia mesada. Olhando para trás, é vergonhoso ter continuado recebendo dinheiro dos meus pais depois de cortarmos laços.
Quando acordei naquela manhã, o clima estava ameno, abri as janelas, fitando as pessoas que passavam na rua e suspirei sentindo o cheiro bom das flores que começavam a desabrochar, era primavera. E por mais clichê que fosse, aparentemente, a primavera “emocional e amorosa” havia chegado à minha vida, então clichê ou não, eu estava muito feliz.
Enquanto me arrumava para ir ao trabalho, fitei meu reflexo no espelho, percebendo que além do sorriso que não conseguia tirar do meu rosto, as olheiras haviam sumido e a pele parecia muito mais saldável. Desde que eu comecei meu tratamento psicológico, não havia usado uma única roupa escura, e sequer as deixei de fácil alcance, então, assim como havia planejado, coloquei uma camiseta branca e jeans, sem jaqueta pois, a previsão do tempo indicava calor.
Quando cheguei ao estúdio, ainda comendo algumas das uvas que havia comprado e lavado na feirinha mesmo, a dona da quitandinha aparentemente, costumava andar com produtos higienizadores para chamar a atenção de clientes oportunos como eu. Sentei-me no hall de entrada, ainda era cedo, e fui distribuindo as frutas ao passo em que o pessoal ia chegando.
– Não aguento mais ver maçãs... – Sammy comentou rindo e sussurrando como se fosse um segredo, sua voz abafada pelas uvas que enfiava na boca.
– Eu gosto do fato de serem orgânicas... – Murmurei olhando para a avenida onde as pessoas passavam apressadas, cuidado de suas próprias vidas.
– Aliás... – Sammy sussurrou de repente, e aproximou-se, fixando os olhos nos meus. – Você não me disse se gostou do aplicativo de namoro. – Não me diga que desinstalou?
– Sim, eu desinstalei! Respondi em concordância, voltando a comer minhas uvas.
Não era exatamente mentira, eu realmente havia desinstalado depois que Christophe fez o mesmo, já que estávamos saindo, então, não precisamos mais de algo como aquilo, sem contar que ele não queria o manter de qualquer forma, havia sido um acaso.
– Fofocando, hein! Izzy exclamou surgindo de repente por minhas costas, me assustando, mas logo esboçou um sorriso divertido enquanto pegava algumas uvas.
– Que susto... – Murmurei fingindo um pouco de drama, e até coloquei a mão sobre o peito. – Admita, você ‘tá’ testando o meu coração, não é?
Ela riu, lançando-me uma piscadela e então subiu os poucos degraus, onde estávamos sentados, para abrir as portas cor de ébano do estúdio. Ri também, aparentemente, havíamos chegado àquele ponto de intimidade, fazíamos brincadeiras e ficávamos confortáveis com a presença uns dos outros.
Alice foi a última a chegar, trazendo consigo uma melancia de tamanho generoso, não sabia o que havia acontecido, mas era evidente que todo mundo naquele estúdio estava adorando a estação que havia acabado de entrar. Sentamos todos ao redor da mesinha que ficava na cozinha e começamos a comer aquela fruta adocicada enquanto riamos de situações do cotidiano. Fazia apenas dois meses que eu estava trabalhando naquele lugar, mas já tínhamos muitas memórias em comum.
– Sabe, sinto que nosso trabalho está mais produtivo depois que te contratamos... – Alice comentou depois de alguns minutos em silencio, apenas remexendo em sua melancia, retirando os caroços um por um, apenas nos ouvindo.
– Tem razão! Izzy concordou dando uma mordida generosa em sua fatia, sem se importar com os caroços. – De certa forma, ter que ensinar um estagiário todo atrapalhadinho nos ajudou a esquecer um pouco nossas próprias arrogâncias.
Fiquei com vergonha ao ouvir aquele comentário, eu tinha plena consciência do quanto era atrapalhado, tropeçando nos cabos e quase derrubando as estantes, porém, não pensei que elas gostassem tanto da minha presença.
– Fico feliz em ouvir isso... – Murmurei quase gaguejando.
– Eu ‘tô’ pensando em te promover também... – Izzy explicou esboçando um sorriso divertido. – Estude um pouco mais sua arte de desenho porque você vai começar a auxiliar também.
– Muito obrigado pela oportunidade! Agradeci rapidamente, ouvindo minha voz soar mais alto do que planejava. – E já que estamos falando disso, creio que meu design já tenha melhorado um pouco.
Era uma boa oportunidade pois, ganhando experiencia suficiente, eu poderia criar as minhas próprias ilustrações e roteiro original. Sorri, agradecendo novamente, e comecei a ficar muito animado com a ideia de criar a minha própria história futuramente, eu ainda não diria, ficava tímido, mas já começava a pensar em alguns temas.
– Bom, melhor retomarmos o trabalho! Alice exclamou de repente erguendo-se, e me lançou um sorriso sereno. – Pode começar passando alguns esboços a limpo hoje.
Concordei, balançando a cabeça positivamente e a segui.
Havia muita coisa a aprender ainda, então praticamente grudei nelas, analisando e às vezes, até anotando algumas observações de coisas que eu poderia fazer para melhorar meu próprio desenho. Foi assim que passamos toda a manhã, e como meu trabalho era apenas de meio período, próximo ao horário do almoço, me despedi e me preparei para ir embora pois, ainda teria aula no período da tarde.
Enquanto caminhava pela calçada, ouvi meu celular vibrando dentro da minha bolsa, procurei por ele, e quando o encontrei, notei que era uma ligação de Christophe, aparentemente, ele estava por perto, sugerindo que almoçássemos juntos. Concordei prontamente, e combinamos de nos encontrar dentro de alguns minutos.
Quando finalmente nos encontramos, ele sorriu gentilmente, puxando-me para perto, mas não me beijou, sabia que eu morria de vergonha dessas coisas, sem contar o inconveniente que seria caso algum homofobic* desocupado nos visse.
Christophe possuia uma maturidade que me fazia querer ser mais adulto também, nossa diferença de oito anos de idade não fazia tanta diferença para mim, porém, logo percebi seu cuidado, entendendo que se devia a sua preocupação em "me instruir" a viver melhor na sociedade em que estávamos inseridos, um hábito que eu já havia percebido nele desde que me contou sobre sua profissão. Ele era curador de um grande museu, mas também dava aulas em uma escola de artes clássicas.
Por pouco não virei seu aluno.
Depois de tudo o que aconteceu, precisei ficar alguns dias internada no hospital para tratar uma inflamação no estomago causada pelos socos, como estava medicada a maior parte do tempo, não sentia dor, mas a angustia em não poder ver Dylan era o pior. Ele havia passado por cirurgias por cauda das facadas, sua parceira de ação, Hanna, havia me visitado, contando sobre seu estado de saúde que era estável, mas não conseguiu me acalmar. Mari passava a maior parte do tempo ao meu lado, tendo que ser praticamente expulsa pelos médicos, quando o horário de visita acabava, o que sempre me fazia rir de suas carinhas de cachorro sem dono dela. Meus pais eram outros que sempre estavam por perto, não queria contar para eles sobre o incidente, inicialmente, para não os preocupar, mas depois de um tempo, percebi que seria pior se descobrissem depois. Tenho feito muito, mesmo estando presa naquele hospital, trabalhei em meu romance, usando como base o manuscrito que fiz na noite de bebedeira, e não
Devo ter desmaiado em algum momento pois, quando acordei estava dentro de um galpão escuro, ouvia choros, havia muitas mulheres que pareciam jovens ao meu redor, o ambiente estava muito quente, e a única luminosidade vinha de uma porta de metal entreaberta. Quando meus olhos finalmente se acostumaram à penumbra, percebi a presença de Sophia, fazendo meu sangue ferver.Gritei me estatelando no chão empoeirado, e a xinguei de todos os nomes que me vieram à cabeça, como meus braços estavam amarrados para trás, a única coisa física que consegui fazer foi chutar as grades que nos prendiam. Estávamos dentro de uma maldita gaiola.As outras moças começaram a chorar ainda mais, fitei seus rostos joviais por sobre a penumbra, percebendo que eram muito novas, e fiquei ainda mais enojada por uma mulher ser capaz de participar de algo tão hediondo.– Não gas
Azárya Depois de três dias, tendo me acertado com meus pais e reencontrado alguns dos meus antigos educandos, percebi que precisava retomar minha vida acadêmica, ou acabaria reprovando, então, depois de uma choradeira e promessas de que passaria o natal com eles, voltei para Nova York, sendo recebida na rodoviária por um abraço caloroso de Mari. – Tenho tanto para te contar... – Murmurei sorrindo enquanto a acompanhava, ajeitei a alça da mochila sobre o ombro e suspirei feliz. – Sinto que tirei um peso das minhas costas depois de conversar com a minha mãe, agora ela e meu pai já sabem de tudo, e resolvi minha situação com Neuza também. Mari ouvia tudo, balançando a cabeça em concordância, e ao ouvir sobre meu desfecho de novela mexicana com a ex-diretora, soltou alguns palavrões, mas ainda assim, continuou ouvindo e rindo com meus comentários. – Cadê minha pipoca? Ela questionou retoricamente, ainda divertindo-se muito com o que ouvia,
DylanO dia estava escaldante naquela manhã de verão, e para piorar a situação, eu ainda precisava ficar a postos no estacionamento perto dos carros, sendo que a lataria quente deixava tudo ainda pior. Olhei ao entorno, sentindo que estava apertando a mandíbula involuntariamente, procurei por um cigarro em meus bolsos, mas não encontrei nenhum, o que apenas me deixou ainda mais ansioso. Gale, há alguns metros de distância, parecia me observar em silencio, o que estava em sua mente era óbvio: ele não confiava em mim.Eu estava ciente disso desde a primeira vez que o vi, porém, dessa vez, ele não estava fazendo o menor esforço para esconder.Fui tirado dos meus devaneios quando uma chave foi jogada em minha direção, voltei meus olhos para Scar que havia acabado de sair de dentro do galpão e esperei suas ordens, já podendo imaginar que tratava-se de
Azarya...Os desmaios não são como nos filmes, durante os quais se fica desacordado por horas, pelo contrário, foi muito mais rápido do que imaginei, e quando voltei a mim, ainda estava na igreja, sendo amparada pelo marido de Neuza, que inclusive não consigo recordar o nome de jeito nenhum, ele me segurava com cuidado, seu rosto lívido de preocupação enquanto a minha irmã – tão apavorada quanto ele –, usando um pano embebido em álcool, tentava me acordar.Senti-me no chão, atordoada e precisei de alguns minutos para enfim, processar o que estava acontecendo à minha volta. Minha estava chorando alto, sendo amparada pela minha mãe que ostentava uma expressão lívida, como se seu cérebro tivesse travado, não sei se por causa do escândalo com a tão “cristã” mãe de família e coordenadora do gr
Estar com a família de Christopher fez com que eu pensasse cada dia mais sobre a minha, quando eu cheguei em casa naquele dia, depois de ir para o trabalho, sentei-me no sofá pensando se Noah dormiria na casa do namorado aquela noite. Não conversamos muito, fazemos as tarefas domésticas que separados para cada um, e organizamos as contas, mas tirando isso, quase nunca temos contato. Fiquei meu celular, tomando coragem para m****r mensagem novamente para o meu irmão, e depois de algum tempo, finalmente mandei uma mensagem para Matteo, perguntando como ele estava, e para a minha surpresa, a resposta foi imediata novamente, dessa vez, fazendo uma ligação. De repente, como uma epifania, percebi o quanto fui imaturo e cruel, tomando coragem para atenção a chamada, afim de me desculpar corretamente, mas antes, desatei em lágrimas como um idiota. – Eu percebi que você apagou as fotos com Thomas, vocês brigaram? Matteo questionou sua voz tomando um tom séri







