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Reivindicada pelo irmão alfa do meu noivo Traidor
Reivindicada pelo irmão alfa do meu noivo Traidor
Author: Karol Dark

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Author: Karol Dark
last update publish date: 2026-10-02 17:06:09

Não um azul qualquer, mas um tom profundo de meia-noite, escolhido a dedo pela minha mãe antes que a lua cheia daquele mês se erguesse no céu. Ela disse que combinava com meus olhos, que me fazia parecer uma verdadeira filha de Beta. Passei horas diante do espelho, ajustando o tecido que escorria pelos meus ombros como água, tentando encontrar alguma beleza na imagem refletida. Meus cabelos escuros estavam soltos em ondas que caíam até a cintura, e eu havia prendido uma pequena tiara de prata no alto da cabeça — a mesma que minha avó usara em sua cerimônia de acasalamento, décadas atrás.

Eu queria estar bonita. Não para a alcateia, não para as centenas de olhos que eu sabia que estariam sobre mim naquela noite. Eu queria estar bonita para Derek.

Meu noivo. O futuro Alfa da Alcateia da Lua Prateada. O homem que, desde que eu tinha memória, era o centro do meu universo. Eu cresci observando-o de longe, os olhos arregalados de uma criança que via no filho do Alfa algo parecido com uma divindade. Ele era alto, moreno, com olhos castanhos que brilhavam sob a lua como âmbar derretido. Quando ele sorria, o mundo inteiro parecia girar em torno dele. E quando nossos pais selaram nosso noivado, quando eu tinha apenas treze anos, eu chorei de alegria. Não porque eu entendia o que aquele acordo significava politicamente, mas porque significava que Derek seria meu. Para sempre.

É claro que, na época, eu não entendia que "para sempre" poderia ser um fardo. E que Derek não via nosso noivado como um presente, mas como uma sentença.

A porta do meu quarto rangeu, e eu me virei, esperançosa. Derek estava parado na soleira, os braços cruzados sobre o peito largo, os olhos percorrendo-me de cima a baixo com uma expressão que eu não conseguia decifrar. Por um momento, meu coração disparou. Ele ia me elogiar. Ele ia dizer que eu estava bonita. Ele ia...

— Você ainda não está pronta? — A voz dele era dura, sem qualquer calor. — A festa começa em uma hora, e eu não vou me atrasar por sua causa.

A esperança esvaiu-se como fumaça. Eu engoli em seco, forçando um sorriso que não alcançou meus olhos.

— Estou quase pronta, Derek. Só preciso... — Comecei a me virar para pegar o xale que combinava com o vestido, mas ele me interrompeu com um gesto impaciente da mão.

— Não me faça esperar. — E então, sem mais uma palavra, ele se virou e foi embora, deixando a porta aberta e o eco de seus passos pesados ressoando pelo corredor.

Eu respirei fundo, sentindo o familiar aperto no peito. Ele estava apenas estressado, eu disse a mim mesma. A formatura era um evento importante — a cerimônia que marcava a transição dele de herdeiro para Alfa interino, pronto para assumir o comando quando seu pai, o Alfa Robert, se aposentasse. Ele tinha muito em sua mente. E eu... bom, eu era apenas uma parte do pacote. A filha do Beta, a prometida sem lobo, a sombra que ele carregava por obrigação.

Eu peguei o xale e o amarrei sobre os ombros, verificando meu reflexo uma última vez. Os olhos que me encaravam de volta pareciam apagados, sem vida. Uma loba sem lobo. Era isso que eu era. A aberração que os deuses da lua haviam esquecido de abençoar.

A Festa da Colheita era realizada no grande salão da sede da alcateia, um espaço imenso com vigas de madeira expostas e janelas que se abriam para os jardins iluminados por centenas de lanternas flutuantes. Quando cheguei, o lugar já estava lotado. Os membros da alcateia — lobos e lobas de todas as idades — enchiam o salão com suas conversas animadas e risadas que pareciam ecoar nas paredes. O cheiro de comida quente e flores silvestres impregnava o ar, misturando-se ao aroma inconfundível de lobo, terra e seiva.

Eu me movi pela multidão com a cabeça baixa, tentando não chamar atenção. Não era difícil. Em uma alcateia de centenas, eu era apenas mais um rosto esquecível. As pessoas passavam por mim sem olhar duas vezes, e quando o faziam, era com uma indiferença que doía mais do que qualquer insulto. Eu não era ninguém. A filha do Beta que não merecia o título, a noiva do futuro Alfa que não merecia o homem.

Derek estava em algum lugar, eu sabia. Ele havia chegado antes de mim — de carro, sem esperar que eu terminasse de me arrumar — e eu o vi de longe, parado no centro de um grupo de jovens lobos que riam de algo que ele dizia. Ele parecia radiante, o centro das atenções, como sempre. Meu peito apertou-se com uma mistura de admiração e dor. Ele era tão bonito. Tão poderoso. Tão... distante.

Eu me aproximei devagar, o coração batendo forte. Talvez, se eu chegasse perto o suficiente, ele me notasse. Talvez ele sorrisse para mim, me puxasse para o lado dele, me apresentasse como sua noiva. Talvez, naquela noite, ele finalmente me visse.

— Olha só quem resolveu aparecer. — A voz cortante veio da minha esquerda, e eu me virei para encontrar Aisha, parada com um grupo de amigas, todas com sorrisos maldosos nos rostos. Ela era linda — loira, alta, com olhos verdes que brilhavam como esmeraldas. E ela era a principal rival do meu noivado com Derek, a loba que sempre deixava claro que achava que eu não merecia estar ao lado dele. — Achei que você ia ficar em casa, Anika. Não é como se alguém fosse sentir sua falta.

As amigas dela riram, e eu senti o calor subir às minhas bochechas. Eu apertei o xale com força, como se ele pudesse me proteger.

— Eu sou a noiva do Derek — respondi, tentando manter a voz firme. — É claro que eu viria.

Aisha ergueu uma sobrancelha perfeitamente desenhada, um sorriso cruel curvando seus lábios.

— Noiva? — Ela riu, um som agudo que parecia uma lâmina. — Ah, querida. Todos sabemos que esse noivado é apenas uma formalidade. Derek não te quer. Nunca te quis. Você é só uma... obrigação.

As palavras acertaram-me como flechas. Eu queria responder, queria dizer algo que a calasse, mas as palavras morreram na minha garganta. Porque ela estava certa. Todo mundo sabia. Derek não me queria. Ele nunca me quis.

Eu me afastei sem dizer nada, os olhos queimando com lágrimas que eu me recusava a derramar. Não ali. Não na frente deles. Eu não lhes daria essa satisfação.

Atravessei o salão, passando por grupos de lobos que conversavam e riam. Alguns olharam na minha direção, e eu os vi sussurrar atrás das mãos, os olhares cheios de piedade ou desdém. Eu ouvi fragmentos de conversas enquanto passava.

— ...coitada, ela nem tem lobo...

— ...Derek merecia alguém melhor...

— ...por que ela ainda usa aquele noivado como se fosse algo?

Cada palavra era uma faca. Eu apertei o passo, querendo apenas encontrar um canto onde pudesse me esconder, onde ninguém pudesse me ver. Mas eu precisava encontrar Derek primeiro. Precisava falar com ele, precisava... precisava de quê? Que ele me defendesse? Que ele me dissesse que não era verdade?

Eu o encontrei perto da varanda que dava para os jardins. Ele estava de costas para o salão, o corpo inclinado para frente, as mãos apoiadas no parapeito de pedra. Por um momento, meu coração se encheu de esperança. Talvez ele estivesse esperando por mim. Talvez ele tivesse vindo para cá para ficarmos sozinhos, longe da multidão.

Eu dei um passo à frente, abrindo a boca para chamá-lo. E então eu vi.

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