ANMELDENTheron falou:— A Casa Arvenor perde, a partir deste momento, todos os títulos administrativos dentro de Valcrest.O silêncio continuou.— Perde o controle de terras concedidas pela Coroa.Um dos membros da família soltou um som sufocado.Theron nem olhou.— Perde os direitos sobre reservas públicas, rotas de abastecimento, postos e contratos vinculados ao reino.Aldren começou a respirar mais rápido.— Todos os bens comprovadamente adquiridos com recursos desviados serão confiscados.Caleb permaneceu ao lado.Imóvel.Theron continuou.— Os responsáveis diretos serão exilados de Valcrest.Dessa vez, houve reação.Uma mulher nas cadeiras laterais chorou.Cassel virou o rosto.Um dos administradores soltou:— Supremo...Theron olhou para ele.O homem se calou imediatamente.— O exílio será permanente.As palavras caíram pesadas.— Nenhum condenado poderá retornar às terras de Valcrest sem autorização direta da Coroa.Aldren fechou os olhos.Theron ainda não havia terminado.— Os membros
O Salão do Julgamento estava cheio antes mesmo de Theron chegar.Representantes das Casas mais antigas de Valcrest ocupavam os assentos laterais, alguns rígidos demais, outros falando baixo entre si, todos atentos ao centro do salão.A notícia da prisão dos Arvenor havia corrido rápido.Rápido demais.Uma Casa antiga invadida ao amanhecer.Arquivos confiscados.Reservatórios lacrados.Administradores presos.O chefe da família levado às masmorras.Não era algo que pudesse ser escondido.Nem Theron pretendia esconder.Naquele dia, queria testemunhas.Queria olhos.Queria memória.As portas principais se abriram.O murmúrio cessou.Theron entrou.Caleb vinha alguns passos atrás.O Supremo não usava roupa cerimonial.Não precisava.A presença dele bastava.Vestia preto.O brasão de Valcrest preso ao peito.A espada na cintura.O rosto impassível.Quando atravessou o salão, todos se levantaram.Theron não olhou para nenhum deles.Subiu os degraus.Sentou-se.Só então fez um gesto.— Sente
Theron olhou.O jovem parou ao ver os soldados.Aldren ergueu a voz.— Não toquem nele.Caleb perguntou:— Nome?— Cassel Arvenor.Um soldado consultou a lista.— Consta entre os responsáveis pela administração de distribuição.Cassel empalideceu.Aldren virou-se.— Ele apenas assina relatórios.Theron olhou para o jovem.— Então poderá explicar cada assinatura.Cassel recuou.Dois soldados avançaram.— Não!A mãe dele desceu correndo.— Não levem meu filho!Ela tentou segurá-lo.Um soldado a afastou com cuidado.— Senhora, afaste-se.— Cassel!— Mãe!A criança do alto chorava.Aldren avançou.— CHEGA!O lobo voltou a ameaçar.Theron nem elevou a voz.— Controle seu lobo.A ordem atingiu o salão como ferro.Aldren parou.Seu peito subia e descia.Os olhos ainda carregavam o brilho da transformação interrompida.Theron ficou diante dele.— Não piore sua situação.— Minha casa foi invadida ao amanhecer.— Por ordem legal.— Minha família está sendo humilhada!— Sua família está responde
O dia ainda nem havia clareado por completo quando os primeiros cavaleiros de Valcrest surgiram na estrada.Não vinham em formação de cerimônia.Não carregavam estandartes abertos ao vento.Não havia trombetas.Nem aviso.Apenas homens armados.Muitos.A propriedade da Casa Arvenor ainda despertava.Criados acendiam os fogões.Guardas trocavam turno diante do portão.Algumas janelas permaneciam escuras.Outras começavam a receber a luz pálida da manhã.Durante gerações, aquela casa fora tratada como uma das mais respeitadas de Valcrest.Antiga.Rica.Influente.Uma família que gostava de lembrar a qualquer um que seus antepassados haviam servido à Coroa antes mesmo de muitos dos atuais conselheiros nascerem.Naquela manhã, nada disso importou.O comandante da tropa ergueu a mão.Os cavaleiros pararam.O guarda Arvenor do outro lado do portão franziu a testa.— Identifiquem-se.O comandante não desmontou.— Por ordem do Supremo Theron Ashborne, abram os portões.O homem hesitou.Olhou
Ela continuou lendo.A cada página, a situação piorava.Água pública desviada.Cargas adulteradas.Registros falsificados.Assinaturas de supervisores.Pagamentos.Valores entrando em contas ligadas à Casa.E, em meio a tudo aquilo, o nome de Oren Tavers aparecia novamente.Evelyn parou.— Ele ainda trabalha para eles.O Fantasma respondeu:— Vive numa propriedade menor ao norte das terras Arvenor.— E recebe pagamentos?Outro papel foi colocado diante dela.Evelyn leu.Sim.Recebia.Há anos.Não oficialmente.Mas recebia.Uma pensão disfarçada.Pagamentos feitos por intermediários.Pequenos o bastante para não chamar atenção isoladamente.Grandes o bastante para manter um homem confortável.Evelyn sentiu o sangue esquentar.O mesmo homem que aparecia nos registros que ajudaram a condenar sua família.O mesmo homem que fora promovido depois.O mesmo homem que continuava ligado à Casa Arvenor.Ela fechou os olhos por um instante.Não tinha ainda a prova completa da participação deles n
O silêncio que caiu na sala foi diferente.Agora havia direção.Darek conhecia aquela expressão.Conhecia Evelyn havia tempo suficiente para saber quando uma dúvida começava a virar decisão.Ele apoiou as costas na cadeira.— Achamos a primeira?Evelyn não respondeu.Pegou todos os documentos ligados à Casa Arvenor.Empilhou.Separou os nomes.Os cargos.As rotas.Depois escreveu numa folha limpa.Oren Tavers.Administrador regional.Responsável pelo abastecimento.Dois supervisores.Três depósitos.As rotas registradas.As datas das cargas desaparecidas.E mais abaixo:Propriedade Arvenor. Reservatórios privados. Arquivos administrativos. Livros de entrada e saída.Ward observou.— O que pretende fazer?Evelyn terminou de escrever.Darek já sabia.Ela levantou os olhos para ele.— Chame os Fantasmas.Tina ficou imóvel.Ward também.Darek não perguntou nada.Apenas se levantou.Caminhou até a janela.Abriu.O vento frio entrou na sala.Darek colocou dois dedos entre os lábios.Assobio







