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Capítulo 5

Author: BNLabaig
last update publish date: 2026-11-01 02:25:00

Helena Gryepe

"Que convite? Do que você está falando?"

Mariana abriu mais a porta e se afastou, dando passagem para que eu entrasse.

"Venha, irmãzinha. Você parece prestes a desmaiar. O que aconteceu? Foi o Windsor que fez isso com você?"

Ignorei a provocação e entrei. Minhas pernas mal me sustentavam, mas a dor que sentia não se comparava à confusão provocada pelo anel em seu dedo.

Na sala, duas taças estavam sobre a mesa, ao lado de um buquê de flores frescas. Tudo parecia preparado para uma comemoração.

Mariana indicou o sofá.

"Sente-se. Você está horrível."

"Não quero me sentar. Quero saber onde está Marlon. Ele deveria ter ido me buscar."

"Eu sei. Foi por isso que achei melhor deixar você entrar."

Ela se acomodou no sofá e ergueu a mão, admirando o diamante.

"Por que está usando esse anel?"

"Porque é meu."

Meu estômago se contraiu.

"Esse anel era do Marlon. Ele me prometeu que..."

"Que um dia se casaria com você?" Mariana soltou uma risada. "Pois é, querida. Ele se casou. Comigo."

Balancei a cabeça, recusando-me a aceitar aquelas palavras.

"Não. Isso é mentira."

Mariana se levantou, pegou uma fotografia emoldurada na estante e a colocou diante de mim.

Marlon aparecia ao lado dela, vestido com um terno escuro. Mariana usava um vestido de noiva, e ambos sorriam para a câmera diante de um altar.

O ar desapareceu dos meus pulmões.

"Quando?"

"No mesmo dia em que você foi entregue ao Windsor."

Olhei novamente para a fotografia. O terno era o mesmo que Marlon vestira naquela manhã. Enquanto eu acreditava que nosso casamento ainda era possível, ele estava se casando com minha irmã.

"Ele disse que precisava de mim", murmurei. "Disse que, depois do acordo, ficaríamos juntos."

"Meu Deus, Helena! Você realmente acreditou nisso?"

Mariana tomou a fotografia das minhas mãos.

"Enquanto você se sacrificava para ajudá-lo, ele estava comigo. Você foi útil para conseguir o que ele queria, só isso."

As lembranças se atropelaram na minha cabeça. Os encontros cancelados, as desculpas, os olhares que os dois trocavam quando pensavam que eu não estava prestando atenção. Durante anos, preferi acreditar que eram coisas da minha imaginação.

Agora, tudo fazia sentido.

"Quero falar com ele."

"Claro. Vamos ver o que ele tem a dizer a você, já que não quer acreditar em mim."

Mariana chamou um funcionário e mandou avisar Marlon que eu estava ali. Depois voltou ao sofá, satisfeita demais para alguém que acabara de destruir a própria irmã.

Poucos minutos depois, ouvi passos no corredor.

Marlon entrou, ajeitando os punhos da camisa. Quando me viu, parou.

"O que você está fazendo aqui?"

A pergunta me atingiu com mais força do que eu esperava.

"Eu cumpri minha parte!" Minha voz falhou, mas continuei. "Consegui os documentos que você queria. Fugi da mansão para voltar para você, e é isso que tenho que ouvir?"

Ele olhou para Mariana antes de voltar a atenção para mim.

"Você não deveria ter saído de lá."

"Você me disse que ficaríamos juntos depois que eu conseguisse as informações!"

"Eu disse que conversaríamos sobre isso."

"Não! Você me beijou e prometeu que ficaríamos juntos. Eu esperei sete anos por você, Marlon!"

Ele se aproximou, irritado.

"Eu mandei você permanecer na mansão até receber novas instruções. Era tão difícil obedecer?"

"Eu arrisquei tudo por você!"

"Então deveria ter feito o que mandei."

O tapa veio antes que eu pudesse reagir.

Meu rosto virou para o lado, e a ardência na bochecha me deixou imóvel. Levei a mão ao rosto, encarando o homem que, durante sete anos, imaginei que me amaria.

Marlon não demonstrou arrependimento.

"Como você consegue estragar tudo?", rosnou. "Não bastava seguir uma instrução simples?"

"Você me bateu..."

"Se tivesse ficado onde mandei, eu não precisaria lidar com esse drama!"

Mariana se aproximou e tocou o braço dele.

"Calma, meu amor. Não vale a pena se irritar por causa dela."

Meu olhar caiu sobre a mão da minha irmã, sobre o anel que eu deveria estar usando. Pela primeira vez, não senti vontade de disputar com ela a atenção de Marlon. Senti nojo de ambos.

"Eu vou embora. Espero nunca mais ter o desprazer de olhar na cara de vocês."

Mariana ergueu as sobrancelhas.

"Embora? E perder a oportunidade de compensar todo o transtorno que você causou?"

Não gostei do sorriso que surgiu em seu rosto.

"Eu que causei transtorno? Sério? Vocês me enganaram a vida toda, e eu que sou a errada aqui?"

"Você quebrou o acordo com o Windsor ao fugir. Se ele aparecer aqui, precisaremos explicar o que aconteceu. Enquanto isso, alguém precisa cuidar dessa casa."

Ela olhou para o uniforme de uma funcionária que passava pelo corredor.

"Você vai trabalhar aqui."

Fiquei olhando para ela, incrédula.

"Você enlouqueceu?"

"Deveria ter pensado nisso antes de correr atrás do meu marido."

Virei-me para Marlon, ainda esperando encontrar algum vestígio do homem que eu acreditava conhecer.

"Você não vai permitir isso, vai?"

Ele já estava olhando para o celular.

"Faça o que quiser com ela, Mariana. Só não me deixe mais ouvir essa voz. Estou cansado dos dramas da Helena."

Ele passou por mim sem olhar para trás.

Sete anos.

Eu havia passado sete anos esperando que ele me escolhesse. Agora, ele sequer considerava que eu merecesse uma explicação.

Mariana bateu palmas, chamando os seguranças.

"Levem-na para trocar de roupa. Quero a casa impecável até o jantar."

"Eu não vou ficar aqui!"

Tentei alcançar a porta, mas um dos homens segurou meu braço. O outro me agarrou pelo ombro quando tentei me soltar.

"Me larguem!"

Mariana se aproximou e me deu outro tapa.

"Chega de escândalo. Você escolheu o seu destino."

Fui arrastada pelo corredor até um pequeno cômodo de serviço. Entregaram-me um uniforme e ordenaram que eu trocasse de roupa. Quando me recusei, uma funcionária me empurrou contra a parede e acertou um golpe no meu estômago.

A dor me dobrou ao meio.

"É melhor colaborar", avisou ela.

Tentei passar pela porta, mas fui empurrada de volta. Com duas pessoas contra mim e ninguém disposto a ajudar, acabei vestindo o uniforme com lágrimas nos olhos.

Mariana me esperava do lado de fora.

"Agora, vamos ver se você consegue ser útil para alguma coisa."

Ela me levou até a sala e apontou para uma bandeja cheia de pratos e taças.

"Leve tudo para a cozinha, lave a louça e depois limpe o salão."

"Eu não vou fazer isso."

"Ah, vai sim, se não quiser que meus seguranças te deem uma lição."

Tentei passar por ela, mas Mariana me empurrou contra a mesa. As taças caíram e se espatifaram no chão.

Ela olhou para os cacos e sorriu.

"Vai limpar isso também."

"Você fez de propósito!"

O sorriso desapareceu de seu rosto.

"Está me chamando de mentirosa?"

Um dos funcionários segurou meus braços enquanto Mariana jogava um pano aos meus pés.

"Comece a limpar. E trate de aprender o seu lugar."

Ajoelhei-me para recolher os cacos. Uma das pontas cortou meu dedo, mas escondi a mão antes que alguém percebesse. Não daria à Mariana a satisfação de me ver implorar.

Passei o resto da tarde limpando a casa sob ordens e ameaças. Quando terminei, minhas costas doíam, minhas mãos estavam machucadas e eu mal conseguia manter os olhos abertos.

Em vez de me deixarem ir para um quarto, um funcionário me conduziu até uma escada estreita que descia para o porão.

"Você vai dormir aqui até aprender a se comportar."

A porta se abriu, revelando paredes úmidas, prateleiras e pilhas de carvão armazenadas para o sistema de aquecimento. Num canto, havia um colchão fino e um cobertor áspero.

"Não pode estar falando sério."

O homem apontou para o colchão.

"Você deveria agradecer por ter onde dormir."

Antes que eu pudesse responder, ele saiu e trancou a porta.

Corri até ela e bati com as duas mãos.

"Abra! Eu não posso ficar aqui!"

Ninguém respondeu.

Continuei chamando até minha voz falhar. Quando finalmente parei, o silêncio pareceu ainda mais cruel. O porão cheirava a carvão e umidade, e o frio atravessava minhas roupas.

Sentei-me no colchão, abracei os joelhos e deixei as lágrimas caírem.

Foi então que me lembrei de Conrado.

Das nossas conversas na biblioteca, das provocações que sempre terminavam em risadas e da maneira como ele me explicava suas pesquisas, mesmo quando eu fazia perguntas demais. Lembrei-me de seu sorriso quando eu conseguia compreender uma projeção e de como, apesar de toda a desconfiança, ele sempre me ouvia.

Até os pequenos cuidados, como perguntar se minha mão estava cicatrizando, ganharam outro significado naquela escuridão.

Marlon me oferecera promessas. Conrado, sem perceber, havia me oferecido algo muito mais precioso: a sensação de que eu importava.

Passei sete anos esperando que Marlon me amasse, enquanto, nas últimas semanas, eu começava a descobrir como era ser cuidada de verdade. E o mais assustador era perceber que já não queria apenas a atenção de Conrado. Queria suas conversas, suas risadas, sua presença. Queria estar perto dele.

Talvez aquilo fosse amor. Talvez eu estivesse apenas começando a aprender a amá-lo.

E eu havia traído a confiança dele.

Fechei os olhos, sentindo a culpa pesar tanto quanto o frio. Eu roubara seus documentos para um homem que nunca me amara e ignorara o carinho daquele que começava a conquistar meu coração.

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