LOGINUma voz feminina, muito suave e doce, cantava uma canção. A melodia vinha de um jardim, com belas árvores pequenas e frondosas, muitas plantas de várias espécies, plantadas em vasos ou diretamente no chão. Elas eram dispostas formando caminhos com pedras achatadas de duas a duas até chegar em um lugar mais aberto, cheio de roseiras de várias cores. Lá estava a dona da linda voz. Sentada ao chão, usava um grande chapéu para lhe proteger do sol e com uma pequena pá, mexia na terra em volta das roseiras.
— “A renda de tua saia
Vale bem cinco mil réis
Arrasta mulata a saia
Que eu te dou cinco e não dez
Isso é bom isso é bom isso é bom que dói
Isso é bom isso é bom isso é bom que dói…”
— Bu!!! — Um homem veio por trás dela e a surpreendeu.
— Ai, seu bobo. — Ela sorriu, e aceitou seu beijo de desculpas.
— Depois de mais de um século, ainda lembra dessa música milady?
— Foi logo que chegamos a esta terra linda, me apaixonei por tudo aqui.
— Disse a mesma coisa quando chegamos a Londres, Paris, Veneza, Marrocos e claro, a linda e inesquecível Grécia. — O homem, com os punhos fechados, levantava um dedo para cada lugar que lembrava.
— Se arrepende de não viajar mais, como antes? — A mulher olhou com uma expectativa amedrontada para o homem que ainda estava imaginando esses lugares.
— Como poderia? Phílos e Gaia é a melhor coisa que já nos aconteceu. — Ele abriu um largo sorriso ao lembrar dos filhos.
— Sim, são nossas bênçãos! — A mulher levantou com a ajuda do marido. Guardo belas lembranças desses lugares, mas nenhum me chamou a atenção quanto o carisma que as pessoas dessa terra.
— Foi o que você falou quando decidimos ter nossos bebês aqui.
— Falando em bebês, onde estão os pestinhas?
— Chegaram da escola há pouco, estão lanchando. Perguntaram por você.
O casal entrou em uma linda casa de dois andares, passando por uma imensa porta de vidro corrediça e avistaram as duas lindas crianças que a pouco falavam. Estavam devorando uma salada de frutas, sentados na mesa de madeira que ficava no meio da cozinha muito bem planejada.
— Como foi na escola? — Perguntou a mãe para a menina de cabelos presos nas laterais da cabeça formando dois rabos de cavalos.
Seus olhinhos verdes e brilhantes olharam para a mulher e se arregalaram para falar a notícia:
— Mãe, eu tirei nota dez no dever de casa, sabe… — Parou para colocar mais uma colherada na boca. — Aquele resumo…
— Calma mocinha! Ou fala ou come, mastiga primeiro e me conta depois.
A menina mastigou mais rápido e quase engasgou ao engolir com rapidez para contar logo o seu feito.
— O resumo do livro “Lívia na fazenda encantada”.
— Muito bem, estou orgulhosa de você.
— E você, meu príncipe?
— Eu coloquei meleca de nariz na cadeira do Tiago e ele sentou em cima. — O garoto nem esperou a reação da mãe, caiu em uma gargalhada se divertindo novamente com o grande feito do dia de aula.
Flavian chamou o casal de filhos para se despedirem pois estava indo trabalhar. Ele era cirurgião chefe no hospital da cidade. Não tinha um horário fixo de trabalho, o que atrapalhava vários programas em família, mas acabaram se adaptando pois o salário era muito rentável.
Ele e Asher se conheceram em 1705 no casamento secreto do príncipe Jorge II da Grã-Bretanha e Carolina de Ansbach. Flavian era um dos pouquíssimos convidados, era amigo do príncipe que estava prometido a outra pessoa, a princesa Edvirges da Suécia, mas depois que o amigo fez uma visitinha ao rei, este mudou de ideia e quis que o filho se casasse por amor. Na cerimônia Flavian viu uma linda donzela de olhos negros e penetrantes, sentiu sua energia e imaginou porque não havia notado sua presença na região, já que era uma Strix.
— “Foi porque cheguei a pouco, senhor.” — A moça respondeu sua dúvida e o surpreendeu ao entrar em sua mente.
— “E posso saber que ventos me trouxeram tal tamanha formosura?” — Ficou intrigado com o fato dela ter o poder de invadir seus pensamentos, mas mais ainda de ser tão compatível com sua energia.
Tinham Strix que viviam séculos e nunca encontrava energias compatíveis. Ele havia conhecido outros casais entre as comunidades que visitou pelo mundo e pensava que era incrível ter uma ligação como a que eles descreviam. Será que finalmente chegou sua vez?
Os dias foram se passando e eles não se separavam mais, conversavam sobre todo tipo de assunto, quanto mais Flavian conhecia Asher mais se conectava, era muito maior o poder daquilo que sentia do que podia imaginar.
Asher sentia o mesmo, mas não demonstrava tanto quanto o rapaz. Ela sempre quis um parceiro para compartilhar suas ambições, mas precisava ir devagar para não assustar seu pretendente. Depois de muitos bailes e piqueniques eles resolveram falar na assembleia sobre a decisão de se unirem. Asher falou sobre o desejo de ser mãe e isso era sua maior ambição, sabia que quando isso acontecesse, perderia todos seus poderes, inclusive a imortalidade. Por isso não era simples só encontrar o parceiro ideal, ele tinha que concordar em unir suas energias e depois passarem para seus filhos.
— “Milady, com você ao meu lado, ficaria plenamente feliz em dar continuidade ao nosso amor através de uma criança.”
E para surpresa de ambos, em um caso raríssimo, vieram gêmeos, Phílos e Gaia.
— ÚLTIMA CHAMADA PARA SETOR B!!! — o alto-falante da prisão, anunciava o final da jornada de passeio no pátio daquele dia.— Prisioneira T77, Dra.Flor a aguarda. — Antes que a moça entrasse na cela, uma guarda a alertou.— A hora mais feliz do meu dia. — Uma moça de lindos cabelos cacheados e compridos, pele morena, jambo e traços simétricos; respondeu com tom de ironia e sarcasmo.O consultório era dividido por um vidro “fortificado”, não somente em termos comuns. De um lado um belo escritório clássico, com mesa, estantes e muitos livros. Nele uma mulher muito elegante, sentada em uma cadeira com um notebook em mãos, esperava sua paciente das 17h.Do outro lado, a prisioneira chegou e antes de ser convidada se jogou em um pequeno sofá, que era a única coisa que fi
— Bom dia, flor do dia. — Gaia abria as cortinas do quarto do irmão, deixando entrar a luz sobre o rosto do rapaz.— Qual é, milady. Ainda está muito cedo ainda. — Phílos cobria a cabeça com o travesseiro.— Nada disso, vamos levantar, já fiz o café. E ela deve estar chegando a qualquer momento.— Ok, ok!! Agora vai, que vou tomar um banho. — E jogou o travesseiro na irmã.Gaia foi até a cozinha e pegou uma xícara de café, levou para sala onde fechou os olhos e invocou a irmã.— “Onde você está?”— “No aeroporto, acabei de pousar.”— “Porque não abriu um portal e apareceu aqui?”— “Já te falei, tenho medo de ir parar no Everest ou em Marte e morrer sem ar.”Gaia ria muito disso, cad
— “Brida, para ele completar o ritual, precisa de uma Striga, então você fará o seguinte... — O Barão falava com a garota em sua mente.”— Phílos, venha aqui, agora. — Pedro ordenava.— “Phílos, ganhe tempo. — O Barão pediu.”— Não, sem mim nada pode fazer.— Tem razão, amigão. Mas mato ela por pura diversão. — E apertou seu pescoço, fazendo a garota gemer.Phílos quase desmaiou tamanha foi a sensação de agonia que sentiu ao ver sua amada sofrer. Mas tinha que se segurar, concentrou-se em sua raiva.— Vou me render, seu monstro.— “AGORA, MENINAS.”Em um momento de distração Gaia, a Baronesa e Brida lançaram um raio contra Pedro, lançando o jovem para longe de Jéssica. O Barão que est
No caminho para resgatar seus amigos, Brida explicou sobre como seria o ritual que possivelmente Thiry queria fazer para tomar o poder dos jovens amantes. Ela iria precisar de mais uma Striga, a energia de seis seres humanos, sendo três machos e três fêmeas, o casal de amantes, sendo um Strix e um humano. O humano tem que dar seu poder de bom grado a Striga, e está se tornará além de imortal, sem precisar mais sugar mais ninguém, mais poderosa que qualquer um dos Strix.Depois que ela falou, todos ficaram em silêncio o resto da viagem, mergulhados em seus pensamentos mais sombrios.Gaia e Phílos chegaram no mirante, ele pisou no freio com tanta força que o carro derrapou quase chegando ao precipício, de onde estavam já avistaram Amanda. Mal o carro parou e Gaia abriu a porta do carro e saltou, correu até a amiga que faltava pouco para cair.— Mandi, Mandi!!! Acorde!!! El
— Tenho que ir em casa, você leva a Jéssi pra lá.— Mas Brida, o que você descobriu?— Acho que sei porque Thiry voltou. E melhor: Como detê-la. — Ela já falava e andava. — Tenho que ir.Ela correu para casa, no seu quarto tinha uma estante com vários livros comuns para as jovens da sua idade, livros escolares e mais abaixo, vários jogos de videogame. Ela passou a mão em frente aos livros que se revelaram outros muito diferentes. Mais antigos, alguns muito grossos e com capas de couro. Ela puxou um da estante. Era muito grosso, com páginas amareladas, tinha o papel áspero e cheio de figuras, cada página tinha a borda dourada. Folheou bastante procurando algo em específico.— ACHEI!!!— Que foi besta? Que livro é esse? — Um garotinho ruivo entrou pulando em sua cama, devia ter uns sete anos.— Oi
— Brida, aquela é Amanda, minha melhor amiga, ela… — Gaia falava levando a garota para mais perto quando foi interrompida.— Já sei de tudo, querida irmã. — Pois depois da tragédia que os uniu, era assim que se consideravam. — Quando me despertaram, me atualizei de toda a situação. Infelizmente não posso quebrar o encantamento de outra Striga sozinha. — Brida viu a esperança esvair do olhar da irmã. — Hei!! — Ela passou a mão pelo rosto da garota, segurou em seu queixo e olhou bem em seus olhos. — Não disse que não a salvaremos. — As duas se abraçaram. — Vamos sair daqui. Deixei os outros apenas desmaiados. Temos muito o que conversar.— E Amanda?— Vou







