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Continua Capítulo Oito

Penulis: Ninha Cardoso
last update Tanggal publikasi: 2022-02-10 19:07:07

Parte 2

_ O que foi? - desceu do cavalo.

_ Temos uma nova situação no nosso velho problema - esfregou a testa do animal _ Seu irmão veio me perguntar sobre suas saídas misteriosas.

_ Não! - ficou de boca aberta.

_ Sim - meneou a cabeça _ Eu soltei que você estava indo com uma amiga escolher o vestido para o casamento - ela fez uma cara de desagrado _ O que queria? Que eu dissesse que estava com um corretor?

_ Que saco isso - subiu na cerca.

_ Estava com um corretor, não é?

_ O que acha? - deu um piteleco no chapéu dele _ Que estava com meu outro amante?

Ele sentiu o coração pular forte. Ele era seu único amante. Tinha sido seu primeiro.

_ Está vendo como isso está ficando cada vez mais embolado?

Ela puxou o ar fundo e soltou devagar, fazendo um som de cansaço e irritação ao mesmo tempo.

_ Não é melhor você abrir logo o jogo sobre sua intenção de sair da fazenda?

_ Agora não - apertou os dedos _ Tenho que ter tudo resolvido antes disso. Meus irmãos vão querer me fazer mudar de ideia. Se eu tiver tudo encaminhado, não poderão fazer nada.

Ele a entendia. Claro que ter a família ao lado sempre é bom, mas ter seu próprio lugar, com suas ideias, é muito melhor.

_ Talvez deva ligar para alguma amiga. Com certeza Briana vai ligar para todas para perguntar.

_ Eu adoro minha cunhada, mas às vezes ela é uma peste com essa curiosidade - balançou a cabeça _ E agora? Vou ter que ligar para uma das meninas - mordeu o polegar.

_ Ligue logo - bateu em sua perna _ Briana não perde tempo.

Sabia que ele tinha razão. Poderia contar com a ajuda de Miranda, sua amiga de infância e a mais chegada. Só que teria que contar o que aconteceu também e isso era o que não queria.

_ Ok - suspirou _ Vou falar com a Miranda. Ela me ajuda nisso.

_ Não vai dedurar você?

_ Não. Somos amigas desde pequenas. Ela sempre está comigo nos meus planos.

_ E por que não está agora?

_ Porque não contei a ninguém - espalmou as maõs _ Só para você - o olhou.

Vitor se sentiu bem com a confiança dela.

_ Eu já disse que te ajudo - apertou sua coxa.

Ela mordeu o lábio o encarando. Como do nada ele tinha entrado em sua vida dessa forma?

Tinham feito amor e a segunda vez foi incrível, melhor do que a primeira, mesmo tendo sido algo rápido e de momento.

Sem querer os dois haviam se aproximado de um modo que jamais imaginaria.

_ Tia, tia... - Luiza chegou correndo.

_ Oi capetinha - ela sorriu _ O que foi? Está perseguindo seu irmão por aí de novo?

_ Não - gargalhou e subiu na cerca _ Minha mãe disse para você ir comer, tá tudo pronto e ela “falo” que tá tarde.

Pulou da cerca e se agarrou no bolso da calça de Juliana, a puxando para trás e fazendo com que desequilibrasse, caindo para trás.

_ Não... Luiza...

Ela gritou, vendo suas pernas emborcarem para cima e seu corpo deslizar para o chão. Antes de chegar embaixo sentiu os braços fortes de Vitor a agarrando com força.

_ Oopss... - Luiza cobriu a boca rindo _ Desculpa tia - saiu correndo _ Você também é pra ir, tio Vitor... “Xau”.

Vitor a desceu devagar. Juliana desceu as mãos por seus ombros devagar, aproximou o nariz de seu pescoço e sentiu seu cheiro.

Vitor segurou a respiração e a deixou seguir seu instinto. Ele também estava gostando dessa proximidade entre eles. Cada vez mais.

Ele segurou sua cintura e a apertou contra o corpo, querendo ficar mais um pouco assim. Encostou a boca no nariz dela e lhe deu um leve beijo.

Juliana fechou os olhos e respirou fundo. Sentiu o toque dos lábios dele em sua bochecha e depois em seu queixo. Entreabriu os lábios em um convite silencioso, mesmo sem ter planejado. Aconteceu.

As bocas se uniram e ela o abraçou forte. Sentiu o chapéu dele bater em seu braço ao cair de sua cabeça quando ela enfiou os dedos em seu cabelo.

_ Tiaaa... - Luiza gritou.

Isso os trouxe de volta á realidade e pararam o beijo, ainda unidos. Ele suspirou e deu um risinho.

_ Acho melhor você ir.

_ Ela chamou a nós dois - disse se separando dele _ Ao que parece você é da família agora.

Juliana saiu andando sem olhar para trás. Não viu a cara que ele fez ao se abaixar para pegar o chapéu. Um pouco feliz, um pouco triste.

*******

_ E o que mais tem para hoje?

Jessé perguntou a Vitor enquanto comiam entre as risadas dos filhos que olhavam um desenho no celular que a mãe havia deixado em cima da mesa.

Vitor respondeu sobre a troca de uma parte da cerca que havia sido partida no fundo de um dos pastos e Briana aproveitou para perguntar sobre os dois.

_ Sabia que a curiosidade matou o gato? - Juliana disse _ Você anda muito curiosa. O que é? Por acaso os hormônios pioraram isso, foi?

_ Só queria saber seus planos com o Vitor.

_ Sei... Deixe que isso é com a gente.

_ Eu também gostaria de saber - Jessé disse.

_ Não tem nada pra saber - os meninos gargalharam _ Vão comer, agora não é hora disso.

Ela pegou o celular e desligou, entregando para a cunhada.

_ Ahh, tia - Luca fez um bico.

_ Agora é hora de comer.

_ Você vai ser uma ótima mãe - Briana disse.

Ela parou de comer e olhou para Vitor. Respirou fundo para segurar a língua. Jessé voltou a falar sobre o treinamento dos cavalos.

_ Eu ainda não levei o malhado para o cercado de treinamento - ela disse.

_ Eu sei, quem vai levar é o Valdir - respondeu.

_ Valdir? - franziu a testa _ E por que ele?

_ Porque ele tem um jeito ótimo para iniciar o treinamento com os cavalos. O malhado é um pouco arisco e não sei se é bom você começar o treinamento sem antes ele ser domado.

Ela ficou irritada com aquilo. Era a terceira vez que o irmão a impedia de começar um treinamento de doma por achar que era fraca.

_ Você é tão besta, Jessé - parou de comer _ Eu já estou com aquele cavalo domado há mais de duas semana e você nem sabe.

_ Como? - a olhou sério _ Você é doida? - ele bateu o garfo no prato _ Sabe que pode se machucar seriamente? Ele é muito forte.

_ Eu sei disso - fez um bico chateada _ Quem não sabe é você. Pergunte ao Valdir o que ele acha sobre isso.

_ Valdir está sabendo disso? - olhou feio para ela e depois para Vitor _ E você sabe também?

Antes dele responder, Juliana se meteu e disse que Vitor não sabia de nada. Valdir só soube quando a viu montada no cavalo passeando perto do riacho no fundo do terreno, mas ela o fez prometer ficar calado.

_ Você e o Joel se acham os sabichões, que todo mundo tem que fazer só o que vocês querem. Pois bem, eu não sou uma empregada da fazenda - deixou o guardanapo em cima da mesa _ Eu sou tão dona disso aqui quanto vocês - levantou.

_ Onde vai? - Briana perguntou.

_ Sair, se quer tanto saber - estava se sentindo sufocada _ E não pergunte para onde porque eu não sou sua filha.

Briana ficou sem jeito pela resposta grosseira e se calou. Jessé levantou para ir atrás dela, mas Vitor levantou e o impediu.

_ Deixe-a. Eu vou falar com ela.

_ Sua noiva anda muito estranha, gostaria de saber o motivo - cruzou os braços _ Será que isso tem algo a ver com você?

_ Não sei e nem quero saber o que está insinuando, mas acho que deveria prestar mais atenção ao que sua irmã pensa e quer.

Dizendo isso saiu da cozinha e foi atrás dela. A encontrou andando de um lado para outro, irritada, na varanda ao lado da sala de tevê.

_ Ei, não se aborreça - a fez parar _ Seu irmão só se preocupa com sua segurança. É isso.

_ Não é não - suspirou _ Eu vou sair daqui a pouco, Vitor. Vou olhar o terreno com o corretor e se for o que eu quero, vou direto ao banco.

_ Eu vou com você.

_ Não!

_ Eu disse que iria te ajudar - a puxou para os braços _ Se eu estiver ao seu lado, seu irmão vai pegar menos no seu pé.

_ Ou seja, preciso de um homem - torceu a boca _ Isso é ridículo.

_ Não precisa de um homem, já entendi isso, mas gostaria de ajudar, já que nós estamos no mesmo barco - alisou seu cabelo _ E já que eu sou o único que sabe de seu segredo. Gostei de ter me contado. Obrigado pela confiança.

Ele foi sincero e ela sentiu isso. Ergueu o rosto para ele. Seria muito fácil aceitar sua ajuda e ter seu irmão quieto por um tempo.

_ Tudo bem, desculpe se estou sendo um pouco ríspida, mas estou de saco cheio desse modo de conduzir as coisas aqui em casa.

_ Acho que te entendo - sorriu _ Sabe, eu nunca tinha reparado no quanto você é teimosa.

_ E nem eu, no quanto você pode ser compreensivo. Achei que fosse uma cópia deles.

_ É... Um pouco - riu _ Mas eu estou me ligando em coisas que não via antes - mirou sua boca.

Ela engoliu em seco. Entendeu o que dizia.

_ Quer me beijar? - ela perguntou.

_ Quero sim... Mais que antes.

Um beijo não era nada demais. E Vitor fazia isso muito bem. Se estavam juntos, de certo modo, porque não aproveitar essa parte?

“Dane-se, quero que me beije”.

Ela tomou a iniciativa e ergueu o rosto, tocando a boca dele devagar e segurando seu ombro, mordeu de leve seu lábio e puxou.

Vitor suspirou baixinho e abriu a boca para receber o beijo. O vento soprava de leve e mexeu no cabelo dela. Ele segurou seu cabelo e desceu a mão para sua nuca, aumentando o beijo.

Ambos se perderam nesse momento porque só pararam quando ouviram as risadas das crianças que vinha da cozinha.

_ Então... Eu vou com você? - ajeitou o cabelo dela atrás da orelha.

_ Bem, acho bom ter outra opinião.

O irmão voltaria no sábado para casa de volta da lua de mel. Até lá ela queria ter algo encaminhado e então poderia falar com os dois.

Sabia que se contasse sem ter um plano definido eles iriam querer atrapalhar por acharem que não poderia se virar sozinha.

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