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Continua Capítulo Quatro

Penulis: Ninha Cardoso
last update Tanggal publikasi: 2022-02-03 06:33:03

Parte 5

_ Não... Não tinha pensado nisso ainda - disse um pouco desconfortável, querendo sair da situação.

_ Ah, mas deveria pensar bem - a vendedora disse _ Vai usar o anel por muito tempo, não é?

Ouvir isso só fez piorar seu nervosismo e ficou tensa. Esse anel representaria muita coisa, inclusive o controle que ele acharia que teria sobre ela. Algo que ela não queria e nem deixaria.

_ Pode nos dar licença por um instante? - ele pediu à vendedora. A puxou de lado.

Sabia que ela estava nervosa e sentiu sua tensão ao segurar sua mão. Seus dedos estavam rígidos e tremia um pouco.

_ Juliana - segurou suas mãos apertado _ Olha pra mim - ela ergueu o olhar _ Se nós dois fôssemos mesmo nos casar, você gostaria desse anel, de verdade?

_ Sim, claro que gostaria...

_ Então, fique com ele.

_ Eu não acho certo isso - insistiu nervosa.

_ Se você me amasse e eu lhe desse esse anel, ficaria com ele? - não desistiu.

_ Com certeza - olhou para o anel.

Ela não podia negar que tinha gostado da sensação do anel em seu dedo e que se fosse algo real, gostaria de ganhar de presente do homem amado, mas agora estava nervosa. Apesar de seus protestos ele insistia na compra e o anel tinha ficado perfeito em seu dedo e ela mentira sobre estar folgado.

Olhou de novo para ele que a encarava diferente. Era um olhar penetrante que aqueceu seu corpo. Engoliu em seco.

A tensão do momento a deixava insegura e seu toque era tão bom que fazia seus dedos tremerem. Umedeceu os lábios com a língua sem perceber e ele encarou sua boca. Ela queria um beijo dele, mas isso era uma bobagem, tinha que sair dali.

_ Não acho que a gente deva se beijar agora - ele disse querendo rir, brincando com ela.

Ela arregalou os olhos. Como ele havia entendido seu pensamento?

_ Nós vamos ficar com o anel e também queremos ver um conjunto de alianças que combinem com ele - voltou para perto do balcão.

_ É claro - a vendedora sorriu _ Pode me devolver o anel para que eu retire a etiqueta e anote o código, por favor? - esticou a mão.

Vitor sentiu a hesitação de Juliana e ficou com receio de que se ela retirasse o anel, desistiria de vez da compra. Já tinha sido difícil fazer com que aceitasse. Se tirasse talvez não quisesse e teria que ter mais trabalho para convencê-la de novo.

Ele agarrou a mão dela e a virou, mostrando o código da etiqueta para a mulher.

_ Pode deixar que ela vai tirar. Pode pegar o código aqui, não pode? - sorriu sendo charmoso.

_ Sim, posso - a vendedora ficou surpresa, mas passou a máquina por cima do dedo dela _ Pronto!

A mulher mostrou mais alianças para eles e Vitor escolheu um par muito bonito.

_ Você fica aqui - disse a ela _ Volto já.

Ele seguiu a vendedora até o canto onde estava o computador e a mulher fez a nota fiscal. Ele pagou e voltou para perto de Juliana que não tinha se mexido.

_ Podemos ir? - segurou em seu braço.

Ela saiu andando ao lado dele, quase como um robô, levando em seu dedo o diamante. Sua cabeça estava rodando.

Tudo o que havia entre eles era só uma forte atração sexual que surgiu de repente. Sabia que ele não tinha interesse mesmo nela.

Vitor estava mais aliviado com a compra do anel, mas sentia algo pesado no coração. Gostaria de abraçá-la, mas se fizesse isso não iria parar.

Estava fortemente atraído por Juliana, mas sabia que não era o homem certo para ela, por muitos motivos. Isso deveria deixá-lo tranquilo, mas não deixou.

Tocá-la poderia ser perigoso agora. Ela tinha deixado claro que ele não poderia fazer parte de verdade de sua vida. Quase não conseguiu comprar o anel, ela não queria. Tinha que manter seu desejo sobre controle e lembrar do que era aquilo tudo.

Uma farsa!

Houve um tempo em sua vida que ele chegou a desejar ter tudo aquilo de verdade. Uma esposa, filhos e uma vida feliz e tranquila, até ficar velho. Achava que esse era o caminho a seguir.

Esse tempo havia passado após sua tentativa frustrada e decepcionante ao lado de Marta.

O anel no dedo de Juliana era muito representativo, porém isso não indicava um futuro à dois e menos ainda uma família. Tinha que ficar atento para não deixar seu corpo m****r mais do que sua cabeça. Por um instante, na loja ele pensou até em beijá-la e ficou animado com a compra do anel.

Tolo!

**Enquanto isso, na fazenda...

Briana foi atrás do marido para contar que a cunhada tinha ido com Vitor para escolher as alianças na capital. Estava toda animada para contar a novidade.

Encontrou o marido mexendo nos sacos de ração no galpão. Falou com os dois empregados que depois saíram e quando ficaram sozinhos, ela contou, cheia de animação.

_ Mas, já foram? - ele fechou o saco de milho triturado e empurrou de lado, juntando aos outros.

_ Acho que agora que você descobriu, eles não querem mais esperar, amor - subiu na escadinha.

_ Cuidado, Briana. Você pode cair daí - ele segurou sua cintura arredondada.

_ Quero pegar aquela lata ali - apontou _ Pega pra mim, por favor!

_ O que tem aqui? - pegou a lata _ E por que está aqui no galpão?

_ Pergunte ao capeta do seu filho - ela riu.

Jessé abriu a lata. Estava cheia de estrelinhas coloridas de papel e continhas.

_ Isso não é da Luiza?

_ É sim - pegou a lata _ E ela está por aí atrás do Luca com uma vassoura.

Os dois riram e ele a abraçou.

_ Não acha estranho esses dois juntos?

_ O Luca e a Luiza? - franziu a testa.

_ Não, boba... A Juliana e o Vitor - alisou o rosto dela _ Não consigo entender essa novidade - torceu a boca descrente _ Eles não pareciam gostar um do outro.

_ Eu tinha uma desconfiança desse relacionamento deles - ela disse.

_ Mesmo? - estranhou.

_ Amor, eu já vi muita novela para saber que quando duas pessoas antipatizam logo de cara com a outra, tem coisa aí.

_ Novelas são bobagens, Briana - riu.

_ Eu sei - franziu o nariz _ Mas eu gosto de ver e de vez em quando tem umas coisas parecidas com a realidade.

_ Como agora? - ergueu as sobrancelhas rindo.

_ É, como agora - ela sorriu meneando a cabeça _ Eles estavam de cisma e de repente algo surgiu.

_ Não acho legal eles se envolverem.

_ E por que não? - mexeu no cabelo dele.

_ Por várias razões.

_ Diga uma.

_ Ele é mais velho do que ela, bem mais velho.

_ Bobagem. Diga outra - abanou a mão.

_ Ele é só um empregado da fazenda - ele inclinou a cabeça de lado _ Trabalha para a família.

_ Isso é preconceito - bateu em seu ombro _ E é bom que seja conhecido. Quero outra razão.

_ Ele já foi casado.

_ E daí? Não seja atrasado, Jessé.

_ Ok, eu desisto - bateu em sua bunda _ Depois a gente conversa mais - ela foi saindo _ E diga ao seu filho, que o galpão de rações não é lugar para esconder os brinquedos da irmã.

_ Eu digo, só que ele não me ouve. Puxou à você - piscou o olho e saiu rindo.

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