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Continua Capítulo Três

Penulis: Ninha Cardoso
last update Tanggal publikasi: 2022-02-02 21:07:14

Parte 3

Saiu do banho convencido de que poderia sim se casar sem problema com Juliana. Seria algo apenas para evitar algo pior e depois poderiam se separar sem constrangimentos.

Não teriam o envolvimento emocional, não havia isso de ilusão de amor entre eles. Os irmãos dela não poderiam reclamar depois de um tempo, muitos casamentos não dão certo. É normal.

A questão é se ela estivesse grávida, aí sim teria outra coisa a pensar e não fazer bobagem. Não queria que uma criança ficasse no meio de uma separação, ainda que o casamento fosse falso. E depois?

Ele tinha errado muito nesse ponto, pois sempre foi cuidadoso e logo com ela cometeu esse deslize e não a protegeu. Se estivesse grávida não poderia deixar que cuidasse da criança sozinha. E também gostaria de ser pai, então não seria um problema.

Mais um motivo para manter a palavra dada ao irmão dela. A cidade era um misto de pessoas de mente aberta e de outras bem atrasadas. Era com essas que ele se preocupava.

Por ela, não por ele.

Muitos iriam comentar sobre a vida dela e sobre seu envolvimento. Se estivesse grávida e casada era outra coisa.

Secou o cabelo e colocou o mesmo perfume da noite anterior. Sua barba começava a despontar. Não tinha paciência para fazer agora, tinha coisas importantes antes.

Pegou uma cueca preta, vestiu o jeans escuro e uma camisa de algodão branca. Vestiu outra por cima, listrada e de mangas compridas. Calçou as meias e sapatos e pegou um chapéu de couro marrom escuro.

Olhando seu refelxo no espelho até que se achou bonito. A idade começava a se mostrar em seu cabelo com um leve gisalho nas laterais e seus olhos tinham algumas rugas devido o excesso de sol. Mas isso nunca o incomodou, não prestava atenção nessas bobagens de aparência. Só que gostaria que ela o achasse bonito.

“Ah, merda”.

Saiu pelo corredor pensando no que diria quando chegasse na casa principal onde a família morava. Os dias ali sempre eram quente nessa época do ano, mas o sol ainda estava fraco, encoberto agora por grossas nuvens.

Só de pensar já estava começando a suar. Atravessou todo o caminho até a casa e nem mesmo parou para falar com outros funcionários.

A casa principal era muito grande. Construída em estilo antigo, estava passando por uma reforma para ampliação e mudança de detalhes. Tudo inventado por Juliana com a ajuda da cunhada.

Agora que Joel também estava casado as duas inventaram de aumentar a casa para futuros filhos do casal e também para os filhos de Jessé que agora queriam seus quartos separados.

Luca e Luíza insistiam que já não eram mais pequenos para dividir o mesmo quarto, ainda que fosse enorme e tivesse um banheiro separado para cada um.

Sempre achou aquela casa muito bonita e quando tivesse seu próprio lugar definitivo queria construir algo parecido. Não tão grande, afinal ele nem sabia se teria uma família para encher a casa, mas algo que fosse no mesmo estilo.

Gostava muito da grande varanda que rodeava a casa e de suas janelas altas. Como ficava em uma parte elevada do terreno, era fácil ver grande parte da propriedade de dentro de casa mesmo.

Subiu os degraus apressado e parou em frente da porta, tirando o chapéu. Eles já tinham dito algumas vezes que ele poderia entrar sem bater, que era da família, mas ele sempre foi comedido com isso. Preferia antes bater ou tocar a campanhia.

Já ia fazer isso quando viu Briana se aproximando pela lateral com um sorriso grande.

_ Ei, você - ela o abraçou _ Pode entrar, já sabe. Não precisa bater.

Ele sorriu de volta e não a apertou no abraço por causa de sua barriga, já alta pela terceira gestação e em breve teriam mais um herdeiro para a família.

_ Sabe como eu sou.

_ Ah, sei sim - lhe deu um tapinha _ E me surpreendi ao saber da novidade. Jessé me contou que pegou vocês... Digamos assim... Íntimos demais - riu.

Ele deu um risinho meio de lado.

_ Nem acreditei quando ele me contou que vocês vão se casar - segurou seu braço _ Vamos entrar. A Juliana nunca me falou nada sobre vocês estarem juntos e nem você deixou transparecer. Que coisa!

_ Pois é - coçou a cabeça _ Achamos melhor.

_ Sei... Vou fazer de conta que acredito. Eu até achei uma época que vocês se odiavam, depois achei que isso era um disfarce para os sentimentos. Agora comprovei minha teoria.

_ Que teoria? - franziu os olhos.

_ De gato e rato - riu _ Na maior parte das vezes as pessoas ficam brigando e não se suportam, mas no fundo estão doidas para ficarem juntas. Tipo filme de comédia romântica, sabe?

_ Ah, certo - assentiu.

Luca passou correndo por eles e quase se bateu contra Vitor. Logo atrás vinha Luíza com uma vassoura na mão e uma cara nada amigável.

_ Sai da frente - ele gritou.

_ Luca... Menino, você quase se bateu com Vitor - Briana gritou _ Ei! Volta aqui!

_ Se ele voltar eu acerto a cabeça dele, mãe.

Luíza passou correndo atrás do irmão.

_ Meu Deus, mas o que foi isso? - Briana deu uma risada _ Preciso terminar logo a reforma para cada um ficar no seu canto.

_ Eles cresceram rápido - Vitor riu _ Estão com quantos anos agora?

_ O Luca está com dez e a Luíza fez oito. Você esqueceu da festinha dela?

_ Ah, foi mesmo - balançou a cabeça.

Ele tinha ficado pouco tempo. Adorava crianças, mas não tinha muita paciência para um batalhão delas reunidas no mesmo lugar.

Quando entraram na sala uma menininha linda de cabelos escuros veio até ele e abriu os braços, querendo seu colo. Ele se abaixou e a pegou nos braços, lhe dando um beijo de leve na bochecha.

_ E você, quem é?

A garotinha deu uma risadinha gostosa e se agarrou ao pescoço dele.

_ Esta é Suzana. Filha da Neide, lembra? Elas dormiram aqui porque ficou tarde para irem sozinhas para casa.

_ Não sabia que tinha uma bebê.

_ Neide a adotou e só no mês passado pôde pegar a Suzana. Burocracia, sabe como é.

Briana fez um carinho na cabecinha dela e a menina fez um biquinho, fazendo uma bolinha de cuspe que a fez gargalhar. Vitor sorriu. Adorava essa risada infantil que parecia encher a sala de energia boa.

Neide apareceu, falou com ele e carregou a pequena para a cozinha para comer.

Vitor ficou imaginando se Juliana estaria grávida dele agora e se estivesse, se teriam uma menina linda e fofa como aquela.

Quando descobriu sobre a mentira de Marta, ele ficou muito triste, pois realmente estava se preparando para ser pai. Agora já não tinha mais essa esperança, mas com Juliana, talvez isso acontecesse.

_ Quem sabe vocês podem ter seus filhos logo? Eu acho que a Ju seria uma mãe maravilhosa.

_ O que? - ele balançou a cabeça.

_ Filhos, seu tonto - riu _ A casa está em uma reforma, a gente já pode aproveitar e aumentar mais quartos para vocês.

Ele não ia querer morar ali. Claro que a casa era perfeita, mas sendo um casamento de mentira, apenas por um tempo, o melhor seria que ninguém percebesse que os dois não iriam adiante.

E pelo jeito ela achava que já estavam tendo um romance há bastante tempo, apenas escondiam isso dos outros. Se ela soubesse que a noite passada tinha sido a primeira vez que ficaram juntos, talvez nem acreditasse na história do casamento.

_ Pode ser - olhou em volta _ E onde ela está?

_ Acho que trocando de roupa. Disse que tem um compromisso. Vai descer já.

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