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Seu Último Desejo, Minha Segunda Vida
Seu Último Desejo, Minha Segunda Vida
Author: Lua Florida

Capítulo 1

Author: Lua Florida
— Cecília Avelar, você realmente não conhece limites, não é? Conseguiu fazer meus próprios pais ameaçarem tirar a vida se eu não me casar com você. E acha que, só porque conseguiu me prender a esse casamento, vai ser feliz?

Uma voz jovem, baixa e fria, rompeu o torpor em que eu estava.

Abri os olhos devagar. Quando minha visão se firmou, encontrei Leonardo de Valença diante de mim.

Ele vestia uma casaca de veludo carmesim de corte ajustado. A juventude ainda lhe deixava no rosto uma insolência difícil de conter, uma liberdade quase arrogante que desapareceu com os anos. Nada nele, nem o porte, nem o olhar, nem a maneira de falar, lembrava o homem em que se tornou dez anos depois.

Leonardo tinha dezoito anos.

Era verdade.

Eu estava dez anos no passado.

Sufoquei a dor que se espalhou pelo peito e deixei os olhos demorarem em seu rosto, como se nunca conseguisse olhar o bastante.

— Você não quer se casar comigo porque é Helena Duarte quem você quer ao seu lado. Acertei?

Leonardo soltou uma risada sem humor.

— E se acertou? Vai desistir de mim?

— Vou. — Respondi sem hesitar.

Meus pais morreram no campo de batalha, defendendo o Império. Em reconhecimento ao sacrifício deles, o imperador me concedeu uma graça rara: um decreto imperial de casamento.

O espaço reservado ao nome do noivo permaneceu em branco.

A escolha era minha. Eu podia me casar com quem quisesse.

E, se desejasse, também podia recorrer ao mesmo favor imperial para pedir um decreto de casamento em nome de outra pessoa.

Leonardo se calou por um instante.

Então riu, como se eu acabasse de lhe contar algo absurdo.

— Você conseguiu um decreto do imperador e me deixou sem saída. Meus pais estão dispostos a tudo para me obrigar a aceitar. Esse casamento já está decidido. E agora quer que eu acredite que vai simplesmente desistir?

Ele me fitou por alguns segundos, sem esconder o desdém.

— Cecília Avelar, não tenho paciência para esse tipo de encenação. Se isso é só uma manobra para me fazer ceder, poupe o esforço. Se está falando sério, leve o decreto de volta ao Palácio Imperial. Eu fico aqui e espero.

Como se não houvesse mais nada a dizer, ele se virou e se recostou contra a muralha do palácio.

Meu olhar encontrou a repulsa que ele nem se dava ao trabalho de esconder.

Uma pontada aguda me atravessou o peito.

Eu amava Leonardo havia muitos anos. Na vida que perdi e também naquela que acabava de recomeçar.

Duas vezes, ele arriscou tudo para me salvar.

E eu tomei aquilo pelo que mais queria que fosse: a prova de um sentimento que ele nunca teve coragem de confessar.

Foi assim que, cheia de esperança, pedi ao imperador que decretasse nosso casamento.

E me casei com ele.

Só depois da morte de Helena eu entendi a verdade sem deixar espaço para qualquer outra ilusão.

Era ela quem Leonardo amava.

Meu amor durou dez anos.

Para ele, aqueles mesmos dez anos foram um tormento.

Na vida passada, fiz todo o bem que pude. Talvez os céus tenham se compadecido de mim e, no fim, aceitaram uma vida em troca de outra, dando a Leonardo a chance de recomeçar.

Antes de voltarmos no tempo, um velho eremita me deixou um último aviso:

— Nas primeiras vinte e quatro horas depois do retorno, você precisa realizar três desejos que ele levou consigo como arrependimentos. Assim que cumprir o último, vá embora.

Ele fez uma breve pausa antes de continuar:

— A partir daí, os caminhos de vocês se separam de vez. Ele não morrerá aos trinta anos por sua causa, e cada um poderá seguir o próprio destino.

Seu olhar se tornou mais grave.

— Mas ninguém volta no tempo sem pagar um preço. Pense bem antes de escolher.

Desde que Leonardo pudesse continuar vivo, nenhum preço me assustava.

Fui à presença do imperador e pedi um decreto imperial de casamento para Leonardo e Helena.

Eu conhecia os três arrependimentos que ele carregou até a morte. Leonardo os deixou escritos em seu diário.

"Ter me casado com Cecília Avelar. Não ter enfrentado meus pais quando tentaram decidir minha vida. Não ter conseguido salvar Helena Duarte."

O primeiro, ao menos, estava resolvido.

Saí do Palácio Imperial com o decreto e o entreguei a Leonardo.

Ele me lançou aquele olhar de desprezo de quem já tinha certeza de que eu enfim conseguira o que queria: forçá-lo a se casar comigo. Estendeu a mão para abrir o documento.

Cobri sua mão com a minha antes que ele rompesse o selo e sorri com suavidade.

— Deixe para amanhã. Vai ter uma surpresa.

Leonardo me observou por um instante.

— Que perda de tempo. Hoje ou amanhã, o decreto não vai dizer a mesma coisa? Que eu tenho que me casar com você? — Ele estreitou os olhos, desconfiado. — O que deu em você hoje? Ficou tão feliz porque finalmente vai conseguir se casar comigo que perdeu o juízo?

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