LOGINJúlia escolheu um hotel de resort no exterior. Ficava todos os dias dentro do hotel, vivendo uma rotina regular, confortável e tranquila. Era o tipo de vida que antes era a mais comum para ela. Agora parecia vazia. Ela não conseguia aproveitar de verdade. Só sentia o tempo empurrando tudo para frente.Mas encontrou uma pequena distração.Criou uma conta nas redes sociais.A foto de perfil era branca.Todos os dias ela fotografava o que fazia e publicava na conta. As legendas eram simples. O que tinha feito no dia, como estava o tempo, e um pouco do que estava sentindo.Depois de dois meses assim, de repente, Júlia quis voltar para o país.A primeira coisa que pensou foi em procurar David.Dessa vez, a mentalidade dela tinha mudado. Antes ela queria forçar David a mudar de ideia. Estava cheia de agressividade e controle. Seus pensamentos eram extremos. Sempre que o via, as emoções tomavam conta. As discussões eram inevitáveis. Ela dizia coisas duras e machucava sem medir.Esses dois m
Ela já não era mais aquela pessoa inconsequente de antes. Agora começava a pensar nas coisas com seriedade.Raquel cresceu ao lado dela, sempre enxergou um pouco além.— Porque quando eu te conheci, eu já sabia quem você era de verdade. Eu aceito até o seu pior lado, por isso eu consigo te acolher. É assim que a gente vai ficando cada vez mais próxima. E aguentar não é a palavra. Eu gosto de quem você é de verdade. Você trata seus amigos muito bem, todo mundo sabe disso.— Ser verdadeira é tão importante assim?— É. Ninguém quer conviver com alguém que vive de máscara. Mostra quem você é de verdade. Quem aceitar, fica. Quem não aceitar, vai embora. Isso é normal.Algumas coisas não podem ser forçadas. Quem é para ficar, fica.Júlia puxou o canto da boca. Ela entendia o que Raquel queria dizer. Tinha feito tudo o que podia. Se David e Talita ainda não conseguiam aceitar, o que mais ela poderia fazer?Era só o orgulho que ainda insistia. Por isso ela tinha pensado em resolver tudo na for
Quando Júlia dirigiu até o hospital, as mãos tremiam no volante. Só de pensar na cena que veria quando encontrasse Talita, o medo já subia pelo peito.Ela parou o carro no acostamento e pegou o celular para ligar para Raquel.— Vem me encontrar agora. — Disse com cada palavra pesada.Raquel percebeu na hora que algo muito ruim tinha acontecido e tentou acalmá-la.— Me espera. Eu já estou indo.Depois que desligou, os dedos de Júlia perderam a força. O celular escorregou da mão e caiu dentro do carro, rolando para algum lugar que ela nem viu.De repente, o ar pareceu faltar. Júlia segurou o volante com força, as veias saltando no dorso da mão.Ela não vinha passando dias fáceis. Em algum momento, chegou a pensar em desistir e voltar a viver como antes, leve, sem se prender a ninguém.Mas quando alguém entra no seu coração, fica uma marca. Júlia era orgulhosa demais para aceitar. Essa marca não sumiu só porque ela tentou não pensar em David. Pelo contrário, só abriu mais. E no aniversár
David não conseguia entender o que se passava na cabeça de Júlia. Mesmo assim, ele queria tentar entender. No fim, a conclusão a que chegou foi simples, ela desprezava sentimentos, por isso podia pisar neles sem pensar duas vezes.Júlia sempre foi direta. Quando gostava, dizia. Só que, com essa postura, David já não conseguia distinguir o que nela era verdade e o que era mentira.Júlia sabia fingir qualquer coisa. No começo, para se vingar dele, ela tinha suportado o próprio nojo só para se aproximar.David apertou a mão sem perceber. Ele não conseguia responder nada.Pela atitude dele, Júlia já tinha entendido a resposta. A cabeça começou a doer. A dor física era melhor do que a dor emocional. Perto da dor no peito, a dor do corpo era mais fácil de aguentar.Quando se faz tudo o que é possível e, mesmo assim, não se consegue trazer alguém de volta, não é só impotência. É desespero.Júlia sempre tinha conseguido tudo o que queria. De repente, apareceu alguém que ela não conseguia conqu
Júlia apertou os dedos.— Você não vai me dizer que gosta mesmo da Melissa?David cerrou os dentes.— De quem eu gosto ou deixo de gostar não tem absolutamente nada a ver com você. Para de interferir no meu trabalho e na minha vida. Você realmente não percebe que eu te odeio?As palavras acertaram Júlia em cheio.Ela só conseguiu devolver na mesma moeda.— David, eu já disse que vou continuar te incomodando. Vou ficar rondando você como um fantasma. Se você tiver que sofrer, vai ser por minha causa. Eu só estou cumprindo o que prometi. Por que essa reação toda?— Você...Júlia estava furiosa:— Para de falar grosso comigo. Eu vi você entregando rosas para Melissa. Então presta atenção. De agora em diante, é melhor você se afastar dela. Porque eu não me importo de acabar com a vida dela. Se a carreira dela for destruída, vai ser por sua causa. E você também não vai sair ileso, David. Se você ousar gostar da Melissa, eu não vou deixar você em paz. Porque você é meu. Você não pode gostar
A assistente olhou para Melissa, quase chorando. Com ainda mais cuidado, respondeu:— É do hotel.— Máquina de hotel não se sabe quantas pessoas já usaram. Deve ser imunda, né? Então faz o seguinte. Ou você lava ela inteira agora, por dentro e por fora, ou vai comprar uma nova. Senão eu não bebo.A compostura no rosto de Melissa quase desmoronou.Júlia continuava completamente à vontade, como se aquele fosse o seu próprio espaço, como se fosse a dona dali.Melissa, que estava apenas hospedada ali, parecia constrangida, obrigada a observar o humor de Júlia antes de agir.Felizmente, aquela atmosfera sufocante não durou muito.O celular de Melissa começou a tocar.Júlia lançou um olhar.O segurança avançou e tomou o telefone da mão de Melissa.— Quem é? — Perguntou Júlia.— David.Júlia soltou uma risada curta.— Melissa, atende. E diz para ele que eu estou aqui.Melissa analisou rapidamente a situação.Ela já tinha entendido que Júlia estava ali por causa de David. Havia algo entre os d
Henrique levantou o olhar, em tom de aviso:— Isso não pode chegar aos ouvidos do vovô.— Por quê? — Júlia não entendeu.— Não tem por quê!Júlia quase nunca levava bronca com a cara fechada do irmão, e isso a deixou ainda mais irritada:— Mano, o que exatamente tá acontecendo entre você e o Dante?
Luana respondeu: “Tá bom, Sr. Dante.”Assim que enviou a mensagem, ela se preparou para sair e receber Dante. Afinal, como sua secretária, isso já era algo que fazia quase por instinto.Mas, antes que pudesse se mover, Dante parecia ter lido exatamente o que ela estava pensando:— Não precisa vir me
Vítor tinha vindo a mando do pai.Na época do jantar beneficente da família Serafim, o pai dele chegou até a mandar uma mensagem, apresentando uma empresa de tecnologia que estava se desenvolvendo muito bem.Vítor era o responsável pelo braço tecnológico da família.A visita de hoje era apenas mais
Luana não disse mais nada, virou o rosto para a janela e ficou observando a paisagem passando rápido, até sentir o coração acalmar.Contar com Dante para resolver grandes assuntos parecia algo natural, mas, nos detalhes do dia a dia, ela ainda não estava acostumada. Esse tipo de cuidado era diferent







