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Capítulo 238: O Cofre de Aveiro

last update publish date: 2026-10-10 20:43:12

O Dr. Roberto Fontes tinha sessenta e sete anos, quarenta e um de advocacia e uma convicção que ele repetia aos estagiários todo mês de fevereiro: prova que chega errado não é prova, é problema.

Foi a primeira coisa que ele disse na segunda-feira de manhã, na sala dele, com a porta fechada e o telefone fora do gancho.

— Se aquele pendrive entrar no Brasil dentro da mala de alguém, ele não serve pa
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    O Dr. Roberto Fontes tinha sessenta e sete anos, quarenta e um de advocacia e uma convicção que ele repetia aos estagiários todo mês de fevereiro: prova que chega errado não é prova, é problema.Foi a primeira coisa que ele disse na segunda-feira de manhã, na sala dele, com a porta fechada e o telefone fora do gancho.— Se aquele pendrive entrar no Brasil dentro da mala de alguém, ele não serve para nada — disse ele. — Serve para o senhor saber. Não serve para condenar ninguém.Gabriel estava sentado do outro lado, e Marcos Viana de pé.— Explica.— O conteúdo é cópia não autorizada de documento interno de uma empresa, feita em 2016 por um funcionário dessa empresa, guardada nove anos num cofre particular no exterior, sem cadeia de custódia, sem registro de integridade,

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    Marcos Viana chegou à sala do conselho às treze e dez, cinquenta minutos antes da sessão, porque em vinte e dois anos de profissão ele tinha aprendido que quem entra numa sala depois dos outros já está em desvantagem.Fausto Aragão chegou às treze e doze.Foi a primeira informação da tarde e Marcos guardou.O homem entrou com a pasta de couro debaixo do braço, cumprimentou a copeira pelo nome — *Dona Neusa, o café hoje é o de Minas?* —, perguntou pelo neto dela, que tinha operado o joelho, ouviu a resposta inteira sem olhar para o relógio, e só então pôs a pasta na cadeira dele, que era a terceira à direita, a mesma há dezenove anos.Marcos observou aquilo do outro lado da sala com um respeito profissional que ele achou nojento em si mesmo.Porque era isso o que eles iam enfrentar &agrav

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    Davi soube que ia acontecer alguma coisa na segunda-feira, porque na segunda-feira a tia Vera comprou goiabada.Não era aniversário de ninguém. Não era Natal. A tia Vera comprava goiabada em três situações na vida: aniversário, Natal e quando ia dar notícia ruim. Foi assim quando o pai dele — o pai que ele achava que era pai, o pai que na verdade era só o nome de um homem que nunca existiu — foi assim quando a avó Zilda começou o tratamento, e foi assim no ano em que elas tiveram que sair da casa da Rua Serra de Bragança e ir para o sobrado.Ele viu o pacote em cima da geladeira e fez as contas e não perguntou nada.Davi Duarte tinha oito anos e quatro meses e havia muito tempo sabia que perguntar não adianta. Adulto não conta na hora em que você pergunta. Adulto conta na hora em que ele decidiu contar, e a úni

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