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Capítulo 2

Penulis: Primavera Perdida
Do outro lado da linha, o tom de Fausto Campos era de puro choque:

— Você quer o divórcio? Por que tão de repente? Vocês brigaram?

Clarice segurou o celular com força, sentindo-se fraca:

— Não, eu apenas me cansei de repente. Não quero mais continuar com ele.

Durante esses sete anos, ela se habituou a relatar apenas as boas notícias, escondendo as ruins.

Talvez para provar a si mesma que era feliz, ela nunca havia reclamado com o irmão, por mais frio que Euzébio fosse com ela ou por mais exaustivo que fosse educar um filho travesso, ela nunca havia reclamado com o irmão.

Era natural que o irmão estivesse tão surpreso.

Talvez pela conexão entre irmãos, Fausto ficou em silêncio por um longo tempo, sem questionar mais nada.

— Tudo bem, quando você pode voltar? Eu irei pessoalmente buscar você e a criança.

Clarice fez uma pausa:

— A criança fica com Euzébio. Não vou levá-lo.

Fausto respirou fundo:

— Você terá coragem? Clarice, não tenha medo. Se você realmente decidiu se divorciar, eu te ajudo a brigar pela guarda.

— Não precisa, mano. Assim que eu resolver as coisas por aqui, entrarei em contato novamente.

Com medo de que Fausto continuasse perguntando, Clarice, com as pontas dos dedos trêmulas, desligou o telefone com força.

Ela sentou-se no sofá, sentindo toda a força esvair-se de seu corpo.

Depois de ter um filho, Clarice nunca pensou em se separar de Euzébio.

Mas ela nunca imaginou, de forma alguma, que a gota d'água seria seu próprio filho.

Ela disse que precisava resolver assuntos por aqui, mas, na verdade, não havia nada para resolver.

A certidão de casamento era falsa.

Ela só precisava fazer as malas e partir para cortar completamente os laços com aquele pai e filho.

Clarice recompôs-se e subiu para arrumar as malas.

De repente, a porta do quarto se abriu.

Álvaro entrou segurando um brinquedo e, ao ver Clarice arrumando as roupas, ficou surpreso:

— Mamãe, por que você está arrumando as malas? Vai para onde?

Clarice virou-se para olhá-lo.

Embora fosse carne de sua carne, ela o sentia como um estranho.

— Vou fazer uma viagem longa.

A expressão de Álvaro iluminou-se instantaneamente com uma pitada de surpresa:

— Sério? Quando você vai?

Crianças são as que menos sabem disfarçar, o tom dele era de pura impaciência.

O coração de Clarice afundou:

— Vou nos próximos dias. Ficarei fora por muito tempo.

O sorriso de Álvaro tornou-se ainda mais radiante:

— Que bom! Então, boa viagem, mamãe!

Ele deu as costas pulando de alegria, querendo ligar para Florinda para contar a boa notícia.

Olhando para as costas dele, Clarice franziu a testa, mas não pôde deixar de lembrar:

— Já passa das sete horas, seu dever de casa...

Álvaro não suportou:

— Ai, que chata! Você não costumava fazer o dever comigo só às oito? Por que está me apressando agora? Por que está me apressando agora?

Clarice apertou os lábios subitamente e deu um sorriso autodepreciativo:

— Desculpe, esta é a última vez.

Álvaro achou a atitude da mãe estranha hoje. Normalmente, ela resmungaria que a professora verificaria o dever amanhã e que seria melhor terminar logo para dormir cedo.

Ele não se importou e, ao sair, ainda fez birra, batendo a porta com um estrondo.

Clarice caminhou até a mesa e tirou os livros de apoio que costumava usar para ajudar Álvaro, colocando-os sobre a mesa.

Os pontos importantes de cada livro haviam sido marcados por ela, mesmo sendo matérias do primeiro ano do ensino fundamental.

Euzébio nunca se preocupava com essas coisas.

Ela assumira tudo, carregando o peso da educação da criança, apenas para ser alvo das reclamações do filho.

Ela passou seis anos ensinando Álvaro, transformando-o em um excelente aluno, que tocava piano e violão com facilidade e tinha uma saúde de ferro.

Todo esse esforço não valia tanto quanto alguns brinquedos e dias de indulgência desenfreada proporcionados por Florinda.

As lágrimas caíram de repente.

Clarice secou as lágrimas imediatamente, organizou todas as coisas de Álvaro e as etiquetou por categoria.

Às oito da noite, ela não foi ao quarto ao lado chamar Álvaro para fazer o dever.

Álvaro, secretamente feliz achando que Clarice tinha esquecido a hora, ficou no quarto jogando videogame com a consciência tranquila.

Cansado de jogar, acabou adormecendo na cama sem perceber.

O mordomo pensou que Clarice estava cuidando dele, então não subiu para verificar.

Passava das nove da noite quando Euzébio voltou da empresa.

Ao ouvir o barulho da porta, a mão de Clarice tremeu involuntariamente, e ela enviou a mensagem que acabara de editar para o médico.

[Doutor, sinto muito, não precisa agendar a cirurgia para mim. Decidi pelo tratamento conservador e buscarei atendimento em uma instituição no exterior.]

Euzébio entrou e passou os olhos pela mesa da sala de jantar, estava vazia, sem o prato de massa que Clarice preparava todas as noites.

Ele fazia horas extras com frequência, alimentava-se mal e tinha problemas de estômago.

Todas as noites, Clarice preparava uma massa para ele.

Euzébio olhou com dúvida, e seus olhos profundos tornaram-se gentis ao se voltarem para Clarice:

— Onde está o jantar de hoje?

Clarice virou a cabeça e olhou para ele calmamente:

— Não estou me sentindo bem, não fiz.

Euzébio afrouxou a gravata e, ao ouvir isso, seus dedos pararam:

— Será que é estresse? Você tem tido sangramentos nasais frequentes e está muito mais pálida do que antes. Se não melhorar, contratarei mais dois empregados. Você faz tudo sozinha, vai acabar adoecendo.

Ele colocou o que tinha nas mãos na frente de Clarice e encostou a palma quente e seca na testa dela.

Clarice permitiu o toque de Euzébio, lembrando-se de repente que, antes daquela noite do acidente, a atitude de Euzébio para com ela era de indiferença.

Mais tarde, sob o efeito de substâncias, ele agira como uma fera desperta naquela noite, deixando-a com marcas roxas pelo corpo todo.

Ao acordar no dia seguinte, Euzébio estava com as orelhas vermelhas, tímido, mas fingindo calma, bloqueando a passagem dela, dizendo que não a deixaria ir e que assumiria a responsabilidade.

Desde então, Euzébio realmente parecia ter mudado, frio e distante com os outros, mas atencioso e detalhista apenas com ela...

— Não está com febre, por que essa cara tão abatida?

A voz de Euzébio soou de repente acima de sua cabeça.

— Quer comer um doce?

Clarice recobrou os sentidos e só então olhou fixamente para a caixa de doces cor-de-rosa.

Era a sua sobremesa favorita.

Clarice a comera por acaso cinco anos atrás e nunca esquecera.

Desde então, Euzébio ia pessoalmente comprá-la toda quarta-feira, sem falhar, há cinco anos.

Clarice ficava muito tocada, ela achava que, embora Euzébio tivesse um temperamento frio, ele a guardava no coração.

Agora, parecia que tudo não passava de uma ilusão.

O que significavam cinco anos de doces ininterruptos se nem mesmo o casamento entre eles existia?

O olhar de Clarice tornou-se ainda mais sombrio.

Vendo que ela não se movia, Euzébio perguntou:

— Não vai comer?

Clarice voltou a si:

— Sem apetite.

Euzébio ia perguntar mais alguma coisa, mas, por acaso, viu a bolsa deixada no canto do sofá.

O zíper estava aberto e metade de um formulário de exame estava exposta.

O olhar dele se estreitou:

— Você foi fazer um check-up?

Euzébio foi pegar o formulário, mas teve a ponta da roupa puxada.

Clarice forçou um sorriso:

— Eu estou bem, é só um pouco de estresse.

Euzébio suspirou aliviado e acariciou os cabelos dela:

— Vou pedir para a empregada fazer uma sopa para você.

Clarice apertou a palma da mão e o chamou:

— Euzébio, se um dia eu tiver uma doença terminal, o que você faria?

Os passos de Euzébio pararam bruscamente, e seu coração disparou inexplicavelmente.

Ele franziu a testa:

— Não faça perguntas de mau agouro e não pense bobagens. Se não estiver se sentindo bem, eu te levo ao médico. Você não vai ter nenhuma doença terminal.

Clarice manteve uma expressão indecifrável:

— Em sete anos de casamento, você tem algo escondido de mim? Se você disser agora, eu posso aceitar qualquer coisa.

Euzébio ficou subitamente rígido, com o olhar obscuro:

— Não escondo nada de você. O que há de errado?

Clarice desviou o olhar, piscando:

— Nada, talvez eu esteja pensando demais ultimamente. De qualquer forma, eu odeio mentiras. Se você mentir para mim, eu desaparecerei completamente, e nossa família de três nunca mais se reunirá nesta vida.

Euzébio ficou atônito.

Não sabia por que, mas teve um pressentimento ruim, como se algo grande estivesse prestes a acontecer.

Ele curvou os lábios, o olhar suavizando:

— Clarice, nossa família nunca vai se separar. Pare de falar bobagens. Vou ver o Álvaro.

Euzébio entrou no quarto infantil de Álvaro e fechou a porta.

O coração de Clarice gelou por completo.

Agora, não precisava ter mais nenhum apego.

Clarice pegou as chaves do carro e da casa que havia preparado, junto com uma carta de despedida.

Eles não eram casados, não precisavam se divorciar, assinar acordo de separação nem dividir bens.

Esta casa e o Rolls-Royce na garagem foram comprados por Euzébio para ela.

Agora ela devolvia tudo, não haveria mais nenhuma ligação entre eles.

Clarice colocou as chaves junto com o envelope sobre a mesa do escritório de Euzébio.

Em seguida, puxando a mala que já estava pronta, saiu pela porta da frente, desaparecendo na escuridão da noite.

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