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Capítulo 4

Author: Primavera Perdida
Clarice estava com o rosto levemente pálido e olhava silenciosamente para Euzébio.

Ao seu lado estava a esposa nominal, à sua frente, a amada de seu coração. Como ele faria a apresentação?

Se ela fosse Euzébio, provavelmente também ficaria em uma situação difícil.

Euzébio trocou um olhar com ela e disse com voz suave:

— O nome dela é Florinda Rosa, uma... conhecida de muito tempo.

Ele fez uma pausa:

— Uma amiga.

Não se sabia se era ilusão de Clarice, mas a palavra "amiga" saindo da boca de Euzébio parecia particularmente forçada.

O corpo de Clarice tremia levemente, mas ela se esforçou para manter a compostura:

— Conhecida de muito tempo? Então parece que vocês cresceram juntos.

Florinda riu:

— Que nada, nos conhecemos quando tínhamos vinte anos. Naquela época...

Sem saber o que lhe veio à mente, ela cobriu a boca e riu com elegância:

— Naquela época, o penteado do Euzébio era hilário. Assim que ele entrava na escola, todo mundo olhava.

Euzébio suspirou impotente:

— Você tocou nesse assunto de novo.

— E qual o problema de eu tocar no assunto? Eu ainda tenho as fotos daquela época salvas. É melhor não me provocar, senão mostro para a sua esposa! — Florinda estendeu a mão pálida e, entre risos, deu um tapinha no braço de Euzébio.

Álvaro se jogou neles, abraçando Florinda e rindo:

— Florinda, que foto é essa? Eu também quero ver! Eu quero ver!

Essa cena feriu profundamente os olhos de Clarice.

Qualquer um que visse a interação de Florinda com pai e filho pensaria que ela, Clarice, era a intrusa.

Florinda acariciou o rosto macio de Álvaro e piscou de forma travessa:

— Depois eu te mostro escondido.

Euzébio curvou levemente os lábios e olhou de lado para Clarice, vendo apenas suas costas magras, tão frágeis que pareciam prestes a ser levadas pelo vento.

Ele foi atrás dela e a segurou:

— O que foi? Não fique brava com o Álvaro. Eu vou dar uma lição nele. Quando chegarmos em casa à noite, farei com que ele peça desculpas a você direitinho.

Clarice mordeu o lábio:

— Você viu o que eu deixei para você?

Euzébio não entendeu:

— Que coisa?

Vendo que ele não parecia ter lido a carta, Clarice sorriu:

— Nada. Vou voltar agora. Lembre-se de ir ao escritório ver à noite.

— Então eu te levo para casa.

Euzébio levantou a mão, sinalizando para o motorista do outro lado da rua trazer o carro.

Clarice não entrou no carro. Soltou-se da mão de Euzébio e insistiu em pegar um táxi para ir embora.

Euzébio ficou parado no lugar, observando o veículo.

Atrás dele, Florinda aproximou-se para falar.

Clarice olhou uma vez.

Não se sabia o que Florinda dissera, mas Euzébio sorriu, e os dois conversaram animadamente.

Ela virou a cabeça, sentindo uma dor na palma da mão. Ao abri-la, viu que estava cheia de marcas roxas das unhas.

Clarice não olhou mais e partiu resolutamente.

Ao chegar, o médico ligou novamente, pedindo que Clarice fosse ao hospital dali a dois dias para fazer o teste de pressão.

Clarice não queria esperar tanto, mas havia muitas pessoas para fazer o teste, a maioria idosos que não tinham outra escolha a não ser viajar de avião para outras regiões.

Como alguém com uma doença grave que precisava do teste, ela era a única entre centenas de vagas.

Clarice voltou para o hotel e excluiu todos os contatos de Euzébio.

Às cinco da tarde, Álvaro foi levado para casa pelo motorista.

Assim que chegou, Álvaro jogou a mochila no chão, correu para dentro e gritou:

— Mamãe! Eu quero fazer o dever de casa agora! Não quero levar bronca do professor, quero fazer o dever!

Ele estava muito arrependido de ter brincado tanto ontem.

Também culpava a mãe por não tê-lo lembrado de fazer o dever e dormir às oito horas.

A mãe, embora chata por sempre lembrar dessas coisas quando ele estava se divertindo, evitava que ele fosse criticado e garantisse notas melhores que as dos outros colegas se ele a ouvisse.

Ele não queria ser alvo de zombaria de ninguém!

Álvaro correu para o andar de cima e procurou em vários quartos, mas não viu Clarice.

— Mordomo, cadê a minha mãe?

O mordomo saiu da cozinha:

— Também não vi a senhora. Talvez tenha tido algum compromisso e ainda não voltou. Jovem mestre, quer jantar?

Álvaro fez bico:

— A sua comida não é tão gostosa quanto a da mamãe. Deixa pra lá.

Ele voltou para o quarto, pegou o videogame e começou a jogar. Depois de um tempo, olhou distraidamente para o relógio e pegou o dever de casa no escritório.

Álvaro sentou-se de pernas cruzadas no chão e resmungou:

— Não é só dever de casa? Eu também consigo fazer sozinho.

Mas logo descobriu que não conseguia.

Ninguém lhe ensinava as questões que precisavam ser feitas.

Quando seus olhos cansavam, ninguém o ajudava a relaxar.

Álvaro habitualmente levantava a cabeça e abria a boca, mas ninguém lhe dava frutas na boca.

Ele saiu furioso para procurar o mordomo e os empregados.

Mas o mordomo não sabia ensinar, e os empregados não entendiam inglês, tampouco sabiam massagear seus olhos.

Quanto às frutas cortadas, eles não sabiam a hora certa de dá-las a Álvaro.

O rosto de Álvaro fechou. Lembrou-se de como era confortável fazer o dever na varanda com a brisa soprando e a mãe ao lado. Fazer o dever de casa não parecia tão ruim assim.

Ele não aguentou mais:

— Quero ligar para a mamãe!

O mordomo correu para pegar o relógio-telefone dele.

Álvaro ligou por muito tempo até ser atendido.

Ele questionou imediatamente:

— Mamãe, onde você está? Por que ainda não voltou?

Clarice ficou em silêncio por dois segundos e disse indiferente:

— Algum problema?

— Meu dever de casa está esperando você me ajudar a fazer! Você quer me ver sendo punido pelo professor amanhã de novo? Volta logo. — Álvaro apressou-a, descontente.

Clarice apertou o celular, sua expressão esfriando aos poucos.

Ela dedicara todo o seu esforço e realmente criara um bom filho que era educado na frente dos outros, mas impaciente apenas com ela pelas costas.

Do começo ao fim, ela nunca recebera nenhum respeito.

Clarice retrucou:

— Você não gosta da sua Florinda? Se tiver algum problema, procure ela, não a mim.

Ela desligou na cara dele.

Álvaro ficou estupefato, segurando o relógio-telefone. Nunca imaginou que a mãe seria tão fria com ele.

O som de freios veio do andar de baixo.

Álvaro virou-se imediatamente e correu para baixo, impaciente para reclamar com Euzébio.

Euzébio ouviu e bufou friamente, olhando-o de cima:

— Não foi você quem irritou a mamãe? Eu vou procurá-la. Quando ela voltar, você vai pedir desculpas a ela direitinho, ouviu bem?

Álvaro baixou a cabeça a contragosto.

Meia hora depois.

Alguém bateu à porta do quarto de hotel onde Clarice estava.

Ela abriu a porta, pensando ser um funcionário do hotel.

Deu de cara com aqueles olhos negros profundos. Clarice hesitou:

— Você... como soube que eu estava aqui?

Euzébio entrou segurando uma tigela de massa:

— Já comeu? Comprei uma massa para você, com bastante limão, do jeito que você gosta. Coma enquanto está quente.

Ele ainda usava o terno sem amassados da empresa, aquele que ela passara para ele.

Euzébio tirou o paletó, examinou o quarto, arregaçou as mangas para pegar o casaco de Clarice que estava pendurado e abriu a mala.

— Volte comigo. Morar aqui é inconveniente. A criança precisa de disciplina. Vamos voltar e dar uma boa lição nele, não use esse método para fazer birra.

Clarice observou-o silenciosamente agachar-se para arrumar as roupas dela, e as lágrimas caíram.

Ela virou o rosto imediatamente para secá-las:

— As coisas na mesa do escritório, você ainda não viu?

Euzébio parou o movimento e levantou os olhos:

— Que coisas? Você já mencionou isso duas vezes hoje.
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