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Três Alfas E Uma Luna Sem Lobo
Três Alfas E Uma Luna Sem Lobo
ผู้แต่ง: Ana flavia_oficial

O Segredo Sujo da Alcateia

ผู้เขียน: Ana flavia_oficial
last update วันที่เผยแพร่: 2026-09-02 03:41:16

POV da Nyra

— Olha por onde anda, aberração!

A palavra me atingiu antes do ombro dele.

Meus livros sacudiram. Meu anuário escorregou da minha mão e bateu no chão com um estalo, as páginas se abrindo de repente como se estivessem tentando escapar de mim. O corredor nadava em barulho, risadas, passos, o rangido estridente da porta de um armário, e ainda assim, de algum jeito, aquela única palavra encontrou o centro de mim, como se tivesse um mapa para cada machucado que eu já tinha engolido.

Aberração.

Essa era eu. O erro sem lobo e de origem desconhecida da alcateia.

Robert Wilson passou por mim como se eu tivesse me jogado de propósito no caminho dele. Ele nem sequer parou. Não precisava. Lobos como ele, de sangue puro, fortes como lobos, certos do seu lugar, nunca precisavam parar por garotas como eu.

Eu me abaixei devagar, engolindo a ardência na garganta, e recolhi minhas coisas com mãos cuidadosas. O chão parecia mais frio do que deveria. O ar também. Aquele era o tratamento de sempre. Eu tinha aprendido da pior forma a não esperar nada melhor da alcateia.

— Não dá pra farejar por onde está andando? — alguém murmurou por perto, e algumas vozes riram como se a minha humilhação fosse um petisco que pudessem dividir.

Mantive a cabeça baixa.

Não adiantava discutir. Eu tinha aprendido isso da pior forma.

Discutir fazia empurrarem você. Ser empurrada fazia apanharem de você. E apanhar quando você não tinha lobo não era como apanhar para todo mundo. Lobos se curavam rápido, ossos se remendando, hematomas desaparecendo, a dor virando memória em horas, não em dias. Eu? Às vezes levava semanas. Às vezes levava mais tempo. Eu carregava hematomas velhos como outras garotas carregavam joias.

Aos vinte anos, eu ainda não tinha me transformado.

Sem lobo. Sem reflexos aguçados. Sem cura. Sem força.

Só um corpo que quebrava do jeito que os humanos quebravam.

Algumas pessoas diziam que meu pai tinha sido um renegado amaldiçoado. Outras gostavam mais da história da bruxa, diziam que ele devia ter sido alguma coisa vergonhosa das Terras Exteriores, alguma coisa antinatural que explicava por que eu era... assim. Por que eu conseguia sentir o cheiro da Lua e mesmo assim permanecia intocada por ela.

Eu não acreditava em nada disso.

Eu não ligava.

A única coisa com a qual eu me importava, de verdade, desesperadamente, era a única verdade que a alcateia não sabia.

Eu tinha um companheiro.

Não um companheiro.

O companheiro.

E o destino, com seu cruel senso de humor, tinha me ligado à única pessoa a quem menos era permitido me querer.

Kieran Whitewolf.

O filho do Alfa. O futuro Alfa. O herdeiro de ouro de Vandwood.

O garoto que a alcateia amava.

O garoto que eu amava em segredo.

O garoto que me amava... só onde ninguém podia ver.

Apertei meu anuário contra o peito e continuei andando, tentando ignorar a forma como minhas costelas doíam por causa do empurrão. Hoje era para ser leve. Hoje era para ser um fim que eu conseguisse sobreviver.

Era o dia da formatura.

O último dia em que eu teria um motivo legítimo para pisar na academia sem ser enxotada como uma vira-lata.

Parte de mim estava aliviada.

Sem mais bullying diário. Sem mais armadilhas nos corredores. Sem mais risadas me seguindo como uma sombra.

Mas outra parte de mim... a parte mais suave que eu odiava por existir... lamentava aquilo.

Porque depois de hoje, meu mundo encolheria de novo até os arredores. As cabanas dos párias. As trilhas estreitas entre as árvores. O silêncio cansado da minha mãe. A minha própria solidão.

Uma vida sem amigos e sem lugar para ir ainda era uma vida difícil, mesmo quando você já estava acostumada com isso.

Passei por um grupo de garotas encolhidas perto das janelas, com os cabelos brilhantes e os uniformes impecáveis. Elas já estavam assinando os livros umas das outras, dando gritinhos por causa das lembranças, planejando festas. Quando meus olhos se voltaram para elas, uma delas ergueu o queixo e sorriu com desdém.

— Quem vai assinar o seu, Moonchild? — ela perguntou, alto o bastante para o corredor inteiro ouvir.

Meu estômago se apertou.

Moonchild.

Meu sobrenome.

Um nome que parecia uma bênção até a alcateia colocá-lo na boca e torcê-lo até virar zombaria.

Eu não respondi. Eu não parei. Só abracei o anuário com mais força, mais como um escudo do que como uma lembrança, e continuei andando.

Não adiantava me juntar aos outros.

Ninguém ia assinar meu livro mesmo.

Eu já estava na metade do corredor quando um movimento chamou minha atenção.

Uma figura alta perto do extremo oposto.

Ombros largos. Cabelo escuro. Um andar familiar que meu corpo reconheceu antes que minha mente pudesse acompanhar.

Minha respiração falhou.

Kieran.

Ele não devia estar aqui. Tinha se formado dois anos atrás. Tinha patrulhas, treinamento, reuniões do conselho, um futuro que já estava sendo talhado em pedra pelas expectativas da alcateia.

Mesmo assim, ali estava ele, cortando o corredor como se fosse dono daquilo.

Meu peito se encheu de algo perigoso.

Esperança.

E porque eu estava olhando, porque eu era idiota de esperança, não vi a pessoa entrando no meu caminho até ser tarde demais.

Eu colidi com ela.

Meu ombro bateu contra um corpo rígido. Meu anuário sacudiu contra meu peito. O cheiro me atingiu um segundo depois, perfume doce e caro sobreposto ao poder de lobo.

Beverly.

A bela da academia. A garota sobre quem todos sussurravam que seria a futura Luna, porque ela tinha tudo que uma Luna deveria ter: linhagem, beleza, uma loba formidável e um sorriso polido e afiado o bastante para cortar.

O destino não a tinha escolhido.

O destino tinha escolhido a mim.

— Você é cega? — a voz de Beverly estalou como um chicote.

— Desculpa — deixei escapar na mesma hora, dando um passo para trás. Pedir desculpas já era reflexo, automático, como respirar. — Eu não quis,

Os olhos dela se estreitaram, me examinando como se eu fosse alguma coisa grudada no sapato dela. Então o olhar dela caiu para o livro apertado nos meus braços.

— Ah. — Os lábios dela se curvaram. — Seu anuário.

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