로그인— Esse símbolo pertence a uma ordem antiga — disse ele finalmente. — Muitas pessoas tiveram acesso a ele. — E Marek Dovan? — perguntei. — Que relação tinha com a minha mãe? Theron olhou para mim com uma expressão que misturava impaciência e uma espécie de piedade calculada. — Lyanna estava envolvida em assuntos que ultrapassavam a tua compreensão. — Tinha três dias de vida quando ela morreu. Naturalmente, não compreendia os assuntos em que estava envolvida. É precisamente por isso que estou a fazer perguntas agora. Alaric colocou-se ao meu lado. — Responde-lhe, Theron. O ancião voltou-se para ele. — Não recebo ordens tuas quando está em causa a segurança de todas as matilhas. — Estás dentro do meu território, diante da minha filha, a investigar um assassinato que pode estar relacionado com uma conspiração que escondeste durante dezoito anos. Vais responder. A palavra filha fez-me olhar para Alaric. Não era a primeira vez que ele me chamava assim, mas, naquela manhã, a palav
Durante alguns segundos, ninguém disse nada. O silêncio que se instalou nos arquivos foi tão pesado que consegui ouvir o som irregular da minha própria respiração. A carta de Lyanna permanecia aberta sobre a mesa, ao lado dos documentos que acabamos de encontrar, e o nome dela, escrito no peito de um homem morto, parecia ter atravessado as paredes da propriedade para se instalar dentro da minha cabeça. Alguém estava a enviar-nos mensagens. Alguém sabia o que aconteceu dezoito anos antes, conhecia os segredos dos anciãos e tinha informações suficientes para ameaçar a minha vida. O pior era que essa pessoa parecia estar sempre um passo à nossa frente.— Onde está o corpo? — perguntou Alaric, quebrando o silêncio.— Junto ao portão norte, senhor. Os guardas isolaram a área e impediram que os membros da matilha se aproximassem. O líder dos anciãos chegou há poucos minutos e ordenou que ninguém tocasse no cadáver até Selene aparecer.— Theron não dá ordens sobre o que acontece dentro desta
Quando terminei, o sol já subira o suficiente para iluminar o pátio central de Black Moon. O movimento começava a regressar à propriedade, embora os sinais da batalha da noite anterior permanecessem por toda a parte. Havia trabalhadores a substituir tábuas partidas, guardas a verificar os muros e curandeiros a transportar caixas de medicamentos para a enfermaria. Dois homens removiam pedras caídas junto à escadaria, enquanto uma mulher distribuía água pelos que tinham passado a madrugada a ajudar os feridos. Pedi alguns minutos para me lavar e trocar de roupa antes de ir aos arquivos. A minha roupa ainda tinha marcas de terra e sangue seco. A água morna que caiu sobre os meus ombros ajudou-me a libertar parte da tensão acumulada, embora não conseguisse afastar as imagens da noite anterior. Enquanto lavava o rosto, observei o meu reflexo no espelho. Os olhos azul-acinzentados pareciam mais claros sob a luz da manhã, mas havia sombra
Aquela hesitação, por mais breve que fosse, atingiu-me com uma força que eu não estava preparada para suportar. — Responde — pedi, sentindo a garganta apertar-se. — Não quero uma explicação sobre a ligação, a profecia ou a tua linhagem. Quero saber se me amas. — Amo-te. A resposta foi firme. O problema era que a carta continuava entre as minhas mãos. — E a minha mãe? — perguntei. — Também lhe disseste que a amavas? O rosto de Kael endureceu. — Nunca conheci Lyanna como tu estás a imaginar. — Não foi isso que perguntei. — Selene, eu era uma criança quando ela morreu. — E quando participaste no ritual que selou os meus poderes, também eras uma criança. Já falámos sobre isso. Eu sei que não escolheste tudo o que fizeram contigo. Mas não posso continuar a descobrir pedaços da minha vida através de confissões arrancadas às pessoas. Kael afastou a mão do encosto da cadeira. Pela primeira vez naquela manhã, senti-o verdadeiramente distante. — Não te vou pedir que ac
Alaric ficou a olhar para mim durante um longo momento. Depois, retirou do bolso uma pequena chave de ferro. — Há uma secção que não é aberta desde o funeral de Lyanna — disse ele. — Os documentos estão protegidos por um selo que só pode ser quebrado pelo Alfa Supremo ou por alguém com sangue da linhagem lunar. — Então podemos abri-lo — respondi. Ele conduziu-nos até uma porta estreita no fundo da sala. O símbolo gravado na madeira era semelhante ao que eu vira na cripta, embora este estivesse quase apagado. Alaric introduziu a chave numa fechadura antiga e rodou-a duas vezes. A porta abriu-se com um gemido prolongado. Dentro havia uma sala pequena, sem janelas, com armários de metal e uma mesa coberta por um pano cinzento. No centro da parede do fundo, um círculo de símbolos prateados rodeava uma placa de pedra. Aproximei-me. A luz sob a minha pele respondeu antes que eu tocasse na pedra. — Cuidado — avisou Kael. — Não vou fazer nada. Mas os símbolos já estavam
A frase continuava diante dos meus olhos, mesmo depois de eu ter terminado de a ler. Não confies no homem que te diz amar-te. Foi ele quem me entregou aos meus assassinos. O papel tremia entre os meus dedos, mas não sabia se era por causa do frio da manhã ou daquilo que aquelas palavras acabavam de fazer dentro de mim. O pequeno-almoço continuava disposto sobre a mesa: pão ainda morno, uma tigela de fruta cortada, chá fumegante e uma travessa com ovos que ninguém parecia interessado em tocar. A luz do sol entrava pelas janelas da sala de jantar, iluminando a poeira suspensa no ar e os rostos das pessoas sentadas à minha volta. Tudo parecia demasiado normal para uma manhã que acabara de destruir a pouca tranquilidade que eu conseguira recuperar. Aster estava imóvel à minha frente. O homem que eu aprendera a chamar de pai durante toda a minha vida tinha os olhos fixos na carta, e a expressão dele era tão sombria que senti um arrepio percorrer-me a coluna. Não parecia apenas surp







