Mary Anne Eu estava cercada de mulheres. Samantha, Ana, Susan, Lolô, Lívia, duas amigas de faculdade, Tiana, primas, tias. O quarto pequeno da casa da minha mãe parecia ter encolhido com tanto corpo, tanto perfume, tanta voz falando ao mesmo tempo. Alguém ajustava uma trança no meu cabelo. Outra passava batom pela terceira vez. Já segurava meu buquê e sorria de um jeito que me fazia querer chorar antes mesmo de começar. — Respira — ela sussurrou. — Você está tremendo. — Eu sei. Não consigo parar. Magda estava parada na frente de mim, as mãos no rosto, os olhos vermelhos. Ela olhava o vestido como se visse algo sagrado. O tecido leve, as camadas em vermelho-queimado, dourado e preto, as moedas antigas da família costuradas na barra. Uma cigana romani tinha feito aquele vestido dias atrás. Agora ele era meu. E, pelo jeito que Magda chorava, ele também passava a ser da família. — Você está linda — ela conseguiu falar, a voz embargada. — Sua avó teria pirado. Eu ri, nervoso.
Zuletzt aktualisiert : 2026-10-08 Mehr lesen