Mary Anne Clarke chegou em casa perto das sete. Eu estava no sofá, com o caderno aberto no colo, quando a porta bateu com mais força que o normal. Ele parou no meio da sala, ainda de casaco, o olhar escuro e a mandíbula travada. Eu senti o clima mudar no mesmo segundo. — Onde você esteve o dia inteiro? A pergunta saiu baixa, controlada demais. — Resolvendo umas coisas — respondi, fechando o caderno. — Por quê? Ele tirou o casaco e jogou sobre a poltrona. Veio até mim com passos lentos. Quando parou na minha frente, o cheiro de colônia misturado de tensão me atingiu junto. — Você sumiu. Não mandou mensagem. Não avisou. Eu fiquei o dia inteiro sem saber onde você estava. — Eu fui... Eu abri a boca para responder, mas ele já se inclinava. A mão grande segurou meu queixo com firmeza, forçando-me a olhar para cima. — Com quem você estava, Mary Anne? O ciúme estava tão claro nos olhos dele que meu estômago revirou. Parte de mim quis explicar na hora. Outra parte, a parte
Zuletzt aktualisiert : 2026-09-21 Mehr lesen