A chuva caía torrencial sobre o Rio de Janeiro, tamborilando nas janelas do apartamento de cobertura em Ipanema, como se quisesse lavar anos de segredos. Luka estava sentado no sofá de couro preto, o notebook aberto sobre a mesa de centro, mas a tela já estava escura há quase quarenta minutos. Ele segurava um copo de uísque single malt, o gelo há muito derretido. Aos trinta e oito anos, Luka Silva — ou melhor, o homem que carregava vários nomes falsos ao longo da vida — sabia que havia chegado ao limite.As memórias o assombravam. Anos infiltrado na Organização, invadindo sistemas governamentais, apagando evidências de crimes financeiros bilionários, protegendo figuras intocáveis e, em alguns casos, destruindo vidas inocentes com apenas alguns cliques. Sua mente era uma arma. Uma das melhores. Mas armas, no final, também ferem quem as empun
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