登入Na quarta noite, aconteceu.
Eram quase meia-noite quando desci para a pequena biblioteca que Elias havia montado para mim meses atrás — um santuário pessoal com estantes cobrindo duas paredes, poltrona de leitura posicionada para capturar a luz natural, e a mesa de carvalho maciço que Luka havia escolhido porque “a madeira tem ressonância adequada para trabalho criativo”,
A luz dourada da manhã filtrava pelas cortinas de linho, desenhando padrões suaves no teto da vila. Maeve foi a primeira a despertar e, por um longo momento, permaneceu imóvel, absorvendo cada detalhe daquele instante: o cheiro de sal e madeira aquecida pelo sol, o som rítmico das ondas como uma respiração tranquila, o peso reconfortante dos três corpos ao seu redor. Luka dormia atrás dela, um braço protetor sobre sua cintura, enquanto Zion estava de bruços ao lado, os dreadlocks espalhados no travesseiro como raízes buscando solo. Elias, na beirada da cama, mantinha os pés entrelaçados nos dela — um hábito inconsciente que desenvolvera nos últimos dias.Último dia. As palavras pousaram em seu peito sem o peso devastador que esperava. Em vez de
Acordei com o corpo ainda dolorido da noite anterior, mas era uma dor boa, do tipo que lembra que você está vivo. O sol mal havia nascido quando Elias me puxou para o deck. Ele não disse nada. Só estendeu a mão, como sempre fazia quando as palavras não bastavam. Eu o segui.O ar estava fresco, salgado, com aquele cheiro de mar que entra nos pulmões e limpa tudo por dentro. Ele desenrolou dois tapetes de ioga no deque de madeira, posicionados de frente para o horizonte. Sentou-se primeiro, pernas cruzadas, coluna reta como se o mundo pudesse desabar que ele continuaria de pé. Eu me sentei à frente dele.— Só respira — murmurou.Começamos devagar. Movimentos simples, alongamentos que ele guiava com as mãos grandes e calejada
A primeira manhã após a renovação dos votos nasceu suave, dourada e sem pressa.Maeve acordou lentamente, sentindo o peso quente de três corpos ao seu redor. Zion estava grudado em suas costas, o braço possessivo ao redor de sua cintura. Luka dormia com o rosto enterrado em seu peito, respirando contra sua pele. Elias, como sempre, ocupava o maior espaço, com uma perna sobre as dela e a mão grande repousando protetoramente em sua coxa.Por um longo momento, ela não se mexeu. Apenas absorveu a sensação — pele contra pele, respirações sincronizadas, o cheiro familiar dos três misturado ao sal do mar que entrava pela janela aberta. Pela primeira vez em muito tempo, não havia urgência. Não havia livro para terminar, filho para acordar, reuni&ati
A decisão veio depois de uma semana inteira de conversas difíceis, lágrimas e silêncios pesados.Depois da briga entre Zion e Luka, a casa parecia ter entrado em um estado de alerta constante. Ninguém queria admitir, mas o medo de que o amor que haviam construído com tanto esforço estivesse se desgastando era real. Foi Elias quem propôs a solução, numa noite em que os quatro estavam sentados na varanda, exaustos de tanto falar sem resolver.— Vamos voltar pra onde tudo começou — disse ele, a voz grave e calma. — As Maldivas. A ilha particular. O mesmo lugar onde o Noel Imperial nos deixou. Mas, dessa vez, não como prisioneiros. Como livres. Vamos renovar os votos. Só nós quatro. Sem máscaras. Sem passado pesando. Só o agora.
Os meses seguintes ao lançamento do segundo livro de Maeve foram um turbilhão de emoções e conquistas. Correntes de Veludo estava vendendo ainda melhor que o primeiro, ganhando destaque em comunidades de dark romance e conquistando leitoras que devoravam cada cena explícita e emocional. Maeve viajava discretamente para eventos, participava de lives anônimas e passava longas horas no escritório, revisando, escrevendo e respondendo mensagens de leitores.A casa, que sempre fora um refúgio, começava a sentir o peso da nova rotina.Zion estava no estúdio quase todas as noites, compondo sozinho, o violão ecoando pela casa como um lamento. Luka mergulhava ainda mais fundo nos projetos da Lumina Security, mu
Elias foi, de longe, o mais visceral de todos.Certa madrugada, por volta das três e meia, ele desceu silenciosamente até o escritório de Maeve. A porta estava entreaberta, deixando escapar uma faixa fina de luz âmbar. Ele a encontrou exatamente como imaginava: inclinada sobre a mesa, vestindo apenas uma camiseta larga dele, os cabelos escuros bagunçados caindo sobre o rosto, os dedos voando sobre o teclado enquanto escrevia uma cena particularmente pesada — uma de dupla penetração emocional e física, cheia de rendição absoluta, estresse delicioso e prazer avassalador.Elias não disse uma palavra.Entrou no escritório como uma sombra grande e silenciosa, fechou a porta atrás de si com um clique suave e, em dois passos larg
A normalidade é traiçoeira quando você não está acostumada a ela.É isso que penso enquanto empurro o carrinho de supermercado pelo corredor de laticínios, com uma lista f
A culpa na voz dele é tão densa que quase tem textura.— Você acha que eu sobrevivi por acaso? — pergunto, forçando-o a me olhar. — Eu sobrevivi porque sabia que vocês
A primeira coisa que percebo é o frio.Não o frio da casa — o ar-condicionado está funcionando perfeitamente, a temperatura exata que Luka programou para otimizar nosso sono. É o frio d
O consultório da Dra. Evelyn Vance fica em um prédio discreto no centro da cidade, longe o suficiente da nossa casa para garantir privacidade, mas não tão longe que a viagem se torne uma provação.