Gustavo soltou uma risada de desprezo.— Acha que um papel resolve tudo o que existe entre nós?Lívia assentiu.— Tem razão. Esse papel não dá conta de tudo o que você me deve. Pena que, no divórcio, só dá para dividir os bens. Não posso cobrar com a sua vida.O rosto dele se fechou.— Precisa falar desse jeito?Ela sustentou o olhar, sem poupar nada.— Para tratar alguém como gente, essa pessoa precisa agir como gente. É o seu caso?Um silêncio assustador se instalou.Lívia já estava acostumada àqueles momentos em que se encaravam como inimigos, como se só quisessem destruir um ao outro.Três anos antes, depois da primeira traição, ferir com palavras tinha virado rotina. E, na maior parte das vezes, era ela quem começava.Odiava a traição, mas não ia embora. Presa à dor e ao ressentimento de todos os dias, torturava Gustavo e a si mesma.Agora, não restava nada.Amor, ódio, esperança, decepção. Tudo tinha se esgotado.Gustavo esboçou um sorriso.— Quer o divórcio? Então primeiro me
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