Navegando pelos escritos de Kierkegaard, encontrei essa pérola: 'Escolher ou não escolher ainda é uma escolha'. Parece óbvio, mas quantas vezes ficamos paralisados achando que estamos neutros? Ele crava que a liberdade não é um presente, é uma responsabilidade dura. E isso me cutuca especialmente quando vejo amigos reclamando da vida enquanto repetem os mesmos padrões seguros.
A genialidade dele está em mostrar que até a indecisão é uma forma de ação — e geralmente a mais covarde. Quando li sobre o 'desespero silencioso' que surge disso, fez todo sentido. Nossa geração vive postergando coisas essenciais com distrações vazias, e Kierkegaard já antevia isso no século XIX.
Um amigo me apresentou essa máxima kierkegaardiana: 'Se eu puder pedir algo a você, peço que não perca seu tempo'. Parece simples, mas quando ele relaciona isso com a ideia de que o tédio é o pior dos pecados porque nega nossa capacidade de escolher, a coisa fica profunda. Quantas horas jogamos no lixo rolando feeds sem sentido?
Ele via a liberdade como um martelo que quebra cadeias invisíveis. Me pego revirando essa ideia sempre que adio uma mudança por comodismo. O mais irônico? Kierkegaard dizia que a única maneira de vencer o medo é atravessá-lo — e ele mesmo morreu cheio de dúvidas. Isso humaniza o filósofo de um jeito lindo.
Lembrei de Kierkegaard quando um professor disse: 'Não existem ensaios para a vida'. O cara escreveu que 'a ansiedade é a tontura da liberdade', e nunca ouvi definição mais precisa. Isso me acompanha toda vez que tenho que decidir algo grande — a mão treme justamente porque a escolha é real.
Ele tinha esse talento de transformar crises existenciais em mapas. Quando fala que 'Deus criou o homem porque adorava contos de fadas', me pego rindo da genialidade. Por trás do existentialismo pesado, havia um poeta que entendia o caos do coração humano. Seus textos são como conversas com um tio sábio e meio louco.
Kierkegaard me pegou de surpresa quando li pela primeira vez sobre sua ideia de que 'a vida só pode ser entendida olhando-se para trás, mas deve ser vivida para frente'. Isso me fez refletir sobre como cada escolha, por mais pequena, carrega um peso imenso. Ele fala da angústia como um véu que nos separa da liberdade verdadeira, e isso ecoa demais quando você para pra pensar nas decisões que adiamos por medo.
A parte mais fascinante é como ele descreve o salto da fé — não como um ato cego, mas como um mergulho corajoso no desconhecido. Isso me lembra daquelas horas antes de tomar uma decisão importante, quando o coração parece querer sair pelo peito. Kierkegaard transforma esse turbilhão em filosofia pura, e é impossível não se identificar.
Teve uma noite que li 'O conceito de angústia' até de madrugada, e uma frase grudou na minha mente: 'A possibilidade é mais leve que a realidade, mas também mais pesada'. Kierkegaard fala disso como quem descreve aquele frio na barriga antes de uma viagem — a expectativa é sempre mais intensa que o destino. Isso mudou minha forma de encarar projetos criativos.
Ele compara a liberdade a um abismo que nos atrai e assusta simultaneamente. Quando aplico isso às pequenas revoluções cotidianas — desde largar um emprego ruim até confessar um sentimento —, entendo porque suas palavras ainda arrepiam. O dinamarquês sabia que escolher é rasgar parte de si mesmo, e isso dói mesmo quando liberta.
2026-07-12 16:42:04
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Quando Meu Companheiro Escolheu Ela, Eu Escolhi a Liberdade
Rosemary
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Eu recebi uma segunda chance no dia em que meu companheiro escolheu outra loba no meu lugar.
Na minha vida passada, lutei para mantê-lo. Implorei, discuti e fiquei no caminho dele, apenas para vê-lo me culpar por tudo o que perdeu. No dia da nossa cerimônia de vínculo, ele me fez pagar por amá-lo.
Desta vez, eu não chorei. Não implorei. Quando ele quis levá-la para o Território Frost, eu mesma arrumei a mala dele. Quando ela sorriu pelas costas dele e me chamou de substituível, eu deixei passar.
Se ele a amava tanto assim, eu sairia do caminho.
Mas, no dia em que ele finalmente percebeu que eu não estava mais esperando no altar, eu já havia entrado em outra cerimônia, em outra alcateia, ao lado de um homem que nunca me fez sentir como segunda opção.
Meu antigo companheiro achou que eu estava tentando lhe dar uma lição.
Ele estava errado.
Eu estava me libertando.
A bruxa disse que minha irmã mais velha morreria aos dezesseis anos, e as profecias dela nunca erravam.
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A melhor carne de veado era reservada para ela. A rara pele de raposa branca era dada a ela. Todas as noites, nossos pais contavam histórias para ela dormir.
Eu sabia que ela era digna de pena, mas ainda assim me sentia magoada e ressentida.
Então, no dia em que ela completou dezesseis anos, uma dor aguda se espalhou pelo meu peito. Com medo de que eu causasse problemas, meus pais me trancaram no porão.
— Mãe, por favor… — chorei, batendo na porta. — Consigo sentir minha loba interior ficando mais fraca. Me deixa sair…
No entanto, minha mãe disse sem hesitar:
— Não! Hoje é um dia importante para sua irmã. Só resta um dia para ela. Aguente só mais um pouco…
Quando finalmente fechei os olhos e minha alma se desprendeu do meu corpo, vi a sala de estar tomada por uma luz quente de velas.
Meus pais seguravam minha irmã, viva e perfeitamente bem, enquanto choravam.
Só então percebi que a profecia da bruxa realmente nunca errava.
A escolhida para morrer nunca foi minha irmã.
No dia em que eu deveria experimentar vestidos de noiva com Charles Jaspier, o líder da máfia que eu amei por sete longos anos, entrei na boutique segurando o exame de gravidez com o coração transbordando de esperança. No entanto, ouvi uma conversa que acabou com tudo.
— Casar com a Ellis Olsen foi só uma medida temporária — Charles falou com a maior calma do mundo para o seu confidente mais próximo. — Meu irmão morreu num tiroteio e ela tá carregando o único herdeiro dos Jaspier. Sem um status oficial, nem ela e nem a criança sobreviveriam nessa família.
— Todo mundo ia pisar neles — o outro homem comentou, enquanto um charuto repousava entre os dedos de Charles.
— A Zoey Qandor não pode ter o título de esposa, mas eu posso dar todo o resto pra ela. Meu amor, meu dinheiro... Só que ela não pode nem sonhar com isso — ele continuou, com a voz gelada e carregada de uma resignação que me deu náuseas.
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Então, ele foi acorrentado com prata sagrada por dias seguidos. Foi forçado a beber sangue de bestas. Quase morreu em um batismo de água benta.
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Suportei mais duzentas noites de traição. Liliana estava grávida outra vez.
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Embora os invasores tenham sido capturados, uma nova tragédia aconteceu:
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— Pessoas como você já deviam estar mortas. A herança é minha por direito.
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Se Houver Outra Vida, Não Deixe Que Ela Volte para a Sicília.
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Enquanto agonizava, falou com delicadeza:
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— Ela está morta… não tenho mais motivo para continuar vivendo também.
Parecia que uma bala havia atravessado minha cabeça.
Todo o sangue do meu corpo congelou.
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A voz dele saía cada vez mais fraca.
— Finalmente voltou… e morreu diante dos meus olhos.
Os dedos dele tocaram meu rosto pela última vez.
— Por favor… continue viva.
A respiração falhou por um instante.
— Me enterre ao lado dela.
As lágrimas caíam ainda mais rápido pelo meu rosto.
Então Marcus sorriu com tristeza.
— Se existir outra vida…
O olhar dele começou a perder o brilho.
— Não deixe que ela vá para a Sicília no seu lugar novamente.
A garganta dele se moveu com dificuldade.
— Por favor… permita que fiquemos juntos.
Sua mão caiu lentamente.
E o meu mundo desabou junto com ela.
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Então falei calmamente:
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Minha voz saiu baixa.
— Deveria ser Vivian.
O velho Don franziu as sobrancelhas.
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Ergui os olhos lentamente.
— Eu irei.