Adoro acompanhar a literatura brasileira porque ela está cheia de vozes femininas poderosas. Ana Paula Maia é um exemplo, com seus romances sombrios e personagens marcantes, como em 'De gados e homens'. A forma como ela explora a brutalidade e a humanidade é única. Outra autora que me cativa é Carol Bensimon, cujo 'Clube da meia-noite' mergulha em amizades, viagens e descobertas.
Tem também a Tatiana Salem Levy, que em 'Dois rios' tece uma narrativa sensível sobre memória e exílio. E a Veronica Stigger, com 'Opisanie świata', que desafia as convenções literárias. Essas mulheres não só escrevem bem, mas reinventam o que a literatura pode ser.
A literatura brasileira atual está cheia de escritoras que desafiam e encantam. Djamila Ribeiro, mais conhecida por seus ensaios, também tem um lado literário forte, como em 'Cartas para minha avó', onde une memória e política. Geovani Martins, embora não seja mulher, muitas vezes é citado ao lado delas por sua escrita potente, mas focando nas autoras: Eliana Alves Cruz é outra estrela, com 'Água de barrela' retratando histórias familiares e escravidão com uma sensibilidade rara.
Não posso deixar de mencionar a Michelle Bruna, autora de 'Dias de destruição', que aborda violência e resiliência com uma voz crua e necessária. Cada uma dessas escritoras traz algo novo para a mesa, seja estilo, tema ou impacto emocional.
Quando penso em escritoras brasileiras que estão fazendo história hoje, Clarice Lispector ainda vive através da influência que exerce, mas a cena contemporânea tem nomes incríveis. Conceição Evaristo é uma força da natureza, misturando poesia e prosa para falar sobre identidade negra e resistência. Seu livro 'Ponciá Vicêncio' é uma obra-prima que ecoa gerações.
Já Martha Batalha, com 'A vida invisível de Eurídice Gusmão', trouxe um humor ácido e uma narrativa envolvente sobre mulheres comuns. Ela tem um talento único para transformar o cotidiano em algo épico. E não dá para esquecer de Jarid Arraes, autora de 'Redemoinho em Dia Quente', que mescla cordel, feminismo e uma prosa pulsante. Cada uma delas constrói universos tão ricos que fica difícil escolher qual livro pegar primeiro.
Uma das coisas mais legais da literatura brasileira hoje é a diversidade de vozes femininas. Aline Bei, com 'O peso do pássaro morto', explora dor e crescimento com uma delicadeza que corta o coração. Julia Dantas, autora de 'Tudo nela brilha e queima', traz poesia e prosa para falar de amor e luta.
E tem a Cidinha da Silva, cuja obra 'Os nove pentes d'África' une ancestralidade e ficção de um jeito único. Essas mulheres não só contam histórias, mas transformam a maneira como enxergamos o mundo. É impossível não se emocionar ou se inspirar com elas.
2026-03-27 01:22:29
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Dos dez aos dezoito anos, meus pais me obrigaram a escrever duzentas e noventa e nove dívidas.
Cada centavo que eu pedia a eles era considerado um empréstimo — algo que eu teria que pagar quando me tornasse adulta.
Até que sofri um acidente de carro... Na hora de pagar a cirurgia, ainda me faltavam três mil no cartão.
Sem saída, fui implorar ajuda aos meus pais.
Mas eles apenas sorriram friamente:
— Júlia Monforte, você já tem dezoito anos. Não temos mais obrigação nenhuma com você. Escreva uma nova dívida!
Com lágrimas nos olhos, escrevi minha tricentésima dívida.
Após a cirurgia, abri o Instagram e me deparei com uma publicação da minha irmã adotiva.
Na foto, ela estava em um cruzeiro internacional, celebrando seu aniversário de dezoito anos como uma princesa, cercada de gente a bajulando.
O presente dos meus pais para ela? Um apartamento de alto padrão no centro de São Paulo... e a chave de um Maserati.
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Depois que eu quitar essa dívida... uma coisa é certa — não preciso mais de uma família assim.
Durante o atentado contra a vida do Imperador, meu marido, o Comandante da Guarda Real, estava ocupado consolando o grande amor de sua juventude, que havia partido em um acesso de fúria.
Em vez de disparar o sinalizador de emergência que eu tinha nas mãos, me coloquei, com o ventre pesado da gravidez, diante do Imperador. Ofereci o meu próprio corpo como um escudo humano para garantir a fuga de Sua Majestade.
Tomei aquela decisão porque, na minha vida passada, o disparo daquele mesmo sinalizador fez com que meu marido a abandonasse para vir em nosso socorro.
Como recompensa por sua bravura no resgate, ele recebeu o cobiçado título de Duque do Império. No entanto, a mulher que ele amava caiu em uma armadilha e perdeu a vida.
Embora ele não tivesse demonstrado nenhuma revolta na época, aguardou até o dia do meu parto para me atirar no poço das feras. Com o rosto contorcido de dor, implorei por uma explicação.
Ele me lançou um olhar gélido antes de proferir as palavras que selaram meu destino:
— O Imperador já estava cercado por guardas, então por que me chamou de volta? Você só pensa em poder e riqueza e me chamou de volta de propósito. Se não tivesse acionado o sinalizador, Gabriela não teria morrido. Você pagará em dobro por tudo o que ela sofreu.
No fim, acabei despedaçada e devorada pelas feras, e até o bebê que eu carregava no ventre teve o mesmo destino trágico.
Agora, ao abrir os olhos mais uma vez, percebo que retornei ao exato dia do atentado contra o Imperador.
Para cumprir um acordo, decidi me passar por uma pessoa comum e estagiar por uma semana na empresa do meu marido, Rafael Ventura.
No meu primeiro dia de trabalho, me deparei com uma mulher exibindo uma certidão de casamento para a recepcionista, como se segurasse um troféu.
— Sabe o que significa uma certidão de casamento? — ela disse, erguendo o queixo. — Significa que eu sou a única do Diretor Ventura!
Virou-se para a recepcionista e cruzou os braços:
— Que postura é essa? Está com problema na coluna ou simplesmente não me enxerga? Abaixe mais a cabeça! E fique assim até o Diretor chegar!
Em seguida, lançou um olhar desdenhoso para o refeitório:
— Essa comida é para ser comida por gente? Vou mandar um chef estrelado preparar algo decente para vocês!
Eu estava prestes a me aproximar quando uma colega me puxou pelo braço.
— Ela é o grande amor da vida do Diretor Ventura — sussurrou ela, olhando nervosa para os lados. — Dizem que ele pediu ela em casamento cem vezes antes de conquistá-la...
A colega apontou discretamente para a certidão e me aconselhou com um tom de alerta:
— Se você desafiar o Diretor, no máximo é demitida. Mas se desafiar a Senhora Ventura... você simplesmente desaparece.
Quase não consegui segurar o riso.
Imagina só mergulhar nas páginas de autores que capturam a essência do Brasil com tanta maestria! Machado de Assis, claro, é um clássico eterno, mas hoje em dia temos nomes como Paulo Coelho, que conquistou o mundo com 'O Alquimista'. Geovani Martins, com 'O Sol na Cabeça', trouxe uma voz fresca e potente da periferia. A prosa afiada de Conceição Evaristo em 'Ponciá Vicêncio' também é imperdível. E não dá para esquecer de Martha Batalha, cujo 'A Vida Invisível de Eurídice Gusmão' ganhou até adaptação cinematográfica.
Cada um desses escritores tem um estilo único, refletindo diferentes facetas da cultura brasileira. Desde o universalismo mágico de Coelho até a crueza realista de Martins, há um universo literário para todos os gostos. Fico especialmente fascinado pela maneira como Evaristo mescla poesia e denúncia social, criando narrativas que ecoam profundamente.
Portugal tem uma cena literária incrível, e algumas autoras contemporâneas estão fazendo barulho internacionalmente. A primeira que me vem à mente é Lídia Jorge, cujo trabalho em 'Os Memoráveis' captura a essência da identidade portuguesa pós-revolução. Seus personagens são tão vívidos que você quase sente o cheiro das ruas de Lisboa.
Outra autora que adoro é Dulce Maria Cardoso, especialmente depois de ler 'O Retorno'. Ela explora temas como migração e pertencimento com uma sensibilidade que arranca lágrimas. A forma como ela descreve o desenraizamento é tão poderosa que fiquei dias pensando no livro depois de terminar.
Não dá pra falar de escritoras brasileiras sem começar por Clarice Lispector. A autora de 'A Hora da Estrela' tem uma escrita tão única que parece que ela consegue pegar os sentimentos mais obscuros da alma humana e transformar em palavras. Suas obras são cheias de reflexões profundas sobre identidade e existência, e mesmo décadas depois da sua morte, ela continua sendo uma das vozes mais importantes da literatura nacional.
Outra gigante é Lygia Fagundes Telles, cujos contos e romances exploram temas como amor, morte e loucura com uma sensibilidade impressionante. 'As Meninas' é um clássico que retrata a juventude durante a ditadura militar, misturando realidade e fantasia de um jeito que só ela consegue. A prosa dela é tão rica que você consegue sentir a atmosfera de cada cena como se estivesse lá.