Início / Romance / A Dama de Companhia / Capítulo 19 - Prometa que vai tomar cuidado

Compartilhar

Capítulo 19 - Prometa que vai tomar cuidado

last update Data de publicação: 2021-06-01 08:26:55

Naquela mesma noite, em meu quarto, liguei para Léo:

- Kat? Estou feliz que tenha me ligado. Sentiu minha falta? – perguntou ele feliz.

- Sim... – menti. Eu não tinha sentido a falta dele. Mas eu literalmente precisava muito dele.

- Eu disse que mais cedo ou mais tarde você perceberia que eu era o que você precisava.

- Talvez... – falei sincera. – Eu estou ligando para convidá-lo para jantar comigo amanhã à noite.

- Você me convidando para jantar? – ele falou surpreso. – Querida, não tenho palavras para descrever o que estou sentindo neste momento. Que horas pego você? O jantar vai ser na sua casa? Vou conhecer sua família, oficialmente?

Eram tantas perguntas. Como eu diria a ele a verdade?

- Léo... Você pode me buscar às 18 horas. Mas o jantar na verdade... É... No castelo.

- Castelo? – perguntou ele confuso.

- Castelo de Noriah, Léo.

Houve um longo silêncio do outro lado da linha. Eu continuei:

- Fui convidada hoje pela manhã.

- Você foi convidada para jantar no castelo? E está me convidando para acompanhá-la?

- Sim... – falei sem muita certeza do que estava dizendo. Eu sabia que ele estava feliz e minha intenção de acabar com ele no final de semana dizendo que eu não havia conseguido ter sentimentos por ele estava indo por água abaixo. Eu não conseguiria ser tão cruel. Então, iria usá-lo como meu namorado no jantar. E depois continuaria meu namoro por mais um tempo, certa de que não seria capaz de amá-lo.

- Kat, estou tão feliz que tenha pensado em mim para isso...

- Léo, você é meu namorado. Eu não poderia pensar em outra pessoa.

Eu não sabia que eu conseguia ser tão cínica. Acho que eu estava mais preparada do que imaginava para enfrentar a rainha Anne no castelo sendo informante de Dereck.

- Preciso usar uma roupa adequada ao castelo?

- Claro, sua melhor roupa.

- Jantaremos com alguém da realeza?

- Eu... Realmente não sei. Pode ser que sim... Ou não.

- Isso faz parte do seu processo seletivo?

- Me parece que sim... Só não sei de que forma. De qualquer jeito, comporte-se como sempre foi: um cavalheiro. – isso eu não estava mentindo.

- Dois anti monarquistas dentro do castelo de Noriah. Isso me assusta um pouco.

- Somos anti monarquistas, Léo. Não somos assassinos da realeza.

Ele riu:

- Eu sei... Mas de alguma forma me sinto assim. Você não acha isso estranho?

- Um pouco. Mas é a vaga para o emprego da minha vida que está em jogo.

- Mas você não deixaria de ser anti monarquista por trabalhar no castelo, não é mesmo?

Pensei um pouco e perguntei:

- Por que está falando isso?

- Eu não quero que você mude por estar lá dentro. Tenho medo que ache que a rainha não seja uma pessoa tão horrível com o povo.

- Eu temo achá-la ainda pior, Léo. – confessei.

- Estou aliviado de ouvir isso.

- Não se preocupe, Léo. Está tudo bem...

- Kat... Eu sou apaixonado por você.

- Eu... Sei. Preciso desligar... Minha mãe está chamando.

- Boa noite... Vou sonhar com você e com a noite maravilhosa que teremos amanhã.

Eu desliguei o telefone. Não tinha intenção de continuar a conversar com ele. Não naquele dia. Eu estava muito cansada e confusa com todos os acontecimentos repentinos na minha vida. Precisava botar minha cabeça em ordem e pensar no que faria para me sobressair no jantar do dia seguinte. Dereck não sabia como me ajudar. Ele me perseguia desde que me conhecera e eu sequer tinha o número de telefone dele para qualquer emergência. Há alguns dias atrás eu era somente Katrina Lee, uma simples moradora fracassada financeiramente da Zona E. Agora eu era a esperança do príncipe numa nova forma de reinado. Eu suportaria tanta pressão? Eu seria forte o bastante para correr todos os riscos?

Eu precisava de um vestido novo para o jantar. Mas eu não tinha dinheiro para comprar. Então teria que me virar com o que eu tinha. Passei o dia em função de me preparar para a noite. Não sabia exatamente a intenção do jantar e como ele poderia me ajudar a passar para a próxima fase. Eu sabia que a rainha não queria uma garota que chamasse a atenção, então optei por um vestido branco curto. Dava-me uma aparência angelical. Um vestido longo poderia ser demais para o evento. Eu precisava de Kim. Liguei imediatamente para ele.

- Fala, princesa.

- Kim, o jantar no castelo é hoje. Eu preciso estar perfeita.

- E ficará. A mais bela de todas.

- Na verdade, eu não sei se é esse o objetivo. Não quero chamar tanto a atenção, mas preciso estar bem.

- Sei... Pode vir até aqui?

- Será que você não poderia vir na minha casa antes das 18 h? Queria me preparar aqui. Léo virá me buscar.

- Tudo bem. Depois da aula eu vou direto para sua casa com minhas armas mágicas.

- Estarei esperando.

Quando expliquei para meu pai sobre o jantar ele ficou confuso:

- O que um jantar levando um acompanhante tem a ver com a vaga da dama de companhia?

- Pensei a mesma coisa. Por isso não sei exatamente como fazer.

- Kat, você precisa estar sempre um passo à frente.

- Eu estou, papai, acredite. Também tenho minhas cartas na manga, assim como o senhor.

- Não entendo quais as reais intenções da rainha.

- Acho que no fundo esta vaga não é tão necessária. Creio que ela esteja dando uma oportunidade para uma jovem, que provavelmente será da Zona C em diante, para popularizar-se um pouco. Ela precisa disto. A rebelião é iminente.

- Tenho um pouco de medo de você estar lá quando isso acontecer. Acho que a retirada da rainha Anne do poder é só uma questão de tempo.

- Não se preocupe comigo, pai. Eu sei me defender.

- Sei disto, Kat. Você sempre foi uma mulher forte. Mas tem coisas que não há como se defender... E os rebeldes quando entrarem no castelo não pouparão ninguém.

- Você acha que... Haverá morte?

- Não tenho certeza se fariam isso... A guarda do castelo é muito forte. Ainda assim temo derramamento de sangue.

- Mas o rei e os príncipes não tem culpa do que ocorre.

- Alfred Chevalier nunca teve qualquer poder sobre a rainha Anne. Ela nasceu para reinar.

- Eles se amavam ou foi um casamento de fachada? – perguntei curiosa.

- Eu acho que a rainha Anne nunca amou ninguém.

- Você... A conheceu pessoalmente? – tentei.

- Sim. – ele disse. Enfim, eu estava conseguindo saber um pouco.

- Então... Entende que os filhos dela não são culpados, não é mesmo?

- Eu não sei o que os príncipes pensam sobre a forma como a rainha conduz Noriah Sul. Mas tenho certeza de o rei não concorda. Mas como eu disse, ele jamais se posicionaria. O casamento foi um acordo entre reinos.

- Ela comprou um marido para poder reinar. – completei.

- Mais ou menos isso.

Eu já imaginava que era daquela forma. Meu pai sabia bastante, mas eu tinha que ir aos poucos arrancando dele a verdade, pois sabia que não seria naquele momento que ele me contaria tudo que sabia sobre o castelo de Noriah e a rainha Anne.

- Quero que se cuide. – ele pediu.

- Eu vou fazer isso, papai. Não se preocupe.

Era 16 horas quando Kim chegou. Trazia sua mala com maquiagens, secador e várias escovas. Sentamos em frente à minha penteadeira. Ele perguntou:

- O que você quer?

- Nada que chame atenção. Uma menina doce, comportada e tímida.

Ele riu:

- Kat Lee, você sabe o que quer.

- É claro que sim... Ou não seria eu. – falei rindo.

- Ok, vamos lá. Difícil não deixá-la estonteante.

Em pouco tempo eu me olhei novamente no espelho e estava exatamente como eu queria. Maquiagem leve e delicada. Cachos comportados caindo sobre os ombros. O vestido claro deu um ar jovial e comportado. Completei com um sapato cinza fechado.

- Pobre príncipe Dereck... Vai se derreter por você. – disse Kim se jogando na minha cama.

- Kim, entenda: eu não tenho nada com Dereck.

- Eu não me conformo com isso. Sempre achei ele mais lindo que Magnus. O que você tem na cabeça?

- Kim, o que você tem na cabeça? Eu não tenho nada com nenhum deles... Você fala de Magnus como...

- Se você estivesse interessada nele. – ele terminou minha frase sem saber o que eu diria.

- Eu não estou.

- Se não estivesse interessada em Magnus, já estaria nos braços de Dereck.

- Como assim?

- Kat, você não percebeu que Dereck é lindo? Não acha que ele tem intenções além de usá-la dentro do castelo como espiã? Você não é tão ingênua assim, baby e sabemos disso. Você só não consegue olhar para ele porque seu interesse é no outro irmão.

- Não... – falei confusa.

- Imagina quando eles souberem que você é virgem.

- Kim, o que isso tem a ver?

- Tenho a impressão de que o príncipe Dereck não acha você tão inocente assim...

- Mas... Eu não sou.

Ele riu:

- Kat, meu bem, você sabe o que quer e disso eu tenho certeza. Você fará um belo trabalho contra a rainha no castelo. Mas se você se apaixonar, tudo irá por água abaixo.

- Kim, estou ficando brava com você.

- Ponha isso na sua cabeça, meu bem: você não pode se apaixonar por nenhum dos príncipes, principalmente por Magnus. O próprio irmão dele disse que isso não pode acontecer.

- Kim, eu não vou me apaixonar por Magnus, nem por Dereck, nem por ninguém.

- Não me diga agora que você gosta de Léo. – ele disse ironicamente.

- Eu posso vir a gostar. – falei sabendo que ele não acreditaria em mim.

- Acho que Léo é mais virgem que você. – ele disse gargalhando.

Eu joguei um travesseiro nele e disse:

- Você não presta.

- Kat, eu me importo com você.

- Eu sei.

- Quero que tenha cuidado.

- Eu vou me cuidar.

- Eu amo você.

- Também amo você, Kim.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Dama de Companhia   EPÍLOGO (Katnus)

    Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,

  • A Dama de Companhia   Para sempre realeza

    Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N

  • A Dama de Companhia   Capítulo 114 - Dois príncipes

    O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-

  • A Dama de Companhia   Capítulo 113 - Por que não atirou em mim?

    - Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p

  • A Dama de Companhia   Capítulo 112 - Invasão ao castelo

    Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati

  • A Dama de Companhia   Capítulo 111 - Black e Katee

    As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status