FAZER LOGINLéo me buscou exatamente às 18 horas, conforme o combinado. Ele estava vestido elegantemente num terno cinza escuro com camisa branca. Fiquei feliz de estar acompanhada dele. Léo sabia se portar nestas ocasiões e tê-lo ao meu lado seria bom. Minha mãe estava fascinada com minha aparência, embora ainda achasse que eu deveria ter usado um longo.
- Mãe, não vai faltar oportunidade. Se eu conseguir a vaga como dama de companhia da rainha, acho que vou usar vestido longo em muitas ocasiões.
- Ou não... – ela disse. – Aquela megera é capaz de deixar você de fora dos eventos para não chamar a atenção.
Eu ri:
- Se é mais um elogio, obrigada.
- Se comportem. – ela disse acenando para Léo quando ele abriu a porta para mim.
Quando entramos no carro ele me olhou nos olhos e disse:
- Kat... Você está simplesmente deslumbrante. Se depender disso, a vaga é sua.
- Você não deixa a desejar, namorado. – falei sorrindo.
- Estou feliz de poder estar ao seu lado neste momento.
- Estou feliz por você estar comigo. – confessei.
Ele deu a partida no carro e nos dirigimos para o castelo. Quando chegamos em frente ao palácio de Noriah, estava escurecendo. Passamos pelos muros do castelo devidamente identificados. Quando deixamos nosso carro e entramos, eu vi a lugar iluminado artificialmente pela primeira vez. A fonte, pequena, mas extremamente brilhante, jorrava água fazendo o lugar parecer uma pintura.
- Este lugar é perfeito. – disse Léo.
- Eu sei... – falei com o coração batendo acelerado. Estava um pouco nervosa.
De alguma forma eu queria cada vez mais aquele emprego dentro do castelo. Eu estava completamente fascinada por aquele lugar... E pelas pessoas que moravam nele.
- Vim aqui algumas vezes com meu pai... Mas nunca entramos.
- Eu acho lindo por dentro... Mas por fora... É simplesmente perfeito.
- Quanto dinheiro nosso você acha que tem aqui?
- Acho que todo. – confessei.
Rimos e nos encaminhamos ao salão onde seria o jantar. Fomos levados por um guarda real. Eu não conhecia o salão. Era pequeno e aconchegante e estava lindamente decorado. As mesas redondas estavam dispostas para 3 casais, nominalmente. Encontramos nossos nomes e nos sentamos. Chegamos cedo, mas já haviam alguns casais. Nos sentamos e aguardamos. Em pouco tempo começou o desfile de belas mulheres com todos os tipos de roupas que se pode imaginar: desde vestidos longos dourados caríssimos até os mais simples. Eu fiquei feliz por ter escolhido um meio termo. Eu também não tinha condições de comprar um vestido... Mal tínhamos dinheiro para comer. Reutilizar meu vestido foi o melhor a fazer. Começamos a ser chamadas para tirarmos fotos para imprensa. Sim, era um evento aberto para os veículos de comunicação. Eu não me sentia muito à vontade com isso, mas também não era tão tímida a ponto de me encolher. Então enfrentei tudo com um sorriso no rosto e bom humor. A pergunta do jornalista foi:
- Senhorita Lee, por que acha que deve ser a dama de companhia da rainha Anne Marie Chevalier?
- Porque sou inteligente, eficaz, perspicaz, divertida, bem humorada, ágil, honesta e muito modesta.
O riso entre todos foi geral. Eu parecia segura, mas meu coração parecia querer pular para fora do meu peito. Voltei para junto de Léo, que já conversava com os outros acompanhantes de minhas concorrentes. Quando as vagas nas mesas fecharam, percebi que Sofia realmente estava fora. Ela não tinha um namorado e isso foi o que a eliminou. Pensar em continuar sem ela me dava uma dor no coração. De alguma forma eu havia me afeiçoado àquela garota.
Em pouco tempo alguns guardas e mulheres que eu sabia que trabalhavam no castelo entraram na sala e todos se calaram.
- Vossa alteza, príncipe Magnus e sua acompanhante, Lady Vitória Grimaldo, os agraciarão com sua presença no jantar de hoje. – foi anunciado.
Todos aplaudiram e eu fiz o mesmo. Lady Vitória Grimaldo entrou de braços dados com o príncipe Magnus. Ela era ainda mais bela ao vivo do que televisão. Era morena, tinha os cabelos castanhos lisos e sedosos e olhos castanhos claros. Ela tinha a boca grande e bem desenhada e usava um lindo batom vermelho. O vestido com um farto decote era da cor do batom. Quem poderia competir com a sensualidade daquela mulher?
- Ela é linda. – falei.
- Sim... – disseram os demais presentes na mesa.
Inveja era a palavra que definia aquele momento. Vitória era uma mulher linda, rica e casaria com o príncipe Magnus em pouco tempo. Eu só não sei exatamente de qual item eu tinha mais inveja... Mas acho que era do casamento... E de ela poder ter o príncipe Magnus ao lado dela todos os dias. Seria beijada por ele todos os dias, fariam amor todas as noites, tomariam longos banhos juntos, sem pressa, pois eram a realeza. Eu corei ao perceber meus pensamentos. Maldito Kim, que ficava enfiando coisas na minha cabeça a respeito de Magnus. Mas eu não pensaria em Kim... Eu só pensava em Magnus. Quando o olhei, lindamente vestido para a ocasião, nossos olhares se cruzaram por alguns segundos. Logo ele olhou em outra direção. Eu queria pensar que ele me procurou com o olhar e aquilo fez meus braços arrepiarem. Mas poderia ser somente um olhar qualquer, como ele dava para qualquer pessoa de dentro do salão.
- Está com frio, querida? – perguntou Léo ao me ver arrepiada.
- Não... Está tudo bem.
- Pode colocar meu casaco.
- Não precisa. Foi só uma onda de vento mais fria eu acho.
Ele olhou para as janelas e disse:
- Está tudo fechado... Quer que eu peça para baixarem a temperatura do ar?
Eu olhei ternamente para ele e disse:
- Faria isso por mim?
- Claro que sim.
Alisei o rosto dele e disse:
- Obrigada... Não precisa. Está tudo bem, acredite.
Logo foi anunciada a presença do príncipe Dereck também. Logo ele também estava na mesa do irmão e da cunhada. Foi servido o jantar. Olhei para a mesa da realeza e quando Dereck me viu, levantou a taça em minha direção, piscando. Fiz o mesmo, com um sorriso tímido. Tinha medo que soubessem que eu tinha algum tipo de ligação com ele. Percebi que Magnus falou algo no ouvido do irmão e olharam na minha direção. Tentei focar em Léo e não dar importância para a conversa dos príncipes.
Novamente o jantar no castelo era a base de carnes. Léo, ao ver que eu pouco me servia, chamou um dos garçons e falou:
- Você não tem um prato sem carne para minha namorada, por favor?
O garçom olhou para ele um pouco surpreso e disse:
- Claro, posso providenciar, senhor.
- Que bom. Estamos jantando no castelo... Creio que haja uma opção vegetariana para esta bela donzela.
O garçom sorriu e disse:
- Estarei trazendo em pouco tempo.
Olhei para ele e coloquei minha mão sobre a sua:
- Obrigada, Léo.
- Querida, sempre vou fazer tudo por você.
- Você realmente se importa comigo.
- Sempre vou fazer tudo por você.
Ele me deu um beijo no rosto, de forma carinhosa. Eu não pude deixar de olhar na direção da mesa real e novamente meus olhos encontraram os de Magnus. Desviei rapidamente. Por que aquele homem me chamava tanto a atenção? Era como se meus olhos não quisessem parar de olhar para ele nunca. Léo era um homem maravilhoso... Será que eu poderia tentar ficar com ele e ser feliz? Ou será que jamais conseguiria se não o amasse de verdade? Eu já não tinha certeza se o amor era a melhor escolha. Os casais que eu conhecia não tinha nada de sentimentos. Pensei se realmente existia a paixão ou o amor? E como eu saberia se amasse alguém?
- Tudo bem? – perguntou Léo.
- Sim.
- Você parece tão distante.
- Realmente estava... Pensando em tudo que está acontecendo.
- Surreal. – ele disse.
- Como acha que será a seleção no dia de hoje? – perguntou uma das mulheres da minha mesa.
- Não faço ideia. – disse a outra. – Não sei como poderíamos ser escolhidas num jantar.
- Acho que a forma de se vestir e se portar. – arrisquei.
- Faz sentido. - disse a primeira. – Me parece que isso é o que mais importa aqui.
- Acho que eles têm medo de que chamemos de alguma forma a atenção da realeza. – disse a segunda.
- Daí fazem um jantar onde as garotas precisam se arrumar? – falou Léo. – Um pouco dúbio.
- Este é objetivo. – eu disse. – Quem veio para uma festa e não um jantar, acho que estará fora.
Já não havia muitas garotas, então provavelmente eu encontraria menos concorrentes amanhã, caso estivesse entre as selecionadas.
- Eu preciso ir ao toalete. – falei.
Saí e fui procurar um banheiro. Precisava respirar um pouco. Minha janta vegetariana ainda não havia chegado. O ambiente estava pesado e eu começava a suar frio de nervosa. Perguntei ao guarda onde ficava e ele me indicou o banheiro dentro feminino dentro do salão. Fiquei ali um pouco, me olhando no espelho e respirando fundo. Retoquei o batom e quando saí Dereck estava próximo da porta.
- Podemos nos falar aqui? – perguntei.
- Claro que não. – disse ele saindo para que eu o seguisse.
Fui discretamente até um corredor menos iluminado.
- Dereck, o que vai acontecer agora? – perguntei.
- Quem escolherá é Magnus as próximas selecionadas.
- Magnus? Por que ele? Ele sequer falou conosco.
- Nem vai. Escolherá aleatóriamente.
Do nada Vitória Grimaldo apareceu no corredor e nos viu, lançando um sorriso irônico
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







