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Capítulo 21 - Eu não sou doente

Author: Roseanaautora
last update publish date: 2021-06-02 02:16:26

- Você pode encontrar esta moça aqui, príncipe Dereck?

- Ninguém me disse que era proibido falar com as participantes. – disse ele.

- Não seria melhor que isso acontecesse em público? Afinal, a moça está acompanhada. - disse ela com voz mansa, não escondendo a ironia no olhar.

- Não entendi seu comentário, Lady Vitória. De qualquer forma, obrigada Alteza, por me ajudar a encontrar o caminho de volta ao salão. Foi generoso de sua parte.

Fiz uma reverência e sai, voltando para o salão. Estava tão nervosa e irritada com aquela mulher irônica que não vi ninguém na minha frente, esbarrando em alguém. Quando levantei os olhos, vi Magnus. Alguns guardas vieram intervir e chegaram a encostar em mim, mas ele fez sinal para que saíssem.

- Me desculpe. – eu falei, fazendo uma reverência.

- Parece que só encontro você nestas circunstâncias. – observou ele.

- Eu... Não vi por onde andava. Estava desatenta. – continuei tentando explicar.

- Está melhor, senhorita Lee?

Olhei para ele confusa, não entendendo a pergunta.

- Da sua doença. – explicou ele ao perceber que eu não entendia do que ele falava.

- Eu não sou doente. – eu afirmei.

- Mas desmaiou naquele dia. Eu li...

- O G****e não é médico. – eu falei, não o deixando terminar. Ele não podia pensar que eu era doente, ou não me escolheria.

Ele me lançou um olhar divertido:

- Vou tentar não pesquisar no G****e da próxima vez.

- Não haverá próxima vez, porque como expliquei, não sou doente. Eu só não havia comido o dia todo. Qualquer uma poderia ter desmaiado de fome.

- Mas só aconteceu com a senhorita.

- Por causa da hipoglicemia.

- Que não é uma doença, estou certo?

Olhei para ele novamente, que não disfarçava um meio sorriso. Quanto mais eu tentasse explicar, pior seria. Eu poderia dar uma desculpa e sair dali, voltando para meu lugar. No entanto estar ali, tendo a atenção dele por alguns minutos, me deixava em frenesi.

Antes que eu pensasse em algo para falar, Vitória Grimaldo enlaçou os braços nos dele e me olhou cuidadosamente antes de falar:

- Primeiro o príncipe Dereck... Agora o príncipe Magnus... Você perdeu a sua mesa desta vez?

Fuzilei-a com o olhar. Que vontade de não ser uma menina educada e não depender daquela vaga. Eu não costumava levar desaforo para casa, mas daquela mulher eu teria que engolir. E eu não tinha o que falar para me defender de forma tão rápida.  Magnus a olhou de forma questionadora e ela disse:

- Esta mocinha estava perdida num corredor pouco iluminado com seu irmão, Magnus.

Magnus me olhou confuso. Enquanto eu pensava em algo para responder, vi Léo me enlaçando pela cintura, dizendo:

- Alteza, Lady Vitória... – ele fez reverência. – Meu bem, chegou seu prato especial. Vamos antes que esfrie.

- Prato especial? – falou Vitória arqueando a sobrancelha bem feita.

Léo sorriu gentilmente e explicou:

- Minha futura esposa não come carne. Então pedi que preparassem algo para ela, para que pudesse aproveitar de alguma forma os pratos magníficos que são servidos no castelo. Algum problema, Alteza? – ele perguntou diretamente para Magnus.

- De forma alguma. – respondeu Magnus. – Vegetariana? Não seria por isso que desmaia?

- Não. – respondi. – Não tem nada a ver uma coisa com a outra.

- Poderia ser falta de proteína. – arriscou ele.

- Não é.

- Como assim? – perguntou Vitória confusa.

Léo me olhou questionador também.

- A senhorita Lee tem hipoglicemia. – explicou Magnus.

- Como você sabe? – perguntou Vitória.

Léo o encarou, aguardando uma resposta. Ele se limitou a dizer:

- Ela teve um desmaio e precisou usar a enfermaria do castelo.

Depois de um longo silêncio, Vitória disse:

- Quando pretender casar? Afinal, você disse que ela é sua futura esposa.

- Assim que Katrina aceitar. – ele disse me olhando ternamente.

- Hum, que fofo. – observou ela ironicamente.

Como Magnus podia querer casar com aquela mulher? Ela só tinha beleza. O resto nela era somente ironia. Eu não precisava conhecer mais de Vitória Grimaldo para saber que ela seria uma forte oponente e não facilitaria em nada a minha vida. E eu duvidava que pudesse ser qualquer tipo de ciúme dela com relação a Magnus, pois ela era uma lady, filha de um duque e sabia que eu não oferecia nenhum risco. Ela pareceu também não gostar de me ver conversando com Dereck. O que aquela mulher realmente queria, afinal?

- Eu e Magnus esperamos oficializar logo também nosso noivado. – observou ela. – Estamos aguardando a escolha da dama de companhia para podermos organizar nossa festa. Será um evento único.

- Que bom. – respondi. – Espero poder estar ao lado da rainha Anne quando isso acontecer. – falei sorrindo. – Espero que sejam muito felizes.

Fiz reverência e saí, quase puxando Léo comigo. Quando sentamos à mesa, ele falou em voz baixa:

- O que foi aquilo? Aquela mulher é maléfica.

- Por que está dizendo isso?

- Vi nos olhos dela. Parece que não gosta de você. Querida, você fez algo para ela?

Eu ri:

- Como poderia? A conheci há exatos cinco minutos.

Ele riu também:

- Vai entender esta realeza, não é mesmo? O certo é que eu estou feliz de ter podido falar com o príncipe Magnus, mesmo que fosse por alguns minutos.

- Por que exatamente você foi até lá? – perguntei curiosa.

- Eu não gostei da forma como Vitória Grimaldo olhou para você. Pensei que pudesse precisar de ajuda. Vi quando você esbarrou no príncipe sem querer.

- Ele só foi gentil. – expliquei.

- E ela pareceu enciumada.

- Pois é... Ela é Vitória Grimaldo. Eu sou somente Katrina Lee. Isso é surreal.

- Acho que você atraiu a atenção da futura princesa. E não foi para o bem.

- Nem fale isso, Léo. Você sabe que eu preciso deste emprego.

Ele botou a mão na minha:

- Querida, se você não conseguir, vamos nos casar e tudo ficará bem.

Eu comecei a comer o prato que Léo havia exigido que viesse especialmente para mim. Era absolutamente perfeito. Eu nunca havia provado nada igual.

- Léo... O que é isso? – perguntei impressionada com o que me foi servido.

- Segundo o garçom, é um risoto de abóbora grelhada com farofa de couve e amêndoas.

- Isso é absolutamente... Sem palavras para descrever.

Ele riu:

- Prometo que farei belos pratos vegetarianos quando você for minha esposa.

Eu fechei os olhos e aproveitei as sensações que aquela comida fazia na minha boca. Pela primeira vez dei razão para minha mãe quando ela dizia que pobre não podia ser vegetariano. Aquele prato era algo perfeito. Procurei não dar importância às investidas de Léo. Sinceramente, eu não sabia quanto tempo suportaria tanta pressão da parte dele. Havia sido um dia cheio, eu havia conhecido Vitória Grimaldo e não tinha sido nada amigável nosso primeiro encontro. Depois da leve discussão que tive com Magnus, também não tinha certeza se ele me escolheria. Dereck havia deixado claro que Magnus faria a escolha. Eu poderia ter sido um pouco mais dócil com ele, mas não gostava quando ele dizia que eu tinha uma doença, porque eu não tinha. Ainda assim aquele homem mexia comigo de uma forma que nunca aconteceu na minha vida. E por este motivo eu precisava ficar afastada dele o máximo que eu conseguisse. Magnus significava sofrimento, nada além disso. Ele era impossível. Ah, como eu gostava de desafios e coisas impossíveis. Se ele não fosse o príncipe, eu já estaria tentando conquistá-lo de qualquer forma. Mas ele não era um homem normal: ela era o herdeiro do trono de Noriah. Ele tinha uma namorada e o enlace deles provavelmente já estava planejado desde que nasceram. Então eu só me machucaria... Muito.

O jantar acabou e voltamos para casa, sem saber exatamente o que aconteceria no dia seguinte. Léo falava o tempo todo, mas eu não conseguia prestar atenção nele. Minha mente só tinha espaço para os olhos do príncipe Magnus e suas palavras dirigidas a mim.

Quando deitei na cama, eu fechei os olhos, mas era só a imagem de Magnus que tinha na minha cabeça. Eu não poderia gostar dele... Nenhum pouquinho. Mas o que adiantava eu dizer isso pra mim mesma se minha mente não me escutava? Antes de dormir, foi a imagem dele a última coisa que vi na minha cabeça... E naquela noite, sonhei com ele.

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